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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Concertos Didáticos

Amigos e a quem possa interessar, estão todos convidados:

Prezados(as) docentes e funcionários(as),

O Núcleo de Artes e a Pastoral Universitária e Escolar convidam para a primeira edição deste ano do evento Concertos Didáticos, que será realizado no dia 21 de maio, quinta-feira, das 18h30 às 19h30, na Capela do Campus Rudge Ramos.

O evento contará com a apresentação dos músicos Yuri Steinhoff, contrabaixista, e Rodrigo Braga, pianista, que demonstrarão possibilidades timbrísticas dentro de um repertório popular, erudito e sacro, através de arranjos desenvolvidos especialmente para esse fim, onde os contrastes são sensivelmente explorados. Através, então, das variações timbrísticas, consegue-se obter novos horizontes e peculiaridades harmônicas, de tal forma a abrir os caminhos da Improvisação, não se pensando somente em contextos harmônicos, mas entendendo a obra em sua globalidade.

Contamos com sua participação!

Núcleo de Artes

Pastoral Universitária e Escolar

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Refletindo...

"Os nosso recomeços são apenas oportunidades de vivenciarmos, um de cada vez, os sonhos que vamos vivendo..." Rev. Gerson Freire


Pensando nessa afirmação acima do blog de meu querido amigo Gerson Freire (gersonfreire.blogspot.com):

- Existe mesmo um re-começo, existe re-começar?

Reflitamos... O que seria um "começo"? Algo que se inicia, seja um projeto, um sonho, um ato, uma carta, ou o que for, mas está iniciando-se partindo do pressuposto que não tenha sido iniciado ainda, popularmente "do nada", "do zero".
Agora, se Re-começarmos é começar de novo, porém, como começar o que já foi começado?
Alguém poderia me dizer: "é como um círculo" mas qual o começo do círculo?
pegando uma aliança na mão, qual seria o começo deste círculo, e então o recomeço deste círculo?

às vezes fracassamos e precisamos começar uma nova etapa. Mesmo que sejam os mesmos objetivvos, não é um recomeço. É um começo, outro começo. Mas não o início novamente, pois as experiências, as vivências, ou seja, todo o aprendizado levam-nos a uma nova situação, um novo começo a todo tempo; não é recomeço pois não começamos DE NOVO, não viveremos novamente um início que já foi, pois justamente já foi, e já experienciamos o novo do próximo instante que transforma em anterior o que Está. Quando transcendemos a nossa própria concepção sobre nós mesmos, sobre si, e deixamos o Estar-no-mundo para trás, pois essa loucura do que rotulam de pós-moderno, mais parecido com antropofagia, nos cercea e nos ata em um mundo que apenas Estamos, quando deixamos o Estar-no-mundo e vivenciamos o Ser-no-mundo, encaramos sempre a possibilidade do novo ser novo, mas não de novo, apenas novo pela experiência inédita que torna-se quando a vivemos. Por isso "sonhos que vamos vivendo"! Vivemos sonhos pelo acúmulo do novo... O novo que apenas deixa de ser, mas permanece...

Muitos confundem círculo com ciclo...
círculo... sempre volta para o mesmo ponto... às vezes, estático ou em movimento, são iguais...
ciclo... é processual... contínuo...
círculo... sem início, sem fim...
ciclo... novo, novo, novo, novo, novo...

Mas, principalmente, vivamos atemporalmente, pois o que realmente importa é atemporal...

só outro pensamento...

Quais os primeiros passos para um reavivamento genuíno?


por Bispo Adriel de Souza Maia
DE QUE AVIVAMENTO NÓS PRECISAMOS?

Avivamento com o foco no esvaziamento, na santidade bíblica e compromisso com paixão missionária.
Diante do cenário em que vivemos, precisamos urgentemente da intervenção do Espírito Santo no rumo das Igrejas, a fim de que elas possam priorizar a Palavra Revitalizadora do Evangelho de Jesus Cristo (Js 1.8; Is 40.1-3; Tg 8.4-10; Hb 2.1-2).
Avivamento que mude a história das nossas vidas com impactos interiores e exteriores (Is 44.1-6; Hc 3.1-4; 1Ts 5.12-22; At 3.19-21).

Avivamento que avive e que penetre em todas as camadas sociais, implantando o estilo de vida que houve em Jesus Cristo. (Js 3.5; Js 24.14-15; Mt 11.28-30; Fl 4.8-9 Ef 4.25-5.2). Carecemos, portanto, de um avivamento autêntico e que seja resultado concreto da plenitude do Espírito Santo (Ez 3.12 e 16-19; Sl 34.15-19; Ef 5.11-18; Hb 10.12-17).

Avivamento que desemboque na humildade, quebrantamento, esvaziamento e confissão de pecados diante de tantas vaidades (Pv 15.33; Ef. 4.2; Fl 2.1-11; Mt 20.20-28; 1Jo 1.5-10; Mt 6.9-15)

Avivamento que seja portador da afetividade, da sensibilidade e da abertura para o próximo e não de pretensos movimentos que semeiam o individualismo pessoal e de grupos, que não promovem níveis mais elevados de comunhão, mas criam grupinhos, panelinhas e igrejinhas dentro das Igrejas e, nesse sentido, comprometem o eixo da unidade cristã (Pv 6.16-19; Sl 34.11-19; Fp 2.1-4; Cl 3.12-17).

Avivamento que declare uma moratória à competição cristã e ao proselitismo que campeiam por aí. Não importa quem tenha mais popularidade como pregador/a, conjunto, cantor, cantora ou quem tenha a maior Igreja ou o maior numero de membros. Importa, sim, que todos/as sejam novas criaturas para melhor adorar e servir ao Senhor "com alegria e singeleza de coração" (At 2.42).

Avivamento que nos liberte das malhas do triunfalismo do sucesso a qualquer preço,
conscientizando-nos de que a Igreja é sempre estado de risco, pois em razão da sua missão de contribuir com Deus no Seu propósito de salvar o mundo, deve se contrapor a atitudes de opressão e injustiças produzidas por pessoas, por instituições e, inclusive, por ela própria (Sl 37.1-9; Is 55.6-7; Mt 3.1-3; Jo 3.1-5).

Avivamento espiritual que, entre outras realidades, encarne esses elementos básicos: proceda da visão do trono da graça de Deus, onde há temor e tremor, encontre espaços abertos para a inserção histórica.

Um avivamento gerador de frutos concretos nos termos de Gálatas 4.16-25, bem como, fundamentado na santidade pessoal e comunitária e, em consequência, seja gerador de missão e evangelização (Lv 19.1-2; 2Cr 19.6-7; 1Pe 1.13-16; Fp 2.12-13).

Quais características de uma comunidade de fé dirigida pelo Espírito Santo?

O avivamento movido pelo amor às pessoas, pelo desejo de que, ao aceitarem a Jesus, sejam transformadas e sejam motivo de transformação da sociedade como expressão do amor de Deus que um dia tiveram acesso a Ele. E nesta missão solidária, contamos com a presença de Jesus que, por meio do Espírito Santo, nos anima a continuar a Sua obra de salvação de fato e de verdade.

Disse Jesus: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século". Mateus 28.19-20

CARACTERÍSTICAS DO POVO DE CORAÇÃO AQUECIDO

por Bispo Adriel de Souza Maia

Estilo de vida visando à perfeição cristã (Ez 11.19; Dt 6.4-9; Mt 25.14-30; Mc 16.15; Hb 12.14-15; Tg 4.11-12; 2Tm 4.5).
Fortalecimento da espiritualidade nos pequenos grupos (Pv 18.24; Mt 11.28-30; Lc 15.1-2; 1Co 3.9; 15.28).
Valorização do ministério leigo como a grande força no crescimento do metodismo (Gn 41.1-36;
Mulher Lc 5.27-28; 1Co 3.5; 12.4-11).
Fortalecimento do compromisso conexional, ou seja, ir além do aspecto administrativo, viver a conexidade para a missão, no compartilhar os dons (ensino, música) e mesmo no compartilhar do suporte financeiro (Dt 32.45-47; At 16.6-10; Cl 3.12-17).
O Metodismo tem como princípio "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo" (Mc 12.30-31). Por isso, o Metodismo subsistiu no mundo inteiro, pela paixão de cada um dos seus membros, mantendo a tradição, usando canais, estruturas e métodos que asseguraram a continuidade do movimento até os dias de hoje.
Este é o desafio do Metodismo: o confronto da pessoa e da sociedade com a vontade transformadora de Deus, que chama a uma resposta de fé e amor a Ele e ao próximo.
A experiência de John Wesley com Deus trouxe um avivamento na vida de Wesley e na sociedade inglesa de forma que sua vida gerou frutos e frutos que permanecem até os nossos dias. De tempos em tempos faz-se necessário um avivamento que ajude a Igreja a permanecer na sua ação profética e a contribuir para a transformação social.

O POVO do CORAÇÃO AQUECIDO…

por Bispo Adriel de Souza Maia

A "Celebração do Coração Aquecido" tem muitas motivações importantes. Podemos relembrar a experiência com Cristo vivida pelo fundador do Metodismo, John Wesley, e, especialmente os seus ensinos a partir das doutrinas e marcas fundamentais do movimento metodista:
l A graça de Deus vivenciada por meio da experiência pessoal e comunitária (Ne 8.3-6; Ef 4.25-32; Tt 2.11; 2Pe 3.18, 1Pe 5.12).
2 A obra do Espírito Santo na vida do cristão e da cristã e da Igreja (Jz 20.26-28;
At 1.8; 2.1-14; 2.38; Jo 16.7-14; 15.26; 14.16; 1Co 6.19).
3 A paixão evangelizadora (1Rs 8.12-14 e 8.22-33: Dt 10.17; Mt 28.18-20; Ef 2.8, 4.29; Lc 9.57-62; Lc 14.15-24; Lc 16.13; Jo 3.16; 2Co 8.9).

Espalhar a santidade bíblica por toda terra era um dos lemas de John Wesley. A doutrina da santificação wesleyana inclui dois movimentos que devem estar integrados:
os atos de piedade e os atos de misericórdia.

COMPROMISSO COM DEUS A PARTIR DOS ATOS DE PIEDADE

Atos de piedade são ações que levam à experiência pessoal com Deus, ao crescimento
e maturidade espiritual. Desenvolvem-se na participação na ceia do Senhor,
leitura devocional da Bíblia, prática da oração, do jejum, participação nas vigílias,
nos cultos etc. (Gn 12.2; Is 40.21; Sl 120.1-7; Tg 5.16).

COMPROMISSO COM DEUS A PARTIR DOS ATOS DE MISERICÓRDIA

Ação concreta de amor em favor das pessoas e do mundo. E mundo inclui tanto o ser
humano como seres vivos e a natureza. Toda a criação de Deus. São atos de misericórdia:
a solidariedade ativa junto aos pobres, às pessoas necessitadas e marginalizadas, a
preservação do meio ambiente, o cuidado com os recursos naturais (a água...). Enfim, o compromisso com a justiça social para a promoção do bem comum (Mt 10.8; Ec 9.10;
Jo 1.16; Mc 16.15; Lc 10.25-37; Tg 2.14-26; Is 41.3; Mq 6.6-8).
Para Wesley, não há santidade sem a conjugação adequada desses dois aspectos.
Segundo ele, a santificação se concretiza na interação humana. Enquanto a justificação pressupõe um ato de fé pessoal, a santificação pressupõe a existência do outro, do próximo, tanto no nível comunitário eclesiástico como na esfera pública. Na tradição wesleyana, ninguém se santifica sozinho, pois a santificação é sócio-comunitária. No entendimento de Wesley "não há santidade que não seja santidade social (...) reduzir o Cristianismo tão somente a uma expressão solitária é destruí-lo".

quinta-feira, 14 de maio de 2009

DOUTRINAS METODISTAS II

Arrependimento

Introdução

A maneira característica do Antigo Testamento para expressar o arrependimento do ser humano para com Deus e dizer que houve uma volta, um retorno: o ser humano saiu do pecado e voltou-se para Deus. No Novo Testamento, o arrependimento é enriquecido em sua significação: ele é a mudança de mente; consiste na radical transformação de PENSAMENTO, ATITUDE, DIREÇÃO.

Textos bíblicos:

• Lucas 3:1-4: João Batista chama o povo judeu ao arrependimento, como indispensável preparação para sua participação no Reino de Deus;
• Mateus 4:17 e Marcos 1:15: Jesus inicia sua missão com o desafio do arrependimento e a promessa das Boas Novas, semelhante à mensagem de João Batista;
• Isaías 1:10-17: O povo é desafiado a voltar-se para Deus, fazendo o BEM, caso contrário ele não aceitaria o culto, o louvor ou a adoração;
• Amós 5:11-14: O arrependimento toma forma de imperioso chamado à obediência da aliança do povo com Deus. Se não se arrependesse, não teria vida;
• Lucas 18:9-14: Só pode haver arrependimento se o ser humano reconhece que é pecador. So assim ele pode ser justificado;
• Romanos 10:11-15: É preciso que alguém fale de Jesus, o que ele exige e a esperança da Salvação que nele há, , para que se oportunize o arrependimento e a seguir, creia nele (Jesus).

O que é arrependimento: Não podemos confundir arrependimento com remorso ou desespero. As emoções de tristeza ou remorso e as lágrimas que acompanham tais sentimento, não são o arrependimento e nem o tornam verdadeiro.

O arrependimento possui dois momentos, segundo os ensinamentos bíblicos: a auto-conhecimento e a produção das obras de arrependimento.

O AUTO-CONHECIMENTO é a correta compreensão do estado religioso de cada um de nós. Deus emprega muitos meios para nos fazer enxergar como realmente somos. O meio mais cumum é a Bíblia. Ela é como um espelho onde nos vemos tal qual somos.

O povo judeu por se julgar escolhido e ter assegurado provilégios que os gentios não possuiam, não conseguia enxergar sua condição de "raça de víboras", tal era o seu distanciamento da vontade de Deus. Foi necessário João Batista e o próprio Jesus mostrarem como o povo seguia a Lei mas não tinha compaixão; como observar as festas, os cultos e os sacrifício, mas não praticava a Justiça, o Amor e a Santificação.

Como nos arrepender de algo se nos achamos ótimos?

As OBRAS DIGNAS DO ARREPENDIMENTO eram exigidas do povo após o reconhecimento dos pecados: repartir as túnicas e os alimentos, não cobrar impostos injustos, não explorar o próximo, não roubar ou maltratar alguém. Por outro lado, praticar o amor e o serviço de Deus e ao próximo, andando a segunda milha, amando até aos inimigos e mostrando verdadeira transformação em sua CONDUTA.

Conclusão:

O arrependimento consiste no abandono do pecado e no voltar-se para Deus e seu serviço (ministério). A mente que é o âmago do ser humano, é radicalmente transformada pelo arrependimento. O arrependimento inclui a tristeza, e geralmente lágrimas, pelos pecados cometidos e dá oportunidade para que a Graça de Deus alcance o ser humano e o leve à justificação.

O arrependimento é o primeiro movimento para a salvação (Mt 4:17). Deus está nos convidando ao arrependimento e torna possível uma resposta positiva através de sua Graça Preveniente. Um cadáver nada pode responder, mas o pecador e pecadora até o último instante tem a oportunidade de fazer o primeiro movimento.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

História de uma mãe de coração aquecido

História de uma mãe de coração aquecido



Duas datas do mês de maio – o Dia das Mães, no segundo domingo, e a experiência do “coração aquecido”, de John Wesley, no dia 24 – nos trazem à memória o nome de Susana Wesley. Essa mulher foi mais do que mãe do fundador do metodismo: como você verá neste artigo do saudoso professor e pastor Duncan Reily, Susana influenciou importantes decisões tomadas por Wesley. Seu papel foi fundamental para o estabelecimento do metodismo no século 18. Assim como é fundamental o papel das mães metodistas do século XXI. Parabéns a todas!

Susana Wesley, metodista

Os quase 73 anos e meio da vida de Susana Annesley Wesley não podem ser contados no pequeno espaço do presente artigo. Portanto vamos limitar-nos ao período entre Maio de 1738 e Julho de 1742, os primeiros anos do Metodismo no sentido mais próprio do termo. Neste curto tempo, Susana tornou-se numa metodista atuante e figura influente nesse movimento liderado pelos seus filhos João e Carlos. Destacaremos cinco momentos ocorridos nos anos finais dessa mulher extraordinária.

O primeiro desses momentos ocorreu pouco depois daquela data tão crucial para o Metodismo, a saber, 24 de Maio de 1738. Tudo indica que ele preparou a narrativa da sua conversão – na realidade, uma pequena autobiografia espiritual que ele incluiria no seu Diário Público – exatamente para explicar a sua mãe mais plenamente o sentido do evento. João levou-lhe o relato. Apesar de Susana não ter vivido, até àquele momento, uma experiência semelhante, ela recebeu o relato com aprovação.

Depois de muito estudo desse episódio, estou convencido de que temos nesse relato da “Experiência de Aldersgate” a mais completa descrição escrita por Wesley. Precisamente por causa do seu desejo de compartilhar com sua mãe o que Deus havia realizado na vida dele.

O segundo momento é aquele em que Susana teve uma experiência marcante de fé pessoal, diferente em detalhes daquelas dos seus filhos João e Carlos, mas com sentido semelhante. Como boa e convicta anglicana, ela viveu por longos anos uma vida marcada por leitura da Escritura, oração e meditação profundas e disciplinadas, participação ativa de culto e sacramento. Ela nem sonhava com uma experiência em que receberia de Deus a certeza do perdão e salvação. Mas, para surpresa dela, numa data que parece nunca ter revelado, Susana teve uma experiência de fé viva e pessoal, ao receber a Santa Ceia das mãos do seu genro Wesley Hall. Ela descreveu a experiência em termos que lembram aquela dos discípulos de Emaús, quando Cristo se revelou “no partir do pão”.

O terceiro momento que queremos destacar é a participação dela na adoção pelos metodistas da pregação leiga, fenômeno quase desconhecido entre os anglicanos do tempo. No início de Março (1739), João Wesley, muito hesitante, seguiu o exemplo de Jorge Whitefield e começou a pregar ao ar livre, o que resultou em muitas conversões em Bristol, Kingswood e Londres. Mas a expansão geográfica era mínima, porque havia apenas dois pregadores, os próprios irmãos Wesley. Isso só mudaria quando João Wesley levasse para Londres o jovem convertido Thomas Maxfield para ajudar na obra. Maxfield empolgou-se no trabalho e chegou a pregar, coisa que o clérigo João Wesley não admitia. Informado da irregularidade, Wesley voltou a Londres às pressas para proibir a inovação. Susana, porém, já havia assistido à pregação do jovem e reconhecera nela a mão de Deus. Foi ela que convenceu Wesley a ouvir a pregação antes de impedi-la. Dito e feito! Depois de ouvir a pregação de Maxfield, Wesley concluiu: “É de Deus!” Foi o começo da prática da pregação leiga, o principal elemento na expansão da obra metodista daquela época.

O quarto momento é a publicação anônima de um trabalho teológico com o título “Alguns Reparos sobre uma Carta do Rev. Whitefield ao Rev. Wesley”. Na carta examinada, Whitefield havia atacado com veemência o sermão de João Wesley sobre a Livre Graça. Na obra, Susana defende a postura teológica do seu filho João e argumenta fortemente contra a doutrina calvinista da predestinação, mostrando um respeitável conhecimento da literatura relevante da época. Uma leitura cuidadosa da publicação revela Susana como uma excelente teóloga e polemista, faceta da vida dela pouco conhecida.

O quinto e último momento é muito solene, a saber, a morte de Susana Wesley e o seu sepultamento, respectivamente em 30 de Julho e 1 de Agosto de 1742. Susana Wesley não apenas morreu firme na fé como também deu testemunho de uma fé triunfante. Nos últimos momentos da sua vida, o seu filho João e a maioria das suas filhas estavam com ela. Pouco antes de falecer, ela pediu: “Filhos, assim que eu me libertar deste corpo, cantem um salmo de louvor a Deus”. Eles atenderam ao último pedido da sua mãe. O seu filho João dirigiu o serviço fúnebre. Ele registrou no seu Diário Público que estava presente uma multidão numerosa demais para contar.

Anos mais tarde, Wesley construiria, no outro lado da rua, a sua nova sede em Londres, a Capela da City Road, popularmente conhecida como a Capela Wesley. Assim, na sua morte e enterro, a metodista Susana tornou-se parte daquela “linha de esplendor sem fim”, daqueles que, mesmo “depois de mortos ainda falam” (Heb. 11: 4).

Pelo Rev. Duncan Alexander Reily. Texto adaptado (reduzido) do original publicado na revista Fé e Nexo, setembro de 2002. Reproduzido na revista “Portugal Evangélico”, publicação das Igrejas Metodista e Presbiteriana, Junho/Agosto de 2003

Um século de Dia das Mães

Um século de Dia das Mães

Flores, cartõezinhos, muitos beijinhos estalados... quando chega o segundo domingo de maio, é gostoso receber e demonstrar amor às mães pelo seu dia.




É um dia também para se lembrar, com o coração cheio de gratidão, das mães que já se foram.

Afinal, o Dia das Mães nasceu como uma homenagem póstuma da metodista norte-americana Anna Marie Jarvis à sua própria mãe. A primeira comemoração oficial foi numa Igreja Metodista, 100 anos atrás.

No ano de 1905, Anna Marie Jarvis recebeu um duro golpe: a morte de sua mãe, exemplo de dedicação e fé. Dois anos mais tarde, em 1907, no segundo domingo de maio, Anna convidou várias amigas para sua casa na Filadélfia, EUA, para uma celebração de ação de graças pela vida de sua mãe. Na ocasião ela anunciou a idéia de se instituir um dia nacional em honra às mães.

No verão seguinte, Anna escreveu ao Superintendente da Escola Dominical da Igreja Metodista Andrews em Grafton, sugerindo que a igreja na qual sua mãe tinha dado aulas por 20 anos, celebrasse o Dia das Mães em sua homenagem.

Assim, no dia 10 de Maio de 1908, celebrou-se oficialmente o primeiro Dia das Mães da história. Em 1914, a celebração tornou-se nacional, aprovada pelo Presidente Woodrow Wilson.

Desde 1908, a homenagem às mães acontece na Igreja Metodista Andrews, agora conhecida como Capela do Dia das Mães, na cidade de Grafton, West Virginia. O local tornou-se também uma espécie de museu dedicado à comemoração.




O fim do Dia das Mães

Mas nem tudo foram rosas (ou cravos, escolhidos por Anna para simbolizar a data) na bela história do Dia das Mães. Muito cedo Anna se decepcionaria com os rumos tomados pela comemoração. Ela ficava simplesmente chocada quando via comerciantes aproveitando-se da data. “Não era essa minha intenção! Eu queria que fosse um dia de sentimento, não de lucro!, reclamava Anna. Desgostosa, ela ironizava: “Um cartão impresso não significa nada, a não ser que você é muito preguiçoso para escrever para a mulher que fez mais por você do que qualquer outra pessoa no mundo. E doce! Você compra uma caixa para sua mãe – e come a maior parte você mesmo. Um lindo gesto!”

O mesmo empenho que Anna teve para criar e oficializar o Dia das Mães, ela teve para destrui-lo. Em 1923, moveu um processo contra o governo de Nova York para cancelar a celebração e, é claro, perdeu. Enraivecida, ela atacou uma barraca de florista (mais ou menos como Jesus fez com as mesas dos cambistas no templo de Jerusalém) e foi presa por perturbação da ordem.

Anna Jarvis nunca conseguiu fazer com que o Dia das Mães “acabasse” ou voltasse à pureza original. Morreu pobre e sozinha, aos 84 anos de idade, e foi enterrada ao lado de sua mãe.

Suzel Tunes

(traduzido e adaptado dos sites: http://www.mothersdayshrine.com e http://sean.gleeson.us/2005/05/08/mothers_day_history)

DECLARAÇÃO DA CÂMARA DOS BISPOS DA IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL SOBRE ACORDO BRASIL/ VATICANO

DECLARAÇÃO DA CÂMARA DOS BISPOS DA IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL





“Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros.”

1 Coríntios 12:25












A Câmara dos Bispos, por unanimidade, decidiu enviar à Igreja, à Presidência da República Federativa do Brasil, ao Congresso Nacional e aos meios ecumênicos a presente declaração de desconforto e inconformidade com o Acordo firmado, em 13 de novembro de 2008, entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé. Neste sentido, afirma:



1. A Santa Sé é sujeito de direito internacional e as relações, concordatas e acordos diplomáticos se operam de país a país, ou através de organismos internacionais reconhecidos pelos Estados Membros. Vige, portanto, o princípio da soberania do Vaticano (Tratado de Latrão, de 1929) e ao estabelecer laços legais com outros entes de direito público internacional se faz com obediência ao ordenamento jurídico dos Estados contratantes.



2. O Acordo firmado entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé reconhece uma certeza jurídica sólida e especial à Igreja Católica Apostólica Romana, de alguma forma tem-se a reedição atenuada do Padroado antes de 1890. Mais, inexiste paridade dos termos e alcance do tratado às outras confissões religiosas. Se o governo brasileiro quer dar um novo status legal à religião no Brasil que o faça a todas as confissões, caso contrário, reedita-se as condições de oficialidade existentes durante o Império.



3. O direito fundamental de liberdade religiosa é norma constitucional, portanto, qualquer acordo entre o Estado Brasileiro e outro ente de direito internacional que viole esse princípio, padece de vício insanável e, pela hierarquia das normas, não pode prevalecer. Explicitamente, a Constituição Brasileira consagra no artigo 5º, incisos VI e VIII, o direito fundamental de liberdade religiosa:

“é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias” (Artigo 5º, VI). Mais, pontifica a Carta Magna, por força do art. 60, §4º, IV, que esses princípios se constituem em verdadeiras cláusulas pétreas: "Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: IV – os direitos e garantias individuais” .



4. O acordo celebrado entre o Estado Brasileiro e a Santa Sé fere frontalmente a Constituição Federal, de 1988, que não admite status privilegiado de crenças religiosas no Brasil. A separação entre a Igreja e o Estado foi efetivada em 7 de janeiro de 1.890, pelo Decreto nº 119-A, da República. E, a atual Constituição brasileira, de 1.988, proíbe, em seu art. 19, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento, ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público." Infere-se daí, o primado da Constituição federal quando houver conflito de normas pátrias com acordos internacionais sobre cultos religiosos ou igrejas.



5. As relações diplomáticas entre Estados não podem servir de pretexto para a criação de um munus especial que incentive as práticas de uma confissão religiosa em detrimento das demais.



6. Para além dessas considerações de ordem jurídica e constitucional, destacamos também a riqueza da caminhada ecumênica no Brasil. Essa caminhada tem sido feita com diálogo e com a busca do reconhecimento e legitimidade das confissões cristãs em superarem conflitos e buscarem atuar juntas na promoção da justiça e da paz.



7. Os declarantes confiam que o Congresso Nacional ao apreciar o Acordo celebrado entre a Santa Sé e o Estado Brasileiro não permita qualquer violação ao direito fundamental de igualdade religiosa, assegurando às demais confissões legalmente existentes no Brasil os mesmos direitos.



Brasília-DF, 11 de maio de 2009.





Dom Maurício Andrade, Primaz e Brasília,DF

Dom Almir dos Santos, Oeste

Dom Jubal Pereira Neves, Santa Maria-RS

Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre, RS

Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba, PR

Dom Sebastião Armando Gameleira Soares, Recife, PE

Dom Filadelfo de Oliveira Neto, Rio de Janeiro, RJ

Dom Saulo Maurício de Barros, Belém, PA

Dom Renato da Cruz Raatz, Pelotas, RS

Dom Roger Bird- São Paulo, SP

Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito

Dom Luiz Osório Pires Prado, Emérito

Dom Glauco Soares de Lima, Emérito

sábado, 9 de maio de 2009

Doutrinas Metodistas 1

DOUTRINAS

Doutrina da Criação do Ser Humano e o
Pecado Original

Introdução

Para coroar os sucessivos atos da Criação, Deus cria o homem e a mulher a sua imagem e semelhança (Gn 1:26-27). Mas afinal, em que somos semelhantes a Deus?

a - O Sentido Global da Imagem de Deus em Nós: O que nos faz diferentes dos animais e nos torna imagem de Deus é a capacidade de ter comunhão com Ele. Só os seres humanos podem se relacionar com Deus face-a-face, de maneira íntima e pessoal. João Wesley detectou três aspectos de imagem dos seres humanos com seu Criador:

• A IMAGEM MORAL - ao ser criado, o ser humano possuia a santidade, a pureza e o amor de Deus. Sua verdadeira natureza é ser santo, misericordioso, puro, livre, incorruptível e eterno.

• A IMAGEM NATURAL - isto significa que Deus criou o ser humano com perfeita liberdade de escolha não só em pequenas questões da vida, mas também naquelas que determinam seu destino. No estado de inocência ele podeia escolher obedecer a Deus ou não, sem qualquer interferência sobre sua capacidade de escolha (Gn 2:15-17).

• A IMAGEM POLÍTICA - Deus delega poderes aos seres humanos quando ordena o domínio sobre os habitantes do mar, dos céus e da terra (Gn 1:28) e a incumbência de dar nomes às outras criaturas (Gn 2:19-20; Sl 8:6-7).

b - O Pecado Original: O ser humano, usando a liberdade dada por Deus, escolheu DESOBEDECÊ-LO, ou seja, pecou. Este pecado acarretou funestas (desastrosas, fatais) conseqüências para toda a criação: conflito, desarmonia, mal-estar, morte. E arruinou o relacionamento com Deus e com outras pessoas. O ser humano perdeu sua verdadeira natureza. O pecado distorceu a imagem moral de Deus no ser humano, quebrando a sua comunhão com o Criador. Tornando-o injusto, desonesto, mau, violento (Rm 3:10-18).
Com o pecado, o ser humano perde a capacidade de escolher o Bem e a Vida, por si mesmo, pois sua imagem natural é danificada (Rm 7:14b-15). Também a imagem política, apesar de não ser destruída, fica difícil de ser exercida, porque a natureza torna-se hostil. Mas para sobreviver, o homem e a mulher, terão de enfrentar o desafio de dominar, cultivar e guardar toda a Criação de Deus.

c - A Providência de Deus: Nos Salmos 8:5 lemos: "Fizeste-o, no entanto, um pouco menor do que os anjos e de glória e honra o coroaste".
Esta é a descrição do ser humano criado por Deus. Que diferença fez a entrada do pecado em sua vida!
Se Deus não tomasse a iniciativa de providenciar um meio de reabilitar-nos, estaríamos implacavelmente destruidos. Mas sua graça veio até nós através de Jesus Cristo e a possibilidade de reavermos nossa verdadeira natureza tornou-se real.
E Deus oferece também a esperança da transformação de toda a Criação quando efetivar a vitória final sobre o pecado (cf. Rm 8:18-24).
Estamos caminhando para o cumprimento total da promessa feita por Isaías (Is 11:1-9) e confirmada nos capítulos 21 e 22 de Apocalipse (ler Ap 21:1).

Conclusão:

A compreensão bíblica e dos metodistas do ser humano leva bem a sério a situação trágica da humanidade. O pecado original contamina e estraga não apenas cada indivíduo como também a toda a sociedade humana. Mas cremos na graça de Deus. Através dela o Paraíso pode ser reconquistado. O ser humano, e toda a sociedade, pode reaver sua verdadeira natureza e humanidade proposta inicialmente por Deus!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


CARTA PASTORAL SOBRE A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

I – CONCEITUAÇÃO

A chamada “teologia da prosperidade” parte do princípio de que todos são filhos do Rei (Deus, Jesus) e que, portanto, recebem os benefícios desta filiação em forma de riqueza, livramento de acidentes e catástrofes, ausência de doenças, ausência de problemas, posições de destaque, etc. Esta “teologia” oferece fórmulas para fazer o dinheiro render mais, evitar-se acidentes, livrar-se de doenças e problemas,aumentar as propriedades, além de viver uma vida sem dificuldades.
A teologia da prosperidade sustenta que nenhum filho de Deus pode adoecer ou sofrer, pois isso seria uma clara demonstração de ausência de fé e, por outro lado, da presença do diabo. Ao mesmo tempo, eles chegam ao exagero de declarar que quem morre antes de 70 anos é uma prova de incredulidade, imaturidade espiritual ou pecado.

II – IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA

Nas décadas de 60 e 70, espalhou-se pelas igrejas dos Estados Unidos, especialmente aquelas de tendência pentecostal, um movimento cuja afirmação principal é garantir saúde integral, sucesso total nos empreendimentos, enfim, prosperidade a todas as pessoas que cumprem a vontade de Deus, através de suas vidas.
Embora não conheçamos a maioria dos líderes desse movimento, os evangélicos brasileiros conheceram Jimmy Swegart, um evangelista que freqüentou os nossos televisores à custa de milhões de dólares. Não fossem os muitos de seus escândalos descobertos, juntamente com outro evangelista, Jim Bakker, hoje ainda teríamos
suas pregações nas emissoras de televisão brasileiras. No final da década de 70, se pode assistir, através da televisão, o auge desse movimento, quando multidões enchiam imensos templos, estádios, parques públicos, em busca da orientação e proteção de Deus para alcançar fama, sucesso e dinheiro. Foi no impulso desse movimento que vieram por exemplo, o contraditório dente de ouro e outras manifestações igualmente estranhas. Como uma bomba de efeito retardado, a teologia da prosperidade chegou ao Brasil, através de uma perfeita divulgação. Assim, de repente, as livrarias evangélicas começaram a vender enorme quantidade de livros e fitas divulgando esta novidade. Foi assim que um dos mentores dessa doutrina, Kenneth Hagin, tornou-se um sucesso de vendas nas livrarias evangélicas, no Brasil. Daí suas idéias espalharam-se pelas igrejas.

III – A VISÃO BÍBLICA E TEOLÓGICA

Encontramos no Antigo Testamento pelo menos dez diferentes palavras da língua hebraica que pertencem ao mesmo campo de significado, a saber: prosperar, ter êxito e sucesso, sair-se bem, fazer crescer, fortalecer, pacificar, ser frutífero, fartar-se e riqueza. Portanto, a Bíblia tem seu próprio conceito de prosperidade. Como este conceito é tão diferente da maioria dos atuais, é necessário que estejamos atentos e abertos à antiga, porém sempre correta, proposta bíblica.
O que é prosperar? Como a prosperidade, prioritariamente, não é obter vantagens pessoais ou ganhar dinheiro, como a Bíblia trata este assunto? Vejamos alguns exemplos:
1. O profeta Ezequiel relaciona prosperidade para a casa de Israel com a videira que dá frutos (Ez. 17.1-10; cf.Sl. 1.3);
2. Quando Josué assumiu a liderança do povo, em lugar de Moisés, Deus lhe fez algumas instruções decisivas que definem a prosperidade: ser forte e corajoso, não temer e andar nos seus caminhos (Js. 1.1-9);
3. Na oração de Neemias encontramos uma outra definição de prosperidade: praticar a misericórdia, isto é, ser bondoso e leal para com Deus e os seus semelhantes (Ne. 1.11);
4. Muitos textos bíblicos definem o êxito e sucesso na vida com a conduta sábia, o discernimento e a perspicácia no trato com a instrução de Deus (Dt. 29.9; 1 Rs. 2.3; Ec. 10.10; 11.6);
5. Trazer paz ao mundo também pode ser considerada uma atitude de sucesso (Sl. 122.6-7);
6. O povo de Deus entendia que fazer o bem e agir corretamente na vida era ser próspero (Jó 21.13; Sl. 106.5);
7. Uma definição bíblica que resume todas as demais é a seguinte: o próspero é uma pessoa que imita o agir de Deus. O Salmo 1 encontra esta pessoa. É o justo.
Evidentemente, toda a Bíblia proclama que Deus é a causa direta da prosperidade dos justos (Gn.39.3,23; Is. 48.15; Ez. 17.9-10; Ne. 2.20). Entretanto, Deus usa uma pedagogia, isto é, um jeito correto e instrutivo para nos dar a sua ajuda e sua graça. Assim, a Bíblia mostra que a prosperidade do povo de Deus vem:
• Pelo sofrimento e pela graça de Deus (Is. 53.10), que ensina que o começo de todo bem sucedido empreendimento humano reside na capacidade da pessoa para sofrer;
• Pela fidelidade e lealdade a Deus e ao povo de Deus (Jr. 13.7-10; Dn. 6.9);
• Pela busca do temor do Senhor (I Cr. 26.5);
• Pela prática da justiça (Sl. 1.3);
• Pela posse (descida) do Espírito de Deus (Jz. 14.6; 19; 15.14).
É possível que estejamos repetindo conceitos e definições, porém a Bíblia é uma testemunha instrutiva. Ela, através de suas reportagens, nos oferece pistas para obtermos sucesso na vida. Nela aprendemos que, em primeiro lugar, a obtenção de prosperidade é precedida de pedido, apelo, por parte da pessoa interessada (Sl.
118.25); segundo, através de uma vida de piedade e fidelidade à instrução de Deus (Js. 1.7-8; Dt. 29.9; I Cr. 31.21); terceiro, através da insistente busca de sabedoria (Ec. 2.21; 11.6).
Também encontramos na Bíblia alguns textos que tratam a prosperidade de forma bastante negativa. Para os autores bíblicos, a prosperidade como ganho, sucesso e êxito nos empreendimentos da vida conflita com os princípios básicos da fé. Dois textos ilustram estes princípios:
1. Porque prosperam os malvados? (Jr. 12.1-6) Ao lermos este texto, percebemos que ele é um corpo constituído de duas partes: na primeira, o profeta faz. Em tom de queixa, uma tremenda acusação contra Deus (vv. 1-4); na Segunda parte, temos uma dura resposta de Deus (vv. 5-6). Este tipo de diálogo apimentado, entre o profeta e
Deus, nós o encontramos em Habacuque (1.2; 2.4) e constitui a preocupação central do livro de Jó.
A questão geradora da queixa de Jeremias é: Porque os ímpios prosperam? Diante disso, o profeta abre um processo jurídico contra Deus: Eu vou abrir um processo contra Ti (v. 1 a). O surpreendente, aqui é que ele acusa Deus de ter permitido, com seu silêncio, o Domínio dos malfeitores sobre os justos (comparar Ha. 1.2-4;
12-17).
Sua justificativa tem dois tipos de argumento: O primeiro é direto: Apesar de serem desleais (v. 1b), usarem dos feitos de Deus para encobrirem suas más ações, (v.2), provocarem a destruição dos animais e aves (v.4 a) e propagarem mentiras sobre Deus (v. 4b), esses malvados (como lobos vestidos de cordeiros) prosperam e gozam de tranqüilidade (v. 1b) e o segundo é indireto: O profeta justifica sua acusação, mencionando algumas conseqüências danosas e provocadas pelos prósperos ímpios: primeiro, a gula de prosperidade alimenta e multiplica a deslealdade (v. 1b); segundo, a ansiedade pelo lucro fácil não tem limites, agredindo e destruindo
a natureza a flora e a fauna (v. 4 a) a ponto de justificar seus atos com uma mentira, Deus não vê o nosso futuro (v. 4b). O pequeno diálogo se encerra de modo surpreendente para o profeta: o pior estava por vir. Aqui, o profeta não recebe uma resposta satisfatória e tranqüilizadora para o problema do mal e do sofrimento,
provocado pelas pessoas prósperas, que ele experimentava na própria carne.
2. A prosperidade dos ímpios incomoda os crentes (Sl. 37.1-40). Este Salmo mostra outro exemplo da crise de fé causada pela prosperidade das pessoas más, egoístas, violentas, opressoras e descrentes. A maior parte do Salmo é admoestação (vv. 1-11 e 22-40). O restante trata das descrições do inimigo (vv.12-15), do justo e do ímpio (vv. 16-26).
O salmista busca orientar, animar e sustentar a esperança do crente fiel para que este se mantenha firme diante de toda provocação causada pela prosperidade dos ímpios (vv. 10.39-40). Diante do sucesso dos malvados, o salmista recomenda:
• Não te exasperes, não invejes (v.1);
• Confia no Senhor e faze o bem, habita a terra e cultiva a fidelidade, põe tuas delícias no Senhor, confia teu caminho ao Senhor e nele espera, descansa no Senhor e espera nele, não te exasperes, acalma a ira, reprime o furor (vv. 2-8);
• Evita o mal e faze o bem (v.27); espera no Senhor e segue o caminho (v.34);
• Observa o homem íntegro e atenta no que é reto (v. 37)
• Todas estas recomendações são justificadas pela fé na atuação de Deus.
• Ele satisfará os desejos de teu coração; fará surgir tua justiça como a aurora e o teu juízo como o meio-dia;
• Ele realizará os desejos de teu coração e atuará (vv. 4-6);
• Os malfeitores serão exterminados e os que esperam no Senhor possuirão a terra (v.9);
• O Senhor se ri do ímpio, porque vê chegando seu dia (v. 13);
• O Senhor firma os passos do homem... porque ele o sustenta pela mão (v. 24);
• Ele ama o que é justo e não sustém os justos (v. 17);
• Ele conhece os dias dos íntegros (v. 18);
• O Senhor não abandona os que lhe são fiéis (v. 28);
• O Senhor não entrega o justo nas mãos dos ímpios, nem permite que o condenem no tribunal;
• Ele te dará posse da terra (vv. 33-34);
• O Senhor socorre e livra os justos (v. 40).
A extensa lista de justificativas tem sua razão, pois, certamente, a prosperidade crescia entre o ímpios.
Em conseqüência disso, o salmista (bastante perturbado!) escreve esse manual de instrução para os crentes, que poderíamos intitular: COMO ENFRENTAR A SOBERBA DOS ÍMPIOS.
Como enfrentar a soberba dos ímpios. Diante de nós estão duas experiências, mas um só problema: a tentadora idéia de ser financeira ou artisticamente próspero. A difícil experiência de Jeremias e a crise de fé vivida pela comunidade do salmista podem nos levar a estabelecer uma cartilha orientadora para os crentes.
A Bíblia conhece a prosperidade como uma atitude sábia de enfrentar e responder às agressões da vida com bondade, lealdade, fé, ação justa, solidariedade (Sl. 37.6).
A idéia de prosperidade, espúria à Bíblia, é a mesma oferecida a Jesus por satanás (Mt. 4.1-11; cf. Mc. 1.12-13; Lc. 4.1-13). É uma prosperidade relacionada a dinheiro, lucro, êxito na vida e sucesso nos empreendimentos pessoais. Na denúncia de Jeremias (12.1-6), os prósperos são inimigos do servo de Deus, cometem perversidade contra as pessoas, contra a natureza, promovem a descrença. No caso do salmista, o perfil dos homens prósperos é mais amplo, e a repercussão de seus atos é, aparentemente, maior. O gesto dessa gente má provoca sentimentos de indignação e inveja (v.1), irritação (v.7), ira, furor e impaciência (v. 8), entre outras reações. Por todas essas razões, a Bíblia distingue dois tipos de prosperidade.
A forma de prosperidade, denunciada por Jeremias e pelo salmista, é extremamente perigosa para a estabilidade e o bem-estar da vida humana. É uma prosperidade que gera pobreza, desnível social, descrença, sacrifício dos mais fracos, falta de sensibilidade para com a natureza, soberba de uns e humilhação de outros,
complexos de inferioridade, medo. Tudo isso ocorre porque o valor maior é o dinheiro, a promoção pessoal, o êxito empresarial. Quando a dignidade humana estiver sujeita ao dinheiro, o mundo ficará perigoso para se viver. É por essa razão que o salmista grita: “socorro, Senhor!” (Sl. 12.1) e o profeta Jeremias se impacienta:
“Até quando”? (Jr. 12.4). O sistema de vida que a teoria da prosperidade defende está cheio de competições:
patrão/empregado; nação rica/nação pobre. Quem é mais forte explora ou elimina o mais fraco.
O texto de Jeremias e o de Salmos ensinam o crente como enfrentar o sistema de vida dos prósperos.
Ambos sugerem formas para confrontar esse inimigo. O salmista é mais objetivo e sugere formas de enfrentar essa praga que está apagando da memória do povo o conhecimento de Deus. O texto de Jeremias (12.1-6) reflete toda a perplexidade do crente diante do crescimento de prosperidade e poder dos ímpios. Enquanto isso,
o Salmo 37 tenta instruir os crentes fiéis para enfrentar o problema. Quando a Bíblia fala da justiça divina, ela não quer dizer que Deus castiga os pecadores e premia os justos. Se isso ocorresse, os templos estariam abarrotados de pessoas. Acontece que o ensino bíblico acerca da justiça divina não é utilitarista. O princípio, é dando que se recebe, não retrata bem o ensino da justificação.
A solução do problema em torno da prosperidade dos ímpios e do sofrimento dos justos não é imediata, isto é, a transferência direta dos bens dos ímpios para os crentes. A Bíblia ensina que a superação desse problema não tem data marcada, mas está na fidelidade do justo (cf. Hab. 2.4). Tanto Jeremias como o salmista não orientam os perplexos crentes a fugirem para longe dos ímpios, mas a se manterem firmes na fé. Por isso o grande apelo do salmista é: confiar em Deus (vv. 3,5,7,34) e esperar que um dia a justiça divina possa restabelecer a paz na terra.

IV – ORIENTAÇÕES

1. O estudo sobre o tema da prosperidade deve levar em consideração todos os textos bíblicos e não apenas alguns em particular, como os teólogos da prosperidade costumam fazer para sustentar suas idéias;
2. O estudo deve levar em conta o contexto no qual surge o tema da prosperidade e, portanto, seguir rigorosamente os princípios de interpretação bíblica;
3. O conceito bíblico de prosperidade contrapõe, como vimos anteriormente, o conceito difundido hoje em dia nos meios evangélicos. Na abordagem do tema é necessário que esta diferenciação seja considerada.
4. Deve ficar sempre claro que Deus é o autor da vida, consequentemente, Ele é o responsável pelo sucesso, pelo êxito ou prosperidade do Seu povo;
5. Vivemos numa sociedade que busca a prosperidade a qualquer custo, renunciando a solidariedade, a justiça, o bem-estar dos outros, atitudes estas compatíveis à cidadania do Reino de Deus.

Considerando seu compromisso pastoral com a comunidade metodista, o Colégio Episcopal coloca esta visão bíblico-teológica e a sua orientação sobre o tema. Orando por cada irmão e irmã, fraternalmente,
São Paulo, 05 de junho de 2007.

BISPO JOÃO CARLOS LOPES – PRESIDENTE DO COLÉGIO EPISCOPAL
BISPO LUIZ VERGILIO BATISTA DA ROSA – VICE-PRESIDENTE DO COLÉGIO EPISCOPAL
BISPO ADONIAS PEREIRA DO LAGO – SECRETÁRIO DO COLÉGIO EPISCOPAL
BISPO ADOLFO EVARISTO DE SOUZA
BISPO ADRIEL DE SOUZA MAIA
BISPA MARISA FREITAS COUTINHO
BISPO PAULO TARSO DE OLIVEIRA LOCKMANN
BISPO ROBERTO ALVES DE SOUZA
BISPO JOÃO ALVES DE OLIVEIRA Fº
BISPO JOSUÉ ADAM LAZIER
BISPO GEOVAL JACINTO DA SILVA
BISPO NELSON LUIZ CAMPOS LEITE
BISPO RICHARD DOS SANTOS CANFIELD
BISPO ROZALINO DOMINGOS
BISPO STANLEY DA SILVA MORAES

terça-feira, 5 de maio de 2009

Luzes, câmera, pregação! Princípios, meios e fins da homilética espetacular

Luzes, câmera, pregação! Princípios, meios e fins da homilética espetacular
Por: Luiz Carlos Ramos

Introdução

A prática homilética 1 contemporânea é moldada pela sociedade do espetáculo. A base principal dessa sociedade espetacular é a economia de mercado globalizada aliada aos meios eletrônicos de comunicação de massa e à tecnologia da informação, de onde surge o seu principal produto: a indústria do entretenimento. Nessa sociedade, dá-se, sistematicamente, o processo de degradação do ser para o ter e do ter para o parecer (por exemplo: já não basta ser rico e ter dinheiro, é preciso parecer rico e parecer ter muito dinheiro).
Os meios eletrônicos, tais como o rádio, a TV e a Internet são, basicamente, instâncias recreativas, instrumentos de diversão, parques de entretenimento. Como meios espetaculares, representam (encenam) a realidade. Não são a realidade, mas refletem imagens do real, como espelhos (specculum). A fruição dessa não-realidade implica na alienação da vida, ainda que por alguns instantes, pela contemplação da representação do real que se vê nas telas e monitores, ou que se ouve dos receptores de rádio. Essa suspensão da existência é precisamente o sentido da palavra entretenimento: ter + entre. Abre-se um parênteses na vida real, para que se possa assistir a vida representada. Por que isso acontece, isto é, por que as pessoas abrem esses parênteses em suas vidas com freqüência cada vez maior, não cabe aqui discutir. O fato é que assim é.

Princípios homiléticos espetaculares

Os princípios espetaculares regem a homilética espetacular. Enquanto, na homilética convencional, as bases da prédica são as teologias bíblica, sistemática e pastoral, por meio dos processos exegéticos, hermenêuticos e retóricos, na homilética espetacular, essas bases são outras. Primeiramente, em lugar da exegese, que seria o processo pelo qual o intérprete visita o texto bíblico em busca de sua história e do seu sentido primeiro, a homilética espetacular prefere a eisegese, que é o processo pelo qual o intérprete projeta sobre o texto as suas próprias idéias. Isso porque a história como memória significativa de um povo não interessa para o mundo do espetáculo. Este, ao contrário se alimenta do novidoso. A história só interessa enquanto servir para os propósitos da indústria do entretenimento. Por exemplo: a história do Dia Internacional da Mulher, não interessa à mídia como história da conscientização de pessoas a partir de uma tragédia que vitimou 129 mulheres operárias, na cidade de Nova Iorque, no dia 8 de março de 1857. Por isso, sem pudor, a publicidade aproveita a ocasião para vender lingerie, cosméticos e outros artigos de moda. O espetáculo refaz a história segundo os seus próprios interesses, num procedimento eisegético sistemático.
Em segundo lugar, enquanto a homilética convencional, mediante o procedimento hermenêutico, procura atualizar a mensagem do texto bíblico à luz da tradição e do testemunho acumulado historicamente pela Igreja, a homilética espetacular opta pela “pesquisa de opinião”. A homilética, para subsistir no mundo do espetáculo, precisa agradar às massas. Deve, portanto, oferecer não o que a massa precisa, mas o que ela quer. Se, em outros tempos havia um compromisso de coerência com o que os pregadores supunham ser a verdade, no mundo da mídia, a verdade é a opinião pública, o “Ibope”. Como se trata de um empreendimento demasiadamente oneroso, a homilética da mídia não pode se dar ao luxo de dispensar audiência. Para tanto, procede à constante monitoração desta, e reformula sua proposta de acordo com a adesão conquistada. Em uma palavra, a hermenêutica da mídia é determinada pelos órgãos de pesquisa de opinião pública que medem os índices de audiência e de prestígio dos programas veiculados pela mídia. Daí a necessidade dessa homilética de trabalhar com os mesmos mecanismos de sedução da mídia: o apelo ao narcisismo, os estereótipos, o mecanismo de transferência de valores e o fascínio das estrelas, para mencionarmos apenas alguns.
Finalmente, em lugar da retórica sagrada, que se encarrega de traduzir em acontecimento a intenção do pregador ou pregadora — na forma de desafios concretos para a transformação ou confirmação de valores com vistas a um futuro melhor —, na homilética espetacular, essa escatologia é substituída pela ansiedade imediatista do aqui e agora. Assim como não interessa ao espetáculo o passado, tampouco interessa o futuro. Para a sociedade do espetáculo, tudo é um eterno presente. Assim, alimenta-se de uma vertiginosa enxurrada de eventos (por exemplo: as Olimpíadas devem dar lugar à Copa do mundo, que deve dar lugar às eleições presidenciais, que devem dar lugar às comemorações natalinas, etc., etc.). Não se deve esperar para consumir amanhã o que se pode consumir hoje. A expectativa do celeste porvir, das antigas tradições cristãs, dá lugar ao imediato labor pela satisfação iminente das aspirações de prosperidade e sucesso.

Meios homiléticos espetaculares

Além dos princípios, deve-se pensar a respeito dos meios homiléticos espetaculares. Ora, o meio privilegiado pela homilética convencional é o da alocução, isto é, o processo oral-verbal pelo qual a palavra se torna acontecimento. No caso da homilética espetacular, a palavra deve dar lugar à imagem, e o processo oral-verbal, ao imagético-visual. No primeiro caso, a principal ferramenta persuasiva é a recorrência à metáfora, que, dentre as figuras de linguagem, é a que mais tem a capacidade de sensibilizar o corpo, mas sempre a partir de um disparo intelectual, de um estimulo racional. No caso do espetáculo, o principal elemento de sedução é a metonímia, processo pelo qual se pode tomar a parte pelo todo. Assim se dá o processo de enquadramento das câmeras (de TV, de cinema, da web...): elas selecionam o assunto, deixando, propositalmente, de fora o que não interessa. Esse processo gestáltico de seleção (e, por conseguinte, de exclusão) não está imune às ideologias, antes se presta muito a servi-la. A imagem metonímica, ao contrário da metáfora, faz o caminho do coração para o cérebro, isto é, primeiramente se “sente” uma imagem, depois (às vezes muito depois) se pensa sobre ela.
Como o papel da mídia, numa sociedade espetacular comandada pelo mercado, é vender produtos, a metonímia imagética torna-se muito útil, pois uma pessoa é convertida em consumidor não pela razão, mas pela emoção. Se o indivíduo pensar muito ele não compra, principalmente os produtos supérfluos. Mas, como já foi dito alhures: a propaganda é a arte de fazer o cliente comprar o que não precisa, com o dinheiro que ele não tem. E isso só acontece por impulso. Depois da compra é que o consumidor parará para pensar (e amargar) a sua impulsividade.
Dessa forma, enquanto a homilética convencional se ocupa, principalmente do significado (conteúdo), a homilética espetacular se concentra no significante (forma). O conteúdo espetacular se constitui de mera desculpa para a elaboração de um invólucro atrativo, sedutor, irresistível, capaz de valorizar (atribuir valor) e precificar o seu produto.

Fins homiléticos espetaculares

Também é preciso que se analisem os fins da homilética espetacular. Segundo o filósofo e cineasta francês Guy Debord, o fim do espetáculo é o próprio espetáculo, que deve constantemente se retroalimentar, pois ele se consome a si mesmo. O espetáculo vive de si mesmo. Note-se a freqüência com que programas da mídia são montados em cima de suas próprias personagens (estrelas). A mídia, constantemente noticia a própria mídia, entrevista a própria mídia, elabora documentários sobre a própria mídia, num verdadeiro círculo vicioso de autopromoção. Daí a frequência dos apelos dos telepregadores para que seus telespectadores contribuam para a manutenção do programa. O objetivo é manter o programa no ar, e é por isso que ele vai ao ar: para ficar no ar.
Ora, a homilética convencional enquadrava suas prédicas nas categorias discursivas aristotélicas, a saber: o discurso judiciário, pelo qual se interpreta e julga-se sobre o passado (procedimento exegético); o discurso demonstrativo, pelo qual se expõe sobre a relevância ou não de certa questão (procedimento hermenêutico), pelo qual algo deve ser louvado ou criticado no presente; e, finalmente, o discurso deliberativo, pelo qual se decide a respeito do futuro (processo retórico), se algo deve ou não ser implementado, deve ou não ser realizado, e de como isso se dará.
Por sua vez, para alcançar seus fins, a homilética espetacular adota outras categorias, oriundas do teatro: a comédia e a tragédia (e suas derivações). Nesses gêneros teatrais, as emoções são preponderantes. O riso e o choro purgam o indivíduo de suas próprias misérias. Pelo riso, o desgraçado alivia suas penas, e pelo choro o abastado se penitencia das injustiças por ele cometidas.
Da combinação da tragédia e da comédia nasceu o drama. Nessas categorias, joga um papel particularmente importante a música. Não somente como prelúdio e poslúdio, mas como trilha sonora e parte integrante da cena.
Portanto, a homilética que melhor se adéqua aos meios eletrônicos de massa é aquela carregada de forte teor emocional, que tem a capacidade de provocar na sua audiência, alternadamente, o riso e, principalmente com o concurso da música, produzir o choro. Há uma dependência crescente da música, no processo discursivo, particularmente o religioso, contemporâneo.

Conclusão

Concluindo, a prédica espetacular desafia a homilética convencional, na medida em que se apresenta como fenômeno aliado à ideologia hegemônica do espetáculo-mercado. É a pregação da massificação e do lucro sobrepujando a prédica da resistência e da graça.
Os protestantes vivem hoje o que a Igreja cristã experimentou no século IV, sob Constantino: uma religião outrora minoritária e de proscritos, de repente se torna religião oficial e hegemônica. Em lugar de perseguição, passou a ser vantajoso ser cristão. Assim também os evangélicos brasileiros vivem um processo de constantinização espetacular: outrora proscritos e minoritários, começam a experimentar a notoriedade e a celebridade.
Nem a homilética da idade mídia, nem a da Idade Média tem como foco principal os intersujeitos comunicantes. A primeira se ocupa do significante (da forma) enquanto a segunda, do significado (conteúdo). Ainda é preciso desenvolver uma homilética da Idade Humana, e que, por isso mesmo, seja humanizada e humanizante, menos preocupada com os meios e as técnicas e mais voltada para a experiência relacional e vital entre as pessoas em diálogo, cujas palavras sejam inspiradas pela Palavra de Deus.


Aonde isso nos levará são cenas dos próximos capítulos...

Luiz Carlos Ramos, doutor em ciência da religião, pastor metodista e profesor da Faculdade de Teologia Metodista de São Bernardo do Campo

A Homilética é a disciplina teológica que trata dos discursos religiosos. É, portanto, uma meta-ciência, que discursa analítica e criticamente sobre os discursos que são pronunciados no contexto das comunidades de fé.

Causas da Ineficiência do Cristianismo.

Causas da Ineficiência do Cristianismo.
John Wesley
Dublin, 02 de Julho de 1789.


"Acaso não há bálsamo em Gileard, não há médicos? Por que, então, a saúde da filha de meu povo não foi curada?".
(Jer. 8:22)


1. Essa questão, como aqui proposta pelo Profeta, relaciona-se apenas a um povo particular – os filhos de Israel. Mas eu poderia aqui considerar isso, em um sentido geral, com relação a toda a humanidade. Eu poderia seriamente inquirir, Por que o Cristianismo tem feito tão pouco bem, no mundo? Ele não é o bálsamo, os meios exteriores, que os grandes médicos têm dado aos homens, para restaurar a saúde espiritual deles? Por que, então, ela não é restaurada? Você diz, Por causa da corrupção profunda e universal da natureza humana. A maioria verdade, mas aqui a mesma dificuldade. Não foi pretendido, por nosso Onisciente e Poderoso Criador ser o remédio para a corrupção? O remédio universal, para o mal universal? Mas ela não respondeu a essa intenção nunca, e não responde a ela, até hoje. O mal ainda permanece, em toda a sua força. Maldade de todo o tipo; vícios, interiores e exteriores, em todas as suas formas, ainda se espalham na face da terra.

2. Ó, Senhor Deus, "justo és tu! Deixe-nos, ainda, pleitear contigo". Como é isso? Tens tu esquecido-te do mundo que tu fizeste, e que tu tens criado apenas para tua própria glória? Podes tu desprezar o trabalho de tuas próprias mãos; a aquisição pelo sangue de teu Filho? Tu tens dado remédio para curar nossa doença, ainda assim, nossa doença não é curada. Ainda a escuridão cobre a terra, e escuridão densa as pessoas; sim, escuridão tal como os demônios sentem, e que escapam das profundezas do inferno.

3. Que mistério é esse, para que o Cristianismo possa ter feito tão pouco bem no mundo? Pode algum relato disso ser dado? Podem algumas razões ser afirmadas para isso? Não parece que uma razão para que ele tenha feito tão pouco bem é essa, — porque ele é tão pouco conhecido? Certamente ele poder ter feito nenhum bem, onde ele não é conhecido. Mas ele não é conhecido, até esse dia, pela maior parte dos habitantes da terra? No último século, nosso compatriota engenhoso e laborioso, Brerewood, viajou por grande parte do mundo conhecido, com o propósito de inquirir, tão longe quanto possível, em que proporção, os cristãos suportam os ateus e Maometanos. E, de acordo com seu cálculo, (provavelmente, o mais acurado que tenha sido feto), eu suponho que a humanidade possa ser dividida em trinta partes. Dezenove partes dessas são ainda ateus fechados, tendo não mais conhecimento do Cristianismo, do que as bestas que perecem. E nós podemos acrescentar, a essas, as numerosas nações, as quais têm sido descobertas, no presente século. Acrescentar, a essas, tais como as que professam a religião Maometana, e que rejeitam, extremamente, o Cristianismo. De modo que, cinco partes, da humanidade, fora das seis, são totalmente ignorantes do Cristianismo. É, entretanto, nenhuma surpresa que cinco, em seis, da humanidade; talvez, nove, em dez, têm nenhuma vantagem dele.

4. Mas por que tão pouca vantagem é derivada do mundo cristão? Não é algum cristão melhor do que os outros homens? Não é melhor do que os ateus e os Maometanos? Para dizer a verdade, ele é igual, se não; pior; pior do que tanto os Maometanos quanto os ateus. Em muitos casos, é, abundantemente, pior; mas, então, estes não são, propriamente, cristãos. A generalidade desses, embora use o nome cristão, não sabe o que é o Cristianismo. Ela não mais entende dele, do que o faz do grego ou hebreu; dessa forma, não pode ser melhor por isso. O que os cristãos (assim chamados) - da igreja oriental - dispersos, através dos domínios turcos, conhecem do genuíno Cristianismo: Esses da Morea, do Cáucaso, Mongrelia, Geórgia? Não são essas pessoas as próprias escórias da humanidade? E nós não temos razão para pensar que esses da igreja do sul; esses habitantes da Abissínia têm alguma concepção a mais do que eles, da "adoração de Deus, em espírito e verdade?" Vamos olhar aqui perto de casa. Veja as igrejas do oroente; aquelas que estão sob o patriarca de Moscou. Quão, excessivamente, pouco eles conhecem do Cristianismo externo ou interno. Quantos milhares, sim, miríades desses pobres selvagens sabem nada do Cristianismo, a não ser o nome! Quão pouco mais eles sabem do que os ateus Tártaros, de um lado, ou os ateus Chineses do outro!

5. Mas não é o Cristianismo, pelo menos, bem conhecido, por todos os habitantes do mundo ocidental? A grande parte do qual é, eminentemente, denominada Cristandade, ou a terra dos cristãos? Parte desses são ainda membros da igreja de Roma; parte é denominada Protestante. Como para os primeiros, Portugueses, Espanhóis, Italianos, Franceses, Germanos, o que grande massa deles conhecem das Escrituras Cristãs? Tendo tido oportunidade freqüente de conversar com muitos desses, em casa ou no exterior, eu tenho a audácia de afirmar que eles são, em geral, totalmente, ignorantes, tanto como para a teoria e prática do Cristianismo, de modo que eles perecem, aos milhares, por "falta de conhecimento" – pela necessidade de conhecerem os primeiros princípios do Cristianismo.

6. "Mas, certamente, esse não é o caso dos Protestantes na França, Suíça, Alemanha, e Holanda, muito menos, na Dinamarca e Suécia". Realmente, eu espero que, nem todos juntos. Eu estou persuadido que existem, entre eles, muitos que conhecem o Cristianismo; mas temo que não devemos pensar que um, em dez; se um, em cinqüenta, é desse número; certamente, não, se nós podemos formar um julgamento sobre eles, por aqueles que nós encontramos na Grã Bretanha e Irlanda. Vamos ver de que maneira situa-se em nossa própria porta. As pessoas na Inglaterra, em geral, (não da classe mais alta ou mais baixa, porque esses usualmente conhecem nada do assunto, mas as pessoas de classe média), entendem o Cristianismo? Eles imaginam o que é isso? Eles podem dar um relato inteligente, tanto da parte especulativa, como prática dele? O que eles sabem dos primeiros princípios dele? — Dos atributos naturais e morais de Deus; da sua providência particular; da redenção do homem; dos ofícios divinos de Cristo; das operações do Espírito Santo; da justificação; Do novo nascimento; da santificação interior e exterior? Experimente falar alguma, dessas coisas, às primeiras dez pessoas que estiverem em sua companhia; e você não irá encontrar nove delas totalmente ignorante de toda a questão? E não é a maioria dos habitantes da Alta Escócia, inteiramente, tão ignorante, quanto essas; sim, e as pessoas comuns da Irlanda? (eu digo, os Protestantes, dos quais, tão somente, estamos agora falando). Faça uma inquisição justa; não apenas, nas choupanas do interior, mas, nas cidades de Cork, Waterford, Limerick; sim, e mesmo em Dublin. Quão poucos conhecem o que o Cristianismo significa! Quão pequeno número você irá encontrar, que tem qualquer concepção da analogia da fé! Das algemas das verdades Bíblicas, e a relação delas, umas com as outras, -- ou seja, a corrupção natural do homem; justificação pela fé; o novo nascimento; santidade interior e exterior. Isso deve ser conhecido por todos os juízes competentes, que conversem livremente com seu próximo, nesses reinos; e que uma vasta maioria deles sabe não mais dessas coisas do que eles conhecem de Hebraico ou Árabe. E que bem pode o Cristianismo fazer a esses, que são totalmente ignorantes dele?

7. Embora, em algumas partes, tanto na Inglaterra como na Irlanda, o Cristianismo Bíblico seja bem conhecido; especialmente, em Londres, Bristol, Dublin, e quase todas as mais populosas cidades e regiões de ambos os reinos. Nesses, cada ramo do Cristianismo é declarado, abertamente e largamente; e milhares em milhares, continuamente, ouvem e recebem, "a verdade que está em Jesus". Por que, então, mesmo nessas partes, o Cristianismo tem tido tão pouco efeito? Por que a generalidade das pessoas, em todas essas partes, ainda é atéia? Não melhor do que os ateus da África, ou América, tanto no seu temperamento quanto na sua vida? Agora, como é isso calculado? Eu concedo, assim: Há uma palavra comum, entre os cristãos, na igreja primitiva: "A alma e o corpo fazem um homem; o espírito e a disciplina fazem um cristão"; implicando que ninguém pode ser um cristão real, sem a ajuda da disciplina cristã. Mas, se for assim, é para se surpreender que nós encontramos tão poucos cristãos; onde existe disciplina cristã? Agora, qualquer que seja a doutrina pregada, onde não há disciplina, não poderá haver efeito completo, nos ouvintes.

8. Para trazer a matéria mais para perto, ainda. Não é o Cristianismo Bíblico pregado e geralmente conhecido entre as pessoas comumente chamadas Metodistas? Pessoas imparciais permitem que seja. E elas não têm a disciplina cristã também, em todos os ramos essenciais dele, regularmente e constantemente, exercitada? Deixe aqueles que pensam que alguma parte essencial dela é insuficiente, chamarem a atenção, para ela; e ela não deverá ser insuficiente, por muito tempo. Por que, então, não são cristãos, os que têm tanto a doutrina como a disciplina cristã? Por que não é a saúde espiritual das pessoas chamadas Metodistas, recuperada? Por que não está toda essa mente em nós, a qual também está em Jesus Cristo? Por que nós não temos aprendido dele, nossa primeira lição, para sermos mansos e humilde de coração? Para dizer com ele, em todas as circunstâncias da vida: Não como eu desejo, mas como tu desejas? Eu não vim para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade Dele que me enviou. Por que nós não estamos crucificados para o mundo, e o mundo crucificado para nós; mortos, para o desejo da carne, o desejo dos olhos, e o orgulho da vida? Por que todos não vivemos a vida que está oculta com Cristo em Deus? Por que nós que temos todas as ajudas possíveis, não caminhamos como Cristo tem caminhado? Ele não nos deixou um exemplo de que nós devemos seguir as suas pisaduras? Mas nós não guardamos tanto seu exemplo, quanto a sua prescrição? Para exemplificar apenas um ponto: Quem considera essas palavras solenes: "Não deite você mesmo tesouros na terra?" Das três regras as quais estão colocadas no título, do sermão sobre "O Espírito de Cobiça da Iniqüidade", você pode encontrar muitos que observam a primeira regra, ou seja, "Ganhe tudo o que puder". Você pode encontrar poucos que observam a segunda: "Economize tudo o que puder": Mas, quantos, você tem encontrado que observa a terceira regra: "Dê tudo o que você puder?" Você tem alguma razão para acreditar que quinhentos desses podem ser encontrados, entre cinqüenta mil Metodistas? E nada, ainda, pode ser mais claro, do que todos aqueles que observam as duas primeiras regras, sem observar a terceira, serão duas vezes mais filhos do inferno do que eles haviam sido antes.

9. Ó, que Deus possa me capacitar, uma vez mais, antes que eu me vá, daqui, e não seja mais visto, para erguer minha voz, como um trompete, para aqueles que ganham e economizam tudo que podem, mas não dão tudo que podem! Vocês são os homens, alguns dos principais homens que continuamente afligem o Espírito Santo, e em grande medida, interrompem sua influência graciosa de descer em nossas assembléias.Muitos de nossos irmãos, amados de Deus, não têm comida para comer; eles não têm vestimenta para colocar; eles não têm um lugar onde deitar a cabeça. E por que eles estão assim desamparados?Porque você, impiedosamente, injustamente, e cruelmente, detém deles o que o seu Senhor hospeda em suas mãos, de propósito, para que você supra as necessidades deles.Veja os membros pobres de Cristo beliscando com fome, resfriando-se com frio, seminus! Enquanto isso, você tem muito dos bens materiais, -- para comer, beber e vestir. Em nome de Deus, o que você está fazendo? Você nem teme a Deus, nem cuida do homem? Porque você não divide o seu pão com o faminto, e cobre o nu? Você tem gasto, em seu próprio vestuário caro, o que teria respondido ambas essas intenções? Deus mandou você fazer dessa maneira? Ele aprova você, por fazer assim? Ele confiou a você os dele (não os seus) bens, para essa finalidade? E ele diz agora, "Servo de Deus, bem feito!". Você bem sabe que não! Essa ineficiente despesa não tem aprovação, tanto de Deus, quanto da sua própria consciência! Mas você diz que não pode dar-se ao luxo disso! Oh! Envergonhe-se de ter tão miserável contra-senso em sua boca! Nunca mais espalhe tal hipocrisia estúpida; tal absurdidade palpável! Pode algum mordomo dar-se ao luxo de ser um patife completo, para gastar os bens de seu Senhor? Pode algum servo dar-se ao luxo de gastar todo o dinheiro de seu Senhor; algum, de outro modo, do que seu Senhor designou para ele? Quem quer que assim proceda, deve ser excluído de uma sociedade cristã.

10. Mas é possível suprir todos os pobres, em nossa Sociedade, com as coisas necessárias à vida? Foi possível, uma vez, fazer isso, em uma Sociedade maior do que essa. Na primeira igreja de Jerusalém, não havia alguém, entre eles, que passava necessidade; mas a distribuição era feita para cada um, de acordo com o que precisava. E nós temos provas completas de que é possível se fazer dessa forma. É assim, entre o povo chamado Quakers. Sim! Entre os Morávios, assim chamados. E por que não poderia ser conosco? Porque eles são dez vezes mais ricos do que nós? Talvez, cinqüenta vezes! E ainda assim, nós somos capazes, o suficiente, se nós temos, igualmente, boa-vontade para fazer isso! Um cavalheiro (um Metodista) disse-me alguns anos atrás: "Eu devo deixar quarenta mil livras entre meus filhos". Agora, suponha que ele deixasse para eles vinte mil, e desse os outros vinte mil, para Deus e para o pobre, poderia Deus dizer a ele: "Tu, tolo?". E isso colocaria toda a Sociedade acima das necessidades.

11. Mas eu não irei falar, em dar para Deus, ou deixar metade de sua fortuna. Você pensaria que é um preço muito alto para o céu. Eu virei para condições menores. Não existem alguns poucos, entre vocês, que podem dar cem libras; talvez, alguns que podem dar mil; e, ainda, deixar para seus filhos, tanto quanto os auxiliaria trabalhar para a própria salvação deles? Com duas mil libras, e não, muito menos, podemos suprir as necessidades presentes de todos os nossos pobres, e colocá-los, em um caminho, para que possam suprir as próprias carências para o tempo vindouro. Agora, suponha que isso possa ser assim; nós somos transparentes, diante de Deus, enquanto isso não é feito? Não é a negligência disso uma das causas porque muitos ainda estão doentes e fracos, entre vocês; de alma e corpo? Que eles ainda afligem o Espírito Santo, por preferirem as modas do mundo, aos mandamentos de Deus? E eu, muitas vezes, duvido, se não é uma espécie de inclinação. Eu duvido, se não é um grande pecado, mantê-los em nossa Sociedade. Não pode ferir a alma deles, por encorajá-los a perseverar, em um caminho, contrário à Bíblia? E não pode, em alguma medida, interceptar as influências salutares do Espírito abençoado, em toda a comunidade?

12. Eu estou angustiado por não saber o que fazer. Eu vejo o que eu poderia ter feito uma vez. Eu devia ter dito, em caráter autoritário, e expressamente: "Aqui eu estou. Eu e minha Bíblia. Eu não irei, eu não ousarei, mudar desse livro, coisa grande ou pequena. Eu não tenho poder para dispensar um jota ou um til do que esteja contido aqui. Eu estou determinado a ser um Cristão Bíblico; não quase, mas, totalmente. Quem irá me encontrar, nesse terreno, junte-se a mim nisso, ou não se junte, afinal!". Com respeito ao vestir, em particular, eu poderia ter sido tão firme (e eu agora vejo que eu poderia ter sido, bem melhor), quanto qualquer uma das pessoas chamadas Quakers, ou Irmãos Morávios: -- Eu deveria ter dito: "Essa é a nossa maneira de nos vestir, que nós sabemos é bíblica e racional. Se você se juntar a nós, você terá que se vestir como nós; mas você não precisa juntar-se a nós, a menos que isso o agrade". Mas, ai de mim! O tempo passou, e o que eu poderia fazer agora, eu não posso dizer!

13. Mas, retornando à questão principal. Por que o Cristianismo tem feito tão pouco bem, mesmo entre nós? Entre os Metodistas? Entre eles que ouvem e recebem a completa doutrina cristã, e que têm a disciplina cristã acrescida para isso, nas partes mais essenciais dela? Principalmente, porque nós temos esquecido, ou, pelo menos, não devidamente, atendido àquelas palavras solenes de Nosso Senhor: "Se algum homem buscar a mim, que negue a si mesmo, tome sua cruz diariamente, e siga-me". Esse foi o comentário de um homem santo, diversos anos atrás: "Nunca houve diante das pessoas, na igreja cristã, quem tivesse tanto do poder de Deus, entre eles, com tão pouca abnegação!". De fato, o trabalho de Deus segue em frente, e de uma maneira surpreendente, não obstante esse defeito fundamental, mas ele não poderá seguir, da mesma forma, como ele, de outro modo poderia; nem pode a palavra de Deus ter um efeito completo, a menos que os ouvintes "negam a si mesmos, e carreguem a sua cruz diariamente".

14. Seria fácil mostrar, como, em muitos aspectos, os Metodistas, em geral, estão, deploravelmente, necessitados da prática da abnegação cristã; da qual, de fato, eles têm sido, continuamente, amedrontados, pelos tolos gritos dos Antinomianos. (doutrina de que, pela fé e a graça de Deus anunciadas no Evangelho, os cristãos são libertados, não só da lei de Moisés, mas de todo o legalismo e padrões morais de qualquer cultura). Para citar apenas um exemplo: Enquanto nós estávamos em Oxford, a regra de todo Metodista era (a menos, no caso de doença), jejuar toda quarta e sexta-feira, no ano, imitando a igreja primitiva, pela qual eles tinham o maior respeito. Agora, essa prática da igreja primitiva é universalmente aceita. "Quem não sabe", diz Epiphanius, um escritor antigo, "que os jejuns, no quarto e sexto dia da semana" (quarta e sexta-feira) "são observados pelos cristãos, através do mundo todo?". Por isso, eles também eram observados, pelos Metodistas, por diversos anos; por todos eles, sem exceção; mas, depois disso, alguns em Londres, levaram isso ao excesso, e jejuaram tanto, que prejudicaram a própria saúde. Não muito tempo antes, de outros terem feito disso um pretexto para não jejuarem, afinal. E eu temo que existem hoje, milhares de Metodistas, assim chamados, na Inglaterra e Irlanda, que, seguindo o mesmo mau exemplo, têm deixado, inteiramente, de jejuar; quem, longe de jejuar, três vezes na semana (como todos os mais severos fariseus fazem), jejuam não mais do que duas vezes, no mês. Sim. E não há alguns, entre vocês, que não jejuam um dia sequer, do começo ao fim do ano? Mas qual desculpa pode existir para isso? Eu não digo para aqueles que se autodenominam membros da igreja da Inglaterra; mas para alguns que professam acreditar que a Escritura seja a Palavra de Deus. Mesmo porque, de acordo com isso, o homem que nunca jejua, não está mais no caminho dos céus, do que aquele que nunca ora.

15. Mas pode qualquer um negar que os membros da Igreja da Escócia jejuam, constantemente, particularmente, nas suas ocasiões sacramentais? Em algumas paróquias, eles repetem, apenas uma vez ao ano; mas em outras, supõe-se, nas grandes cidades, elas ocorrem duas, ou mesmo três vezes ao ano. Agora, é bem sabido que existe sempre um dia de jejum, na semana, precedendo a administração da Ceia do Senhor. Mas, ocasionalmente, verificando um livro de relatos, em uma de suas Assembléias Comunais, eu observei tantos se sentando para os jantares dos Ministros, no dia de jejum, e estou informado que há o mesmo artigo nelas todas. E existe alguma dúvida, a não ser que as pessoas jejuem justamente como seus Ministros fazem? Mas que farsa é esta! Que paródia desprezível encima de uma evidente obrigação cristã! Ó, que a Assembléia Geral teria a consideração de honrar a sua nação! Permita que eles rolem para fora dela, essa repreensão vergonhosa, impondo o dever, ou removendo aquele artigo de seus livros. Não permita que ele apareça lá, nunca mais. Deixe desaparecer, para sempre.

16. Mas por que essa abnegação, em geral, é tão pouco praticada, no momento, entre os Metodistas? Por que é tão pouco dela encontrada, mesmo nas Sociedades mais antigas e maiores? Quanto mais eu observo e considero coisas, mais, claramente, aparece qual é a causa disso, em Londres, em Bristol, em Birmingham, em Manchester, em Leeds, em Dublin, em Cork. Os Metodistas ficaram mais e mais comodistas, porque eles ficaram ricos. Embora muitos deles ainda estejam em miséria deplorável ("não diga isso, em Gath; não publique isso, nas ruas de Asquelom!"), ainda assim, muitos outros, num espaço de vinte, trinta, quarenta anos, estão vinte trinta, sim, cem vezes mais ricos do que eles eram, quando eles primeiro entraram na Sociedade. E é uma observação, a qual admite poucas exceções, que nove, em dez desses, decresceram na graça, na mesma proporção que eles aumentaram em prosperidade. De fato, de acordo com a tendência natural dos ricos, nós não podíamos esperar que fosse de outro modo.

17. Mas que coisa tão espantosa é essa! Como podemos entender isso? Não parece (e ainda assim, isso não pode ser) que o Cristianismo, Cristianismo, verdadeiramente, Bíblico, tem uma tendência, um processo de tempo para debilitar-se e destruir a si mesmo? Porque, onde quer que se espalhe o Cristianismo verdadeiro, isso causa diligência e frugalidade, que, num curso natural das coisas, devem gerar ricos! E, ricos, naturalmente, geram orgulho, amor do mundo, e todo o temperamento que é destrutivo do Cristianismo. Agora, se não existe um meio de coibir isso, o Cristianismo é inconsistente consigo mesmo, e, em conseqüência, não pode permanecer, não pode continuar, muito tempo, entre quaisquer pessoas, desde que, onde quer que ele prevaleça, ele mina sua própria fundação.

18. Mas existe um meio de prevenir isso – Para que o Cristianismo continue entre as pessoas? Permitindo que a diligência e a frugalidade produzam pessoas ricas? Existem meios de impedir os ricos de destruírem a religião desses que a têm? Eu vejo apenas uma maneira possível, desmascarar quem puder. Você ganha tudo que pode, e economiza tudo que você pode: então, você deve, pela natureza das coisas, tornar-se rico. E, se você tem algum desejo de escapar da condenação do inferno, dê tudo que puder; caso contrário, eu não tenho mais esperança na sua salvação, do que aquela de Judas Iscariote.

19. Eu clamo a Deus para registrar em minha alma que eu aconselhei, não mais, do que eu pratiquei. Abençoado seja Deus, porque eu ganho, economizo, e dou tudo que posso. E assim, eu confio em Deus, eu faça, enquanto a respiração de Deus estiver em minhas narinas. Para o que então? Eu conto todas as coisas, mas perco, para a excelência do conhecimento de Jesus, meu Senhor! Eu desisto de toda justificativa, comparada com isso -- Senhor, eu estou condenado! Mas tu tens morrido!


Editado por George Lyons, com correções pelo Ryan Danker, para o Wesley Center for Applied Theology of Northwest Nazarene University (Nampa, ID). O texto pode ser usado livremente para propósitos pessoais ou escolares, ou modelo, ou outros web sites. Qualquer uso do material, para propósitos comerciais, de qualquer natureza, é estritamente proibido, sem a expressa permissão de Wesley Center at Northwest Nazarene University, Nampa, ID 83686. Contato: webadmin@wesley.nnc.edu, para permissão ou reportar erros

Cultura Gospel: Lixo da pós–modernidade

Cultura Gospel: Lixo da pós–modernidade

Rev. Antonio Carlos Soares dos Santos
Igreja Metodista Açude II - Volta Redonda-RJ



Cada vez mais me convenço de que estamos vivendo um tempo de grandes perdas, de grandes “desvios”, de sepultamento das raízes do mais puro cristianismo. E o algoz tem um nome: Cultura Gospel. Não é protestantismo, nem mesmo pentecostalismo, mas é um lixo oriundo da tal pós-modernidade. Uma das características dessa “dita-cuja” pós-modernidade é justamente a ojeriza ao passado, às tradições e tudo que possa indicar algo que um dia chamamos de IDENTIDADE. Não entendo muito bem o que seja essa tal pós modernidade...mas uma coisa digo..não é coisa boa não...mas vamos recorrer a especialistas. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman diz que pós modernidade é “uma realidade ambígua, multiforme, na qual, como na clássica expressão marxiana, tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Já o filosófo francês Gilles Lipovetsky declara ser “uma exarcebação de certas características das sociedades modernas, tais como o individualismo, o consumismo, a ética hedonista, a fragmentação do tempo e do espaço”. Agora pergunto: nosso adorável mundo gospel não é pós moderno? Com toda sua busca individualista, com seu capitalismo religioso, com as estatística de mercado, suas estratégias de Marketing...A verdade é que o pós modernismo (leia-se: cultura gospel) esvaziou o cristianismo e nós ainda batemos palmas para isso. Trocamos a seriedade e serenidade pelo êxtase momentâneo do sucesso a qualquer preço.

O Prof. Isaías Lobão Pereira Júnior em seu artigo “A Igreja Brasileira na Pós-modernidade” faz a seguinte declaração: “Na Igreja, o que antes era convicção, hoje é opção. Os mandamentos divinos passaram a ser sugestões divinas. A igreja é orientada por aquilo que dá certo e não por aquilo que é certo”. Que grande e triste verdade! Podemos perceber cada vez mais essa realidade quando nos deparamos com algumas mensagens que exaltam tanto a busca de poder e os dons individuais e nada dizem a respeito da comunhão partilhada, da necessidade do arrependimento, do caráter de Jesus, da compaixão com os injustiçados em uma sociedade corrompida, cruel e impune. Vivemos tempos em que a Bíblia não é mais a nossa única regra de fé, pois, as experiências pessoais acabam por suplantar o conceito bíblico de Igreja, suas doutrinas e orientações mais essenciais. É lamentável vermos nossa amada Igreja Metodista, de tantas histórias e História, de tanta tradição, se perder em meio a uma salada “gospel” de consumismo mercadológico. E todos sabem que os olhos do mercado não enxergam o individuo e sim a multidão. Vivemos uma contradição eclesiológica, pois adotamos o discipulado como estilo de vida, mas a prática é cada vez mais de agrupamento de pessoas sem rosto e sem identidade. E não importa os meios que se usa para alcançar esse “agrupamento”, o importante é que o “número” aumente!

Deus é o produto...os fiéis, os consumidores...Deus é encontrado com várias faces de acordo com o gosto e a tendência...Tem o Deus dos ricos, o Deus dos “guerreiros”, o Deus curandeiro, o Deus-Gênio da Lâmpada...Onde antes era “Senhor, seja feita a Tua vontade” hoje é “ eu reinvidico, eu exijo, eu determino...” Uma pregação triunfalista, ufanista...triste, dolorida para quem antes buscava a Igreja para encontrar uma palavra de consolo, carinho e até mesmo de exortação e não uma chamada para sucesso continuo e ininterrupto. Não existe mais aquela sede pelo conhecimento a Deus, não é mais o que quero conhecer, mas o que eu sinto é o que importa, se a Palavra não me agradou eu busco uma que me agrade e com isso o corpo pastoral passa não mais a aplicar o que a Igreja necessita, mas sim o que o povo quer. Jazie Guerreiro explana muito bem isso ao dizer “Na cultura pós-moderna o religioso se expressa com um forte predomínio da experiência sobre a razão e sobre a própria explicação da fé”. Enquanto o espírito ecumênico é duramente criticado e até visto como jocoso, o sincretismo religioso vai ganhando espaço nas Igrejas e alimentando a superstição popular. Quando vemos que o símbolo se torna maior que o significado, alguma coisa está muito errada!

Ao que parece, já não sabemos mais como o autor de I Pedro nos convida a “estarmos sempre preparados para responder a qualquer pessoa que nos pedir a razão de nossa esperança” (I Pedro 3.15), talvez por considerarmos que Rick Warren com sua “obra prima” Uma igreja com propósitos tenha mais a dizer ao povo de Deus do que a própria tradição bíblica e histórica da Igreja. Como pastor metodista, de tradição Wesleyana, me preocupo muito...hoje estou vendo que não sou festeiro, que não sou alegre o tempo todo, que tenho momentos de tristeza, de solidão...por isso compreendo que não posso prometer a Igreja nada além daquilo que Deus revela na Bíblia...Felizmente, ou infelizmente, para alguns, levo meu pastorado muito a sério. Em meio a tantas heresias ditas à vontade nos púlpitos, televisão e rádios, quero citar um “herege” abençoado por Deus e lúcido: “Já não espero que uma relação com Deus me blinde de percalços. Não acredito, e nem quero, que Deus me revista com uma carcaça impenetrável. Acho um despautério prometer, em meio a tanto sofrimento, que uma vida obediente e pura gere segurança contra doenças, acidentes, violência”. (Pr. Ricardo Gondim). Hoje vivemos uma pós modernidade, “uma mistura de ilusão com esperança”[1], para que no fim de tudo, Deus venha a restaurar a ordem e confirmar os valores de seu Reino.



[1] Gondim, Ricardo: Repensando a fé.

Tomati

Quarenta e três anos de idade, 38 dedicados à música. Este é Carlos Nascimento Tomati, mais conhecido como o ‘guitarrista do Jô’. Mundialmente respeitado pela maneira como extrai melodias de seu instrumento, Tomati morou nos EUA em 1987 e estudou com grandes nomes da música, dentre estes Scott Henderson, Frank Gambale, Paul Gilbert e Joe Pass. Não conhece ninguém? Calma. Tamanha dedicação - o brasileiro estudava 15 horas por dia - e talento foram reconhecidos por um dos mais famosos guitarristas do mundo: Joe Satriani. Em entrevista ao Programa do Jô, o americano fez uma jam com Tomati, que posteriormente foi elogiado no site oficial de Satriani - autor desta música aqui (que você conhece!). O que poucos sabem é que a vida de Tomati além do talk show ruma horizontes muito mais amplos. Seu flerte com o jazz, misturado às influências de música brasileira que o acompanham desde a infância - quando aos cinco anos ainda arranhava um Tom Jobim ao violão - deram sonoridade única às 3425916792_6a683ea696composições do artista. Mas nem só de poesias e harmonias sobrevive o ser humano. No âmbito espiritual, o guitarrista, compositor, produtor e cantor fala abertamente de suas crenças e sua identificação com o Cristianismo - Tomati foi integrante do Katsbarnéa por um ano. Lord’s Children, seu terceiro disco solo, lançado em 2005, é pouco conhecido. Uma pena, porque o álbum é - em minha opinião - o melhor instrumental cristão já lançado no Brasil e um dos melhores do meio secular. O disco funde rock, samba, jazz e black music. As guitarras realmente parecem falar, expressando sentimentos que algumas letras não conseguiriam externar. Entretanto, se engana quem pensa que as músicas cantadas soam fracas em meio ao disco. Ao contrário, as letras versam sobre amizade entre irmãos e amor a Deus de maneira peculiar. Segue abaixo uma amostra do que pode ser encontrado em Lord’s Children. Irmão, não devemos odiar, apenas amar uns aos outros. Perdoe minhas falhas e diga que continuamos irmãos, canta Tomati no melhor estilo de blues americano, entitulado Brotha. Ouça, encante-se e providencie seu disco o mais rápido possível:



Confira a seguir, a entrevista dada pelo Tomati, ao Rafael do Alforria:

alforria: Seu último trabalho, Lord’s Children, fala de pontos essenciais do Cristianismo, como guardar a Palavra que Jesus ensinou. Você é um ‘crente’ frequentador de igreja ou prega por se identificar com a ideologia cristã?

Tomati: Esse ponto essencial que você citou, está na musica God is Love. A estória dela foi contada na revista [que acompanha o cd. Nela Tomati revela ter feito a canção para um festival de música gospel, que acabou não ganhando. Veja o vídeo no YouTube ] Já frequentei igrejas, toquei em bandas, em louvores, conheço varias religiões, preguei para amigos e inimigos, etc. Minha intenção era fazer um disco com amigos músicos consagrados e da nova geração, em uma revista bilíngue que pudesse ser útil no aprendizado da língua norte-americana, com uma mensagem limpa e boa música, contando um pouco da minha trajetória profissional em fotos e textos escritos por mim. Um disco muito especial e ingênuo. Muita gente se identifica com a mensagem e muita gente não gosta. É só um ponto de vista. Eu gosto da música e do solo dela e isso é o que importa pra mim. Retrata uma época da minha vida e está registrada na sonzera.

alforria: Para você, o que um bom guitarrista cristão precisa ouvir?

Tomati: Tudo. A música transforma, ensina, educa. Estudar é fundamental. A música é minha religião, nela vejo DEUS [grifo do entrevistado].

alforria: A música evangélica está absorvendo as mudanças da música secular. Hoje em dia, é raro achar uma igreja que não toque rock, por exemplo. Como avalia estas mudanças?

Tomati: Acho que é para atrair um publico roqueiro. Na Igreja Betesda, participei de louvores com belas composições do meu amigo Miguel Garcia [ouça o excelente myspace do guitarrista aqui], com muita harmonia de jazz, letras super poéticas e solos que talvez não alegrassem a roqueiros. E também é preciso rever o conhecimento musical dos levitas. Às vezes toca-se o rock na igreja para se parecer moderno, mas ao mesmo tempo com guitarras desafinadas sem o esmero musical, visando apenas o lado comercial. Isso não é legal. Eu percebo na hora e acho que outros músicos também. Rock’n Roll é uma religião por si só, um estilo de vida, não só um estilo musical. Com certeza tem muita eletricidade e isso vibra.

alforria: Sofre preconceito por tocar música secular no ‘Programa do Jô’?

Tomati: Quem tem pré-conceito deve rever seus conceitos. O Programa do Jô para mim tem sido como uma grande escola de teatro, iluminação, produção, humor, relações publicas e muito mais. Estou no programa há 11 anos e tenho muito orgulho do meu trabalho em uma das maiores emissoras de televisão do mundo, a Rede Globo. Além disso, também trabalhei um ano e meio no SBT.

alforria: O que acha dos músicos que dizem tocar sem ensaiar, guiados apenas pela ‘unção’?

Tomati: Só se toca sem ensaio quando se tem enorme intimidade com a música em questão. Não se faz isso em qualquer situação musical. alforria: Quando compõe suas canções, parte primeiro das letras, melodias ou harmonias? Tomati: Das três maneiras. Cada música tem sua particularidade.

alforria: Está trabalhando em um novo disco? Quais são os planos futuros?

Tomati: Preciso vender mais Lord’s Children primeiro, para capitalizar. Ideias tenho de sobra, dá pra fazer mais uns cinco discos, mas como Lord’s Children ficou um tempo nas bancas e saiu, sendo vendido agora só por mim e amigos que compram para revender, os lucros ficaram basicamente com a editora que apoiou o projeto e teve gastos com ele. Gravei mais um disco de música brasileira depois do LC [lançado depois do envio da entrevista] com Michelle Spinelli, minha companheira, que nos rendeu alguns concertos em Nova York e a possibilidade de gravar clássicos de poetas e compositores da MPB e Bossa Nova, com belas interpretações na voz de Michelle [veja o myspace] e um instrumental fusion ‘di catiguria’. Estou terminando um projeto de uma guitarra desenhada com o luthier Marcos Sanches ‘Joker’, que poderá ser visto esse ano no Programa do JÔ: a GT FU510N.

alforria: Muito obrigado pela entrevista.

Tomati: Obrigado pelo interesse. Abraço a todos, Paz!

domingo, 3 de maio de 2009

Série: Sermões de Wesley


Colocarei alguns dos sermões de John Wesley à disposição...




PERFEIÇÃO CRISTÃ

John Wesley

"Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus". Filipenses 3:12

1. Escassamente existe alguma expressão nos Santos Escritos que tenha causado mais ofensa do que esta. A palavra, perfeito, é a que muitos não podem suportar. O mesmo som dela é abominação para eles. E quem quer que pregue a perfeição (como a frase está), ou seja, afirme que ela é alcançada nesta vida, corre grande risco de ser considerado por eles, pior do que um ateu ou um publicano.

2. E, disto, alguns têm aconselhado totalmente a colocar de lado o uso daquelas expressões, "porque elas têm causado tão grandes ofensas". Mas elas não são encontradas nos oráculos de Deus? Se forem, através de que autoridade pode algum Mensageiro de Deus colocá-las de lado, até mesmo, se todos os homens ficarem ofendidos? Nós não temos aprendido assim de Cristo; nem podemos assim dar lugar ao diabo. O que quer que Deus tenha falado, isto falaremos, quer os homens ouçam, ou quer eles proíbam; sabendo que, então, somente algum Ministro de Cristo pode estar "puro do sangue de todos os homens", quando ele "não evitar declarar junto a eles todos os conselhos de Deus". [Atos 20:26-27].

3. Nós não podemos, portanto, colocar essas expressões de lado, vendo que elas são as palavras de Deus, e não de homem. Mas nós podemos e devemos explicar o significado delas, e que aqueles que são sinceros de coração podem não errar, para o lado direito ou esquerdo, da marca do prêmio de seu chamado. E isto é mais necessário ser feito, porque no verso já repetido, o Apóstolo fala de si mesmo, como não perfeito: "Não", ele diz, "como se eu já fosse perfeito". E ainda assim, imediatamente depois, no décimo-quinto verso, ele fala de si mesmo; sim, e de muitos outros, como perfeitos. "Que nós", diz ele, "pelo quanto somos perfeitos, estejamos assim propensos". [Filipenses 3:15].

4. Com o objetivo, portanto, de remover a dificuldade surgida desta contradição aparente, assim como dar esclarecimento àqueles que estão pressionando para a marca, e aqueles que são fracos, de modo a não se desviarem do caminho, eu devo me esforçar para mostrar:

I. Em que sentido, os cristãos não são perfeitos;

II. Em que sentido, eles são perfeitos.

I

1. Em Primeiro Lugar, eu devo me esforçar para mostrar em que sentido os cristãos não são perfeitos. E ambos pela experiência e Escrituras, parece (1) que eles não são perfeitos no conhecimento: eles não são tão perfeitos nesta vida, de maneira a se livrarem da ignorância. Eles sabem, em comum com outros homens, muitas coisas relativas ao mundo presente; com respeito ao mundo vindouro, eles sabem as verdades gerais que Deus tem revelado. Eles sabem, igualmente, (o que o homem natural não recebeu, porque essas coisas são discernidas espiritualmente) "que maneira de amor", por meio do qual, "o Pai" tem amado a eles "de maneira que eles possam ser chamados de filhos de Deus". [I João 3:1]. Eles sabem a obra poderosa de seu Espírito em seus corações; [Efésios 3:16], e a sabedoria de sua providência, dirigindo todos os seus passos [Provérbio 3:6], e fazendo com que todas as coisas cooperem juntas para o bem deles. [Romanos 8:28]. Sim, eles sabem, em cada circunstância da vida, o que o Senhor requer deles, e como manter a consciência nula de ofensa, tanto em direção a Deus, quanto ao homem. [Atos 24:16].

2. Mas inumeráveis são as coisas que eles não sabem. No tocante ao próprio Altíssimo, eles não podem buscá-lo, fora da perfeição. "Reparem que essas são partes do seu caminho. Mas o trovão de seu poder pode ser entendido?". [Jó 26:14]. Que eles não podem entender, eu não direi como "existem Três que testificam nos céus, o Pai, Filho, e o Espírito Santo, e esses três são um"; [I João 5:7], ou como o Filho do Deus eterno "tomem sobre si mesmo a forma de um servo"; [Filipenses 2:7] – mas não qualquer um atributo; não alguma circunstância da natureza divina. [II Pedro 1:4]. Nem é isto para que eles conheçam os tempos e épocas [Atos 1:7], quando Deus realizará suas grandes obras na terra; não, nem mesmo aquelas que, em parte, foram reveladas pelos seus servos e profetas, desde que o mundo começou. [veja Amós 3:7 "Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas"]. Muito menos eles sabem quando Deus, tendo "concluído o número de seus eleitos, irá apressá-los para seu reino"; quando "os céus passarão, com grande barulho, e os elementos se derreterão com calor fervente". [II Pedro 3:10].

3. Eles não sabem as razões, até mesmo, de muitas das suas presentes dispensações com os filhos dos homens; mas estão constrangidos a descansar aqui, -- embora "nuvens e escuridão estejam à volta dele, a retidão e julgamento são a habitação de seu trono". [Salmos 97:2]. Sim, freqüentemente, com respeito aos feitos dele, para com eles, seu Senhor lhes diz junto: "O que eu faço, vós não sabeis agora; mas sabereis daqui para frente". [João 13:7]. E quão pouco eles sabem do que está sempre diante deles, mesmo das obras visíveis da mão Dele! – Como "Ele estende o norte sobre o lugar vazio, e suspende a terra sobre o nada?" [Jó 26:7]. Como ele une todas as partes desta vasta máquina, através de uma corrente secreta que não pode ser quebrada? Tão grande é a ignorância; tão pequeno o conhecimento, até mesmo do melhor dos homens!

4. Nenhum deles, é tão perfeito nesta vida, de maneira a estar livre da ignorância. Nem, (2) "conhecer, a não ser em parte", [I Cor. 13:12] está, alguma vez, sujeito ao erro, no tocante às coisas essenciais à salvação: Eles não "trocam a escuridão pela luz; ou a luz pela escuridão" [Isaias 5:20]; nem "buscam morte no erro de suas vidas". [Sabedoria de Salomão 1:12 (Apócrifa)]. Porque eles são "ensinados de Deus", e a maneira que eles os ensinam, o caminho da santidade, é tão claro, que "o homem viandante, embora um tolo, não necessita errar nele". [Isaias 35:8]. Mas em todas as coisas essenciais à salvação, eles erram, e isto, freqüentemente. Os melhores e mais sábios dos homens estão freqüentemente errando, até mesmo, com respeito aos fatos; acreditando que essas coisas não foram, o que elas realmente foram; ou aquelas que deveriam ter sido feitas, e não foram. Ou suponham que eles não estão errados, quanto ao fato em si mesmo, eles podem, com respeito a estas circunstâncias, acreditando nelas, ou muitas delas, de terem sido completamente diferentes do que, na verdade, elas foram. E, disto, não podemos deixar de levantar muitos equívocos mais além. Disto, eles podem acreditar, tanto nas ações passadas, quanto presentes, que foram ou são más, como sendo boas; e tais que foram boas, como sendo más. Disto, também, eles podem julgar, não de acordo com a verdade, no que diz respeito aos caracteres dos homens; e isto, não apenas supondo que os homens bons sejam melhores; ou os homens maus sejam piores, do que eles são, mas por acreditarem que têm sido, ou que deverão ser homens melhores quem foi ou é muito mau; ou talvez, aqueles que têm sido ou deverão ser maus, quem foi ou é santo e irrepreensível.

5. Mais ainda, com respeito às próprias Escrituras Santas, por mais cuidadoso que ele seja para evitar isto, o melhor dos homens está sujeito ao erro; e erra, dia a dia; especialmente, com respeito àquelas partes, que menos imediatamente se referem a prática. Disto, até mesmo os filhos de Deus não estão de acordo quanto à interpretação de muitos lugares nos escritos santos. Nem a diferença de opinião deles é alguma prova de que eles não são filhos de Deus, de ambos os lados; mas é prova de que não devemos esperar que algum homem vivente seja mais infalível do que o Onisciente.

6. Se for objetado o que tem sido observado, debaixo deste e do assunto precedente, que João, falando aos seus irmãos na fé diz: "Vocês têm uma unção do Espírito Único, e vocês conhecem todas as coisas" (I João 2:20): A resposta é clara: "Vocês sabem todas as coisas que são necessárias para a saúde de suas almas". [cf. III João 1:2 "Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma".]. Que o Apóstolo nunca pretendeu estender isto mais além; que ele não poderia falar disto, em um sentido absoluto, está claro, (1) por isto: -- porque, do contrário, ele descreveria os discípulos, como "acima de seu Mestre"; vendo que o próprio Cristo, como homem, não sabia todas as coisas: "Daquela hora", disse Ele, "nenhum homem conhece; não, nem o Filho, mas o Pai apenas". [Marcos 13:32]. Fica claro, (2) das próprias palavras do Apóstolo que se seguem: "Essas coisas eu tenho escrito a vocês, concernente àqueles que enganam a vocês"; [cf. I João 3:7], assim como, de suas precauções freqüentemente repetidas: "Que nenhum homem os engane"; [veja Marcos 13:5; Efésios 5:6; II Tessalonicenses 2:3], que tem sido completamente desnecessário, não tivessem essas mesmas pessoas que tiveram aquela unção do Espírito Santo [I João 2:20] sujeitas, não pela ignorância apenas, mas também pelo erro.

7. Até mesmo os cristãos, portanto, não são tão perfeitos, de maneira a estarem livres da ignorância ou do erro. Eles podem, (3), acrescentar não das enfermidades. – Apenas cuidemos de entender esta palavra corretamente: Não vamos tão somente dar este título delicado aos pecados conhecidos, como é a maneira de alguns. Assim, um homem nos diz: "Todo homem tem sua enfermidade, e a minha é a bebedeira". Outros têm a enfermidade da impureza; outro em tomar o santo nome de Deus em vão; e, ainda assim, outro tem a enfermidade de chamar ao seu irmão: "Tu, tolo". [Mateus 5:22], retornando "injuria por injuria". [I Pedro 3:9]. É claro que todos vocês que assim falam, se não se arrependerem, deverão, com suas enfermidades, irem rapidamente para o inferno! Mas eu quero dizer, por meio disto, não apenas aquelas que são denominadas enfermidades corpóreas, mas todas aquelas imperfeições interiores e exteriores, que não são de uma natureza moral. Tal é a fraqueza ou morosidade de entendimento; embotamento ou confusão de apreensão; incoerência de pensamento; atividade ou opressão irregular da imaginação. Tal é a necessidade (para não mencionar mais deste tipo) de uma memória pronta ou retentiva. Tais, em outro tipo, são aquelas que são comumente, em alguma medida, conseqüentes à estas; ou seja, lentidão de discurso; impropriedade da linguagem; falta de elegância na pronunciação; aos quais, alguém acrescentaria milhares de imperfeições desconhecidas, quer na conversação ou comportamento. Essas são as enfermidades que são encontradas nos melhores homens; em uma proporção maior ou menor. E dessas ninguém pode esperar estar perfeitamente livres, até que o espírito retorne para Deus que o deu. [Eclesiastes 12:7].

8. Nem podemos esperar, até então, estarmos totalmente livres da tentação. Tal perfeição não pertence a esta vida. É verdade, que existem aqueles que entregaram à obra toda impureza, com avidez [Efésios 4:19], e dificilmente percebem as tentações que eles não resistiram, e, assim, parecem estar sem tentações. Existem muitos também aos quais o sábio inimigo das almas, parecendo adormecido na forma morta da santidade, não colocará à prova o pecado grosseiro, a fim de que eles não possam despertar, antes que tenham caído no fogo eterno. Eu sei que existem também filhos de Deus que estando agora livremente justificados, [Romanos 5:1] encontraram redenção no sangue de Cristo [Efésios 1:7], para o momento, não sentem tentação. Deus tem dito para seus inimigos: "Não toquem em meus ungidos, e não causem dano em meus filhos". [veja I Crônicas 16:22]. E, por agora, pode ser, por semanas ou meses, ele fez com que eles "cavalgassem nos lugares altos" [Deuteronômio 32:15]; ele os levasse como asas de águia [Êxodo 19:4], acima de todos os dardos afiados do maligno [Efésios 6:16]. Mas este estado não durará para sempre; como aprendemos daquela simples declaração, - que o próprio Filho de Deus, nos dias de sua carne, foi tentado, até mesmo, no fim de sua vida. [Hebreus 2:18 "Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados. 4:15 "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado"; 6:7 "Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus"]. Portanto, que seu servo espere ser; porque "é suficiente que ele seja como seu Mestre". [Lucas 6:49].

9. A perfeição cristã, portanto, não implica (como alguns homens parecem ter imaginado), uma exceção, quer da ignorância ou erro; ou enfermidades ou tentações. Na verdade, é apenas um outro termo para a santidade. Existem dois nomes para a mesma coisa. Assim, cada um que é perfeito é santo, e todos que são santos são, no sentido bíblico, perfeitos. Ainda assim, podemos, por fim, observar que nem neste aspecto existe alguma perfeição absoluta na terra. Não existe perfeição de graus, como isto é denominado; nenhuma que admita um crescimento contínuo. De modo que, quanto mais algum homem a obteve, ou em que altura ou grau ele seja perfeito, mais ainda ele precisa "crescer na graça". [II Pedro 3:18]; e, diariamente avançar no conhecimento e amor a Deus seu Salvador. [veja Filipenses 1:9].

II

1. Em que sentido, então, os cristãos são perfeitos? Isto é o que eu devo me esforçar, Em Segundo Lugar, para mostrar. Mas seria mencionado de antemão, que existem diversos estágios na vida cristã, como na vida natural: alguns dos filhos de Deus sendo apenas bebês recém-nascidos; outros tendo obtido mais maturidade. E, assim sendo, João, em sua Primeira Epístola, (I João 1:12 em diante) refere-se severamente a esses termos criancinhas, àqueles que ele denomina jovens, e àqueles que ele intitula pais. "Eu escrevo junto a vocês, criancinhas", diz o Apóstolo, "porque seus pecados estão perdoados": Porque, até ai, vocês alcançaram – estando "livremente justificados", vocês têm "paz com Deus, através de Jesus Cristo". [Romanos 5:1]. "Eu escrito a vocês, jovens, porque vocês dominaram o diabo"; ou (como ele, mais tarde, acrescenta) "porque vocês são fortes, e a palavra de Deus habita em vocês". [I João 2:13-14]. Vocês suprimiram os dardos afiados do maligno [Efésios 6:16]: as dúvidas e temores com os quais ele perturbou vocês a princípio; e o testemunho de Deus, de que seus pecados são esquecidos, agora habita em seus corações. "Eu escrevo a vocês, pais, porque vocês o conheceram, desde o princípio". [I João 2:13]. Ainda assim, têm conhecido a ambos o Pai e o Filho, e o Espírito de Cristo, na profundeza de suas almas. Vocês são "homens perfeitos, adultos na medida da estatura da plenitude de Cristo". [Efésios 4:13].

2. É desses principalmente que falo, na última parte deste discurso: Porque esses apenas são propriamente cristãos. Mas, mesmo bebês em Cristo, em tal sentido, são perfeitos, ou nascidos de Deus (expressão tomada também em sentidos diversos), como a (1) não cometerem pecado. Se existir alguma dúvida deste privilégio dos filhos de Deus, a questão não deve ser decidida pelos raciocínios abstratos que podem ser esboçados na extensão infinita, mas deixar o ponto exatamente como estava anteriormente. Nem dever ser determinado pela experiência desta ou daquela pessoa em específico. Muitos podem supor que eles não cometem pecados, quando eles o fazem; mas isto prova nada, de qualquer forma. Nós apelamos para a lei e para o testemunho. "Que Deus seja verdadeiro, e todo homem um mentiroso". [Romanos 3:4]. Mas sua Palavra permencerá, e esta somente. Por meio da qual, seremos julgados.

3. Agora a Palavra de Deus declara plenamente que, mesmo aqueles que estão justificados, que são nascidos novamente, no sentido mais simples, "não continuam no pecado"; não podem "viver mais tempo nele"; (Romanos 6:1-2); são "estabelecidos juntamente na igualdade da morte" de Cristo; (Romanos 6:5); "o velho homem, crucificado com ele", e o corpo de pecado, destruído, de maneira, a dali por diante, não servirem ao pecado; e mortos com Cristo, serem libertos do pecado; (Romanos 6:6-7), "mortos para o pecado, e vivos para Deus"; (Romanos 6-11) "o pecado não mais tem domínio sobre eles", que estão, "não debaixo da lei, mas debaixo da graça"; mas que esses "estando livres do pecado, se tornaram os servos da retidão". (Romanos 6:14-18).

4. No mínimo, o que pode ser deduzido destas palavras, é que as pessoas das quais se fala nela, ou seja, todos os cristãos verdadeiros, os crentes em Cristo, são feitos livres do pecado exterior. E o mesmo livramento que Paulo expressa aqui em tais variedades de frases, Pedro expressa nesta única: (I Pedro 4:1-2) "Aquele que sofreu na carne cessou do pecado – para que ele não viva mais para os desejos dos homens, mas para a vontade de Deus". Porque este cessar do pecado, se for interpretado no sentido menor, com respeito apenas ao comportamento exterior, deve denotar o cessar do ato exterior, de alguma transgressão exterior da lei.

5. Mas mais expressa são as palavras bem conhecidas de João, no terceiro capítulo de sua Primeira Epístola, verso 8 em diante: "Ele que comete pecado é do diabo; porque o diabo peca, desde o início. Para este propósito, o Filho de Deus foi manifestado, para que possa destruir as obras do diabo. Quem quer que seja nascido de Deus não comete pecado; porque sua semente permanece nele: e ele não pode pecar, porque ele é nascido de Deus". [I João 3:8-9]. E esses, no quinto: (I João 5:18) "Nós sabemos que, quem quer que seja nascido de Deus não peca; mas ele que é criado de Deus mantém-se, e o diabo não o toca".

6. De fato, é dito que isto significa apenas que ele não pecou obstinadamente; ou não cometeu pecado habitualmente; ou, não, como outros homens o fazem; ou como ele fez antes. Mas, através de que é isto dito? Através de João? Não. Não existe tal palavra no texto; nem em todo o capítulo; nem em todas as suas Epístolas; nem em alguma parte de seus escritos, quaisquer que fossem. Porque, então, o melhor meio de responder a uma afirmação evidente é simplesmente negá-la. E, se algum homem pode prová-la da Palavra de Deus, que ele produza suas fortes razões.

7. E uma espécie de razão existe, que tem sido freqüentemente trazida para o suporte dessas estranhas afirmações, esboçadas dos exemplos registrados na Palavra de Deus: "O que!", dizem eles, "o próprio Abraão não cometeu pecado – prevaricando, e negando sua esposa? Moisés não cometeu pecado, quando ele provocou Deus, nas águas da disputa? Mais ainda, para produzir uma por todas, mesmo Davi, 'o homem, segundo o coração do próprio Deus', não cometeu pecado, na questão de Urias de Hittite; até mesmo assassinato e adultério?". É mais certo que sim. E isto é verdade. Mas o que você infere disto? Pode ser afirmado: (1) Que Davi, no curso geral de sua vida, foi um dos mais santos homens em meio aos judeus; e, (2) que o mais santo dos homens em meio aos judeus cometeu, algumas vezes, pecado. Mas se você inferior disto que todos os cristãos cometem e devem cometer pecados, por quanto tempo vivam; esta conseqüência nós negamos extremamente: isto nunca se seguirá destas premissas.

8. Esses que argumentam assim, parecem nunca ter considerado aquela declaração de nosso Senhor: (Mateus 11:11) "Verdadeiramente eu digo a vocês que, em meio a eles que são nascidos de mulheres, não se levantou um maior do que João Batista: Não obstante, ele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele". Eu temo, na verdade, que existem alguns que imaginaram que "o reino dos céus" aqui quer dizer o reino da glória; como se o Filho de Deus tivesse exatamente revelado a nós que o menor santo glorificado no céu é maior do que algum homem sobre a terra! Mencionar isto é suficientemente refutar isto. Pode, portanto, sem dúvida ser feito, mas "o reino do céu", aqui, (como nos versos seguintes, onde ele é dito ser tomado pela força), [Mateus 11:12], ou, "o reino de Deus", como Lucas expressa isto, -- é aquele reino de Deus na terra, para o qual todos os verdadeiros crentes em Cristo; todos os cristãos reais pertencem. Nestas palavras, então, nosso Senhor declara duas coisas: (1) que antes de sua vinda na carne, em meio aos filhos dos homens, não tinha havido um maior do que João Batista; disto evidentemente se segue que nem Abraão, Davi, nem algum judeu maior do que João. Nosso Senhor (2) declara que ele que é menor no reino de Deus (naquele reino que ele veio estabelecer na terra, e que o violento agora começa a tomar pela força) é maior do que ele: -- Nem um profeta maior, como alguns têm interpretado a palavra; porque isto é palpavelmente falso, de fato; mas maior na graça de Deus, e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, nós não podemos medir os privilégios dos cristãos verdadeiros, por aqueles formalmente dados para os judeus. A "ministração" deles (ou dispensação) nós admitimos "foi gloriosa", mas as nossas "excedem em glória". [II Cor. 3:7-9]. De maneira que, quem quer que traga a dispensação cristã para o padrão judaico; quem quer que junte aos poucos os exemplos dos fracos, registrados na Lei e os Profetas, e disto conclua que aqueles que "colocados sobre Cristo" [Gálatas 3:27] são devidos com nenhuma força maior, erram grandemente, nem "conhecem as Escrituras, nem o poder de Deus". [Mateus 22:29].

9. "Mas não existem afirmações nas Escrituras que provem a mesma coisa, se ela não pode ser inferida daqueles exemplos? As Escrituras expressamente não dizem: 'Mesmo um homem justo peca sete vezes ao dia?'". Eu respondo: Não. As Escrituras dizem nada sobre tal coisa. Não existe tal texto em toda a B´bilia. Isto que parece ser pretendido é o sexto verso do vigésimo-quarto capítulo de Provérbios, cujas palavras são: "Um homem justo cai, sete vezes, e se ergue novamente". [Provérbios 24:16]. Mas isto é uma coisa completamente diferente. Porque, (1) as palavras "por dia", não estão no texto. Assim sendo, se um homem cai sete vezes, em sua vida, é tanto quanto é afirmado aqui. (2) Aqui, não menciona a queda no peacado, afinal; o que aqui é mencionado é cair nas aflições temporais. Isto plenamente aparece do verso anterior nas palavras que são estas: "Não arme cilada, Ó homem mau, contra a habitação do justo, ó ímpio, nem assole o seu lugar de repouso". [Provérbios 24:15]. Segue-se: "Porque um homem justo cai sete vezes, e se levanta novamente; mas o homem mau cai em sua maldade". Como se ele tivesse dito: "Deus te livrará de teus problemas, mas quando tu caíres, não terás alguém para livrar a ti".

10. "Mas, como quer que seja, em outros lugares", continuam os opositores: "Salomão afirma plenamente: 'Não existe homem algum que não peque'"; (I Reis 8:46; II Crônicas 6:36); sim, 'Não existe um homem justo sobre a terra, que seja bom, e não peque'. (Eclesiastes 7:20)". Eu respondo: Sem dúvida; assim foi nos dias de Salomão. Sim, assim foi de Adão a Moisés; de Moisés a Salomão; e de Salomão a Cristo. Não havia, então, homem que não pecasse. Mesmo desde que o pecado entrou no mundo, não houve um homem justo sobre a terra que fez o bem e não pecou, até que o Filho de Deus foi manifesto, para tirar nossos pecados. É inquestionavelmente verdadeiro que "o herdeiro, por quanto tempo ele foi uma criança, diferiu nada de um servo". [Gálatas 4:1]. E que, mesmo assim, eles (todos os homens santos do passado, que estiveram sob a dispensação judaica) estavam, durante aquele estado infantil da Igreja, "na escravidão, debaixo dos elementos do mundo". [Gálatas 4:3]. "Mas, quando a plenitude dos tempo chegou, Deus enviou seu Filho, feito sob a lei, para redimir a eles que estavam debaixo da lei; para que eles recebessem a adoção de filhos". [Gálatas 4:4] – para que eles recebessem aquela "graça que é agora manifesta, pela aparição de nosso Salvador, Jesus Cristo, que aboliu a morte, e trouxe a vida e imortalidade do conhecimento, através do Evangelho". (II Timóteo 1:10). Agora, portanto, eles "não são mais servos, mas filhos". [veja Gálatas 4:7]. De maneira que, qualquer que fosse o caso daqueles debaixo da lei, nós podemos seguramente afirmar com João que, desde que o Evangelho foi dado, "aquele que é nascido de Deus não peca". [I João 5:18].

11. De grande importância é observar, e isto mais cuidadosamente do que comumente é feito, a diferença ampla que existe, entre a dispensação judaica e a cristã; e este alicerce dela, a que o mesmo Apóstolo se refere no sétimo capítulo de seu Evangelho. (João 7:38, em diante). E depois de referir-se àquelas palavras de nosso abençoado Senhor: "Ele que crer em mim, como as Escrituras têm dito, de sua barriga fluirão rios de água viva", ele imediatamente acrescenta: "Isto fala ele do Espírito", ou emellon lambanein hoi pisteuontes eis auton, -- que aqueles que crerem Nele, deveriam em seguida receber. Uma vez que o Espírito Santo não foi dado, porque Jesus não estava ainda glorificado". [João 7:39]. Agora o Apóstolo não pode significar aqui (como alguns têm ensinado), que o poder do milagre operado pelo Espírito Santo não fora ainda dado. Porque isto foi dado; nosso Senhor o deu a todos os Apóstolos, quando Ele primeiro os enviou para pregar o Evangelho. Ele, então, deu poder sobre os espíritos imundos, para expulsá-los; poder para curar o doente; sim, para ressuscitar os mortos. [Marcos 10:8]. Mas o Espírito Santo não for a ainda dado em suas graças santificadoras, como ele foi depois que Jesus foi glorificado. Foi, então, quando "ele ascendeu aos céus, que o Senhor Deus habitaria neles". [Salmos 68:18 " Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse entre eles"; Efésios 4:8 " Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens"], quando o dia de Pentecostes veio plenamente, [Atos 2:1 "E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordantemente, no mesmo lugar"], então, primeiro que eles que "esperaram pela promessa do pai [Atos 1:4] foram feitos mais do que vencedores [Romanos 8:37], sobre o pecado, através do Espírito Santo dado junto a eles.

12. Que esta grande salvação do pecado não foi dada, até que Jesus foi glorificado, Pedro também testifica plenamente; onde, falando aos seus irmãos na carne, como agora "recebendo o fim da fé deles, da salvação de suas almas", ele acrescenta, (I Pedro 1:9, em diante): "De cuja salvação os profetas têm inquirido e buscado diligentemente, os quais profetizaram da graça"; ou seja, a graciosa dispensação, "que viria junto a vocês: buscando o que, ou qual maneira do tempo, o Espírito de Cristo, que estava neles, não significou, quando testificou anteriormente os sofrimentos de Cristo. E a glória", a salvação gloriosa "que se seguiria. Junto aos quais ela foi revelada, para que não junto eles, mas a nós eles ministrassem as coisas que são agora reportadas a vocês, através daqueles que têm pregado o Evangelho, com o Espírito Santo enviado dos céus". [I Pedro 1:12]; a saber, no dia de Pentecostes, e, assim, a todas as gerações, nos corações de todos os crentes verdadeiros. Pela razão, até mesmo, "da graça trazida a eles, pela revelação de Jesus Cristo" - (I Pedro 1:13] - o Apóstolo bem deveria construir aquela forte exortação: "Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo; - como Ele que chamou a vocês é santo, em todo o modo de vida". [I Pedro 1:13]

13. Aqueles que devidamente têm considerado essas coisas devem admitir que os privilégios dos cristãos, de modo algum, devem ser medidos pelo que o Velho Testamento registra, concernente àqueles que estiveram sob a dispensação judaica; vendo-se que a plenitude dos tempos agora é chegada; o Espírito Santo é agora dado; a grande salvação de Deus é trazida, junto aos homens, pela revelação de Jesus Cristo. O reino dos céus está agora estabelecido sobre a terra; concernente ao que o Espírito de Deus declarou do passado (tanto quanto Davi seja o padrão ou o modelo da perfeição cristã), "aquele que é fraco em meio a eles, naquele dia, deverá ser como Davi; e a casa de Davi deverá ser como Deus, como o anjo do Senhor diante deles". (Zacarias 12:8).

14. Se, portanto, você provasse que as palavras do Apóstolo: "Aquele que é nascido de Deus não peca" [I João 5:18], não deveriam ser entendidas, de acordo com o significado claro, natural, e óbvio, você deveria trazer suas provas do Novo Testamento; do contrário, você lutaria, como alguém que bate no ar. [I Cor. 9:26]. E, a primeira dessas que é usualmente trazida é tomada dos exemplos registrados no Novo Testamento: "Os próprios Apóstolos", é dito, "cometeram pecado; mais ainda, os maiores deles, Pedro e Paulo: Paulo, através de sua contenda com Barnabé [Atos 15:39]; e Pedro, através de sua dissimulação em Antioquia". [Gálatas 2:11] "E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível". Bem: Supondo-se que ambos, Pedro e Paulo, cometeram, então, pecado; o que você deduziria disto? Que todos os outros Apóstolos cometeram pecados algumas vezes? Não existe sombra de prova nisto. Ou você inferiria disto que todos os outros cristãos da era apostólica cometeram pecado? Pior e pior: Isto é tal inferência que, alguém imaginaria, um homem em seus sentidos nunca teria pensado a respeito. Ou você argumentaria assim: "Se dois dos Apóstolos uma vez cometeram pecado, então, todos os outros cristãos, em todas as épocas, cometem e cometerão pecados, por quanto tempo eles viverem?". Ai de mim, meu irmão! Um filho do entendimento comum ficaria envergonhado de tal raciocínio como este. Menos do que tudo, você pode, com alguma nuance de argumento, inferir que algum homem deve cometer pecado, afinal. Não: Deus proíbe que possamos falar assim! Nenhuma necessidade de pecado foi colocada sobre eles. A graça de Deus foi certamente suficiente para eles. E é suficiente para nós até hoje. Com a tentação que caiu sobre eles, existiu um caminho para escapar; como há, para toda a alma do homem, em toda tentação. De modo que, quem quer que seja tentado em algum pecado, não precisa aquiescer; porque nenhum homem é tentado acima do que seja capaz de suportar [I Cor. 10:13].

15. "Mas Paulo implorou ao Senhor três vezes, e, ainda assim, ele não pode escapar da sua tentação". Vamos considerar suas próprias palavras literalmente traduzidas: "Foi dada a mim uma aflição para a carne; um anjo" (ou mensageiro) "de satanás, esbofeteou-me. No tocante a isto, eu implorei ao Senhor, três vezes, para que isto" (ou ele) "pudesse sair de mim. E ele me disse: Minha graça é suficiente para ti: Porque minha força é feita perfeita na fraqueza. Mais alegremente, portanto, eu antes me gloriarei" nesta "minha fraqueza, para que a força de Cristo possa descansar sobre mim. Portanto, eu tenho prazer na fraqueza; -- porque, quando eu sou fraco, então, eu sou forte". [II Cro. 12:7-10].

16. Como esta escritura é uma das fortalezas dos patronos do pecado, pode ser apropriado pesá-la totalmente. Vamos observar, então, (1) que, de modo algum, parece que esta aflição, qualquer que fosse, ocasionou que Paulo cometesse pecado; muito menos, o colocou, sob alguma necessidade de assim fazer. Portanto, disto nunca poderá ser provado que algum cristão deva cometer pecado. (2) Os antepassados nos informam, isto foi completamente óbvio: "uma violenta dor de cabeça", disse Tertuliano; (De Pudic) para a qual ambos Crisóstomo e Jerônimo concordam. Cipriano [De Mortalitate] expressa isto, um pouco mais geralmente, nestes termos: "Muitos e graves tormentos da carne e o corpo". [Carnis et corporis multa ac gravia tormenta]. (3) A isto, concordam exatamente as próprias palavras do Apóstolo: "Uma aflição para a carne me golpear, bater, ou esbofetear". "Minha força é feita perfeita na fraqueza": -- A mesma palavra que ocorre, não menos do que quatro vezes, nestes dois versos apenas. Mas (4), o que quer que ela fosse, não poderia ser nem pecado interior, nem exterior. Não poderia ser agitações interiores, mais do que expressões exteriores, de orgulho, ira, ou luxúria. Isto é manifesto, além de toda exceção possível das palavras que imediatamente se seguem: "Muito alegremente, eu me gloriarei" nessas "minhas fraquezas, para que a força de Cristo possa descansar sobre mim". [II Cor. 12:9]. O que! Ele se glorifica no orgulho, na ira, e luxúria? Foi através dessas fraquezas que a força de Cristo descansou sobre ele? Ele prossegue: "Portanto, eu tenho prazer na fraqueza; porque quando eu sou fraco, então, eu sou forte"; [II Cor. 12:10]; ou seja, quando eu sou fraco no corpo, então, eu sou forte no espírito. Mas algum homem se atreverá a dizer: "Quando eu estou fraco, pelo orgulhou ou luxúria, então, eu sou forte no espírito?". Eu chamo todos vocês para registrar esse dia: quem encontra a força de Cristo descansando sobre si, pode gloriar-se na ira, ou orgulho, ou luxúria? Vocês têm prazer nessas enfermidades? Essas fraquezas os tornam fortes? Vocês se arremessariam para o inferno, se fosse possível, para escapar delas? Até mesmo, através de vocês mesmos, então, julguem se o Apóstolo poderia gloriar-se e ter prazer nelas! Que seja observado (5) que esta aflição foi dada a Paulo, por mais de quatorze anos antes que ele escreveu esta Epístola; [II Cor. 12:2] "Conheço um homem em Cristo que há quatorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu"; que ela própria foi escrita diversos anos antes que ele terminasse seu curso. [Veja Atos 20:24 "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus"; II Timóteo 4:7 "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé"]. De modo que ele teve, depois disto, um longo curso a seguir; muitas batalhas para lutar; muitas vitórias para obter; e um grande aumento no receber todos os dons de Deus; e o conhecimento de Jesus Cristo. Portanto, de alguma fraqueza espiritual (se tal tivesse sido) que ele naquele tempo sentiu, nós não podemos, de modo algum, inferir que ele nunca se fez forte; que Paulo, o idoso, o pai em Cristo, ainda trabalhou, sob a mesma fraqueza; em que ele esteve, no mais alto estado, até o dia de sua morte. De tudo que este exemplo de Paulo pareça ser completamente estranha à questão, de modo algum, colide com a afirmação de João: "Ele que é nascido de Deus não peca". [I João 5:18].

17. "Mas Tiago diretamente não contradiz isto? Suas palavras são: 'Em muitas coisas nós ofendemos a todos. (Tiago 3:2). E não é ofender o mesmo que cometer pecado?". Neste lugar, eu admito que é: Eu admito que as pessoas das quais se fala aqui não cometeram pecados; sim, que eles todos cometeram muitos pecados. Mas quem são as pessoas de que se fala aqui? Porque, esses muitos mestres ou professores, aos quais Deus não enviou; (provavelmente, os mesmos homens inúteis que ensinaram aquela fé, sem as obras, que é tão duramente reprovada no capítulo precedente); (Tiago 2] não o próprio Apóstolo, nem algum cristão verdadeiro. Que na palavra "nós" (usada, através de uma figura de linguagem comum em todo os outros, assim como nos escritos inspirados), o Apóstolo não poderia possivelmente incluir a si mesmo, ou algum outro crente verdadeiro, aparece, evidentemente, (1) da mesma palavra no nono verso: -- "Com isto", ele diz, "abençoado seja Deus, e maldito sejamos nós homens. Da mesma boca procede bênção, e maldição". [Tiago 3:9]. Verdade; mas não da boca do Apóstolo, nem de alguém que em Cristo é uma nova criatura. [II Cor. 5:17]. (2) Do mesmo verso imediatamente precedente ao texto, e manifestadamente ligado a ele: "Meus irmãos, não muitos mestres", (ou professores) "sabendo que nós devemos receber uma condenação maior". "Porque, em muitas coisas, nós ofendemos todos". [Tiago 3:1]. Nós! Quem? Não os Apóstolos. Nem os crentes verdadeiros; mas aqueles que os conhecem poderiam receber a maior condenação, por causa daquelas muitas ofensas. Mas isto não poderia ser falado do próprio Apóstolo, ou de alguém que caminha nos passos Dele, vendo que "não existe condenação para aqueles que não caminham, segundo a carne, mas segundo o Espírito". [Romanos 8:2]. Mais do que isto, (3) o próprio verso prova que "ofendemos a todos", não pode ser falado, quer de todos os homens, ou de todos os cristãos. Porque nele imediatamente se segue a menção de um homem que não ofende, como o "nós" primeiro mencionou; do qual, portanto, ele é declaradamente distinguido, e pronunciado um homem perfeito.

18. Tão claramente, Tiago se explica, e fixa o significado de suas próprias palavras. Ainda assim, a fim de que alguém não possa ainda permanecer em dúvida, João, escrevendo, muitos anos depois de Tiago, coloca o assunto inteiramente fora de disputa, através das declarações expressas acima citadas. Mas aqui uma dificuldade nova pode surgir: Como podemos conciliar João consigo mesmo: Em um lugar, ele declara: "Quem quer que seja nascido de Deus não comete pecado"; [I João 3:9], e novamente, -- "Nós sabemos que aquele que é nascido de Deus não peca": [I João 5:18]. E, ainda assim, em outro, ele diz: "Se nós dizemos que não temos pecado, nós enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós"; [I João 1:8], e novamente – "Se dizemos quer não temos pecado, nós fazemos Dele um mentiroso, e sua palavra não está em nós". [I João 1:10].

19. Assim como a princípio, uma grande dificuldade como esta pode aparecer, ela desaparece, se observarmos: (1) que o décimo verso fixa o sentido do oitavo: "Se nós dizemos que não temos pecado"; sendo explicado por: "Se dissermos que não pecamos", no último verso. [I João 1:10-18]; (2) que o ponto, a se considerar, no momento, não é se tivemos ou não pecado antes; nem esses versos afirmam que pecamos, ou cometemos pecado agora. (3) Que o nono verso explica tanto o oitavo quanto o décimo: "Se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar, e nos limpar de toda iniqüidade". Como se ele tivesse dito: "Eu afirmei antes que 'o sangue de Jesus Cristo nos limpou de todo pecado'; mas que nenhum homem diga, eu não preciso; eu não tenho pecado para ser limpo. Se nós dissermos que não temos pecado, que não pecamos, enganamos a nós mesmos, e fazemos de Deus um mentiroso: Mas, se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo, não apenas para 'perdoar nossos pecados', mas também para 'nos limpar de toda iniqüidade': [I João 1:8-10] para que possamos 'seguir e não pecarmos mais'" [João 8:11].

20. João, portanto, é bem consistente consigo mesmo, assim como com os outros escritores santos; como mais evidentemente aparecerá, se colocarmos todas as suas afirmações no tocante a este assunto em uma visão: Ele declara (1) que o sangue de Jesus Cristo nos limpou de todos os pecados; (2) que nenhum homem pode dizer, eu não pequei; eu não tenho pecado para ser limpo (3), mas Deus está pronto para perdoar tanto nossos pecados passados, quanto para nos salvar deles para o tempo vindouro. [I João 1:7-10]. (4) "Essas coisas eu escrevo a vocês", diz o Apóstolo, "para que vocês não possam pecar. Mas se algum homem" puder "pecar", ou tiver pecado (como a palavra deveria ser atribuída), ele não necessita continuar no pecado; vendo que "temos um advogado com o Pai Jesus Cristo, o reto". [I João 2:1-2]. Até aí, tudo está claro. Mas, a fim de que nenhuma dúvida possa permanecer, em um ponto de tão vasta importância, o Apóstolo resume este assunto em três capítulos, e largamente explica seu próprio significado: "Crianças", diz ele "que nenhum homem engane vocês" (como se eu tivesse dado algum encorajamento àqueles que continuam no pecado:) "Ele que pratica a retidão é reto, assim como Ele é reto. Ele que comete pecado é do diabo; porque o diabo peca, desde o início. Para este propósito, o Filho de Deus foi manifestado, para que pudesse destruir as obras do diabo. Quem quer que seja nascido de Deus não comete pecado: Porque sua semente permanece nele; e ele não pode pecar, porque ele é nascido de Deus. Nisto, os filhos de Deus são manifestos, e os filhos do diabo". (I João 3:7-10). Aqui o ponto que até então possivelmente teria admitido alguma dúvida nas mentes fracas, é propositadamente colocado, pelo último dos escritores inspirados, e decidido da maneira mais clara. Em conformidade, portanto, com a doutrina de João, assim como com todo o teor do Novo Testamento, nós fixamos esta conclusão: -- Um cristão é tão perfeito, de maneira não cometer pecado.

21. Este é o privilégio glorioso de todo cristão; sim, embora ele seja, a não ser um bebê em Cristo. Em Segundo Lugar, apenas desses que estão fortes no Senhor, e "têm dominado o diabo", ou antes, daqueles que "o conhecem desde o início" [I João 2:13-14], é que se pode afirmar que eles são, de tal forma, perfeitos, de maneira a estarem libertos dos pensamentos e temperamentos pecaminosos. Primeiro, dos pensamentos maus e pecaminosos; uma vez que os pensamentos, concernentes ao pecado, e um pensamento pecaminoso, são amplamente diferentes. Um homem, por exemplo, pode pensar a respeito do assassinato que outro tenha cometido; e, ainda assim, este não ser um pensamento mau ou pecaminoso. Assim, o próprio nosso Senhor abençoado, sem dúvida, pensou a respeito, ou entendeu a coisa falada pelo diabo, quando ele disse: "Todas as coisas darei a ti, se tu te prostrares para adorar-me". [Mateus 4:9]. Ainda assim, Ele não tinha pensamento mau ou pecaminoso; nem de fato, era capaz de ter algum. E, mesmo disto, segue-se que nem os cristãos verdadeiros: porque "cada um que é perfeito é como seu Mestre". (Lucas 6:40). Portanto, se Ele estava livre dos pensamentos maus ou pecaminosos, assim, eles estão igualmente.

22. Na verdade, de onde os pensamentos pecaminosos procederiam, no servo que é como seu Mestre? "Do coração do homem" (Se afinal) "procedem os pensamentos pecaminosos". (Marcos 7:21). Se, portanto, seu coração não for pecaminoso, por mais tempo, então, os pensamentos maus não poderão proceder dele, por mais tempo. Se a árvore for corrupta, assim será o fruto: Mas se a árvore for boa: o fruto, portanto, será também bom. (Mateus 22:33). O próprio nosso Senhor testemunha: "Toda árvore boa produz bons frutos. Uma árvore boa não pode produzir frutos maus"; assim como "uma árvore corrupta não pode produzir bons frutos". (Mateus 7:17-18).

23. O mesmo privilégio feliz dos cristãos verdadeiros, Paulo afirma de sua própria experiência: "As armas da nossa luta", diz ele, "não são carnais, mas sim poderosas em Deus para a destruição das fortalezas; e colocar abaixo imaginações" (ou raciocínios, preferivelmente, porque assim a palavra logimous significa; todos os raciocínios do orgulho e descrença contra as declarações, promessas ou dons de Deus) "e toda coisa sublime que se exalta contra o conhecimento de Deus, e traz cativo todo pensamento de obediência a Cristo" (II Cor. 10:4 em diante).

24. E como os cristãos, de fato, estão livres dos pensamentos diabólicos, assim estão aqueles, Em Segundo Lugar, dos temperamentos maus. Isto é evidente da declaração supracitada do próprio nosso Senhor: "O discípulo não está acima de seu Mestre; mas cada um que é perfeito deve ser como seu Mestre". [Lucas 6:40]. Ele havia entregado, exatamente antes, algumas das mais sublimes doutrinas do Cristianismo, e algumas das mais graves para a carne e sangue. "Eu lhes digo, amem seus inimigos, e façam o bem àqueles que os odeiam; -- e a ele que lhe golpeia de um lado da face, ofereçam também a outra". [Lucas 6:29]. Agora essas, Ele bem sabia que o mundo não receberia; e, portanto, imediatamente acrescenta: "Pode um cego conduzir o cego? Ambos não cairão dentro do fosso?". [Lucas 6:39]. Como se ele tivesse dito: "Não conferencie com a carne e sangue no tocante a essas coisas, -- com homens nulos de discernimento espiritual, os olhos de cujo entendimento, Deus não abriu, -- a fim de que eles e você não pereçam juntos". No verso seguinte, ele remove as duas grandes objeções com as quais esses tolos sábios se encontram, a cada turno: "Essas coisas são muito graves para serem suportadas", ou, "Elas estão muito altas para serem alcançadas" [Marcos 23:4], dizendo: "'O discípulo não está acima de seu Mestre', portanto, se eu tenho sofrido, estejam satisfeitos de trilharem meus passos. E não duvidem, vocês, delas, a não ser que eu cumprirei minha palavra: 'porque cada um que é perfeito deverá ser como seu Mestre'". [Lucas 6:40]. Mas seu Mestre estava livre de todos os temperamentos pecaminosos. Assim, portanto, seus discípulos, até mesmos os cristãos verdadeiros.

25. Cada um desses pode dizer com Paulo: "Eu estou crucificado com Cristo: Não obstante, eu viva, ainda assim, não sou eu, mas Cristo vive em mim" [Gálatas 2:20] – Palavras que manifestadamente descrevem um livramento do pecado interior, assim como do exterior. Isto é expresso ambos negativamente, eu não vivo; (minha natureza má, o corpo do pecado, é destruída); e, positivamente, Cristo vive em mim; e, portanto, tudo que é santo, e justo, e bom. Na verdade, ambos esses, Cristo vive em mim, e eu não vivo, estão inseparavelmente unidos; porque "que comunhão tem a luz com as trevas; ou Cristo com Belial?". [II Cor. 6:15].

26. Aquele, portanto, que vive como verdadeiros crentes "purificaram seus corações pela fé"; [Atos 15:9]; de tal maneira, que todo aquele que tem Cristo nele, a esperança da glória [Col. 1:27], "purifica a si mesmo, assim como ele é puro" (I João 3:3). Ele é purificado da vontade própria ou desejo; porque Cristo desejou apenas fazer a vontade de seu Pai, e terminar sua obra. [João 4:34; 5:30]. E ele é puro da ira, no sentido comum da palavra; porque Cristo foi humilde e gentil; paciente e longânime. Eu digo, no sentido comum da palavra; porque nem toda ira é má. Nós lemos que o próprio nosso Senhor, (Marcos 3:5), uma vez, "olhou ao redor com ira". Mas com que tipo de ira? A palavra seguinte mostra, syllypoumenos, sendo, ao mesmo tempo, "Afligido pela dureza de seus corações" [Marcos 3:6]. Assim sendo, ele estava irado com o pecado e, ao mesmo tempo, afligido por causa dos pecadores; irado ou desconte com a ofenda, mas triste, por causa dos ofensores. Com ira, sim, ódio, Ele olhou para a coisa; com aflição e amor às pessoas. Vá, tu que és perfeito, e faze igualmente. Irai-vos, e não pequeis [Efésios 4:26]; sentindo um desprazer em cada ofensa contra Deus, mas apenas amor e terna compaixão para com o ofensor.

27. Assim, Jesus "salva seu povo de seus pecados": [Mateus 1:21]. E não apenas dos pecados exteriores, mas também dos pecados de seus corações; de pensamentos maus e de temperamentos maus. – "Verdade", dizem alguns, "nós podemos assim ser salvos de nossos pecados; mas não até a morte; não neste mundo". Mas como devemos reconciliar isto com as palavras expressas de João? – "Nisto, nosso amor se torna perfeito, para que possamos ter ousadia no dia do julgamento. Porque como Ele é, assim somos neste mundo". O Apóstolo aqui, além de toda contradição, fala de si mesmo e de outros cristãos vivos, de quem (como também ele previu esta mesma evasão, e colocou-se aniquilá-la em seu alicerce), ele claramente afirma que não apenas na morte ou depois da morte, mas neste mundo, eles são como o Mestre deles (I João 4:17).

28. Exatamente de acordo com isto, estão suas palavras, no primeiro capítulo desta Epístola, (I João 1:5 &c). "Deus é luz, e Nele não existe escuridão, afinal. Se nós caminharmos na luz, - teremos camaradagem um com o outro, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos limpará do pecado". E novamente: "Se confessarmos nossos pecados, Ele é justo para nos perdoar deles, e nos limpar de toda iniqüidade". [I João 1:9]. Agora, é evidente que o Apóstolo aqui também fala de um livramento forjado neste mundo. Porque ele não diz, o sangue de Cristo limpará na hora da morte, ou no dia do julgamento, mas "limpará", no momento presente, "a nós", cristãos vivos, "de todo o pecado". E fica igualmente evidente, que se algum pecado permanece, nós não somos limpos de todo o pecado: Se alguma iniqüidade permanece na alma, ela não está limpa de toda iniqüidade. Nem permita que algum pecador diga, contra sua própria alma, que isto se relaciona à justificação apenas, ou a nos limpar da culpa do pecado. Em Primeiro Lugar, porque isto é misturar o que o Apóstolo claramente distingue; quem menciona, primeiro, perdoar nossos pecados, e, então, nos limpa de toda iniqüidade. Em Segundo Lugar, "porque isto é afirmar justificação pela obras, no sentido mais forte possível; é tornar toda santidade interior e exterior, necessariamente prévia à justificação. Porque, se a limpeza falada a respeito aqui é nenhuma outra do que o nos limpar da culpa do pecado, então, nós não estamos limpos do pecado; ou seja, não somos justificados, a menos na condição de 'caminhar na luz, como Ele está na luz'.[I João 1:7]. Resta, então, que os cristãos estão salvos neste mundo de todo o pecado, de toda iniqüidade; que eles estão agora em tal sentido perfeito, como não a cometer pecado, e estarem livres de pensamentos e temperamentos pecaminosos".

29. Assim, o Senhor cumpriu as coisas que ele falou, através de seus santos profetas, que têm existido, desde o começo do mundo; - através de Moisés, em particular, dizendo (Deuteronômio 30:6) Eu "circuncidarei teu coração, e o coração de tua semente, para amar o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, e com toda a tua alma"; através de Davi, clamando: "Cria em mim um coração limpo, e renova um espírito correto dentro de mim". [salmos 51:10] – e mais notavelmente em Ezequiel, nestas palavras: "Então, eu borrifarei água limpa sobre você, e você será limpo; de toda sua sujidade, e de todos os seus ídolos, eu limparei você. Um novo coração, também lhe darei, e um novo espírito colocarei em você; - e farei com que você caminhe em meus estatutos, e você mantenha meus julgamentos, e, os cumpra. – Você será meu povo, e eu serei teu Deus. Eu salvarei você de toda sua impureza. – Assim diz o Senhor seu Deus, no dia em que deverei limpar você de todas as suas iniqüidades, - o pagão saberá que eu, o Senhor, reconstruo os lugares destruídos; - eu o Senhor falo e farei isto". (Ezequiel 36:25-36).

30. "Tendo, portanto, essas promessas, meu amado", tanto na Lei quanto nos Profetas, e a palavra profética confirmada junto a nós no Evangelho, por nosso abençoado Senhor e seus Apóstolos; "vamos nos limpar de toda sujidade da carne e espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus". [II Cor. 7:1]. "Temamos, a fim de que" as tantas "promessas, feitas a nós de entrarmos em seu descanso", que aquele que entrou nele, não cesse suas próprias obras, "e qualquer um de nós não possa alcançá-la". [Hebreus 4:1]. "Isto vamos fazer, que prossigamos em direção ao alvo, para o prêmio do alto chamado de Deus em Jesus Cristo". [Filipenses 3:13-14], clamando junto a ele, dia e noite, até que nós também sejamos "libertos da escravidão da corrupção, na liberdade gloriosa dos filhos de Deus!". [Romanos 8:21].

AS PROMESSAS DA SANTIFICAÇÃO

(Ezequiel 36:25-36.)

Pelo Rev. Charles Wesley

1. Deus de todo poder, e verdade, e graça,

Que deve, de eras em eras, resistir;

Cuja palavra, quando céu e terra passarem.

Permanecerá e ficará para sempre certa:

2. Calmamente a ti minha alma procura,

E espera tuas promessas para provar;

O objeto de minha esperança constante,

O selo de teu amor eterno.

3. Que eu, tua misericórdia, possa proclamar.

Que toda a humanidade, tua verdade, possa ver,

Santifique teu grande e glorioso nome,

E perfeita santidade em mim.

4. Escolhido do mundo, se agora eu permaneço,

Adornado na retidão divina;

Se trazido para a terra prometida,

Eu justamente chamo o Salvador meu;

5. Cumpre a obra que tu começaste,

Minha alma mais interior a ti convertida:

Ama-me, para sempre ama o que é teu,

E borrifa com teu sangue meu coração.

6. Teu Espírito santificado derrama,

Para extinguir minha sede, e me deixar limpo;

Agora, Pai, que a chuva graciosa,

Desça, e torne-me puro do pecado.

7. Purga-me de toda mancha pecaminosa

Meus ídolos todos sejam colocados de lado:

Limpa-me de todo pensamento mau.

De toda imundície do ego e orgulho.

8. Dá-me um novo, perfeito coração,

Da dúvida, e medo, e tristeza, livra-me;

A mente que estava em Cristo concede-me,

E permite que meu espírito adira-se a ti,

9. Arranca este coração de pedra,

(O teu governá-lo, não pode possuí-lo;)

Em mim, não o deixa mais ficar:

Ó, arranca este coração de pedra.

10. O ódio de minha mente carnal

Da minha carne, imediatamente, remove;

Dá-me um coração terno, resignado,

E puro, repleto da fé e amor.

11. Dentro de mim, teu bom Espírito coloque,

Espírito de saúde, de amor e poder;

Planta em mim, tua vitoriosa graça,

E o pecado não deverá mais entrar.

12. Faze-me caminhar em Cristo, meu Caminho,

E eu, teus estatutos cumprirei;

E cada ponto de tua lei, obedecerei.

E perfeitamente executarei tua vontade.

13. Tu não disseste, quem não podes mentir,

Que eu tua lei devo manter e fazer?

Senhor, eu acredito, embora os homens neguem;

Eles todos são falsos, mas tu és verdadeiro.

14. Ó, que eu agora, do pecado liberto,

Tua palavra poderosa, ao extremo, prove!

Entre no descanso prometido,

A Canaã de teu amor perfeito!

15. Lá, permita-me sempre, sempre habitar;

Através de ti meu Deus, e eu serei

Teu servo: Ó, sela-me com teu selo!

Dá-me a vida eterna em Ti.

16. De toda sujeira dentro restante

Permita-me, em Ti, salvação ter:

Do presente, e do pecado inato

Minha alma remida persiste salvar.

17. Lava minha velha mancha original:

Não me dize mais, isto não pode ser,

Demônios ou homens! Teu Cordeiro foi morto

Seu sangue foi todo derramado por mim!

18. Respinga ela, Jesus, em meu coração:

Uma gota de teu sangue todo limpo

Faze minha pecabilidade partir,

E preenche-me com a vida de Deus.

19. Pai, supre toda minha necessidade:

Mantém a vida que ti mesmo tens dado;

Pede pelo milho, o pão vivo,

O maná que desce dos céus.

20. Os frutos graciosos da retidão,

Teus armazéns de bênçãos inesgotáveis,

Em mim abundantemente aumente;

Nem me permite, alguma vez mais, ter fome.

21. Que eu não mais, em queixa profunda:

"Minhas pobrezas, Ó, minhas pobrezas!", grite;

Sozinho, consumido com necessidade mínima,

De todos os filhos de meu Pai, eu!

22. A sede dolorosa, o desejo afetuoso,

Tua presença jubilosa possa remover;

Enquanto minha alma cheia ainda requeira

Toda tua eternidade de amor.

23. Santo, e verdadeiro, e justo Senhor,

Eu espero para provar teu desejo perfeito;

Sê cuidadoso com tua palavra graciosa.

E sela-me com o selo do teu Espírito!

24. Tuas misericórdias fiéis, deixa-me encontrar,

Nas quais, tu me fazes confiar;

Dá-me uma mente humilde e mansa,

E humilha meu espírito ao pó.

25. Mostra-me quão tolo meu coração tem sido,

Quando todo renovado pela graça eu sou:

Quando tu tens me esvaziado do pecado,

Mostra-me a plenitude de minha vergonha.

26. Abra meus olhos interiores da fé,

Mostra tua glória do alto;

E tudo que eu sou deve sucumbir e morrer,

Perdido na perplexidade e amor.

27. Confunde-me e subjuga-me com tua graça:

Eu abominaria a mim mesmo;

(todo poder, toda majestade, todo louvor,

Toda glória seja para Cristo, meu Senhor!)

28. Agora, permite-me ganhar o apogeu da perfeição!

Agora, permite-me, no nada, cair!

Ser menos que nada, aos teus olhos,

E sentir que Cristo é tudo em todos!

[Editado por Dave Sparks (Pastor) na Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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