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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Sermões de Wesley: Graça Livre


GRAÇA LIVRE

John Wesley


“Aquele que nem mesmo o seu próprio filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?” (Rom. 8:32)



Imprimido, em Bristol, em 1740


AO LEITOR


Nada mais, a não ser a forte convicção, não apenas esta, que está aqui apresentada, é a verdade, como ela é em Jesus, mas também, que eu sou, indispensavelmente, obrigado a declarar essa verdade para todo o mundo, poderia ter-me induzido a me opor, abertamente, aos sentimentos daqueles que eu estimo por causa de suas obras: Aos pés dos quais eu possa ser achado, no dia do Senhor Jesus!

Deva alguém acreditar que é sua obrigação responder, até aqui, eu tenho apenas um pedido a fazer — Deixe que, o que quer que você faça, seja feito intrinsicamente, no amor, e no espírito de misericórdia. Deixe a sua disputa mostrar que você tem “colocado, como eleito de Deus, entranhas de misericórdia, generosidade, resignado que, mesmo em nossos dias, possa ser dito: Veja como esses cristãos amam uns aos outros!”.

AVISO:

Enquanto um panfleto intitulado, “Graça Livre, Realmente”, tem sido publicado contra esse Sermão; quero informar ao redator, que eu não posso responder ao seu folheto, até que ele pareça ser mais sério. Porque eu não ouso falar sobre “as profundas coisas de Deus, no espírito de um pugilista ou um de um ator de teatro.
(Rom. 8:32) “Aquele que nem mesmo o seu próprio filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?”



1. Quão livremente Deus amou o mundo! Enquanto éramos ainda pecadores. “Cristo morreu pelos ímpios” Enquanto estávamos “mortos em nosso pecado”, Deus “não poupou seu próprio Filho, antes, o entregou por todos nós”. E quão livremente, que ele (nos deu todas as coisas!”. Verdadeiramente, GRAÇA LIVRE é tudo em todos!

2. A graça ou amor de Deus, de onde vem nossa salvação, é LIVRE EM TODOS, e LIVRE PARA TODOS.
3. Primeiro. É livre em todos para quem é dada. Ela não depende de qualquer poder ou mérito no homem; não, em nenhum grau, nem no todo, nem em parte. Ela não depende - de qualquer modo -, nem das boas obras ou retidão de quem a recebe; nem do que tenha feito, ou do que ele seja. Ela não depende de suas atividades. Não depende do seu bom temperamento, ou bons desejos, ou bons propósitos e intenções; porque todos esses fluem da graça livre de Deus; eles são o curso da água apenas, não a fonte. Eles todos são frutos da graça, e não a causa. Eles todos não são a causa, mas o efeito dela. Qualquer bem que esteja no homem, ou, seja feito pelo homem, Deus é o autor e o dono. Assim, é a livre graça em todos; quer dizer, de nenhuma maneira depende do poder ou mérito do homem, mas de Deus somente, que livremente nos deu seu Filho, e “com ele, livremente, nos deu todas as coisas”.

4. Mas é livre para TODOS, tanto quanto EM TODOS. Para isso, alguns podem ter respondido, “Não: ela é livre apenas para aqueles a quem Deus tem ordenado para a vida; e eles são apenas um pequeno grupo. A maior parte deles Deus tem ordenado para a morte; e ela não é livre para eles. A eles Deus odeia; e, conseqüentemente, antes de eles terem nascido, decretou que eles deveriam morrer eternamente. E isso ele, absolutamente decretou; porque também era seu bom prazer; porque era o desejo de sua suprema regra. Assim, eles nasceram para isso, -- para serem destruídos o corpo e a alma no inferno. E eles cresceram debaixo desse irrevogável curso de Deus, sem qualquer possibilidade de redenção; porque o que a graça de Deus dá, ele apenas dá para isso, para aumentar, e não para prevenir a condenação”.

5. Isto é esse decreto da predestinação. Mas, impessoal, eu ouvi alguém dizer: ”Essa não é a predestinação que eu abraço: eu abraço apenas a eleição da graça. O que eu acredito não é nada mais que isso --, que Deus, antes da criação do mundo, elegeu um certo número de homens para serem justificados, santificados e glorificados. Agora, todos esses serão salvos, e ninguém mais; porque o resto da humanidade Deus deixou por conta deles mesmos: então, eles seguem suas próprias imaginações, seus próprios corações, o qual é apenas mau continuamente, e, brilham pior e pior, até, por fim, serem justificadamente punidos com a destruição eterna”.

6. É esta, toda a predestinação que você abraça? Considere que, talvez, esta não seja toda.

Você acredita que Deus os ordenou para essa mesma coisa? Se assim for, você acredita em todos os níveis; você abraça a predestinação, em todo seu sentido, o qual tem sido acima descrito.

Mas pode ser que você pense que não. Você, então, acredita que Deus endurece o coração daqueles que perecem: Você não acredita que ele (literalmente) endureceu o coração do Faraó; e que, para esse fim, ele o levantou, ou o criou? Por que, isso resulta justamente na mesma coisa? Se você acredita que o Faraó, ou qualquer homem na face da terra, foi criado, para esse fim. – ser condenado, -- você abraça toda aquela que tem sido chamada de predestinação. E não há nenhuma necessidade que você deva acrescentar, que Deus, segundo o seu grau, o qual é suposto imutável e irresistível, endurece o coração daqueles potes de ira, a quem esse decreto tem antes ajustado para a destruição.

7. Bem, mas pode ser que você não acredite nem nisso; que você não abrace nenhum decreto da reprovação; que você não pense que Deus decreta qualquer homem para ser condenado, e que não endurece, e, irresistivelmente, o ajusta para a condenação; você apenas diz, “Deus eternamente decreta que todos os mortos no pecado - ele poderia dizer, para alguns de ossos secos – vivam - e os outros não devam; que, conseqüentemente, esses devam ser feitos vivos, e aqueles permanecendo mortos, -- esses deveriam glorificar a Deus pela salvação deles, e aqueles, pela sua destruição”.

8. Não é isso que você quer dizer com eleição da graça? Se for, eu poderia perguntar uma ou duas questões:

Está alguém, que não seja assim eleito, salvo? Ou estava alguém, desde a fundação do mundo?

Se você responder, “não”, você é, mas onde você era; você não conseguiu a largura de um cabelo além; porque você ainda acredita, que, em conseqüência de um imutável e irresistível decreto de Deus, a grande parte da humanidade permanece na morte, sem qualquer possibilidade de redenção; porquanto, como ninguém pode salvá-los, a não ser Deus, ele não irá salvá-los.

Você acredita que ele tem, absolutamente, decretado nada para salvá-los; e o que é isso, senão um decreto para condená-los? Isso é, em efeito, nada mais, nem menos; isso chega na mesma coisa; porque, se você está morto, e completamente incapaz de fazer você mesmo viver, então, se Deus tem, absolutamente, decretado que ele fará apenas outros vivos, e não você, ele tem, absolutamente, decretado a sua morte eterna; você está, absolutamente, consignado para a condenação.

Por isso, então, você usa palavras mais suaves do que algumas, que você usa para dizer a mesma coisa; e o decreto de Deus concernente à eleição da graça, de acordo com sua conta disso, resulta em nada mais, nem menos, do que aquilo que os outros chamam de decreto de Deus da reprovação.

9. Chamar isso, então, pelo qual nome lhe agradar, eleição, (preterition?), predestinação, ou reprovação, chega-se ao fim da mesma coisa. A essência de todos é claramente essa, -- pela virtude de um decreto de Deus, eterno, imutável e irresistível, em que parte da humanidade está, infalivelmente, salva, e o restante, infalivelmente condenado; sendo impossível que qualquer um, do anterior, deva ser condenado, ou que qualquer um, do posterior, deva ser salvo.

10. Mas, se assim for, então, toda pregação é vã. É desnecessária para aqueles que são eleitos; porque eles, tanto com pregação, ou não, irão, infalivelmente, ser salvos.

Conseqüentemente, a finalidade da pregação – ser salvo (deveria) --- é nula com referência a eles; e, é inútil para os não-eleitos, porque eles não podem, possivelmente, ser salvos: porque eles, tanto com pregação ou não, irão, infalivelmente, ser condenados.

A finalidade da pregação, conseqüentemente, é nula no que diz respeito a eles, da mesma forma; então, em qualquer que seja o caso, nossa pregação é vã, como você ouvir também é em vão.

11. Isso, então, é uma completa prova de que a doutrina da predestinação não é a doutrina de Deus, porque isso torna nula a ordenança de Deus, e Deus não é dividido contra si mesmo.

E, segundo, porque isso diretamente tende a destruir aquela santidade, o qual é a finalidade de toda ordenação de Deus. Eu não posso dizer que ninguém que abrace isso seja santo; (porque Deus é de terna misericórdia para aqueles que são, inevitavelmente, emaranhados, em erros de toda espécie); mas que a própria doutrina, — que todo homem é tanto eleito, como não eleito da eternidade, e que um deva, inevitavelmente, ser salvo, e, o outro, inevitavelmente, condenado — tem a tendência manifesta de destruir santidade, em geral, porque ela, totalmente, atira fora aqueles primeiros motivos para serem seguidos, tão freqüentemente proposto na Escritura: a esperança na futura recompensa e o medo da punição; a esperança dos céus e o medo do inferno.

Que esses partirão no castigo perpétuo, e aqueles na vida eterna, não é motivo para lutar pela vida aquele que acredita que seu destino já está traçado; não é razoável para ele fazer isso, se pensar que ele está inalteravelmente decidido, tanto para a vida como para a morte.

Você poderá dizer, “Mas ele não sabe, se para a vida ou para a morte”. O que, então? – isso não ajuda na questão! Porque, se um homem doente sabe que ele deve inevitavelmente morrer, ou inevitavelmente recuperar-se, embora ele não saiba qual, não é razoável que ele tome qualquer medicamento, afinal.

Ele poderia justificadamente dizer (e eu tenho ouvido alguns dizerem, ambos doentes corporalmente e espiritualmente), “se eu sou ordenado para a vida, eu devo viver; se para a morte, eu devo viver; então, eu não preciso me preocupar com isso”.

Então, diretamente, a doutrina tende a fechar mesmo o portão da santidade em geral, -- por dificultar os homens profanos de sempre se aproximarem dela, ou se esforçarem para entrar nela.

12. Como diretamente essa doutrina tende a destruir diversas ramificações particulares da santidade. Como são, mansidão e amor, -- amor, eu quero dizer, aos nossos inimigos, -- aos maus e ingratos. Eu não estou dizendo, que ninguém, que abraça essa doutrina, tem mansidão ou amor; (porque, como isso é o poder de Deus, então, é sua misericórdia); mas que ela naturalmente tende a inspirar, ou incrementar, a agudeza ou impaciência do temperamento, o qual é bastante contrário à mansidão de Cristo; como, então, especialmente aparece, quando eles são contrariados.
E como isso naturalmente inspira desprezo e frieza para com aqueles a quem nós supomos formas exiladas de Deus. “Ó, mas”, você diz. “Eu suponho nenhum homem, em particular, um réprobo”. Você quer dizer, você não poderia, se você pudesse ajudar isso. Mas você não pode ajudar, algumas vezes, aplicando sua doutrina geral a pessoas, em particular: O inimigo das almas irá aplicar isso em você!

Você sabe quão freqüentemente ele tem feito assim! Mas você rejeitou o pensamento com aversão. Verdade; tão logo, você pode; mas, como isso acidulou e tornou afiado seu espírito, nesse meio tempo! Você bem sabe, esse não era o espírito do amor, o qual você, então, sentiu para com todo pobre pecador, quem você supôs, ou suspeitou, você pudesse ou não, seria odiado por Deus, pela eternidade.

13. Terceiro. A doutrina tende a destruir o conforto da religião. A felicidade da Cristandade. Isso é evidente, em todos aqueles que acreditam, eles próprios, serem réprobos, ou quem apenas suspeita ou teme isso. Todas as grandes e preciosas promessas estão perdidas para eles; elas ganham dela nem um raio de conforto: Porque eles não são eleitos de Deus; por conseguinte, eles nem têm muito, nem pouco neles. Essa é a poderosa barreira para sua busca por algum conforto e felicidade, mesmo nessa religião, cujos caminhos são designados a serem “caminhos de graça, e todos seus passos, paz”.

14. E sobre vocês, que se acreditam eleitos de Deus, o que é a sua felicidade? Eu consigo arrancar nenhuma noção, uma convicção especulativa, uma simples opinião de qualquer espécie; mas uma possessão de sentimento de Deus, em seus corações, forjado em vocês pelo Espírito Santo, ou, o testemunho do Espírito de Deus com seus espíritos, de que vocês são crianças de Deus.

Isso, por outro lado, significa “a total garantia da fé: é o verdadeiro alicerce da felicidade cristã. E isso, realmente, implica na total garantia de que todos os seus pecados passados foram perdoados, e que vocês são agora crianças de Deus. Mas isso, não necessariamente, implica na total garantia de nossa perseverança futura. Eu não digo que isso nunca se juntará a nós, mas que isso não é, necessariamente, implicado nisso; porque muitos têm o que o outro não tem”.

15. Agora, esse testemunho da experiência do Espírito mostra estar mais obstruído por essa doutrina; e não apenas naqueles que, acreditam-se réprobos, por esta convicção lançar esse testemunho para longe deles, mas mesmo naqueles que tem testado do bom dom - aqueles que recentemente o perderam, novamente, e caíram de volta, na dúvida, no medo, na escuridão -, -- terrível escuridão, que poderia ser sentida! E eu apelo a qualquer um de vocês que abraçam essa doutrina, a dizer, entre Deus e seu próprio coração, se vocês não têm freqüentemente retornado na dúvida e medo, no que concerne sua eleição ou perseverança!

Se você pergunta, “Quem não tem?” Eu respondo: muito poucos deles que abraçam essa doutrina; mas muito, bem muitos, daqueles que não a abraçam, em toda parte da terra; -- muitos desses têm se regozijado do ininterrupto testemunho do Seu Espírito, da luz contínua de Seu Semblante, do momento em que eles primeiro acreditaram, por muitos meses, ou anos, até esses dias.

16. Essa garantia de fé, a qual esses desfrutam, exclui todas as dúvidas e medo. Ela exclui toda espécie de dúvida e medo concernente sua futura perseverança; embora ela não seja propriamente, como foi dito antes, uma garantia do que é futuro, mas apenas do que agora é. E isso é necessário não para apoiar uma convicção especulativa, que, qualquer que seja uma vez ordenado para a vida, deva viver; porque ela é forjada de hora em hora, pelo todo poderoso poder de Deus, “pelo Espírito Santo, o qual é dado até eles”. Então, aquela doutrina não é de Deus, porque ela tende a obstruir, senão, destruir, essa grande obra do Espírito Santo, de onde flui o principal conforto da religião, a felicidade da Cristandade.

17. Novamente: Quão inconfortável pensamento é esse, de que milhões de homens, sem qualquer ofensa precedente ou suas próprias faltas, foram imutavelmente condenados ao fogo eterno! Quão peculiarmente inconfortável deve ser para aqueles que têm se colocado em Cristo. Para aqueles que, sendo cheio das entranhas de misericórdia, ternura e compaixão, possam também “desejar que eles próprios sejam amaldiçoados pela causa de seus Irmãos!”.

18. Quarto. Essa inconfortável doutrina diretamente tende a destruir nosso zelo pelas boas obras. E isso ela faz, primeiro, porque ela naturalmente tende (de acordo com o que foi observado antes) a destruir nosso amor pela grande parte da humanidade, quero dizer, o ímpio e o ingrato. Porque, o que quer que diminua nosso amor, deve, mais além, diminuir nosso desejo de fazer o bem a eles. Isso ela faz, segundo, porque arranca fora um dos mais poderosos motivos para todos agirem cheios de clemência: como alimentar o faminto, vestir o nu, e, igualmente, a saber -, a esperança de salvar suas almas da morte.

Porque, no que ajuda essa doutrina aliviar os desejos temporais, daqueles que recentemente caíram no fogo eterno? “Bem; corra e tire-os, como brasas fora do fogo”: Não, isso você supõe impossível! Eles foram designados para isso, você diz -, para a eternidade; antes de terem feito bem ou mal. Você acredita que isso seja a vontade de Deus - que eles devam morrer. E “quem pode resistir à vontade do Criador? Mas você diz que não sabe se esses são eleitos ou não.

O que, então? Se você sabe que eles são um ou o outro, -- que eles são nem eleitos, nem não-eleitos, -- todo seu trabalho é nulo e em vão. Em qualquer um dos casos, nosso aviso, reprovação ou exortação é tanto desnecessária, quanto inútil, como nossa pregação. Ela é desnecessária àqueles que são eleitos; porque eles serão infalivelmente salvos, sem ela. Ela é inútil àqueles que são não-eleitos; porque com ou sem ela, eles serão infalivelmente condenados; então, você não pode, consistentemente com seus princípios, levar quaisquer preocupações sobre a salvação deles. Conseqüentemente, esses princípios, diretamente, destroem seu zelo pelas boas obras; por todas as boas obras; mas, particularmente, para a maior de todas, a salvação da alma da morte.
19. Mas, quinto, essa doutrina não apenas tende a destruir a santidade cristã, felicidade, e boas obras, mas tem também a direta e manifesta tendência de subverter toda a Revelação Cristã. O ponto, o qual o mais sábio dos modernos descrentes mais industrialmente trabalha para provar, é que a Revelação Cristã não é necessária. Eles bem sabem, possam eles mostrar isso uma vez, a conclusão estaria muito evidente para ser negada, “se não for necessário, não e verdadeira”.

Agora, esse ponto fundamental você deixou de lado. Porque supondo esse eterno, imutável decreto, uma parte da humanidade deve ser salva, então, a Revelação Cristã não estava na criatura, e a outra parte da humanidade deve ser condenada, não obstante essa Revelação. E o que o infiel poderia desejar mais? Você permitiu a ele tudo o que ele pediu. Em fazendo o Evangelho, assim tão desnecessário, para toda sorte de homens, você deixou de lado toda a causa cristã. “Ó, não o noticieis em Gate! Para que não saltem de contentamento as filhas dos incircuncidados”. Para que os filhos dos descrentes triunfem!

20. E como essa doutrina manifestadamente e diretamente tende subverter toda a Revelação Cristã, então, ela faz a mesma coisa, através de conseqüência evidente, ao fazer essa Revelação contradizer a si mesma. Porque isso está fundamentado em tal interpretação de alguns textos (maiores ou menores, não importa) como, completamente, contradiz todos os outros textos, e, realmente todo o âmbito e teor da Escritura. Por exemplo: Os que afirmam essa doutrina interpretam que o texto da Escritura, “Jacó eu amei, mas Saul eu odiei”, como implicando que Deus, num sentido literal, odiava Saul e todos os réprobos da eternidade!

Agora, o que pode possivelmente ser a mais leve contradição, do que essa, não apenas para o âmbito total e teor da Escritura, mas também para todos esses textos particulares, os quais expressamente declaram, “Deus é amor?” Novamente: Eles deduzem desse texto, “Eu terei misericórdia, naqueles em quem terei misericórdia”, (Ro. 4:15) que Deus é amor somente para alguns homens -, a saber -, os eleitos, e que ele tem misericórdia por aqueles apenas; completamente contrário ao que é o total teor da Escritura, como é esta declaração expressa, em particular, em:

(Salmos 114:9) “O Senhor é amor em todo homem; e sua misericórdia é sobre todas as suas obras”.
(Êxodo 33:19) “Porém, ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tive misericórdia e me compadecerei de quem me compadecer”.

Novamente: Eles deduzem desses e de outros textos igualmente: “Não é dele esse legado, não é dele essa busca, mas de Deus que mostrou misericórdia”. Que mostrou misericórdia, apenas para aqueles a quem ele tem feito acepção por toda eternidade. Não, mas quem responderá contra Deus, agora? Você agora contradiz toda a Revelação de Deus, a qual é declarada, ao longo de:
(Atos 10:34) “E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas”
(Ro 2:11) “porque, para com Deus, não há acepção de pessoas”.

Novamente: do texto --
(Rom. 9:11-12) ”porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela (Rebeca): o maior servirá o menor”, você deduz que nosso sendo predestinado ou eleito, de nenhuma maneira, depende da presciência de Deus.

Completamente contrário a isso, são todas as Escrituras; e aquelas, em particular, (I Pedro 2:2) “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”.
(Ro 8:29) “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

21. E o mesmo Senhor é rico em misericórdia, para com todos os que o invocam.
(Ro 10:12) “Porquanto não há diferença entre judeu e grego, porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam”.

Mas, você diz, (Ef. 1:4) “como também nos elegeu da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade”. Porque ele morreu não por todos, mas apenas por alguns, aqueles que foram escolhidos por ele, antes da criação do mundo!

Completamente contrário à sua interpretação dessa Escrituras, também, é todo o teor do Novo Testamento; como são, em particular, esses textos:
(Ro 14:15) “Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu”. – uma prova clara de que Cristo morreu, não apenas por aqueles que são salvos, mas também por aqueles que pereceram.

(João 4:42) “E diziam à mulher: Já não é pelo que disseste que nós cremos, porque nós mesmos o temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo”.
(João 1:29) “No dia seguinte, João viu a Jesus que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira pecado do mundo”. Ele é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.
(I João 2:2) “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e, não somente, pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”. Não apenas pelos nossos pecados, mas também pelos pecados de todo o mundo.
(I Tm. 4:10) “Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente, dos fiéis”. “Ele”, o Deus vivo, “é o Salvador de todos os homens”.
(I Tm. 2:6) “O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo”.
(Heb. 2:9) “Vemos, porém, coroado de glória e da honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus provasse a morte por todos”.

22. Se você pergunta, “Por que, então, não são todos os homens salvos?”. Toda e lei e o testemunho respondem:

Primeiro: Não devido a qualquer decreto de Deus; não porque é seu prazer que todos eles morram; porque, como “Eu vivo” - diz o Senhor Deus, “eu não tenho prazer na morte daquele que morre”. (Ezequiel 18:3-32) “Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que nunca mais direis este provérbio em Israel. (…) Porque não tomo prazer na morte do que more, diz o Senhor Jeová, convertei-vos, pois, e viveis”.

Qualquer que seja a causa do perecimento deles, não poderia ser Sua Vontade, se as Revelações de Deus são verdadeiras; por isso, ele declara em:
(2 Pedro 3:9)”O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia, mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se”.

Segundo: E eles declaram qual é a causa por que todos os homens não são salvos, isto é, que eles não irão ser salvos: então, o Senhor expressamente diz em:
(João 5:40)”Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aqueles que vê o filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último Dia”. O poder do Senhor é presente para curá-los, mas eles não serão curados. “Eles rejeitaram o conselho”, o misericordioso conselho “de Deus contra eles mesmos”, como fizeram seus inflexíveis antepassados. E, então, são eles sem desculpas; porque Deus poderia tê-los salvo, mas eles não serão: Essa é a condenação:
(Mateus 23:37)”Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados!Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”

23. Assim, manifestadamente essa doutrina tende a subverter toda Revelação Cristã, fazendo com que se contradiga; dando tal interpretação de alguns textos, que, completamente, contradiz todos os demais textos, e, realmente, todo o âmbito e teor da Escritura; -- uma prova abundante de que ela não é de Deus.

Nem é isso tudo: Porque, Sexto, é uma doutrina cheia de blasfêmia; de tais blasfêmias que eu temo mencionar, mas - que o honrado e gracioso Deus e a causa da Sua Verdade - não irão me impedir de estar em silêncio. Pela causa de Deus, então, e do sincero entendimento para a glória de seu grande nome, eu irei mencionar um pouco dessas terríveis blasfêmias contidas nessa horrível doutrina.

Mas, primeiro, eu devo prevenir todos vocês que me ouvem, para que não me acusem com blasfêmias (como alguns têm feito), porque eu mencionei a blasfêmia de outros! E quanto mais vocês lamentam, por causa daqueles que assim blasfemam, vocês “confirmam o seu amor, através deles: e mais, que o desejo de seu coração, e constante oração a Deus seja: “Pai, os perdoe, porque eles não sabem o que fazem!”
24. Isso postulado, que seja observado que essa doutrina representa nosso abençoado Senhor Jesus Cristo, o virtuoso, “o único legítimo Filho do Pai, cheio de graça e verdade”, como um hipócrita, um fraudador do povo, um mentiroso. Porque não pode ser negado que ele, em todo lugar, fala como se desejasse que todo homem pudesse ser salvo. Então, dizer que ele não deseja isso, é representá-lo como um mero hipócrita, um dissimulador. Não pode ser negado que as graciosas palavras que saem de sua boca é cheia de convites a todo pecador. Dizer, então, que ele não pretende salvar todos os pecadores, é representá-lo como um mentiroso vulgar. Você não pode negar que ele diz “Venham até mim, todos vocês que estão cansados e oprimidos”.

Se, então, você diz que ele chama aqueles que não podem vir; aqueles que ele sabe, são incapazes de vir; aqueles que ele pode tornar capazes de vir, mas não fará isso; como é possível descrever insinceridade maior? Você o representa como um escarnecedor de suas impotentes criaturas, oferecendo o que ele nunca pretendeu dar. Você o descreve como dizendo uma coisa, e significando outra; como fingindo um amor que ele nunca teve.

Ele, em “cuja boca não estava a malícia”, você torna cheia de decepção, insinceridade; -- então, especialmente, quando a cidade se fez noite, Ele lamentou sobre ela e disse:”Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, e tu não quiseste” Agora, se você diz, eles poderiam, mas, ele não poderia, você o representa (o qual, quem pode ouvir?) como lamento de crocodilos chorões; lamentando sobre a vítima que ele mesmo tinha condenado à destruição!

25. Que blasfêmia essa, que alguém possa pensar que faria dos ouvidos dos cristãos formigarem! Mas existe ainda mais por trás; porque, do mesmo modo como isso honra o Filho, então, essa doutrina honra o Pai. Isso destrói todas as suas atribuições de uma vez. Isso destrói justiça, misericórdia e verdade; sim, ela representa o mais santo Deus, como pior do que o diabo, e tanto mais falso, mais cruel e mais injusto.

Mais falso; porque o diabo, mentiroso como ele é, nunca disse. “Ele desejou que todo homem fosse salvo”. Mais injusto; porque o diabo não pode, se ele pudesse, ser culpado dessa injustiça como você designa a Deus, quando você diz que Deus condenou milhões de almas ao fogo eterno, preparado pelo diabo e seus anjos, para continuarem no pecado, o qual, por vontade dessa graça, não será dada a eles; eles não podem evitar: E mais cruel; porque esse infeliz espírito “procurou descanso e encontrou nenhum”; de forma que sua própria miséria inquietante é uma forma de tentação para ele persuadir outros.

Mas Deus descansou em seu alto e santo lugar; de forma que supor que ele, do seu próprio movimento simples, da sua pura vontade e prazer, feliz como ele é, condena suas criaturas, queiram elas ou não, à miséria eterna, é imputar tal crueldade a ele, como não podemos imputar nem sequer ao maior inimigo de Deus e homem. Isso é para representar a grandeza de Deus (ele que tem ouvidos para ouvir, que ouça!) como o mais cruel, falso e injusto que o diabo!

26. Essa é a blasfêmia claramente contida no terrível decreto da predestinação! E aqui eu fixo meus pés. Nisto, eu disponho o assunto com todo o afirmador dela. Você representa Deus como pior do que o diabo; mais falso, mais cruel, mais injusto. Mas você diz que você irá provar isso, através das Escrituras. Espere! O que você irá provar através das Escrituras? Que Deus é pior do que o diabo? Não pode ser! O que quer que essas Escrituras provem, elas nunca irão provar isso; o que quer que o seu verdadeiro significado seja, esse não será seu verdadeiro significado.

Você pergunta: “Então, qual é o seu verdadeiro significado?” Se eu disser: “Eu não sei”, você não lucrou nada; já que há muitas Escrituras e o verdadeiro sentido delas, nem você nem eu devemos saber, até que a morte seja tragada na vitória. Mas de uma coisa eu sei: Melhor seria dizer que isso tem nenhum sentido, do que dizer que tem um sentido como esse! Ela não pode significar, o que quer que signifique, além disso, que o Deus da verdade é um mentiroso; que o Juiz de todo o mundo é injusto. Nenhuma Escritura poderá significar que Deus não é amor, ou que sua misericórdia não é sobre toda as suas obras; ou seja, o que quer que ela prove, além disso, nenhuma Escritura pode provar predestinação!

27. Essa é a blasfêmia, pela qual (porém eu amo as pessoas que afirmaram isso!), eu abomino a doutrina da predestinação. A doutrina, na suposição da qual, se alguém pode supor isso, por um momento, (chame-a de eleição, reprovação, ou o que melhor lhe aprouver, porque é tudo a mesma coisa), alguém poderia dizer ao nosso adversário, o diabo:

“Tu, tolo, por que estás rosnando há tanto tempo? Tua mentira, em esperar pelas almas, é tão desnecessária e inútil, quanto nossas pregações. Não ouviste, tu, que Deus tem tirado teu trabalho fora de tuas mãos; e que ele o tem feito mais eficazmente? Tu, com todos teus principados e poderes, podes, apenas e tão somente, atacar, que nós podemos resistir a ti; mas Ele pode irresistivelmente destruir corpo e alma no inferno!”.

“Tu podes, apenas e tão somente, persuadir; mas o imutável decreto dele, em levar milhares de almas à morte, os compele a continuar no pecado, até que caiam no fogo eterno. Tu tentas; Ele nos força a sermos condenados; porque não podemos resistir à sua Vontade. Tu, tolo, por que tu te ocupas mais tempo, buscando por aqueles que tu podes dispor?”.

“Ouviste, tu, que Deus não é o leão devorador, o destruidor de almas, o assassino de homens. Moloc (deus para quem as crianças eram sacrificadas), fazia apenas as crianças passarem pelo fogo: e aquele fogo era logo extinguido; ou, o corpo corrupto sendo consumido, o tormento delas estava no fim; mas Deus, tu és falado, através do decreto eterno Dele - fixado antes que eles pudessem ter feito bem ou mal - causa, não apenas às crianças uma longa duração, mas aos pais também, ao passarem através do fogo do inferno, o fogo que nunca será extinto; e o corpo é atirado, nele, sendo agora incorruptível e imortal, será para sempre consumido e nunca consumado, mas a fumaça de seus tormentos, porque é do bom prazer de Deus, aumenta para sempre e sempre”.

28. Ó, como iria se regozijar o inimigo de Deus e do homem ao ouvir que essas coisas eram assim! Como ele iria gritar alto, e não adiantar nada! Como ele iria erguer sua voz e dizer:

“Para as suas tendas, Ó, Israel! Fuja da face desse Deus, ou você perecerá totalmente! Mas para onde nós podemos fugir? Para os céus? Ele está lá. Para o inferno? Ele está lá também! Nós não podemos fugir do onipresente, imenso tirano. E se você fugir ou ficar, eu chamarei os céus, seu trono, e a terra, sua banqueta, para testemunhar contra você; você deverá perecer e morrer eternamente”.

“Cante, Ó, inferno, e regozije-se, você que é debaixo da terra! Porque Deus, até o poderoso Deus, tem falado, e devotou, para a morte, milhares de almas, a forma crescente do sol caindo nas profundezas! Aqui, Ó, morte, é que eles duram! Eles não devem, eles não podem escapar; porque a boca do Senhor falou isso. Aqui, Ó, sepulcro, é tua Nação vitoriosa ainda não-nascida; tenham eles feito bem ou mal são condenados a nunca ver a luz da vida; mas tu os deves consumir, para sempre e sempre. Deixe todas aquelas estrelas da manhã cantarem juntas; quem caiu com Lúcifer, filho da manhã! Deixe todos os filhos do inferno gritarem de alegria! Porque o decreto é passado, e quem poderá fazê-lo vigorar novamente?”.

29. Sim, o decreto é passado; e assim estava antes da criação do mundo. Mas que decreto? Mesmo este: “Eu sentenciarei, antes dos filhos dos homens, vida e morte, benção e maldição; assim, a alma que escolheu vida, viverá; tanto quanto, a que escolheu morte, morrerá”. Este decreto, por meio do qual, “quem Deus presciênciou, ele predestinou”, era, realmente, da eternidade; este, por meio do qual, todo aquele que pressionou Cristo a torná-los vivos, são “eleitos, de acordo com a presciência de Deus”, agora, posicionem-se rapidamente, até mesmo como a lua, assim como a testemunha fiel nos céus; porque, quando céus e terras passarem, ainda assim, isto não passará; porque ele é imutável e eterno, como é a criatura de Deus que deu isto.

Esse decreto jogou fora o mais forte encorajamento para se ser abundante em todas as boas obras e em toda santidade; e isso é a origem da alegria e da felicidade também, para nosso grande e eterno conforto. Esse é o merecimento de Deus; isso é de todo modo consistente com todas as perfeições de sua natureza. Isso nos dá a mais nobre visão da sua justiça, misericórdia e verdade. Para isso, concorda o total âmbito da Revelação Cristã, tanto quanto todas as partes, além disso.

Para isso, Moisés e todos os Profetas levaram testemunho, e nosso abençoado Senhor e todos os seus apóstolos. Assim Moisés, em nome do Senhor: “Eu chamarei céus e terras para testemunharem contra você esse dia, que eu tenho sentenciado, antes de você, vida e morte, bênçãos e maldição; então, escolha vida, para que tu e tua semente possais viver”. Assim, Ezequiel (para citar um Profeta, entre todos): “escolha vida, para que tu e tua semente possais viver”.
(Ezequiel 18:20) ”A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará”, eternamente, “a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”.
Assim, nosso abençoado Senhor: (João 7:37) “Se alguém tem sede, que venha a mim e beba”.

Assim, seu grande Apostolo, Paulo: (Atos 17:30) “Mas Deus anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” – todo homem, em todo lugar, sem qualquer exceção, tanto ao lugar quanto à pessoa.

Assim, Tiago: (Tiago 1:5) “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá literalmente e não o lança em rosto, e ser-lhe-á dado”.

Assim, Pedro: (2 Pedro 3:9) “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se”.

Assim, João: (1 João 2:1,2) “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados e, não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”.

30. Ouça você isso, você que se esquece de Deus! Você não pode suportar sua morte nele. (Ezequiel 18:23 ...) “Desejaria eu, de qualquer maneira a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes que se converta dos seus caminhos e viva? Arrependa-se, converta-se de todas as suas transgressões; então, iniqüidade não deverá ser sua ruína. Lance fora todas as suas transgressões, por onde, você tem transgredido”.
(Ezequiel 33:11) “Dize-lhe: vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva; convertei-vos, pois, por que morrereis, ó casa de Israel?”.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sermões de Wesley: Sobre a predestinação; Resposta de G. Whitefield e Contra-resposta de J. Wesley

Sermão doutrinário de John Wesley, em seguida carta de George Whitefield, predestinacionista (também do movimento metodista de reavivamento) sobre o sermão "Graça Livre" de John Wesley e, mais abaixo, carta de contra-resposta de John Wesley à George Whitefield...

SOBRE A PREDESTINAÇÃO
John Wesley

'Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou'.(Romanos 8:29, 30)


1. 'Nosso amado irmão Paulo', diz Pedro, 'de acordo com a sabedoria que é dada a ele, tem escrito a vocês; assim também em todas as suas Epístolas, falando nelas dessas coisas; nas quais estão algumas coisas difíceis de serem entendidas, e que eles que são incultos ou inseguros interpretam mal, como fazem também com as outras Escrituras, para a própria destruição deles. (II Pedro 3:15, 16)

2. Em meio a essas coisas faladas por Paulo, que são difíceis de serem entendidas, não é improvável que o Apóstolo Pedro situasse o que ele fala sobre este assunto no oitavo e nono capítulos de sua Epistolas aos Romanos. E é certo que não apenas o inculto, mas muitos da maioria dos homens letrados do mundo, e não apenas o 'inseguro', mas muitos que pareceram bem alicerçados nas verdades do Evangelho, têm, por diversos séculos, 'interpretado mal' essas passagens 'para a própria destruição deles'.

3. Nós podemos aceitar que elas sejam 'difíceis de serem entendidas', quando consideramos quanto os homens de um entendimento melhor, aperfeiçoado por todas as vantagens da educação, têm continuamente diferido no julgamento concernente a elas. E da própria consideração, de que existe tão ampla diferença, sobre o assunto, entre os homens de um maior aprendizado, consciência, e piedade; o que alguém poderia imaginar fosse fazer com que todos falassem sobre o assunto, com excessiva cautela e reserva. Mas eu não sei como, justamente o contrário é observado em toda parte do mundo cristão. Nenhum escritor sobre a terra parece mais experiente que esses que escrevem sobre este assunto difícil. Mais do que isto, os mesmos homens que, escrevendo sobre qualquer outro assunto, são notavelmente modestos e humildes, com respeito a este, colocam de lado toda a dúvida sobre si mesmo, e falam de uma cátedra infalível.

Isto é particularmente observável, em quase todos aqueles que afirmam as leis absolutas de Deus. Mas certamente é possível evitar isto: o que quer que seja que propomos, pode ser proposto com moderação, e com deferência àqueles homens bons e sábios que são de opinião contrária; e o preferível, porque tanto tem sido dito já, em todas as partes da questão; tanto volumes têm sido escritos, que é raramente possível afirmar algo que não foi falado antes. Tudo que eu puder oferecer no momento, não aos amantes da contenda, mas aos homens de piedade e candura, são algumas poucas dicas, que, talvez, possa lançar alguma luz no texto acima citado.

4. Quanto mais freqüentemente e cuidadosamente, eu tenho considerado isto, mais eu estou inclinado a pensar que o Apóstolo não está descrevendo aqui (como muitos têm suposto), uma série de causas e efeitos; (isto não parece ter entrado no seu coração); mas simplesmente mostrar o método como Deus opera; a ordem na qual os diversos ramos da salvação constantemente seguem um ao outro. E isto, eu compreendo, irá trazer esclarecimentos a algum inquiridor sério e imparcial, examinando a obra de Deus, de um lado ao outro; do começo ao fim, ou do fim ao começo.

5. Em Primeiro Lugar, vamos olhar adiante em toda a obra de Deus, na salvação do homem; considerando-a, do começo, o primeiro ponto, até terminar na glória. O Primeiro passo é a presciência de Deus. Deus "pré-viu" aqueles em todas as nações; aqueles que iriam crer, desde o começo do mundo até a consumação de todas as coisas. Mas, com o objetivo de lançar uma luz sobre esta questão obscura, dever-se-ia observar que, quando nós falamos da presciência de Deus, nós não falamos de acordo com a natureza das coisas, mas segundo a maneira de homens. Porque, se nós falarmos propriamente, não existe tal coisa como presciência, ou pós-ciência em Deus. Todo o tempo, ou preferivelmente, toda a eternidade (para os filhos dos homens), é o momento presente para Ele; Ele não conhece uma coisa em um ponto de vista, mas do eterno para o eterno. Como todo o tempo, com tudo que existe nele, é o momento presente para Ele, então, Ele vê, de imediato, o que quer que foi ou será até o fim dos tempos.

Mas observe: Nós não devemos pensar que eles existem, porque Ele os conhece. Não: Ele os conhece, porque eles existem. Justamente como (se é permitido a alguém comparar as coisas de homens com as coisas profundas de Deus) eu sei que o sol brilha: Ainda assim, o sol não brilha, porque eu o conheço, mas eu sei disto, porque ele brilha. Meu conhecimento supõe que o sol brilhe. Mas de maneira alguma, causa isto. De igual maneira, Deus sabe que aquele homem peca; porque ele conhece todas as coisas: Ainda assim, nós não pecamos porque ele sabe disto, mas ele sabe disto, porque nós pecamos; e seu conhecimento supõe nosso pecado; mas, de maneira alguma, é a sua causa. Em uma palavra, Deus, olhando para todas as épocas, da criação à consumação, como sendo um momento, e vendo, de imediato, o que está nos corações de todos os filhos dos homens, sabe cada um que crê e que não crê, em todas as eras e nações. Ainda assim, o que ele sabe, quer seja fé ou descrença, não é, de forma alguma, causada por seu conhecimento. Os homens são livres para crerem ou não, como se Ele não soubesse disto, afinal.

6. De fato, se o homem não fosse livre, ele não seria responsável, quer pelos seus pensamentos, palavras ou ações. Se ele não fosse livre, ele não seria capaz, quer da recompensa ou punição; ele seria incapaz da virtude ou do vício; de ser tanto moralmente bom quanto mal. Se ele não tivesse mais liberdade que o sol, a lua, ou as estrelas, ele não seria mais responsável do que eles. Na suposição de que ele não teria mais liberdade do que eles, as pedras da terra seriam tão capazes da recompensa, ou sujeitas à punição quanto o homem: Um seria tão responsável quanto o outro. Ainda assim, seria tanto um absurdo afirmar a virtude ou o vício dele, quanto afirmar isto à um tronco de árvore.

7. Mas, prosseguindo: 'Aquele que Ele conheceu com antecipação, é quem Ele predestinou ser conforme a imagem de seu Filho'. Este é o Segundo passo (para falar, segundo a maneira dos homens: Porque, em efeito, não existe antes ou depois em Deus): Em outras palavras, Deus decreta, da eternidade para a eternidade, para que todos os que crêem no Filho de seu amor sejam conforme a sua imagem; sejam salvo de todo pecado interior e exterior, na santidade interior e exterior. Assim sendo, é fato claro e inegável que todos os que verdadeiramente crêem no nome do Filho de Deus 'recebem' agora 'a finalidade de sua fé, a salvação de suas almas'; e isto na virtude do imutável, irreversível e irresistível decreto de Deus, -- 'Ele que crê deverá ser salvo'; 'ele que ao crê, deverá ser condenado'.

8. 'Quem Ele predestinou, a este, Ele também chamou'. Este é o Terceiro passo (ainda lembrando que falamos, segundo a maneira de homens): Para expressar isto um pouco mais largamente: De acordo com o Seu decreto fixo, de que os que crêem deverão ser salvos, estes a quem Ele previu, como tal, Ele chamou exteriormente e interiormente, -- exteriormente, através da palavra de Sua graça; e interiormente, através do Seu Espírito. Esta aplicação interior de Sua palavra no coração parece ser o que alguns denominam de 'chamado eficaz'. E ele implica, o chamado dos filhos de Deus; a aceitação deles 'no Amado'; a justificação deles 'livremente pela sua graça, através da redenção que está em Jesus Cristo'.

9. 'A quem Ele chamou, a eles Ele justificou'. Este é o Quarto passo. Geralmente se permite que a palavra, 'justificado', seja compreendida em seu sentido especifico; o que significa que Ele os tornou justos ou retos. Ele executou seu decreto, 'ajustando-os à imagem de seu Filho'; ou, como falamos usualmente, os santificou.

10. 'A quem Ele justificou, Ele também glorificou'. Este é o Último passo. Tendo feito deles 'parceiros na herança dos santos na luz', Ele deu a eles 'o reino que lhes foi preparado, antes da criação do mundo'. Este é o mandamento, em que 'de acordo com a deliberação de Sua vontade', o plano que Ele estabeleceu da eternidade, Ele salva aqueles a quem ele pré-conheceu; os verdadeiros crentes, em todos os lugares e gerações.

11. A mesma grande obra de salvação pela fé, de acordo com a presciência e decreto de Deus, pode aparecer, sob uma luz ainda mais clara, se nós a virmos de trás para frente, do fim para o começo. Suponha, então, que você esteja com 'a grande multidão que nenhum homem pode contar, de toda a nação, e língua, e família, e pessoas'; que 'louvou ao Ele que está sentado no trono, e junto ao Cordeiro, para sempre e sempre', você não encontraria um entre eles todos que tivessem entrado na glória, que não fosse testemunha daquela grande verdade, 'Sem santidade, homem algum verá ao Senhor'; 'ninguém daquela companhia incomensurável foi santificado, antes que tivesse sido glorificado'. Através da santidade, ele foi preparado para a glória; de acordo com a vontade invariável do Senhor, aquela coroa, adquirida, por meio do sangue de seu Filho, poderá ser dada a ninguém, a não ser àqueles que são nascidos de novo, através de seu Espírito. Ele se torna 'o autor da salvação eterna', apenas 'a eles que o obedecem'; 'e obedecem a Ele, interior e exteriormente; que são santos no coração, e santos em todos os seus modos de vida'.

12. E, se você pudesse dar uma olhada naqueles que estão agora justificados, você não encontraria um deles que tenha sido santificado, até que tivesse sido chamado. Ele primeiro foi chamado, não apenas com um chamado externo, através da palavra e dos mensageiros de Deus, mas, igualmente, com um chamado interior, através de Seu Espírito, aplicando Sua palavra, capacitando-o a crer no Unigênito Filho de Deus, e testemunhando com seu espírito que ele é um filho de Deus. E foi, através deste mesmo meio que eles todos foram santificados. Foi, através da consciência do amor de Deus, espalhado em seu coração, que cada um deles foi capacitado a amar a Deus. Amando a Deus, ele amou seu próximo, como a si mesmo; e tem o poder de caminhar em todos os seus mandamentos, imaculado. Esta é a regra que admite nenhuma exceção. Deus chama um pecador, por sua iniciativa, ou seja, o justifica, antes de santificar. E, por meio disto, a consciência de Seu favor, Ele opera nele aquela gratidão e afeição de filho, do qual brota todo temperamento bom, e palavra e obra.

13. E quem são eles que são assim chamados por Deus, a não ser aqueles que Ele antes predestinou, ou decretou, 'a serem conforme a imagem de seu Filho?'. Este decreto (ainda falando, segundo a maneira dos homens) precede todo o chamado dos homens. Cada crente foi predestinado, antes que ele tivesse sido chamado. Porque Deus não chama alguém, a não ser 'de acordo com a deliberação de Sua vontade'; de acordo o plano de ação que Ele estabeleceu antes da fundação do mundo.

14. Uma vez mais: Já que todos que são chamados foram predestinados, então, todos a quem Deus tem predestinado, Ele pré-conheceu. Ele conheceu; Ele os viu como crentes, e como tais, os predestinou à salvação, de acordo com seu decreto eterno, 'Ele que crê será salvo'. Assim, nós vemos todo o processo da obra de Deus, do fim ao começo. Quem está glorificado? Ninguém, a não ser aqueles que foram antes santificados. Quem está santificado? Ninguém, a não ser quem foi antes justificado. Quem está justificado? Ninguém, a não ser aqueles que foram primeiro predestinados. Que está predestinado? Ninguém, a não ser aqueles a quem Deus pré-conheceu como crentes. Assim, o propósito e palavra de Deus se mantêm inabaláveis, como os pilares dos céus: -- 'Ele que crê será salvo; ele que não crê será condenado'. E, assim, Deus está limpo do sangue de todos os homens; uma vez que, quem quer que pereça, perece por seus próprios atos e façanhas. 'Eles não virão comigo', diz o Salvador de homens; e 'não existe salvação em nenhum outro'. Eles 'não crerão'; e não existe outro caminho; quer para a salvação presente ou eterna. Portanto, o sangue deles está sobre suas próprias cabeças; e Deus ainda está 'justificado em dizer' que ele 'deseja que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento de Sua verdade'.

15. A soma de tudo isto é: o Altíssimo, Todo sábio, Deus, vê e conhece, da eternidade para a eternidade, tudo que é, foi e será, através de um eterno agora. Com Ele nada é passado ou futuro, mas todas as coisas igualmente presentes. Ele tem, portanto, se falarmos, de acordo com a verdade das coisas, nenhuma presciência; nenhuma pós-ciência. Isto seria nada consistente com as palavras do Apóstolo, 'Com Ele, não existe inconstância ou sombra de desvio'; e com o relato que Ele dá de Si mesmo, através do Profeta, 'Eu, o Senhor, não mudo'. Ainda assim, quando Ele nos fala, sabendo onde fomos feitos; sabendo a insuficiência de nosso entendimento, Ele se permite descer até a nossa capacidade, e fala de Si mesmo, segundo a maneira de homens. Assim, em condescendência à nossa fraqueza, Ele fala de seu propósito, deliberação, plano, presciência. Não que Deus tenha alguma necessidade de recomendar, de propor, ou de planejar Sua obra antecipadamente. Que esteja muito longe de nós imputarmos isto ao Altíssimo; mensurá-lo por nós mesmos! É meramente em compaixão a nós que Ele fala assim, de si mesmo; como prevendo as coisas no céu ou terra, e como as predestinando ou pré-ordenando. Mas nós podemos imaginar possível que essas expressões devam ser tomadas literalmente? Para alguém que fosse tão grosseiro em suas concepções, Ele não poderia dizer: 'Pensas que eu sou tal como tu és? Não, mesmo! Assim como os céus são mais excelentes que a terra, então meus caminhos são mais excelentes que os teus. Eu conheço, decreto, trabalho, de tal maneira, como se não fosse possível a ti compreender: mas para dar a ti algum conhecimento tênue, e luzente dos meus caminhos, eu uso a linguagem dos homens, e me ajusto à tua compreensão neste teu estado pueril de existência'.

16. O que é isto, então, que nós aprendemos de todo este relato? Trata-se disto e não mais: -- (1) Deus conhece todos os que crêem; (2) deseja que eles sejam salvos do pecado; (3) com esta finalidade, justificá-los, (4) santificá-los e (5) conduzi-los até a glória.

Ó, que os homens possam louvar ao Senhor por esta sua bondade; e que eles possam estar contentes com este claro relato disto, e não se esforcem para atacarem aqueles mistérios que são tão profundos, até mesmo para os anjos sondarem!

[Editado por Dave Giles e George Lyons no Northwest Nazarene College (Nampa, ID), para a Wesley Center for Applied Theology.]

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[Excerto da carta escrita por George Whitefield (defensor da predestinação) em resposta ao sermão de John Wesley (defensor da Justificação pela fé), 'Graça Livre" – tradutora]
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George Whitefield ao Sr John Wesley: "Não, meu caro, Senhor, você errou!".
George Whitefield
ao Rev. Mr. John Wesley


Em resposta ao Sermão do Sr. Wesley, intitulado•
“Graça Livre”

“E chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível”.
(Gal. 2.11)


PREFÁCIO

“Eu estou muito consciente dos diferentes efeitos que a publicação dessa carta, contra o prezado Sermão do Sr. Wesley, irá produzir. Muitos dos meus amigos que são defensores estrênuos da redenção universal serão imediatamente ofendidos. Muitos que são zelosos, por outro lado, serão muito regozijados. Eles dois são tépidos, de ambos os lados, e são levados por argumentações carnais, o que faz com que esse assunto nunca possa ser levado sob debate”.

“As razões que eu dei, no começo da carta, eu penso que são suficientes para satisfazer toda a minha conduta nela. Eu desejo, então, que eles, que abraçam a eleição, não triunfem e comemorem, por um lado (porque eu detesto qualquer coisa desse tipo) – e que eles, que são preconceituosos contra esta doutrina, não se sintam muito consternados ou ofendidos uns com os outros”.

“Conhecidos por Deus são todos os seus caminhos, desde o começo do mundo. O grande dia irá revelar porque o Senhor permite que o querido Sr. Wesley e eu tenhamos maneiras tão diferentes de pensar. No momento, eu não devo fazer indagações nesse assunto, além do relato o qual ele mesmo tem dado dele, na carta que se segue, e que eu recentemente recebi das suas prezadas mãos”.


Londres, Agosto 9, 1740


John Wesley responde ao Sr. George Whitefield


Meu prezado Irmão,

“Eu agradeço a você pela sua carta de 24 de Maio. O caso é bastante evidente. Existem os fanáticos, tanto a favor da predestinação quanto contra ela. Deus está enviando uma mensagem àqueles de ambos os lados. Mas ninguém irá recebê-la, exceto aqueles que tenham opinião própria. Por essa razão, nesse momento, você é permitido ser de uma opinião e eu de outra. Mas, quando o tempo chegar, Deus irá fazer o que o homem não pode, ou seja, fazer-nos ambos com uma mente apenas”.

“Então, persecução irá se extinguir, e será visto, se nós consideramos nossas vidas preciosas para nós mesmos, de modo que possamos terminar nossa jornada com alegria”.

Eu sou, meu mais querido Irmão,
Sempre seu,
J. Wesley

“Assim, meu honrado amigo, eu oro fervorosamente a Deus para apressar o tempo, para que ele seja claramente iluminado em todas as doutrinas da divina revelação, para que possamos estar, assim, intimamente unidos, em princípio e julgamento, tanto quanto em coração e afeição. E, então, se o Senhor puder nos chamar para isso, eu não me importo, se eu for com ele, para a prisão, ou para a morte. Porque como Paulo e Silas, eu espero que possamos cantar louvores a Deus, e levarmos isto em conta de nossa enorme honra em sofrer pela causa de Cristo, e dispor nossas vidas pelos irmãos”.

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Stanley Jordan faz show para 17 pessoas em SP

Stanley Jordan faz show para 17 pessoas em SP

por Augusto Gomes, iG São Paulo
Guitarrista americano foi principal atração da Quebrada Cultural

O professor de guitarra Felipe Cavalcanti, de 28 anos, passou boa parte do domingo em ônibus e trens. Mais precisamente, uma hora e meia para ir (e provavelmente outra hora e meia para voltar) do Morumbi até Guaianases, no extremo leste de São Paulo - e tudo isso debaixo de uma insistente garoa. Tudo isso para ver o americano Stanley Jordan, um dos maiores guitarristas de jazz do planeta.

Jordan foi a principal atração da mais recente edição da Quebrada Cultural. O evento, inspirado na Virada Cultural que acontece na região central, leva diversas atrações culturais à periferia paulistana, sempre com entrada gratuita. Neste final de semana, o festival aconteceu em dois locais: além de Guaianases, na zona leste, também no Grajaú, no extremo sul da capital paulista.

Era de se esperar que a presença de um dos maiores guitarristas do mundo, num show gratuito e numa área carente de atrações culturais, atraísse um grande público. Mas não foi isso que aconteceu na Praça de Eventos de Guaianases, nome imponente que batiza uma espécie de estacionamento às margens do Ribeirão Itaquera: pouco antes de sua apresentação começar, havia exatamente 17 pessoas na plateia. Isso mesmo, 17.


Felipe Cavalcanti era uma delas. Junto com os amigos Kátia Arteiro e Carlos Alberto, atravessou a cidade inteira só para ver o guitarrista. Eram parte da metade do público que claramente era fã de Jordan. A outra metade era formada por curiosos. "A gente queria que tivesse mais gente aqui. Mas quem está aqui, está de coração", afirmou o mestre de cerimônia da festa, pouco antes do show começar.

O professor de violão Wilson Sarmento, de 54 anos, tinha algumas explicações para o pequeno público. "Isso aqui foi muito mal divulgado. Eu mesmo só fiquei sabendo por acaso, quando procurava informações sobre um outro show", conta. Ele também teve dificuldades para encontrar o local da apresentação. "A sinalização está péssima. E olha que eu conheço bem essa região", criticou.

Uma integrante da organização do evento, que preferiu não se identificar, também apontou a divulgação insuficiente como principal culpada pelo fracasso de público. Outro fator importante, segundo ela, foi trazer um artista desconhecido da população da região. "Eu sei que isso pode parecer preconceituoso, mas o pessoal aqui só quer saber de pagode e rap. Aqui ninguém sabe quem é esse cara", disse.

O diagnóstico poderia fazer algum sentido se Stanley Jordan fosse a única atração da Quebrada Cultural. Mas, antes dele, apresentaram-se cantoras como Vanessa Jackson (vencedora da primeira edição do reality show Fama) e Quelynah (uma das estrelas da minissérie Antonia), e mesmo assim a plateia não passava das 50 pessoas.

Jordan, é importante dizer, comportou-se como se tocasse para um estádio lotado. É verdade que, às vezes, dava olhares desanimados para o horizonte. Mas mostrou um profissionalismo exemplar ao ajustar o som até que ele estivesse de acordo com sua vontade. O que levou cerca de 40 minutos e irritou produção e parte do público, mas fez com que sua guitarra fosse ouvida com clareza pelas 17 pessoas que ali estavam.

Ele tocou junto com dois brasileiros: Dudu Lima, baixista que o acompanha há algum tempo, e Ivan Conti (vulgo Mamão), um dos maiores bateristas do Brasil. O show durou pouco mais de uma hora, e teve como pontos altos as impressionantes versões de "Insensatez" e "Eleanor Rigby". Uma bela amostra da técnica única de Jordan, que toca as cordas de sua guitarra como se fossem as teclas de um piano.

No final, um sorriso tímido e nada de bis. Para os poucos e insistentes fãs, ficou a lembrança de um grande show e a expectativa de um longo caminho de volta para casa.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Contradição

Olhem esse vídeo em que estou tocando na Igreja Metodista em Rudge Ramos, juntamente com o Jefferson e o Lucas. É um trecho da música Contradição, do Jefferson. Muito bacana...

PERGUNTAS HONESTAS PARA CRISTÃOS(ÃS) SINCEROS(AS)

PERGUNTAS HONESTAS

PARA CRISTÃOS(ÃS) SINCEROS(AS) - Por Pr Daniel Rocha, da Igreja Metodista em Itaberaba, SP

Maiêutica [do Gr. maieutikós: parto] era um processo pedagógico utilizado por Sócrates (IV sec. a.C.) que consistia em uma sequência de perguntas e respostas que ele fazia aos seus interlocutores, “parindo” deles idéias complexas a partir de perguntas simples. De igual forma, Jesus, inúmeras vezes também questionou aos seus discípulos e aqueles que o rodeavam, esperando respostas e posicionamentos, e a partir delas anunciava-lhes um novo entendimento.

Mesmo o cristão mais sincero normalmente não se anima a rever conceitos que foram se estratificando na alma durante anos, e permaneceram na forma ainda “deficiente” de um neófito na fé. Talvez por isso o apóstolo Paulo se preocupava tanto em reparar continuamente “as deficiências da fé” que os primeiros cristãos apresentavam (1Ts 3.10).

Elaboramos algumas questões para confrontar convicções e paradigmas que nem sempre resistem a uma acareação mais acurada. Vejamos:

I.É razoavelmente aceito no meio evangélico que o crente enfrente certas enfermidades, como taquicardia, hipertensão ou miopia. Entretanto, não se admite que algumas debilidades venham atingir a sua mente, o que gera uma grande resistência caso tenha de fazer terapia ou tomar drogas psiquiátricas. Por que só o corpo sofreria as conseqüências de um mundo decaído, mas a mente não?

II.Muito cristão usa e abusa do bordão “foi da vontade de Deus” para explicar mortes que ocorrem pelo descaso dos governantes e pelas injustiças sociais. Somente em nosso país cerca de 102 mil crianças morrem por ano de doenças ligadas à desnutrição. Faz parte do plano divino que elas morram no Brasil, mas não na Suécia?

III.“Nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai”, diz a bíblia. Ainda assim os pardais caem no chão e morrem. Proteção divina significa salvo conduto e a certeza que nenhum mal acontecerá a quem tem fé? O que significa para você ser protegido de Deus?

IV.Por que os pecados relacionados à sexualidade causam aos cristãos reação muito maior que a vaidade, a inveja, a maledicência e a falta de amor? Você se sentiria mais à vontade ouvindo o sermão de um homem sabidamente orgulhoso ou de um adúltero que se confessa arrependido?

V.Por que alguns segmentos cristãos julgam com severidade os apreciadores de um bom vinho, mas se calam contra os que se empanturram de comidas gordurosas, frituras e carnes vermelhas, e tomam bebidas fabricadas com corantes, acidulantes, aromatizantes e conservantes, tudo isso reconhecidamente nocivo à saúde? Não é contraditório?

VI.Se alguns pastores modernos realizam de fato inúmeros milagres na frente das câmeras, porque eles não separam um dia por semana do seu tempo para fazer a alegria de centenas de pacientes nos corredores do Hospital das Clínicas ou então às crianças internadas no Hospital do Câncer?

VII.Se a teologia da prosperidade realmente “funciona”, porque os que promovem tais coisas não fazem um bem para a humanidade instalando seus ministérios nos piores lugares do planeta, tais como a Nigéria, o Haiti ou o Sudão? Por que ela não funciona no vale do Jequitinhonha, a região mais pobre do Brasil?

VIII.Depois de mais de duas décadas de igrejas pregando a prosperidade e atingindo milhões de pessoas nas periferias das grandes cidades, já não era tempo do IBGE ter constatado que os bolsões de miséria na periferia desapareceram, e que bairros de classe média surgiram no seu lugar?

IX.Se Jesus ama as criancinhas, colocando-as como nosso modelo e afirmando que é delas o Reino dos Céus – para desgosto dos discípulos que queriam afastá-las de Sua presença – porque hoje, na prática, as igrejas impedem a efetiva inserção delas no seio das comunidades? Colocamos mais em prática a orientação de Jesus ou a repreensão dos discípulos?

X.Jesus aceitou de bom grado o gesto que uma prostituta lhe fez, chorando muito e adorando-o, causando espanto a todos os convidados que estavam à mesa. Que tipo de pessoas ou grupos, que se derramassem hoje perante Cristo, lhe causaria grande indignação?

XI.Por que Jesus, ao ressuscitar, não foi direto ao palácio de Herodes e de Pilatos, mostrando-se a eles, para causar assombro e admiração aos formadores de opinião da época? Dar visibilidade à fé com marchas e shows faria parte dos propósitos de Jesus hoje?

XII.Por que damos tanta importância aos empreendedores, vitoriosos, e famosos, e mal reparamos nos simples e desprovidos de atrativos, se Jesus falou que aquilo que é “elevado entre os homens é abominação diante de Deus”? Preferimos as coisas humildes ou as que exercem fascínio?

XIII.Se Jesus pede para cada um tomar a sua cruz e segui-lo, por que tanta gente vai atrás Dele pedindo facilidades na vida?

XIV.O que você acha de deixar noventa e nove ovelhas no aprisco para ir atrás de uma rebelde que se perdeu? Você concorda com essa aritmética divina ou é adepto do pragmatismo que privilegia as multidões?

As respostas a todas estas perguntas estão nas Escrituras. Confronte o que você “sabe, pensa ou acha” com a Palavra. Busque-a, leia com honestidade, esqueça tudo o que já ouviu de terceiros não confiáveis, peça orientação ao Espírito Santo e sabedoria que vem do Alto.

Amém!

Pastor Daniel Rocha

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ordem do Músicos do Brasil...

IMPORTANTE
A OMB de São Paulo não pode fiscalizar músicos, bares, casas de shows
O deputado Carlos Giannazi, Coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Músicos e Compositores do Estado de São Paulo, anunciou nesta semana a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que proíbe a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) de fiscalizar os músicos bem como exigir a inscrição na entidade.
O Acórdão garante aos músicos do estado de São Paulo o direito de exercício da profissão, sem necessidade de prova, inscrição na OMB e sujeição ao regime disciplinar específico. O Acórdão destaca, entre outros pontos, que "a Lei nº 3.857/60 não exige o registro na OMB de todo e qualquer músico para o exercício da profissão, mas apenas dos que estão sujeitos à formação acadêmica sob controle e fiscalização do Ministério da Educação".
“De agora em diante os músicos do estado de São Paulo não podem mais ser fiscalizados pela OMB e nem tampouco ter a obrigatoriedade da inscrição na mesma”, disse Giannazi em seu pronunciamento na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Giannazi fez também uma representação no Ministério Público Federal pedindo a suspensão de vários artigos da Lei 3857/60 - que criou a Ordem dos Músicos do Brasil. Depois de julgada pelo Supremo, a ação pode passar a valer em todo o território nacional, desobrigando músicos da inscrição na entidade.
O Acórdão está disponível no site do Tribunal Regional Federal ( www.trf3.jus.br). Para quem quiser consultar na íntegra, o número do processo é 2005.61.15.001047-2.
fonte:
http://territorio.terra.com.br/blog/vitrine/?c=20403

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Música sacra ou música para o culto? por Rev Luiz Carlos Ramos

O que torna sacra uma música?
Nestas linhas tra­ta­re­mos da con­cep­ção da música que se uti­liza no culto público, rea­li­zado pelo povo de Deus no con­texto da Igreja cristã. Que tipo de música se pode entoar, ouvir e exe­cu­tar no espaço/momento litúr­gico? Qual­quer uma serve ou só as “sagra­das”? Para dis­cu­tir o pro­blema, nos pro­po­mos as seguin­tes ques­tões: O que torna a música sacra é a melo­dia da lira ou o des­canto da alma? É a har­mo­nia dos acor­des ou a dis­so­nân­cia da vida? É o ritmo do cora­ção ou o com­passo do corpo? É a letra que mata ou a música que vivi­fica? É a san­ti­dade do autor/compositor ou a graça de Deus?
A melo­dia da lira ou o des­canto da alma?

Onde esta­ria a sacra­li­dade da música? Na melo­dia? Será que exis­tem melo­dias sagra­das? Veja­mos: uma melo­dia se faz, evi­den­te­mente, com notas musi­cais. Na con­ven­ção oci­den­tal, as pos­si­bi­li­da­des meló­di­cas são o resul­tado da com­bi­na­ção “mate­má­tica” de sete notas musi­cais e de seus inter­va­los —dó, ré, mi, fá… Ora, tanto uma peça de Bach, quanto um gos­pel moderno, de um lado, e uma música de gafi­eira, um rap ou um samba, de outro, se fazem com as mes­mas notas ele­men­ta­res. Daí, a con­clu­são ine­vi­tá­vel é que a san­ti­dade da música não deve estar na escala diatô­nica, pen­tatô­nica ou nou­tra qual­quer, pois as mes­mas notas que “falam” de Deus ser­vem para “falar” de outras coi­sas. É melhor con­ti­nu­ar­mos a inves­ti­gar o assunto…
A har­mo­nia dos acor­des ou a dis­so­nân­cia da vida?

Tal­vez a san­ti­dade esteja mesmo é na com­bi­na­ção simul­tâ­nea das notas, ou seja, em sua har­mo­nia. Acor­des eufô­ni­cos e “redon­dos” ten­dem a ser iden­ti­fi­ca­dos com as músi­cas de igreja, enquanto os dis­so­nan­tes e trun­ca­dos seriam mais pró­prios da música secu­lar. Entre­tanto, a fór­mula harmô­nica é gran­de­mente uti­li­zada por com­po­si­to­res secu­la­res, ao passo que auto­res de mui­tas peças tra­di­ci­o­nal­mente acei­tas como sacras se uti­li­zam de dis­so­nân­cias. Ora, sendo a pró­pria vida repleta de “dis­so­nân­cias”, a har­mo­nia não deve­ria ser tam­bém expres­são sin­cera da rea­li­dade do povo de Deus que, com fé, enfrenta coti­di­a­na­mente os con­fli­tos de vida-e-morte? Daí que a har­mo­nia resulta ser uma expres­são fluida demais para que limi­te­mos a ela ques­tão de tama­nha impor­tân­cia —como o é sacra­li­dade da música.
O ritmo do cora­ção ou o com­passo do corpo?

Se não é a har­mo­nia, então deve ser o ritmo o que dis­tin­gue uma música pro­fana de outra sacra. Assim, devem exis­tir rit­mos sagra­dos e rit­mos pro­fa­nos. E quais seriam os rit­mos pro­fa­nos? Esta res­posta parece fácil: seriam os rit­mos asso­ci­a­dos às fes­tas secu­la­res e os pra­ti­ca­dos pela cul­tura popu­lar em geral. Mas, espere um pouco. É pos­sí­vel com­por uma música que não se enqua­dre em nenhum ritmo secu­lar? Mesmo os hinos dos hiná­rios ofi­ci­ais das igre­jas repro­du­zem ine­ga­vel­mente os rit­mos dos perío­dos his­tó­ri­cos e dos gru­pos étni­cos de seus com­po­si­to­res. Tam­bém os cân­ti­cos pre­fe­ri­dos pelos jovens caris­má­ti­cos con­tem­po­râ­neos são a ver­são “evan­gé­lica” da música pop norte-americana. E pode­ría­mos seguir ana­li­sando as várias for­mas de música uti­li­za­das na Igreja ao longo da sua his­tó­ria, e con­clui­ría­mos, ine­vi­ta­vel­mente, que elas sem­pre se iden­ti­fi­cam com alguma forma de ritmo secu­lar. Em outras pala­vras, ainda não foi inven­tado o ritmo sacro. A sub­je­ti­vi­dade do cora­ção esbarra na cor­po­rei­dade da fé e daí resulta que o ritmo do cora­ção não é outro que o ritmo do corpo (mesmo por­que o cora­ção está den­tro do corpo).
A letra que mata ou a música que vivifica?

Se não é a melo­dia, nem a har­mo­nia, nem o ritmo, tal­vez o que con­fira sacra­li­dade à música, seja, então, a letra. Uma letra reli­gi­osa con­tra uma letra secu­lar faria a dife­rença, o que tor­na­ria deter­mi­nada música sagrada e outra pro­fana. Se o cri­té­rio for o que a letra diz, então tere­mos que clas­si­fi­car como “sagra­das” a uma infi­ni­dade de músi­cas popu­la­res, pois nes­tas a temá­tica reli­gi­osa —Deus, fé, amor, jus­tiça, paz— é mais do que freqüente: “Andar com fé eu vou…”; “Se eu qui­ser falar com Deus…”; “Pai, afasta de mim este cálice”; “A paz inva­diu o meu cora­ção…”; “Quero a uto­pia, quero o vinho e o pão…”; “… quero o leito, quero a mesa, quero o vinho e quero o pão…”; “… eu per­gun­tei, ai, a Deus do céu, ai, por­que tama­nha judi­a­ção”; etc. Por outro lado, pode­ría­mos citar hinos e cân­ti­cos que pouco ou nada falam dos temas da fé, ou que os tra­tam de maneira anti­e­van­gé­lica, tais como os hinos-de-guerra, e os car­re­ga­dos de pre­con­ceito: “eis mar­chando já os negros bata­lhões…”; “meu cora­ção era preto…”, e outros de cará­ter indi­vi­du­a­lista e teo­lo­gia duvi­dosa. Por­tanto, o fato da letra de uma música falar de Deus, sobre Deus ou sobre temas da fé, não é garan­tia de que ela seja sagrada. A Bíblia mesma nos ensina que “a letra mata, mas o espí­rito vivifica”.
A san­ti­dade do autor/compositor ou a graça de Deus?

Já sei, a dife­rença não está nem na melo­dia, nem na har­mo­nia, tam­pouco no ritmo, ou na letra. A res­posta só pode ser que a sacra­li­dade da música está no seu autor/compositor. Se este ou esta for crente, então sua com­po­si­ção será sagrada. Mas espere um pouco, um dos mais popu­la­res com­po­si­to­res bra­si­lei­ros de música gos­pel da atu­a­li­dade tem uma agên­cia de pro­du­ção de jin­gles. Pro­va­vel­mente a maior parte de sua cli­en­tela não deve ser com­posta de gente de igreja —nem os pro­du­tos anun­ci­a­dos, sagra­dos. Será, então, que seus jin­gles comer­ci­ais são sagra­dos por­que esse autor é evan­gé­lico? E, mais, essas músi­cas sacras esta­riam ser­vindo para ven­der pasta de dente, chi­clete e sabão em pó? Não creio. E há um outro pro­blema: já pen­sa­ram se esse com­po­si­tor de música gos­pel, tão pie­doso, vier um dia a cair em ten­ta­ção, aban­do­nar a fé, sair da Igreja, negar Jesus…? Sua com­po­si­ção dei­xará de ser sagrada? Será que pode­mos supor que todos os com­po­si­to­res dos hinos dos hiná­rios evan­gé­li­cos ofi­ci­ais per­ma­ne­ce­ram fiéis até o fim? Uma afir­ma­ção desse tipo parece temerária.
Con­cluindo

À luz de tudo isso, não resta outra con­clu­são que a de entre­gar­mos a Deus a res­pon­sa­bi­li­dade pela sacra­li­dade do que can­ta­mos no culto. Em outras pala­vras, a sacra­li­dade da música depende uni­ca­mente da graça de Deus – “a minha graça te basta” (2Co 12.9). A música que uti­li­za­mos nos cul­tos não têm mérito em si mes­mas. Depen­dem do kai­rós de Deus, do tempo opor­tuno da visi­ta­ção, da sal­va­ção pela graça —“pela graça sois sal­vos (…); e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Pela graça de Deus nós can­ta­mos, não por­que a música seja sacra em si, mas por­que a música se torna sacra quando nós a can­ta­mos para Deus. O pro­fano, quando tocado pelo sagrado, é san­ti­fi­cado por­que “maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1Jo 4.4). E por­que sabe­mos que “Deus é maior do que o nosso cora­ção” (1Jo 3.20) pode­mos crer que ele com­pleta o que nos falta, tornando-nos puros – a nós e à nossa música. Da Pala­vra de Deus apren­de­mos que “para os puros, todas coi­sas são puras” (Tt 1.15). Assim, resta-nos que nos impor­te­mos menos com o culto da música, e mais com a música do culto. Não que ado­te­mos uma música de Deus, mas que ado­re­mos ao Deus da música.

Que, em meio às dis­so­nân­cias da vida, a graça de Deus nos trans­forme os des­can­tos da alma na música santa do Espí­rito, para ser ento­ada no com­passo do corpo res­sus­ci­tado, para o lou­vor da Sua gló­ria, hoje e para sem­pre. Aleluia!



Rudge Ramos, 20 de maio de 2002.


fonte: http://www.luizcarlosramos.net

A SENTENÇA DE ARRUDA DÁ AZAR. A "ORAÇÃO DE BRUNELLI". E O PAPO DE GRAÇA... por Caio Fabio


"Se [esses vídeos] aparecerem, me conta com uns cinco dias de antecedência, que é para eu sumir... ou dar um tiro na cabeça [...] ou matar você".


Gov. Arruda segundo a transcrição de uma das gravações feitas por Durval e entregue à Polícia Federal.



As palavras do Governador acabam com toda isenção de investigação possível, pois, além dos vídeos e do derrame de esgoto que assistimos [...], as próprias palavras do Arruda determinam o que para ele é grave; e, em tal caso, a gravidade que ele mesmo atribui ao que aconteceu, e ele temia que viesse a público, era tamanha [...] que ele deu a si mesmo de três, uma opção: sumir, se matar ou matar o delator...



Quem declara em oculto tamanha gravidade não pode vir a público achando que fizeram da Verba do Panetone uma fantasmagoria e uma manipulação de documentos...



A única coisa a se perguntar ao Arruda é se os Panetones estavam envenenados [...]; pois, do contrário, por que a revelação da "bondade do governador" distribuindo Panetones o levaria a ter que recorrer ao sumiço, ao suicídio ou ao assassinato?...



A resposta do Arruda pode ser, no entanto, a que ele mesmo, pela sua lógica, daria:



"Vejam! Não é grave! Afinal, se fosse [...] eu teria sumido..., e não sumi [...], me suicidado, e não me suicidei [...], ou matado o Durval, e eu não matei... Portanto, era força de expressão... É que eu sou humilde e não queria que a minha mão esquerda soubesse o que a direita faz..."



Hoje foi o funesto "Dia dos Evangélicos" em Brasília...



Ora, hoje cedo, no Dia dos Evangélicos, eu vi na televisão o Dep. Brunelli, filho do Missionário Doriel de Oliveira, fundador da Casa da Benção, com sede nacional em Brasília, recebendo uma grana do Durval; e, depois, na companhia de outro Deputado, pediu para orar; e, na sua oração agradeceu a grana, a benção da existência do Durval; agradeceu a "força" ao Senhor; e pediu que aquele recurso desse a eles o poder de vencer os inimigos políticos deles; e ainda evocou o sangue de Jesus, dizendo: "Somos falhos, mas o teu sangue nos faz todo bem"...



Foi um dia bem Próprio como "Dia dos Evangélicos"...



Sim, o foi o "presente" que os "evangélicos" receberam da existência...



Ora, o que vale dizer é quando essas gravações acontecem [...], em geral elas pegam apenas o menor ocorrido, pois, em geral, o pior sempre acontece antes de ser gravado...



O fato é que o que acontece aqui em Brasília ainda é fixinha perto do que acontece, por exemplo, na minha terra, no Amazonas, onde o Arruda é apenas um menino se comparado à corrupção que grassa no Amazonas...



No Papo de Graça de hoje falarei sobre o tema Arrudiano... Não perca!

Na quarta-feira terei o Dep. Federal e meu amigo Chico Alencar aqui no Papo de Graça falando sobre este e outros assuntos...

Sem muitas palavras...



Nele, que disse "o meu reino não é deste mundo"...



Caio

30 de novembro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF

HONDURAS: Militares prendem pastor e advogado

O secretário-geral do Serviço Paz e Justiça para a América Latina (Serpaj), advogado Gustavo Enrique Cabrera, o pastor menonita Cesar Carcamo e mais outras 20 pessoas foram presas ontem à tarde na cidade de San Pedro Sula, a 250 km ao norte da capital.

ALC
Tegucigalpa, segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai) prepara rede de solidariedade e denúncia internacional contra esse ato arbitrário das forças militares hondurenhas, que reprimiram com uso da força, no início da tarde de ontem e na mesma cidade, manifestantes convocados pela Frente Nacional de Resistência.

Enrique Cabrera integra a Missão Internacional para a Observação dos Direitos Humanos em Honduras, organizada pelo Clai. A notícia da prisão do advogado e do pastor foi divulgada pelo Observatório Ecumênico das Igrejas do Clai, instalado em Honduras para acompanhar o processo eleitoral e sucessório no país, e pela Rádio Globo, de Tegucigalpa.

O presidente do Serpaj-América Latina, o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, também se pronunciou contra a prisão ilegal de Cabrera e de Carcamo.

O vice-ministro de Segurança, ex-major da polícia Saul Bueno Masariegos, prometeu à fiscal especial dos Direitos Humanos em Honduras, advogada Sandra Ponce, que libertará os detidos depois das investigações de rotina.

O representante do Serpaj, o pastor menonita e o comunicador Gilberto Rios foram conduzidos até o Serviço Especial de Investigação (DGSEI) para interrogatório.

O Observatório Ecumênico das Igrejas também confirmou ações de repressão em San Pedro Sula, em que forças militares e policiais usaram tanques, lançaram bombas de gás lacrimogêneo e cercaram os manifestantes, para que ninguém escapasse.

Com base em denúncia de perseguição política, o Clai e organismos de defesa dos direitos humanos do país coordenaram a saída do dirigente popular Gregorio Baça e sua família de Honduras para San Salvador, por medida de segurança.

A missão internacional de observadores, organizada pelo Clai, é coordenada pelo pastor suíço Bernardo Erni.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Wesley e o povo chamado metodista - Cap 3

CAPÍTULO 3
O reavivamento começa

O reavivamento evangélico inglês fez parte de um mover do Espírito ao redo do mundo, que fizeram parte os pietistas alemães, os despertamentos americano, em Gales e na Escócia, e desde 1670 pequenos grupos já tenta-vam ter um reavivamento espiritual dentro da Igreja da Inglaterra.
João Wesley não foi o primeiro a ter uma experiência evangélica, ao mesmo tempo, Whitefield era o pregador mais vibrante, porém Wesley amplia-va seus contatos com socidades religiosas ao sul da Inglaterra e expandia sua forma de organização.
Alguma tensões entre Wesley e Whitefield já ocorriam, mas Whitefield sempre recebia as censuras de Wesley com “palavras de agradecimento e lou-vor” (p. 98)

O reavivamento em Bristol

Bristol, em 1739, era uma pequena cidade em crescimento rodeada por minas de carvão, sendo o principal porto comercial com a América do Norte e com as Índias Ocidentais.
Em um primeiro momento, Wesley estranhou como as pregações de Whitefield eram feitas por lá, ao ar livre, mas também o fez. Inicialmente, o nú-mero de participantes de suas pregações ao ar livre variavam de um a sete mil pessoas, mas também se encontrava com as sociedades e continuava a pregar em igrejas paroquiais da região, na “capela da prisão de Newgate e no asilo Lawford´s Gate” (p.99).
João Wesley, para pregar ao ar livre, utilizava cemitérios, praças de mercado, embaixo de árvores, escavações das minas, em cima de muros, re-gistrando, no seu “primeiro mês na região de Bristol (...) 47500 e com uma mé-dia de cerca de 3000 pessoas em cada reunião” (p.100). em torno de cinco meses, Wesley estava pregando para multidões de doze mil a vinte mil pesso-as, um número notável mesmo Wesley não sendo tão conhecido, na época, como George Whitefield, que pregava para até trinta mil pessoas.
Wesley continuava diariamente a participar das sociedades, providen-ciando regras para as bands. Inclusive registrou que a “maioria das vezes que as pessoas receberam a ‘remissão’ dos pecados ou foram ‘confortadas’” (p. 100) foi nessas pequenas reuniões, não nos grandes cultos ao ar livre.
Essas atividades foram consideradas incursões inconvenientes pelo clero local, atacando Whitefield e Wesley via imprensa. “Era difícil atingir a am-bos com o mesmo palavreado teológico, visto que Wesley divergia fortemente do calvinismo de Whitefield” (p.101). João pregava frequentemente um sermão sobre a “Livre Graça” (baseado em Rm 8.32), pois acreditava na expiação uni-versal e na perfeição cristã. Em resposta ao clero local, Wesley declarou no-vamente “eu encaro o mundo como minha paróquia” (p.102), sendo este o fun-damento para a itinerância metodista: “Deus determina a oportunidade da mis-são e da pregação” (p.102).
Este novo período, em Bristol, na vida de João e Carlos Wesley serviu para verem a ação do Espírito entre milhares de pessoas, e, assim, as semen-tes do reavivamento metodista começaram “a brotar sob formas as quais os Wesley não haviam sentido ou esperado anteriormente” (p. 102).

As sociedades unidas

Como as sociedades em Bristol começaram a crescer muito, duas das maiores resolveram juntar-se e construir um prédio para acomodá-las. João Wesley contribuiu financeiramente e assumiu o controle administrativo. Esse grupo começou a ser chamado por Wesley de “Sociedade Unida”, e, após o término do novo prédio, este passou a ser referido como “Salão Novo”.
Muitas bands proliferavam, que eram grupos menores, de cinco a dez pessoas, divididas por sexo e estado civil, para permitir, assim, “um grau mais alto de abertura e franqueza dentro do band” (p.104). Todo participante de uma band, participava de uma sociedade. Para Wesley, a mudança do crente devia ser uma preocupação diária, não algo que acontece somente uma vez. Assim começava a traçar a relação entre justificação e santificação.
Neste mesmo período, Wesley construiu uma escola próxima às insta-lações de minas de carvão de Kingswood. Nesta escola havia um convite aos estudantes de todas as idades, além de um grande espaço para pregação e acomodações para dois professores. Wesley preocupava-se particularmente em não apenas ensinar crianças a lerem, escreverem e fazerem contas, mas antes conhecerem a Deus e a Jesus Cristo.
O ministério de Wesley, desde que as atividades “estivessem de acor-do com a visão bíblica do cristianismo” (p. 106), era sem limites para que pu-desse ajudar as pessoas a serem salvas.

Disputas com calvinistas e morávios

Nesta época do grande reavivamento alguns associados de Wesley não concordavam sobre a responsabilidade humana na busca pela santidade. Alguns da Sociedade Fetter Lane, encorajado por James Hutton, que era incli-nado a uma influência morávia, foram convencidos por Philip Henry Molther que não possuíam a “verdadeira religião” (p.106) e descontinuaram os meios da graça e as obras de piedade, pois deviam permanecer quietos diante do Senhor até terem a verdadeira fé em Cristo, inclusive abstendo-se da Ceia do Senhor. Essa linha de pensamento era contrário à de Wesley que considerava a sola fide – que “cancelava as obras de piedade e misericórdia”, ou antilega-lismo ou antinomianismo – “era um sério desafio à vida cristã, como era a dou-trina da predestinação e sua crença decorrente, a da perseverança dos santos (‘uma vez salvo, sempre salvo’)” (p.106), embora também depreciasse a idéia de que uma pessoa podia usar dos meios da graça e fazer o bem e, mesmo assim, não possuir a verdadeira religião. Para ele, a base da perfeição cristã era tríplice, sendo a justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo o centro da ex-periência religiosa e a ênfase dava-se no amor de Deus derramado no coração pelo Espírito Santo.
Wesley e Whitefield também tinham sérias divergências teológicas concentradas em dois pontos: doutrinas relacionadas à predestinação e à justi-ça imputada. Whitefield
aceitava a crença dos calvinistas de que uma pessoa verdadeira-mente justificada por Deus perseveraria na fé até o fim – não havia nada parecido com recaída entre os verdadeiros crentes. Sobre a justificação, Whitefield concordava com a idéia calvinista de que a-penas a justiça de Cristo é imputada a nós para a nossa salvação, e que não temos justiça a não ser a de Cristo. Wesley estava ficando convencido que a atividade de Deus em Cristo, embora a causa de nossa salvação, era apenas parte do quadro; a atividade de Deus em nós era também importante, de modo que a fé que temos, em nós, pela graça de Deus (‘uma confiança real que o homem tem de que Cristo o amou e morreu por ele’) era a condição exigida para nossa salvação. E essa fé resultaria em uma verdadeira mudança no crente, onde, pela graça de Deus, a justiça de Cristo seria concedida à pessoa, que não apenas seria tida como justa mas se tornaria justa (santificada ou santa) (p.107)

As disputas entre ambos continuaram mesmo quando Whitefield foi pa-ra a América, correspondendo-se por cartas, ampliando-se as controvérsias sobre predestinação e perfeição até virarem uma grande guerra de panfletos na Inglaterra.
Nesse período começou a aparecer um modelo conexional de organi-zação nas atividades de Wesley, com Conferências anuais e trimestrais.

Divisões e a Sociedade Unida em Londres

Em novembro de 1739, João Wesley iniciou a aquisição de uma antiga fundião real para canhões, que, inclusive, necessitava de reformas. O processo de aquisição e reformas terminou em meados de abril de 1740, quando organi-zou-se a Sociedade da Fundição, inclusive com alguns membros da Sociedade Fetter Lane que estavam se associando a Wesley. Na Fundição, João e Carlos Wesley eram os pregadores mais constantes. E haviam os cultos com prega-ções, que eram diferentes das reuniões, pois nem todas as reuniões incluíam a pregação, tendo conversações religiosas.
Os Wesley acabaram se separando da Sociedade Fetter Lane, que ambos consideravam-na uma "pobre, confusa e abalada sociedade" (p.111), quando Hutton adquiriu uma capela. Em uma festa de amor, Wesley leu um comunicado dizerndo ser totalmente contrário aos erros que a Sociedade vinha cometendo e despediu-se, convidando àqueles que queriam acompanhá-lo. A Sociedade da Fundição passara de doze a trezentos membros.
Com o crescimento das sociedades houve a necessidade da assistên-cia de pregadores leigos. Entre eles estava Thomas Maxfield, que, quando Jo-ão Wesley descobriu, achou a prática uma irregularidade e protestou. A mãe de João, Susanna advertiu-o "(...) ele certamente foi chamado por Deus para pre-gar, como você o foi. Examine quais são os frutos de sua pregação e também vá ouví-lo" (p.115). Após ouvir Maxfield pregar, João disse: "É o Senhor, deixe-o fazer o que lhe parecer melhor" (PROCEEDS OF THE WESLEY HISTORI-CAL SOCIETY, BURNLEY & CHESTER, 1898, 27:8 apud HEITZENRATER, 2006, p.115). Já Carlos era contrário à pregação leiga.

Classes e líderes

Dentro da organização das sociedades wesleyanas, principalmente das Sociedades Unidas do Salão Novo, em Bristol, e da Sociedade da Fundi-ção, em Londres, havia pequenos bands de cinco a dez pessoas, além de bands seletos de pessoas com uma vida exemplar. Para resolver dois proble-mas - o pagamento das dívidas do Salão Novo e um grupo para pessoas que não pertenciam a um band - subdividiram-nas em classes compostas por cerca de dez pessoas com um líder determinado, sendo este como um guia espiritual de seu grupo. As classes eram divididas geograficamente e continham todas as pessoas das sociedades. João Wesley costumava se reunir semanalmente com os líderes, o que facilitou conhecer os membros das sociedades, que pas-sava de mil membros (só a da Fundição), podendo, assim, supervisionar pasto-ralmente e aplicar disciplina quando necessário.

As disputas continuam

A tensão entre Whitefield, "o principal líder calvinista entre os reaviva-listas evangélicos" (p.120), e João Wesley crescia abruptamente. Wesley cada vez mais pregava, publicava e correspondia-se com os jovens pressionando contra a predestinação, devido aos perigos do antinomianismo. Em 1741, Whi-tefield publicou uma carta atacando Wesley e distribui-a secretamente na porta da Fundição. Wesley, por sua vez, pegou uma das cópias e "disse a congrega-ção o que pensava sobre ela, e rasgou a publicação diante de seus olhos, pe-dindo aos outros que fizessem o mesmo" (p.121). Instaurou-se uma batalha. Nas respostas de Wesley, publicou grandes edições (um total de seis mil có-pias aproximadamente) de tratados contra a predestinação. Estes eventos chamaram a atenção do bispo Edmund Gibson, de Londres, que os chamou para as devidas explicações. Após as explicações, o bispo disse à João: "Sr. Wesley, se isso é tudo o que o Sr. quer dizer, publique para o mundo" (p.121). Assim, Wesley publicou o sermão "Perfeição Cristã", um grande decreto contra os calvinistas.
Wesley também teve problemas com alguns pregadores leigos que acabaram se juntando aos calvinistas ou aos morávios.

A missão do metodismo

Uma grande preocupação dos metodistas, desde seu começo em Ox-ford, era com os mais necessitados. Ajudavam os pobres, criaram escolas, promoviam sermões de caridade para levantar fundos, visitavam enfermos, forneciam lã e materiais para usarem ou venderem, levavam alimentos, educa-vam crianças nos albergues, visitavam presos, e muitas vezes pregavam para a multidão que assistia às execuções.
Quem administrava os fundos arrecadados eram os stewards.

Defesa e apologia

Wesley enfrentou muitas disputas teológicas, mas sempre argumenta-va que o metodismo não era um esquema especial com idéias particulares de religião, e sim práticas comuns aos grandes segmentos do cristianismo, ou se-ja, amar a Deus e ao próximo, sendo assim, o metodismo é "simplesmente '-cristianismo genuíno'" (p.129), com grande interesse na unidade, e exibe seus frutos mediante a virtude e na felicidade.
Assim Wesley desenvolve sua epistemologia religiosa e deduz empiri-camente a relação entre fé e a razão.
Neste período os metodistas foram acusados de causar divisão na I-greja da Inglaterra, o que foi veemente negado por João Wesley. Essas acusa-ções acabaram causando motins contra os metodistas, chegando a apedreja-mentos e violência extremada. Um tumulto descrito por Wesley narra sendo ele arrastado pelos cabelos, debaixo de pesada chuva, e os golpes que recebera, relata João, não lhe causaram dor alguma, ocasião que ele comentou que ago-ra já sabia como os mártires cristãos primitivos enfrentaram chamas sem senti-rem dores, pois ele mesmo fora divinamente protegido.

A ampliação da paróquia

Saindo do eixo Londres-Bristol, Wesley também pregou em Gales, na parte central da Inglaterra (Midlands), e também mais ao norte, como em York-shire e Newcastle.
Com o crescimento, para evitar maiores desordens, Wesley criou as Regras Gerais das Sociedades Unidas, tendo Carlos como examinador mais rigoroso que João.

A rede cresce

Através de suas várias viagens pela Inglaterra, Wesley foi mantendo e conhecendo vários novos contatos, e essa itinerância de Wesley espalhou o metodismo, consolidando uma "rede de conhecidos entre si em uma 'conexão' das sociedades espalhadas em distritos pelo país" (p.140), sendo o próprio Jo-ão o elo dessa conexão, incluindo a Igreja da Inglaterra.
Para atender as necessidades dos metodistas em Londres que eram proibidos ou não conseguiam comparecer à Ceia do Senhor, João arrendou uma antiga capelo huguenote em desuso para poder celebrar a Ceia tranqui-lamente. Além disso, adquiriu uma casa de pregação próxima ao Tâmisa.

A controvérsia e a conferência

Como nem todos os reavivalistas se preocupavam com a lealdade à Igreja da Inglaterra, inclinados à dissensão, João Wesley convocou e presidiu uma conferência com os líderes do reavivamento em 1743 para diminuir as tensões que fragmentavam ao reavivamento. Nesta primeira conferência, mo-rávios e calvinistas não compareceram, e no ano seguinte, em nova conferên-cia, alguns destes apareceram. Não eram seus líderes e sim alguns, tanto lei-gos como clérigos, que se comprometeram com a liderança de Wesley.
Na primeira, dirigiu-se aos predestinacionistas, na segunda à Igreja Morávia na Inglaterra, abrindo algumas concessões e também exigindo algu-mas mudanças doutrinárias, tudo para vencer as divisões. Nesta segunda con-ferência, as doutrinas elaboradas por wesley foram aceitas, o antinomianismo foi censurado e definiu-se a santificação. Os metodistas declaravam firmemen-te de que não tinham a intensão de separarem-se da Igreja da Inglaterra, além de definirem a estrutura organizacional e logística do movimento e das socie-dades. Descartaram a união com os morávios, qualificando como “uma causa perdida” (p.145) e se Whitefield se dispusesse, unir-se-iam à ele. Planejaram reuniões trimestrais ao longo do triângulo de itinerância (Newcastle, Bristol e Londres).
“O movimento metodista havia atingido maioridade e os Wesley havi-am assumido um firme controle de seu futuro” (p.146) com planos para o seu crescimento.

HEITZENRATER, R. 2006, EDITEO

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cristianismo e Educação

Será que é tão difícil para as pessoas que se dizem cristãs perceberam a íntima relação entre o cristianismo que elas professam e a educação (aquela chamada, pelo senso comum, educação entre as pessoas mesmo, as boas maneiras). Quando vamos a um mega evento cristão (ou apenas mercadologicamente cristão, que pensa apenas no segmento de mercado) constatamos a total falta de educação dos crentes. Um empurrando o outro, sendo grosseiros uns com os outros e não enxergam as necessidades alheias. Um otimo exemplo temos na ExpoCristã. Uma minoria pede licença, desculpas, obrigado e outras formalidades tão importantes na nossa sociedade e, principalmente, em se tratando de pessoas que, supostamente, creem em um evangelho relacional. Cristianismo sem boas maneiras não é cristianismo. As pessoas querem milagres, mas não querem se relacionar, não querem despir-se do Eu individualista.
Também, enquanto pregarem um Jesus fragmentado, pregarem uma Bíblia fragmentada e descontextualizada, seremos sempre oprimidos e alienados, e nunca libertos.

Acho que o maior milagre é a tolerância!

bom, só um devaneio... dentre tantos outros que começam a surgir... com mais tempo falaremos a respeito...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Igreja cristocêntrica ou pastorcêntrica?

Igreja cristocêntrica ou pastorcêntrica?

O ministério pastoral e o sacerdócio universal

Na Igreja de Cristo, pastores e pastoras são chamados(as) a servir; os leigos e as leigas, a empregarem seus dons no exercício de ministérios. É a união de todas as pessoas, nas diversas funções, que fortalece o corpo da Igreja. A Reforma de Lutero não apenas nos lembra que podemos chegar a Deus sem intermediários, como, também, que todas as pessoas fazem parte da missão. Este é um grande privilégio e, também, uma grande responsabilidade.Dos(as) clérigos(as), espera-se que liderem com humildade e altruísmo e dos leigos(as), que assumam o compromisso com a obra do Senhor. E que cada um seja o suporte do outro, em amor (Ef.4.2).É o que nos diz o Rev. Francisco Rodés, pastor da Fraternidade das Igrejas Batistas de Cuba, em artigo publicado na revista Signos de Vida, do Conselho Latinoamericano de Igrejas, CLAI (nº 41), que reproduzimos parcialmente a seguir.

Durante a Idade Média havia se solidificado a separação: de um lado o religioso, dedicado ao culto e à oração; de outro, o secular, ocupado nas tarefas mundanas. A esta separação correspondia uma teologia que fazia distinção entre o material e o espiritual. Enquanto uns estavam num nível inferior --- dedicados a questões temporais e imperfeitas; outros, num nível superior, na esfera das coisas eternas e santas. Daí se conclui que essa diferenciação fazia a uns dependentes dos outros no que diz respeito ao acesso aos símbolos religiosos. Uns eram clientes dos serviços religiosos, outros eram provedores, administradores exclusivos dos favores divinos. Aí está a raiz do grande poder da Igreja na Idade Média, poder que chegou a influir em todas as esferas da vida política e cultural de forma determinante.

Lutero deu um passo decisivo ao deixar a Ordem dos Agostinianos, ao se casar com Catarina e renunciar à sua condição clerical e, mais tarde, ao negar os sacramentos à exceção do batismo e a comunhão. Já não temos outro mediador além de Jesus Cristo para estabelecer nosso relacionamento com Deus, afirmava Lutero. Portanto, não necessitamos de sacerdotes. Outro dos grandes líderes da Reforma, Calvino (que era leigo) elaborou com mais contundência teológica a doutrina do sacerdócio acessível a todos os crentes, sem distinção, fazendo com que as atividades manuais, como a de um simples sapateiro, possam se converter em um serviço a Deus. É o que ele chamou de “santificação da vida cotidiana”. Desde então, todos os evangélicos repetimos com certo orgulho este princípio protestante do sacerdócio universal de todos os crentes.

Ressurge o clericalismo protestante

Contudo, uma coisa é o que expressa a doutrina e outra o que se experimenta na vida real. Na verdade, o clericalismo não morreu: sobreviveu sobre outras bases. Abriu-se uma nova fonte de serviços à religiosidade, a dos dispensadores da doutrina correta, a dos que manejam a arte de pregar a Bíblia e animar a fé. O conhecimento da Bíblia requeria dedicação, estudos em seminários e universidades. O ministro protestante recupera muito da auréola de santidade do antigo sacerdote; sua autoridade se estabelece nas novas estruturas das igrejas, que são controladas pelos novos clérigos, e o sacerdócio universal dos crentes converte-se em outra página borrada do ideário protestante.

Naturalmente não há nada contra o profissionalismo. Afinal, todo o desenvolvimento nos campos da cultura e do saber ocorre como resultado da consagração, em áreas específicas, de pessoas com vocação. A Igreja necessita de profissionais, de músicos, de teólogos, de professores e pregadores, e damos graças a Deus por essas pessoas. O problema consiste no exercício do poder na igreja, quando por conhecer um pouco mais de teologia ou ter mais habilidade para falar em público, exercemos estes dons não para servir, mas para erigirmos uma autoridade controladora sobre os demais. Assim surgem as igrejas pastorcêntricas.

Que são as igrejas pastorcêntricas?

São as igrejas nas quais as decisões emanam da autoridade do pastor. Os membros acostumaram-se tanto a que a voz de Deus seja ouvida apenas do púlpito, que lhes parece um sacrilégio diferir das idéias de seu pastor ou pastora. Seria como uma deslealdade, um pecado grave não estar de acordo com ele ou ela. Em muitos casos, o(a) pastor(a) que se vê a si mesmo(a) como revestido(a) de uma unção exclusiva, sente-se tão afagado pelo aplauso da congregação, que se desenvolvem imperceptivelmente ostraços de egocentrismo que conduzem ao autoritarismo. Estes são os resquícios da antiga separação entre clérigos e leigos, alimentados pela própria tradição da Igreja. Isto o escreve quem tem sido pastor por mais de quarenta anos, pelo que o faço sem vontade de denegrir um chamamento que reconheço como divino e uma vocação que viverei até o último dia da minha vida.

Não é estranho, então, que a linguagem mais espiritual, a voz mais carregada de bendição converta-se em disfarçada manipulação aos demais para impor critérios próprios. E tudo ocorre em uma atmosfera de piedade e devoção.

Os pastores(as) assim transformados por este autoritarismo começam a falar de “minha igreja”, “meus membros”, “eu não permito em minha igreja”, “tenho um membro”, como se a igreja fosse de sua propriedade.

O modelo cristocêntrico de Igreja

Isso dista muito do modelo cristocêntrico de Igreja no qual Cristo é o cabeça, a autoridade, e os membros do corpo, todos iguais na importância, contribuem cada um com seu dom para o crescimento de todo o organismo. Paulo nos adverte que “o corpo não é um só membro, mas muitos” (1 Coríntios 12.14). (...)

Um texto em que se baseia uma saudável eclesiologia é Efésios 4.11-12. “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo (...).” Estes diferentes serviços oferecidos pelos pastores(as), evangelistas, etc., aperfeiçoam os “santos”, a igreja toda, para a obra do ministério. Quer dizer, estes dons não são para auto-engrandecimento, mas para ajudar uma igreja conscientee preparada em seu ministério. A Igreja é protagonista principal, o corpo de Cristo, tem uma missão de Deus no mundo.

Por isso é tão importante uma tomada de consciência dos mecanismos psicológicos e inconscientes pelos quais uma pessoa institui para si um poder controlador sobre uma comunidade crente. Porque, então, o sacerdócio universal de todos os crentes não passa de um slogan sem validade prática alguma. Uma igreja na qual a congregação não tem voz própria, que não faz mais que repetir a de seu pastor, e o dizemos com todo o respeito, é uma comunidade pobre, imatura e dependente. O modelo bíblico é o de uma comunidade participativa, rica em aceitação da diversidade de critérios e personalidades e unida pelo espírito de amor e de paz que nos ensinou nosso Mestre, quem, como sabemos não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida pelos perdidos.

Novos modelos participativos

A raiz de tudo o que vimos discutindo tem que ver com a questão prática de como se tomam as decisões na comunidade crente. (...) Todos os membros têm a mesma possibilidade de ser ouvidos, inclusive os mais recentes, os mais jovens, os mais humildes? Penso que o que Jesus fez levando um menino no meio do grupo de discípulos foi nos mostrar um novo modelo de comunidade. Um menino carece de poder, de autoridade, de experiência. Porém, nele também há a sabedoria de Deus e a disposição para aprender que os mistérios de Deus somente Ele pode concedê-los. Uma igreja evangélica na tradição da Reforma deve aprender a por o menino no centro, e a abrir-se ao que Deus fala na comunidade. Este é o verdadeiro sentido do sacerdócio universal de todos os crentes.

Francisco Rodés
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