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quarta-feira, 24 de junho de 2009

A História de Israel a partir dos pobres

Fiz este resumo para a aula do CEMEC do curso de Evangelista. Livro muito bom, fácil leitura e muitas informações, oferecendo um ótimo panorama do AT.


Aproveitem!


PIXLEY, Jorge. A História de Israel a partir dos pobres. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

I – CHAVES DE LEITURA

Para entender o sentido dos fatos da história de Israel, o autor nos propõe duas chaves de leitura: uma teológica, utilizando o êxodo como evento originário do povo de Israel, desvendando, assim, a “linguagem ideológica nos textos bíblicos” (p10), revelando que o Deus verdadeiro é aquele que liberta os oprimidos. Uma outra chave de leitura é a sociológica, onde se analisa as relações sociais e suas dinâmicas. Dentro da estrutura da sociedade egípcia encontramos no povo camponês a grande maioria da população. Eram organizados em aldeias as quais eram governadas internamente pelos conselhos de anciãos de cada uma delas. O rei do Egito era dono das terras, dos animais e das pessoas do país, sendo que o poder era exercido através dos tributos pagos pelas aldeias, e estas tinham em troca proteção e manutenção. Haviam os servos do rei que faziam as vontades da coroa e eram seus empregados. Um forte exército defendia o Estado e um aparelho de administração civil controlava a cobrança, coleta e distribuição dos tributos.

O aparelho religioso dentro desse sistema vinculava a pessoa do rei à figuras divinas, colocando-o em uma posição divina como um rei-deus.

De certa forma, “todos eram escravos nesta sociedade” (p12).

II – AS ORIGENS DE ISRAEL COMO NAÇÃO DE TRIBOS

Canaã pré-israelítica. Início da história de Israel: 1220 a.C. Cidades nas montanhas mais importantes eram Hasor, Siquém e Jerusalém, regiões de bosques e matagais com animais selvagens. Os territórios palestinos eram divididos em numerosos e pequenos reinos que pagavam tributos. Havia um permanente estado de conflito e ameaças de levantes hapirus.

Existem basicamente três teorias científicas para explicar o surgimento de Israel. A primeira é a da unidade racial primitiva, onde os vínculos familiares explicariam a união entre as tribos. Dentro da perspectiva da obra, esta teoria teria uma aparência apolítica ao considerar que o povo de Deus teve uma origem natural.

Uma segunda teoria encontra-se na prática do pastoreio de animais, onde os pastores teriam se unido por um estilo de vida comum e enfrentando, assim, os camponeses que cultivavam a terra. Nesta teoria pode-se encontrar a base social do conflito entre israelitas e cananeus.

A terceira teoria propõe a unidade das tribos como resultado de uma rebelião contra os reis da Palestina. Por esta teoria tem se a base material da fé de Israel em um Deus libertador, a favor do oprimidos.

O êxodo como evento histórico. Quem se libertou? Um setor da classe social dominada pelos egípcios, os hebreus, ou hapiru, sob a direção de Moisés, profeta de Javé.

Organização da nação através de leis populares revelados à Moisés e atribuídas a Javé. As tribos eram enormes famílias que se entrelaçavam pela descendência comum a Jacó. O exército formava-se por guerreiros voluntários.

Patriarcas pré-israelitas, conserva-se a memória dos líderes, anterior à formação da aliança tribal, que deu origem a Israel e reafirmava a unidade das tribos.

III – SURGEM OS REIS SOBRE AS TRIBOS DE ISRAEL

Chefes militares tomaram título de rei na segunda metade do século XI aC devido a pressões externas causadas pelos filisteus e, com um exército de voluntários, a defesa teve grandes dificuldades em enfrentá-los. O primeiro a centralizar o poder foi Saul, que pôde, então, organizar um exército permanente. Porém, essa reorganização representava um retrocessso às vistas da memória ao profeta Moisés. Mas deve-se observar que Jave continua sendo o rei supremo de Israel.

Por volta de 1000 aC Davi, além de militar foi líder político, surge como rei de Israel. Davi começou como militar no exército de Saul, porém, mais tarde, rompeu com este e organizou seu próprio exército. Davi, devido ao seu exército e à sua articulação política, construiu um império, além de trazido a arca da aliança com as tábuas da lei para a capital. Quis construir um templo a Javé, porém, advertido pelo profeta Natã, não terminou a construção.

Para o autor, a construção do templo por Salomão legitima a opressão do povo, além de instituir a corvéia. Dentro da estrutura social do reino de Salomão, encontramos semelhanças com o modo de produção tributário, tendo como única diferença o rei estar submetido à lei de Javé. As tribos, agora organizadas em distritos, pagam tributos – tanto materiais quanto na forma de trabalho - aos governadores para repasse ao rei. O autor aproveita o ensejo e cita ISm 8.17.

Nesta época surgem os primeiros produtos literários de Israel, como o “relato Javista (J) do Pentateuco e a História da Sucessão” (p35). No relato javista há quatro temas: 1) promessa da terra e descendência aos patriarcas; 2) êxodo; 3) entrega da Lei no monte Sinai; 4) peregrinação no deserto com ênfase dupla – na graça de Javé e nas rebeliões de Israel. Na narração da história de Israel encontramos um ponto de vista judaíta, ou seja, sulista.

IV – REVOLTA DAS TRIBOS CONTRA A DINASTIA DAVÍDICA

Antes da morte de Salomão, Jeroboão tentou, e fracassou, organizar uma rebelião, levando-o a exilar-se no Egito. Morrendo Salomão (931 aC), Jeroboão organizou a Assembléia de Siquém, convocando o agora rei Roboão para aliviar os tributos, o qual nega-se. Diante disso o povo recusa-se a proclamá-lo rei, retirando-se da assembléia cantando como em IRs 12.16 e apedrejando Adoram, chefe dos trabalhos forçados. Assim, Jeroboão foi proclamado rei, tendo Siquém a capital do reino provisoriamente, transferindo em seguida para Tersa, além de estabelecer em Dã e em Betel lugares de culto, assim, respeitando a tradição do povo, conseguiu reconquistar algum controle da fé em Javé.

O exército e os profetas serviram, neste período, como elemento de controle sobre a ambição dos reis. Com o exército, houve uma sucessão violenta de reis, enquanto os profetas denunciavam. Desta forma, o rei, nesta sociedade, assemelhava-se mais a um chefe militar, o qual não tinha legitimação religiosa e carecia de uma administração civil.

Observando a versão do norte, chamada eloísta devido à preferência pelo nome Eloim em lugar de Javé, há uma proeminência dada aos profetas. Abraão e Moisés são apresentados como profetas. A palavra de Deus é dada a conhecer e cabe aos homens a obediência. Esta versão limita-se aos temas da tradição – patriarcas, êxodo, Sinai e peregrinações.

V – A DINASTIA DE AMRI (884-841 aC)

Período negro de Israel – reis quiseram parar o povo em sua fidelidade a Javé. Profetas: Elias e Eliseu.

Sérios problemas de defesa em Israel, tentando amenizar através de alianças externas – com Tiro, Sidônia e Judá - e reforçando internamente o Estado, comprando terreno para a construção de Samaria, a nova capital, levantando um templo para Baal, mas não impedindo o culto a Javé em Dã e Betel. Baal – deus de Samaria – e Javé – Deus das tribos – não podiam conviver, levando a conflitos de morte entre os profetas de ambos.

Amri tentara implementar um sistema de governo semelhante ao modelo egípcio, o qual Moisés e seus seguidores haviam se rebelado.

VI – A DINASTIA DE JEÚ (841-752 aC) ORTODOXIA E EXPLORAÇÃO

Incitado pelo profeta Eliseu, Jeú armou um golpe violento contra Aram, eliminando o culto oficial à Baal na capital, mas não eliminando o culto clandestino a este pelos camponeses.

Na organização social deste período, a religião continuou sendo determinante. Samaria ficou praticamente despovoada, porém continuou sendo a capital de Israel e a organização tribal oferecia uma defesa aos camponeses israelitas. A administração civil cresceu, juntamente com os tributos. O principal santuário nacional estava em Betel, deixando indícios de uma religião, de certa forma, independente à Coroa.

Amós, profeta de Judá, chegou a Betel para assumir o manto de Elias, analisando profundamente as injustiças. Após Amós, veio Oséias, último grande profeta de Israel, que denunciava a ganância dos reis como uma forma de prostituição.

VII – ENQUANTO ISSO, O REDUTO DAVÍDICO, JUDÁ

Judá, por manter-se à parte das rebeliões contra a casa de Davi e a destruição de Samaria, manteve o único vínculo histórico com as tribos de Israel.

Ao compararmos os livros dos reis - uma grande obra histórica que começa em Deuteronômio e inclui Josué, Juízes, os dois livros de Samuel e os dois Livros dos Reis, que priorizam Israel sobre Judá e preparam para a destruição de Samaria – com os das Crônicas – que narram a mesma história, começando em Davi, colocando Jerusalém como Cidade Santa e o reino de Judá como o verdadeiro Israel – podemos colocar uma perspectiva nesta história.

Havia, no reino de Judá, “tensões permanente entre os reis e o seu próprio pessoal em Jerusalém” (p57) devido à burocracia inflada de Estado e a pobreza tributária para seu sustento, sendo os administradores os que mais pressionavam para uma política externa agressiva e expansionista. O povo da terra apoiaram reformas para redução do pessoal administrativo, concentrando-os na capital e deixando o campo livre para o povo da terra. O mais importante reformador foi Ezequias.

VIII – OS PROFETAS NO FINAL DO SÉCULO VIII EM JUDÁ

Houve dois grande profetas nos tempos de Ezequias: Isaías, de Jerusalém e crítico dos reis de seu tempo, e Miquéias, do campo e popular, o qual via que os “chefes se alimentavam da carne do povo” (p60).

O primeiro tem como marco em sua atividade uma teologia davídica em que Jerusalém era uma cidade para proteção aos pobres. Ao mesmo tempo, denunciava as injustiças e proclamava a esperança e via que o pecado deu-se na instituição dos reis.

Na análise do segundo, não havia esperança de ser purificar a cidade, restando apenas a sua destruição. Devido os homens poderosos explorarem a terra dos camponeses, Miquéias propunha uma revolução camponesa, pois entende que Javé não poderia libertar o povo sem uma ação organizada desse povo.

IX – A PALESTINA SOB A HEGEMONIA ASSÍRIA (738-630 aC)

Umas das prioridades do império assírio era controlar todo o acesso terrestre ao Egito através do domínio sobre as rotas filistéias e fenícias e tendo regimes amigos nas serras palestinas, onde se encontravam Israel e Judá.

Teglat-Falasar III, primeiramente, dirigiu-se a Síria e a Fenícia, não afetando Israel. Em sua segunda campanha, derrotou o exército de Israel na costa, anexando Dor, Meguido e Galaad.

O rei Sargão II, entre 720 à 711 aC, conquistou Samaria, Azoto e Rapihu. Senaqueribe, em 701 aC, confirmou definitivamente a palestina assíria derrotando o exército de Judá em Laquis, separando de Jerusalém “os territórios das montanhas de Judá e as colinas que descem até o mar Mediterrâneo” (p64). Para Judá, restou apenas a cidade de Jerusalém e seus arredores.

Desde a queda de Samaria em 722 aC, Israel ficou incorporado à Assíria, e Judá ficou submisso como reino vassalo desde 734 aC, ano este em que houvera a guerra entre Israel e Judá. Nesta guerra, o rei Facéia de Israel e Rasin de Damasco apoiaram Tobias para subir ao trono de Judá, que pertencia ao rei Acaz. Este, para defender-se, submeteu-se voluntariamente ao rei Teglat-Falassar III. Durante os anos de 752-722, Israel passara por três golpes de estado pró-assírios (Manaém e Oséias) e antiassíria (Facéia) que seguiram a a deslegitimação do rei e entenderam-se como “atos justiceiros de Javé em defeas dos pobres” (p65). Movimentos estes que foram condenados pelo profeta Oséias (Os 8.4; 13.10-11).

Ao incorporar um reino vassalo, o império assírio buscava desarticular a vida nacional com a inserção de línguas e costumes diferentes nas cidades e mantendo a população camponesa, além de remover os líderes da sociedade, trocando com líderes de outras sociedades conquistadas e nomeando um governador assírio.

Com Israel sendo incorporado ao império assírio, Judá ficou como reino vassalo e herdeiro da identidade nacional e religiosa do povo de Javé, impondo-se a Jerusalém e seu templo como único lugar de culto à Javé. Assim, com a fé resultante, começaram peregrinações desde as províncias assírias para celebrar as festas de Javé em Jerusalém. O rei Ezequias era o único rei que herdara as tradições antigas de Israel, e deste reinado provém uma abundante literatura histórica (contidos em Josué capítulos 1 a 11), sapiencial e profética.

Manassés, considerado o pior dos reis de Judá (IIRs 21.1-18), começou a reinar ao lado de seu pai Ezequias em 697 aC. Manassés deixou de lado os projetos de transformar Jerusalém no centro cultural e religioso de um Israel renovado. Satisfazendo interesses de levitas e outros, permitiu voltar o funcionamento de santuários locais de Judá, além de permitir o retorno de cultos não javistas nestes locais e no templo.

Os adeptos do projeto de Ezequias elaboraram a primeira versão do livro da lei de Moisés (Deuteronômio), provavelmente alguns anos depois da invasão de Senaquerib em 701 aC. Tal obra ficou guardada no templo até o momento oportuno, que foi no reinado de Josias (640-609 aC).

X – O PROJETO DE UM NOVO ISRAEL (640-609 aC)

Para restaurar Israel, os dirigentes da sociedade judaíta fizeram um movimento, inspirado no livro da lei (IIRs 22.8-10; IICr 34.14-18), chamado Reforma de Josias, durante o colapso do poderio assírio. Josias tentou estabelecer uma aliança entre Javé, o rei e o povo (IIRs 23.1-3), assim o rei tornou-se o intermediário e fiador da aliança. Houve também a concessão (amarga aos do norte) de dar a Jerusalém e seu templo o monopólio “para vir a ser o centro em torno ao qual se uniria a nação” (p74).

Josias destruiu santuários desde Gaba até Bersabéia (IIRs 23.8), destruiu lugares de culto a Javé e os santuários pagãos da população israelita de Samaria, Meguido e das províncias filistéias, tendo seu ápice com a destruição do santuário de Betel, que antes fora o principal santuário de Israel.

Como ficaram os pobres de Israel, e também de Judá, que formam a base da sociedade? É premissa notarmos que os camponeses dependiam, para sua subsistência, de latifundiários das províncias (denunciados por Miquéias - Mq 2.1-5 – e por Isaías – Is 5.8-10) que controlavam os campos e também controlavam o recrutamento de jovens para o exército.

Os profetas de Judá, por sua vez, eram indivíduos que se apresentavam como “inspirados por Javé, o Deus de Israel, para pronunciar sua Palavra e defender os pobres” (p78). Quatro profetas conhecidos são: Miquéias; Sofonias, que denunciou o luxo e os crimes das classes dominantes (Sf 1.8-9,12-13;3.1-4) opondo-se ao Estado e seu aparato religioso; Urias, mártir que denunciou o templo em nome de Javé, um autóctone de Judá; Jeremias, opunha-se ao templo e à reforma de Josias, para ele, uma conversão apenas aparente (Jr 3.6-13) e mentirosa.

A reforma foi interrompida abruptamente com a morte de Josias pelo rei do Egito em 609 aC.

XI – O PERÍODO DA HEGEMONIA BABILÔNICA (605-539 aC)

Após a morte de Josias, Israel foi extorquido pelo Egito, após colocar Joaquim, filho de Josias, no trono (IIRs 23.33-35). Em 605 aC Babilônia derrotou o exército egípcio em Carquemis, tornado-se a nova potência hegemônica na Palestina, separando Jerusalém de Judá.

Antes de morrer, Joaquim começou a reter tributos, então Nabucodonosor, como represália, levou o rei à Babilônia juntamente com a família real e outras pessoas importantes (Jr 52.28). Deixaram, em Judá, Sedecias, o que causou uma divisão de lealdades: uns reconheciam-no e outros esperavam o retorno do rei Joaquin, filho de Joaquim.

Sedecia ambicionava a independência da Palestina, mas foi desastroso em sua campanha. Os babilônios destruíram os muros de Jesusalém e o seu templo, além de incendiaram a cidade. O rei de Amon, por sua vez, recebeu alguns refugiados de Judá que aspiravam a restauração. O profeta Jeremias apoiou Godolias, que não tinha parentesco com a linhagem davídica, já o povo dividiu-se em três grupos: os que apoiavam Godolias; os exilados da Babilônia que esperavam Joaquin; e os refugiados de Amon, de onde saiu Ismael, que matou Godolias em Masfa (Jr 41.1-3).

Judá via-se completamente desorganizado e foi anexado á província de Samaria. Os camponeses permaneceram trabalhando em suas terras.

Com o surgimento de um rei persa que juntou a Média e a Pérsia, o império babilônico estremeceu. Ciro, em pouco tempo de poder, já obteve grandes êxitos. Em 539 aC, a Babilônia, por estar internamente tão desarticulada, abriu as portas da cidade à Ciro, que entrou na cidade diretamente, sem destruí-la e nem sitiá-la.

Em relação ao profeta Jeremias, sabe-se que era um dissidente com respeito à política dos reis, nunca tendo apoiado a teologia davídica do templo, e apoiando a política pró-babilônica no reinado de Sedecias, condenando sua prática de alianças. Jeremias urgiu para que os deportados da Babilônia ficassem radicados naquele lugar e não retornassem antes de setenta anos. O profeta via a salvação do povo no “distanciamento da casa de Davi e do sacerdócio de Jerusalém” (p84) sob a proteção babilônica.

Neste período, a produção da narrativa histórica foi muito rica, produzindo a História Deuteronomística (Dtr1), tendo sua primeira edição escrita depois da Reforma e antes da destruição de Jerusalém. Já a sua revisão, conhecida pelos exegetas como Dtr2, está contida nas Bíblias atuais em Dt, Js, Jz, Sm e Rs.

Além disto, temos a história conhecida como Jeovista (RJE), que é a revisão das origens de Israel, conhecida como estrato sacerdotal do Pentateuco (P), onde estão fundidas as versões judaíta (J) e israelita (E).

A respeito da Reforma, houve muitas incertezas, existindo pelo menos três projetos amparados pelas tradições do deus Javé: uma deuteronomista, respaldada por Josias; outra dos sacerdotes do templo; outra de Jeremias e outros profetas, com uma leitura mais popular. Essas interpretações foram causadas pela destruição de Jerusalém, uma via na purificação ritual a causa dos males, outra via a destruição como resultado da desobediência.

O livro das Lamentações é resultado deste período pós-destruição do templo. Nas ruínas, a população recitava orações em ritos de lamentações, sendo compiladas neste livro, o que nos mostra que é “falsamente atribuído a Jeremias” (p88).

A colônia de exilados na Babilônia sonhava com seu retorno à Jerusalém (Sl 137). Entre eles haviam sacerdotes e levitas. Ali surgiram duas visões para restauração da cidade: a de Ezequiel (Ez 40-48), dispondo a proteger a pureza do templo, excluindo os levitas do serviço do altar pois participaram da contaminação das coisas santas; e a de Isaías (Is 40-55), trecho do livro conhecido como Deutero-Isaías ou Segundo Isaías, em que o profeta preocupa-se em promover a esperança no povo, animando-os.

XII – O PERÍODO DA HEGEMONIA PERSA (539-332 aC)

Ciro entrou na Babilônia em 539 aC, encontrando a comunidades dos descendentes dos cativos, e no primeiro ano lançou um edito devolvendo os utensílios do templo de Jerusalém ao povo, além de autorizar a reconstrução do templo. Convém ressaltar que Jerusalém fazia parte da província de Samaria e era supervisionada pelo seu governador persa.

Em 520 aC, no segundo ano de rei Dario, Zorobabel retoma a construção do templo, limitado sob a autoridade do governador de Samaria. Porém, continuaram persistindo problemas administrativos e problemas com os latifundiários e a questão da pureza racial, que pesava contra os exilados. Percebe-se nas profecias os conflitos de poder e ideologias: Ageu e Zacarias apoiaram a reconstrução do templo e viam Zorobabel como um novo Davi, enquanto profetas anônimos, que tem suas profecias recolhidas no livro de Isaías (Is 56-66, o chamado Trito-Isaías) negam que Javé tenha interesse pelo templo, pois Ele é o criador de tudo e não necessita dele, além de condenarem os ritos de jejuns (Is 58.1-12).

A missão de Esdras, em torno de 458 aC (Esd 7.13-26) teve respaldo das autoridades persas, tanto das províncias quanto do império. Provavelmente, na primeira metade do século V aC, deve ter se dado a redação do Pentateuco, revelando a unificação da classe dominante de Israelitas e levando a marca sacerdotal como resultado da força política desse grupo.

Neemias foi, em 445 aC, à Jerusalém, enviado por Artaxerxes para “reconstruir os muros de Jerusalém, povoar a cidade e tomar as medidas civis necessárias para consolidar a região” (p97), ficando até 443 aC.

O movimento profético foi sempre uma defesa do povo de Israel contra as imposições dos reis e seus aparelhos de dominação.

XIII - O PERÍODO DE DOMINAÇÃO HELENÍSTICA (322-167 aC)

O começo deste período inicia-se com a passagem de Alexandre Magno, em sua campanha para conquistar o Egito, pela Palestina, não encontrando dificuldades para controlar as províncias persas neste local. Alexandre morreu em 323 aC na Babilônia, e na disputa pelo reino, muitas das batalhas ocorreram na Palestina. Em 301, os ptolomeus dominaram a Palestina, sendo parte da província de Síria e Fenícia, sendo que este foi um dos mais longos períodos de paz da Palestina. A parte oriental ficou com Seleuco (Pérsia, Babilônia e Armênia), sendo derrotados posteriormente por Antíoco III o Grande, que dominou até 167 aC. Há uma única fonte bíblica para este período em Dn 11.

A burocracia foi centralizada e a exploração econômica aperfeiçoada. A administração na Palestina foi complexa, dando-se em três formas. A mais importante e feita a longo prazo foi a introdução de cidades helenísticas. Estabeleceu-se em Samaria e Gérasa (na Transjordânia) cidades militares colonizadas por macedônios, Aco, em Betsã, Filatéria, Filadélfia (antiga Rabá-Amon), Dor e Gaza. Além de soldados, foram colonizadas também por civis gregos ou helenizados, que controlavam e exploravam a agricultura. Também havia escravos domésticos e estrangeiros sem voz nos assuntos políticos nem direito a terras. Nos ginásios, “jovens varões” (p104) estudavam as virtudes militares e as práticas esportivas, preparando-os fisica e mentalmente para a guerra.

Jerusalém “tornou-se uma cidade sacerdotal” (p105) com várias etnias. O sumo sacerdote tinha uma função administrativa sem autonomia e era assessorado por um conselho de notáveis (gerusia, posteriormente, no tempos de Herodes, chamado Sinédrio).

A administração ptolomaica transformou a Síria e a Fenícia em uma área agrícola muito rica e produtiva, proletarizando os antigos camponeses.

O exército grego recrutou os jovens judeus que se mostraram bons soldados, muitos à força e muitos voluntariamente.

Neste período situa-se a obra de Eclesiástico (ou a Sabedoria de Jesus Ben Sirac) que reflete a “serenidade e confiança com que a aristocracia judaica podia enfrentar os perigos do momento” (p106), datada em torno de 220 a 195 aC, contemporâneo ao sumo sacerdote Simão II.

Havia, neste período, uma interação entre as famílias judias e o mundo helenístico. Os principais sacerdotes quiseram, durante o governo de Antíoco IV Epífanes (175-163 aC), fundar “Antioquia em Jerusalém”, uma Jerusalém helenística, estabelecendo a pólis, com ginásio e tudo.

XIV – A INSURREIÇÃO MACABÉIA E O GOVERNO HASMONEU (167-63 aC)

Os hasmoneus, família composta por sacerdotes levitas não aaronitas, levaram os israelitas a rebelarem-se contra as leis opressivas dos selêucidas e, assim, conquistaram todos os territórios de Judá e Israel, impondo o ideal deuteronomístico. Essa imposição levou a uma divisão interna entre o povo.

O oportunismo e cobiça foi marca da monarquia selêucida, que saquearam o templo de Jerusalém, além de proibir a circuncisão de crianças, com o intuito de submeter e humilhar os judeus. A luta contra os selêucidas iniciou-se com Matatias, e aprofundou-se com seu terceiro filho, Judas, denominado Macabeu (martelo), que derrotou os selêucidas em várias batalhas. Também tomou Jerusalém, mas o controle da cidadela Akra ainda era grego. O rei então ofereceu a paz, sendo aceito mediante o cancelamento do programa humilhante, sendo nomeado o sumo sacerdote Alcimo. Morrendo Judas Macabeu, seu irmão Jonatas tomou o comando e se declarou, com o consentimento do rei selêucida, sumo sacerdote, e tendo êxito em continuar o projeto de restauração de Israel. Possivelmente neste período surgiram os essênios entre os humildes, que se retiraram para pequenas comunidades centrados no trabalho e no estudo das Escrituras, principalmente os livros prófeticos. A partir de então, em 152 aC, dividiu-se a nação em facções religiosas: fariseus, assideus, essênios.

Apesar de terem sido feitas várias obras literárias, apenas o livro de Daniel (escrito por volta de 167-164 aC, tempo da luta pela restauração da pureza do templo) foi reconhecido pelos rabinos. Produziram-se dois livros históricos (I e II Macabeus), dois apocalípticos (Daniel e primeira parte de Henoc). Os dois livros dos Macabeus foram escritos dentro dos círculos hasmoneus.

XV – O PERÍODO DA DOMINAÇÃO ROMANA SOBRE ISRAEL (63 aC a 135dC)

Período de muitas lutas populares, culminando com a repressão brutal das legiões romanas sobre Israel, sobrevivendo apenas uma comunidade religiosa espalhada pelo mundo.

Neste período, uma das preocupações dos romanos foi a defesa da fronteira oriental do império. Herodes o Idumeu, ouseja, judeu, casado com Mariana da família dos hasmoneus, tinha uma aliança com os romanos para que estes não comprometerem muitas forças na Palestina. Assim, os romanos puderam controlar o território e obter riquezas através dos tributos e impostos. Neste período fundou-se o porto de Cesaréia e Samaria converteu-se em cidade com o nome de Sebaste. Herodes construiu ambiciosamente muitas fortalezas e palácios, o que só foi possível mediante uma tremenda carga sobre a população, o que causou um grande ressentimento popular.

Haviam três grupos filosóficos: os fariseus, os saduceus e os essênios, além das facções radicais revolucionárias: sicários, zelotas e idumeus.

Muitos movimentos populares aconteceram, sendo as mais expressivas: a rebelião de Judas o Galileu em 6dC, que não há informações relevantes, apenas sobre seu amor à liberdade defendida pelas armas; Jesus de Nazaré como um novo caminho rumo a Deus e à salvação aberta para todos. Este movimento do mestre nazareno via nos mestres fariseus o antagonismo ao Reino de Deus e a principal opressão era a religiosa pelos judeus e não a opressão romana. Buscou criar uma comunidade organizada segundo relações de fraternidade e irmandade que caracterizarão o Reino de Deus, além de ter sido nacionalista abertamente.

Outro movimento popular foi o de Teudas, em torno de 44 a 46 dC, que dizia-se profeta. Foi logo morto.

Na gestão de Félix (52-60 dC) formaram-se grupos organizados de sicários, que assassinavam os inimigos do povo com punhais. A guerra contra Roma parece ter se iniciado em 66 dC motivada pelos abusos dos romanos, e os sicário foram definitivos na primeira fase da luta da tomada de Jerusalém, resistindo na fortaleza de Massada até 74 dC, que foi o último foco de resistência aos romanos, após estes destruírem o templo de Jerusalém.

Em 132 dC explodiu uma revolução com um dos eixos sendo a reforma agrária e encabeçado por Simão Bar Kokba, assessorado pelo rabino Aquiba e evitando confrontos abertos com as tropas romanas, “limitando-se a ações de fustigação” (p132). Em 135 dC Simão foi encurralado em Beter, próximo à Jerusalém por Júlio Severo, general enviado por Adriano. Os romanos conseguiram eliminar da Palestina a identidade cultural dos camponeses, destruíram os centros religiosos e culturais de Israel e as cidades helenísticas dominaram o território.

“Aqui termina a história de Israel, o povo de Javé.” (p133)

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