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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

1ª EPÍSTOLA DE PAULO AOS SANTOS TUPINIQUINS, por Rev Daniel Rocha

1ª EPÍSTOLA DE PAULO AOS SANTOS TUPINIQUINS



Como seria uma carta escrita à igreja brasileira pelo maior escritor do Novo Testamento, o apóstolo Paulo? Observando os temas abordados por ele e dirigidos à ainda incipiente Igreja Primitiva, e considerando que muitos problemas enfrentados por aquelas igrejas se perpetraram também em nosso território, podemos imaginar, através de uma paráfrase de seus escritos, o velho apóstolo escrevendo uma epístola de admoestação e exortação em letras bem grandes para nós....

Prefácio e Saudação

Paulo, apóstolo, não da parte de homens, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, a todos os santos e fiéis irmãos em Cristo Jesus, que se encontram em terras brasileiras, graça e paz a vós outros.

Exortações à Igreja

Rogo-vos para que não haja partidos entre vós. Mas vejo que é isso que está ocorrendo, pois uns dizem: eu sou de Malafaia; outros, de Macedo; outros, do Soares. Quem é Malafaia? Quem é Soares?[1] Por acaso Cristo está dividido? Não são neles que devemos postar nossos olhos, mas em Cristo, o único que morreu por nós.

Vejo que ainda sois meninos na fé quando o propósito de cada um é só buscar bênçãos para si, visando os próprios interesses e não o interesse do Corpo. Digo-vos que a maior benção já vos foi concedida na cruz quando fostes resgatados da morte e das trevas. Agora, aprendam a viver contentes e dar graças a Deus por tudo [2] .

Sinais e Prodígios

Assim como os judeus pediam sinais em minha época [3]), há muitos que só pensam em prodígios e maravilhas: fazem correntes e marcam hora para as curas se efetuarem, e eu já havia advertido aos seus irmãos de Tessalônica que tão somente orassem o tempo todo,[4] pois apenas Deus é quem sabe a hora de atender. Eu mesmo deixei Trófimo doente em Mileto,[5] o amado Timóteo foi medicado enquanto esperava o Senhor curar sua gastrite, [6] e Epafrodito adoeceu mortalmente chegando às portas da morte [7]. Por que entre vós seria diferente?

Outras admoestações

Estão fazendo rituais para amarrar demônios e declarar que as cidades do Brasil são do Senhor Jesus. Nunca vistes isso em mim. Pelo contrário, preguei o evangelho em Éfeso, mas a cidade continuou seguindo a deusa Diana. No Areópago de Atenas riram e zombaram de minha pregação, e poucos aceitaram a palavra do evangelho; como eu iria dizer que Atenas era do Senhor Jesus? Em Corinto, a prostituição continuou a dominar a cidade, e em Roma, as orgias e as dissoluções da família até se intensificaram no decorrer dos anos. Dizer que Roma pertencia ao Senhor Jesus seria uma frase que levaria ao engano os poucos irmãos verdadeiramente convertidos.

Na verdade muito me esforcei e fiz de tudo para ver se conseguia salvar a alguns [8]. Nunca ensinei a reivindicar territórios, mas tão somente orava a Deus que me abrisse uma porta para pregar a Palavra [9] .

Cuidado com os falsos apóstolos

Há muitos homens gananciosos aparecendo no meio de vós dizendo que são apóstolos e criando hierarquias para exercer domínio uns sobre os outros, coisa que nunca aceitei. Porque tanta preocupação com títulos? Por que ninguém se contenta em ser chamado simplesmente servo? Pois é isso é o que realmente importa. Saibam que há muitos obreiros fraudulentos transformando-se em apóstolos de Cristo[10].

Já vos advertira que depois da minha partida, entre vós penetrariam lobos vorazes que não poupariam o rebanho de Cristo[11] .

Sobre os dons espirituais

Soube que muitos estão preocupados com os dons. É verdade que eles são importantes, mas o Espírito concede a cada um conforme melhor lhe convém [12]. Tenho percebido que valorizam principalmente os dons sobrenaturais – como falar em línguas, visões, curas e revelações – e esquecem-se que ensinar bem as Escrituras, administrar com zelo as coisas de Deus e promover socorro aos necessitados também são dons espirituais [13]

Mas o que eu quero mesmo é que estejais buscando para suas vidas o fruto do Espírito.Não adianta ter fé suficiente para curar pessoas, transportar montes e expulsar demônios se ficam devorando uns aos outros, [14] se não têm amor, se provocam rixas e intrigas entre si e dão mau testemunho.

Ofertas ao Senhor

Quanto às ofertas e sacrifícios, já falei por carta: no primeiro dia da semana cada um separe segundo sua prosperidade [15]. Nunca fiz leilão de bênçãos do Senhor, desafiando o povo a ofertar começando com 10 moedas de ouro até chegar ao que tinha um denário. O único sacrifício aceitável por Deus já foi feito na cruz pelo seu Filho Jesus.

Quando Deus me der oportunidade de visitar-vos quero conhecer os que estão se enriquecendo com o Evangelho e enfrentar-lhes face a face. A piedade jamais pode ser fonte de lucro [16] e se continuarem nessa sórdida ganância haverão de sofrer muitas dores [17]

A busca da verdadeira maturidade

É imprescindível que manejem bem a Bíblia, pois chegou ao meu conhecimento que esta é uma geração tão ignorante da Palavra que estão sendo enganados por lobos vorazes, que trazem enganos e sofismas, e a esses, de boa mente, os tolerais [18]. Lembrem-se que quando preguei em Beréiao povo consultava a Palavra para ver se as coisas eram de fato assim [19].Porque não fazeis vós o mesmo? Ora, os ardis de satanás vêm sempre disfarçados na pregação de um anjo de luz [20]

Vejo que entre vós há muitos acréscimos e deturpações daquilo que falei. Admoesto-vos a que não ultrapasseis o que está escrito [21] .

As saudações pessoais

Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, e sim a seu próprio ventre [22].Em breve vos vereis. Saudai-vos uns ao outros com um beijo no rosto [23].

A bênção

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santosejam com todos vós [24]

Pr. Daniel Rocha

dadaro@uol.com.br

REFERÊNCIAS

[1] (1Co 3.5)

[2] (Fp 4.11; 1Ts 5.18).

[3] (1Co 1.22

[4] (1Ts 5.17),

[5] (2Tm 4.20),

[6] (1Tm 5.23),

[7] (Fp 2.27-30).

[8] (1Co 9.22).

[9] (Cl 4.3).

[10] (1Co 11.3).

[11] (At 20.29).

[12] (1Co 12.7).

[13] (Rm 12.7-8).

[14] (Gl 5.15),

[15] (1Co 16.2).

[16] (1Tm 6.5),

[17] (1Tm 6.10).

[18] (2Co 11.4).

[19] (At 17.11).

[20] (2Co 11.14).

[21] [1Co 4.6]

[22] (Rm 16.17-18).

[23] [Rm 16.16].

[24](2Co 13.13).

sábado, 12 de setembro de 2009

Wesley e o povo chamado metodista

HEITZENRATER, R. P. Wesley e o povo chamado metodista. 2ª Edição. São Bernardo do Campo: EDITEO; São Paulo: Cedro, 2006.


Capítulo 2
O surgimento do metodismo (1725-1739)

Podemos destacar três etapas: Oxford, Geórgia e Londres.

O primeiro surgimento do metodismo: Oxford

João Wesley subiu para Oxford em junho de 1720. Ao iniciar seus es-tudos, visando sua ordenação como diácono, focou-se primeiramente nos pie-tistas da tradição do viver santo, o que nos fornece, de acordo com Heitzenra-ter, o foco inicial da teologia de Wesley, a santidade. Em 1725 ele já tinha cer-teza que uma pessoa seria capaz de sentir o perdão de Deus, porém isso não seria garantia de que o pecado não surgisse outra vez, daí sua preocupação com a apostasia; ao mesmo tempo, sentia a necessidade de os meios da graça serem usados constantemente, sendo essa a base por luta contra o antinomi-nismo. Em 1727 graduou-se mestre em Oxford e foi trabalhar em Epworth com seu pai um ano após ser eleito para um cargo no Lincoln College. Em 1729, impulsionado por seu irmão Carlos, voltou para Oxford, e , logo em seguida, o Lincoln College chamou João para assumir seus deveres tutoriais no college. Nesse período ambos começaram a reunir-se, não regularmente, para reuniões para estudos, oração e discussão de assuntos religiosos.
O final do inverno de 1729/30, de acordo com o autor, é mencionado por João como o “começo real das atividades” (p.39) com os Wesley, William Morgan e Bob Kirkham, estudando tanto os clássicos como obras teológicas, além de serem assíduos frequentadores dos sermões e da Santa Ceia.
Em 1730, William Morgan sugeriu a visita aos presos na Prisão do Castelo, e devido à grande satisfação dessa experiência, concordaram com, pelo menos, uma visita por semana. Sob a liderança de Morgan, o grupo co-meçou a passar muitas horas com os pobres e necessitados da cidade, a co-meçar pelas atividades dentro da comunidade acadêmica direcionado àquelas pessoas que dependiam de caridade, expandindo ao presos de Bocardo e às crianças das famílias pobres em Oxford, tendo um ativo interesse pelo proges-so destas.
Tais ações, pela notoriedade, despertou várias ações contra eles, sen-do ironicamente chamados de “O Clube Santo” (p.41), além de outros apelidos. O termo metodista levou dois anos para ser associado ao grupo, mas este já mostrava características que “iriam identificar o movimento durante o resto do século” (p.42), e importante lembrar que muitas das atividades não foram cria-das apenas por João Wesley. A essência do metodismo em Oxford está no impulso espiritual em busca da salvação. Neste período, João começara a ler o livro de William Law, Sério chamado a uma vida devota e santa, de 1729, con-duzindo-o a uma reorientação na vida espiritual – uma conversão real – “a luz brilhou tão poderosamente sobre a minha alma, que todas as coisas pareceram diferentes” (WESLEY, J. JOURNAL AND DIARIES, 1988, 18:244 apud HEINT-ZENRATER, 2006, p.43). Para ele, então, a esperança da salvação firmava-se na “confiança da sinceridade de seu próprio desejo de ter uma vida cristã e confiança nas promessas de Deus” (p.43) e a segurança de sua salvação esta-va baseada na sinceridade em fazer o melhor possível, e não a perfeição.
Em 1732, João centralizou-se em Oxford, ao tempo em que há uma grande mudança no grupo quando Morgan volta para Irlanda enfraquecido por enfermidades constantes, Kirkham e Boyce deixam Oxford e Haward deixa o grupo. John Clayton associou-se ao grupo e “abriu novas amizades e contatos para Wesley” (p.44) como Sir João Phillips, da SPCK, que veio a tornar-se um grande contribuinte para a causa metodista em Oxford, além de editores e li-vreiros em Londres. Mesmo permanecendo pouco tempo com o grupo em Ox-ford, Clayton influenciou significativamente as práticas do grupo, com sinais de uma crescente disciplina de piedade e misericórdia nos programas de trabalho wesleyanos, além de jejuns fixos às quartas-feiras e sextas-feiras. Clayton também introduziu João no mundo das publicações em 1733 com a Coleção de formas de oração para cada dia da semana, e obteve licença para o grupo ir ao Asilo São Tomás duas vezes por semana. A medida que o grupo ia crescendo, foi necessária uma organização maior e estruturar esse movimento e João re-gistrou em seu diário “separei homens e tarefas” (p.45).
O movimento wesleyano, contendo um modelo complexo de regras e expectativas, cada vez mais manifestava uma teologia e uma prática equivalen-te ao modelo arminiano, o que levou a observadores a conotarem o termo “no-vos metodistas” aos sermões de Wesley e às atividades da sociedade. Mas Wesley preferiu traçar um paralelo dessa nova nomenclatura à um antigo grupo de médicos gregos que davam importância à boa saúde através de um regime de dietas e exercícios.
Em 1732, chegou a notícia da morte de William Morgan, o que levou João Wesley a escrever uma carta ao pai de Morgan sobre a origem do movi-mento e o plano. Além disso, em um sermão da Igreja de Santa Maria em 1 de janeiro de 1733, delineou a base lógica de sua teologia, tornando-se um docu-mento “decisivo no movimento wesleyano” (p.47). O sermão foi baseado na Epístola aos Romanos 2.29 e foi uma proclamação vibrante e positiva do en-tendimento de Wesley de que “a marca que distingue um verdadeiro seguidor de Cristo... essa disposição habitual da alma que nos escritos sagrados é de-nominada santidade” (p.47), centrado nas virtudes, cultivado pela meditação, manifesto na centralidade da fé, confirmado pelo testemunho do Espírito e e-xercitado pela autonegação, chamando para o amor como “a soma da lei per-feita [e] a verdadeira circuncisão do coração” (p. 47). Esta definição da doutrina da santidade, a perfeição cristã, além de tornar-se marca da teologia metodista do século XVIII, orientou João Wesley durante toda sua vida em sua própria peregrinação espiritual.

O metodismo em Oxford

Após a carta a Morgan, esta tornou-se uma descrição definitiva dos começos do metodismo, e outros desenvolvimentos importantes se tornam evi-dentes ao estudar os diários de João Wesley, Benjamim Ingham e George Whi-tefield, estes dois últimos que se tornaram metodistas após Clayton partir de Oxford.
Seguindo o modelo das sociedades religiosas, os membros, individu-almente, começaram a formar novas células de pessoas interessadas na pro-posta. Vários grupos foram criados em associação ao metodismo de Oxford, e as regras e métodos que dirigiam suas atividades costumavam originar-se do grupo de João Wesley.
João Wesley, começando a interessar-se pelo místicos, a partir da lei-tura de Theologia Germanica e de outros como Madame Guyon, Antoinette Bourignon, Arcebispo Fénelon e o marquês de Renty, entre outros, vislumbrou-se com a espiritualidade desses escritores, resultando num crescente nível de auto-exame, vigilância espiritual e introspecção. Este momento de Wesley co-meçou a gerar uma tensão profunda entre a lei e o evangelho, que tentava ver “como o conceito paulino sobre a liberdade cristã poderia ser entendido dentro das exigências da tradição do viver santo” (Letters, 25:411-13 apud HEITZEN-RATER, 2006, p.53).
Durante este período de busca, seu pai Samuel, face à idade avança-da e saúde frágil, esperava que João o sucedesse na paróquia em Epworth. O relutante João voltou para Epworth após o falecimento de seu pai e para ajudar a família neste período de transição. Ao voltar para Oxford, foi logo chamado a Londres pelo editor do livro de seu pai sobre Jó e, em seguida, foi convidado a ir para a nova colônia Geórgia, tendo aceitado como “missionário voluntário, sem pagamento ou uma nomeação específica” (p.57), relatando que seu “prin-cipal motivo... é a esperança de salvar minha própria alma.” (p. 58), reconhe-cendo em Deus a verdadeira força na história.

O segundo surgimento do metodismo – Geórgia

Durante a travessia de barco ao Novo Mundo, Wesley ficou profunda-mente influenciado pelas tempestades que deixaram-no com medo, devido à realidade de morte iminente, ao mesmo tempo que impressionou-se com a fé dos morávios alemãos que estavam a bordo. Mesmo durante as piores tempes-tades, os morávios continuavam seus serviços religiosos e enquanto os “pas-sageiros ingleses gritavam de medo, os alemãos continuavam calmamente a cantar os salmos ‘sem intervalo’” (p. 59).
A missão em Geórgia foi muito importante para o metodismo para o desenvolvimento de conceito de igreja em missão ao mundo, porém foi uma missão de pouco duração para João, que ficou menos de dois anos, mas sufi-ciente para ele adquirir a fé e a segurança sob a direção espiritual dos pietistas alemães. Estes tinham como líder August Spangenberg, que apresentou à Wesley as diferenças entre os dois grupos pietistas alemãos: os Salzburgers, que seguiam os ensinos de August Hermann Franke e Samuel Urlsperger, da tradição de Philipp Jacob Spener, e os morávios, que seguiam os ensinamen-tos de, além de Spangenberg, Nicholas Ludwig von Zinzendorf. Wesley mante-ve maior proximidade com os morávios durante sua estada em Savannah, in-clusive se encontrando com eles para o culto público à noite, quando muito se emocionava com os cânticos.
O projeto de pregação aos indígenas foi dificultado devido os comerci-antes franceses, espanhóis e ingleses terem causado grande confusão levando às pessoas se recusarem a ouvir a Palavra. Com Robert Hows foi criada uma sociedade religiosa na Savannah, e com João, uma em Frederica, esta última não obtendo tanto crescimento e se desfazendo posteriormente. A de Savan-nah, devido a grande assistência de João Wesley, cresceu muito.
Com a desesperança em catequizar os índios, os metodistas voltaram sua missão para os negros escravos e para a educação dos jovens na escola de Savannah. João, para melhor se comunicar, aprendeu alemão, espanhol e francês. Com isso, nota-se que os cultos de domingo à tarde reuniam cerca de oitenta pessoas, e as reuniões das cinco da manhã em torno de trinta pessoas. Mesmo com o uso de hinos, facilitado pelo “Salmos e Hinos” que Wesley havia publicado em 1737, e sermões muitas vezes criticados, ao mesmo tempo muito aceitos, João acabou enfrentando uma série de problemas que fizeram-no sair da colônia e voltar à Inglaterra.
Este foi um período muito significativo na peregrinação espiritual de João Wesley, mediada pela tensão entre a influência anglicana e a influência pietista morávia.

O terceiro surgimento do metodismo – Londres

Em seu retorno inesperado à Inglaterra, João pode perceber que o me-todismo não apenas continuava em Oxford, mas também se espalhava por ou-tras áreas, promovendo um reavivamento com as sociedades religiosas que eram mantidas ainda pela SPCK. Nomes como George Whitefield, Benjamin Ingham, William Delamotte, Griffith Jones, Howell Harris começavam a desta-car-se entre os pregadores avivalistas. Porém, John Wesley, um dos pioneiros neste “movimento contínuo pela renovação espiritual, (...) estava consciente que havia ficado para trás na vitalidade e zelo em relação a muitos de seus amigos” (pp 75-76), e, com a chegada à Inglaterra de vários morávios alemães, continuou seu aprendizado espiritual. James Hutton foi um grande elo de con-tatos para os Wesley, especialmente João, que cultivou as novas amizades.

Peter Böhler e a busca pela fé

Em retornando à Inglaterra, João Wesley começou a se encontrar com Peter Böhler, um ministro luterano, durante quatro meses. Böhler convenceu João sobre sua falta de segurança da fé afirmando que “não há graus de fé, ou você tem ou não” (p. 77), levando-o a sentir que não possuía fé alguma e que não seria correto ele continuar pregando. Böhler então aconselhou João: “pre-gue sobre fé até que você a tenha, e então, porque você a tem, você pregará sobre a fé” (WESLEY, J. JOURNAL AND DIARIES, 1988, 18:228 apud HEIT-ZENRATER, 2006, p.77). A partir de então, Wesley começou a pregar sobre a salvação somente pela fé, começando com William Clifford, um prisioneiro do Castelo. Pregando com entusiasmo, e cada vez mais inclinando-se à visão mo-rávia sobre conversão instantânea, João foi impedido de pregar em algumas Igrejas. Nesse ínterim, vários amigos, incluindo seu irmão Carlos, advertiam-no sobre sua nova pregação.
Criou-se uma nova sociedade, a Sociedade Fetter Lane, com Peter Böhler, João Wesley, John Hutton, Carlos Wesley, George Stonehouse, entre outros. Esta sociedade era um grupo menor, uma band, e tinha no seu progra-ma uma natureza soteriológica. Em poucos dias, Carlos Wesley experimentou a segurança da fé que, dentre contínuas lutas espirituais e doente no domingo de Pentecostes, sentiu “uma estranha palpitação no coração” e disse “Eu creio, eu creio!” (WESLEY, C. THE JOURNAL OF VER. CHARLES WESLEY, 1849, 1:146-147 apud HEITZENRATER, 2006, p. 79) e achou-se em paz com Deus.
Três dias após a experiência de Carlos, João também teve a sua expe-riência, justamente em um período em que achava-se totalmente pecador e em profunda tristeza. Essa experiência está por ele relatada:

À noite eu fui de má vontade à sociedade na Rua Aldesgate, onde alguém esta lendo o prefácio de Lutero para a Epístola aos Roma-nos. Cerca de um quarto para as nove, enquanto ele estava descre-vendo a mudança que Deus opera no coração pela fé em Cristo, eu senti meu coração estranhamente aquecido, senti que acreditava em Cristo, apenas em Cristo para a Salvação, e uma segurança me foi dada que Ele havia levado meus pecados, sim os meus, e me salva-do da lei do pecado e da morte. (WESLEY, J. JOURNAL AND DIA-RIES, 1988, 18:249-250 apud HEITZENRATER, 2006, p. 80)

Neste dia 24 de maio de 1738, João comemorou testemunhando ime-diatamente aos presentes.
Porém, nos dias que se seguiram sentia-se confuso e perturbado no que se referia aos graus da fé, pois não possuia uma alegria constante, apesar da paz contínua e a libertação dos pecados. Isso devia-se ao fato de Böhler tê-lo orientado dizendo que a fé verdadeira é sempre acompanhada pela sensa-ção de segurança, “evidenciada pela libertação do pecado, do medo e da dúvi-da, (...) atestam a verdadeira fé” (p. 77).
Assim, Wesley resolveu visitar os morávios na Alemanha, em Herr-nhut. Ficou evidente que algumas opiniões dos morávios ingleses diferiam no-tavelmente do morávios alemãos. O chefe da comunidade alemã, Nicholas von Zinzendorf, orientou Wesley mostrando uma opinião mais moderada sobre as evidências da justificação: “a paz pode ser evidente, mas a alegria frequente-mente não presente” (p. 82), de tal forma que a visão de graus de fé e cresci-mento em piedade tornou-se mais próxima da experiência de Wesley e de sua compreensão das Escrituras. Para Wesley, este conflito de posições entre mo-rávios ingleses e alemãos era o cerne de seu problema. Para os ingleses, as exigências eram absolutas e evidências necessárias, não restando dúvida ou temor. Englobavam santificação e justificação, e, semelhante aos pietistas, es-tendiam a justiça imputada à justiça infusa, o que resultava em uma perfeição sem pecado, com uma medida plena dos frutos do Espírito, sendo evidências da conversão verdadeira. Tal tendência não se ajustava à bagagem teológica anglicana e arminiana de João Wesley, que tentava experimentar e entender uma teologia luterana.
Durante os meses que ficou na Alemanha, Wesley pôde vislumbrar a organização morávia e a infra-estrutura alemã, além de novas impressões que o levaram a um novo discernimento e novas práticas de comunhão cristã, ao mesmo tempo que notou algumas faltas na comunidade morávia: “negligência com o jejum, exaltação de sua Igreja e de seu líder, uma tendência para a levi-andade, um espírito intimista, o uso de astúcia, malícia ou dissimulação” (p.85), que estava longe do que esperava encontrar em Herrnhut: um cristianismo a-postólico.
Ao voltar à Inglaterra, começou a perceber o quanto sua visão estava em conflito com a dos morávios, uns que exigiam a “plenitude da fé (...) eviden-ciada pela medida total dos frutos da fé (...) evidenciada pela medida total dos frutos da fé (...) como expectativa necessária do verdadeiro cristão” (p.85), po-rém continuou a pregar sobra a “necessidade de total segurança de fé e a real libertação do pecado” (p.85) como fundamento da felicidade cristã.
Com a leitura da narrativa de Jonathan Edwards sobre a ação do Espí-rito Santo no reavivamento inglês e do livro de homilias, Wesley chegou a um novo entendimento. Neste último pôde encontrar as respostas aos seus pro-blemas com os morávios ingleses sobre salvação, fé e boas obras. Wesley es-tava em novo período de questionamentos profundos e intensos e auto-exame, não obstante começa a aceitar a existência de graus de fé e de segurança, as-sim, “a total segurança de fé (...) não era necessária para o novo nascimento” (p.87) mas uma parcela desta fé era necessária para uma reconciliação por meio de Cristo Jesus, distinguindo, então, segurança da fé, e começando a desenvolver sua teologia moderna, iniciando com a descrição das diferenças entre justificação e santificação.
Wesley pôde perceber, tendo como objeto central de suas pregações o testemunho do Espírito, novas possibilidades da ação “divina entre o povo” (p. 91) e entre seus próprios ouvintes, vivenciando libertações e curas, até entre seus opositores, que, como a Sra. Compton, percebeu o perdão pelo amor de Cristo Jesus quando Wesley começou a orar por ela. João Wesley porém não era crédulo em todos os casos, e sempre testava o espírito biblicamente, che-gando a declarar que “qualquer pessoa com uma boa compreensão e bem ver-sada nas Escrituras” (p.92) poderia parecer espiritualmente inspirada. Advertia para que ninguém julgasse o espírito, mas que seguissem a tendência de dei-xar o assunto de lado, pois “se a obra não for de Deus, perecerá” (p. 92).
Por um pedido de George Whitefield, João Wesley foi para Bristol, on-de, em uma carta-resposta a um amigo que exortava-o a estabelecer-se em apenas uma paróquia, Wesley escreveu: “Eu encaro o mundo como a minha paróquia, (...) em qualquer parte dele em que eu estiver, creio ser adequado, certo, e meu dever sagrado declarar a todos que queiram ouvir, as alegres no-vas da salvação” (WESLEY, J. LETTERS, 1980, 25:616 apud HEITZENRA-TER, 2006, p.93).
Wesley calmamente elaborava, em uma peregrinação espiritual pes-soal e edificando mutuamente pequenos grupos, sua teologia.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

SIGA, E NÃO FAÇA PERGUNTAS, por Rev Daniel Rocha

SIGA, E NÃO FAÇA PERGUNTAS

“Partindo Jesus dali, viu um homem chamado
Levi sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me!
Ele se levantou e o seguiu” (Mateus 9.9)





Sempre me fascinou o fato de Jesus ter chamado alguns homens para segui-Lo e eles de pronto abandonarem seus afazeres, sem nada perguntar. Aos pescadores disse-lhes: “vinde após mim”, e estes “deixaram imediatamente as redes e o seguiram” (Mt 4.20). Encontrou a Levi, o publicano, sentado na coletoria, e chamou-o: “Segue-me!” e ele “se levantou e o seguiu” (Mt 9.9).

Cadê o programa? O contrato? Quais são os riscos? Onde estão as garantias? É bem provável que eles já tivessem ouvido falar do Messias, mas isso não diminui o valor do passo que deram.



Talvez a palavra que melhor resume uma vida cristã seja justamente esta: “Segue-me”. O que Jesus deseja que eu faça não é decorar um conjunto de regras, nem praticar diariamente determinados rituais, mas simplesmente segui-Lo.

De uma forma geral olhamos o que as pessoas estão fazendo em suas vidas, e de pronto exclamamos para elas: abandonem a bebida... parem de se prostituir... chega de mentir.... É a tentativa de mudar comportamentos sem que se mude o indivíduo. Felizmente, o programa de vida que Jesus tem pra nós começa com uma só palavra: “Segue-me!”.

Se formos honestos haveremos de reconhecer que somosseres disfuncionais, que precisam de constantes ajustes. Jesus sabe disso e em nenhum momento Ele espera que eu apresente “melhoras” para acompanha-lo. Ao contrário, segui-lo é o tratamento que Ele tem para as minhas disfunções.

E nisso, estamos todos na mesma luta, qual seja, a de submeter o nosso ser a Cristo e vencer o pecado que deseja nos dominar. O avarento, “que é idólatra” (Ef 5.5), mas vai à igreja, não está em melhores condições que um seguidor de Krishna.

Levi, por exemplo, pertencia à classe dos publicanos, que não eram bem-vistos pelo povo.Eles eram classificados entre as prostitutas e os pecadores mais vis. Talvez hoje fôssemos até ele e tentaríamos convence-lo de seus erros. Jesus, porém, vai ao seu encontro e simplesmente o convida a segui-lo – e nenhuma palavra sobre o seu estado!

Possivelmente muitos cristãos terão de conviver o resto de seus dias com alguns traços, propriedades, mazelas ou doenças interiores que estão arraigadas na alma. No fundo sabem que, por amor a Cristo, haverão de trilhar uma vida de renúncia – diária, árdua, consciente, mas não amargurada. É como o alcoólatra que renunciou à bebida, mas cônscio que o mal continua vivo dentro dele, e precisará contar com a fé em Jesus enquanto viver. O apóstolo Paulo teve um espinho na carne (2Co 12.7), e parece ter suportado isso por toda sua vida. A Bíblia revela que Elias era um homem semelhante a nós, sujeito às “mesmas paixões” (Tg 5.17), e mesmo assim Deus o transladou ao céu. Até o rei Davi, em sua velhice, com o corpo entorpecido, senil e depauperado, conservou até o fim o gosto de estar ao lado de uma moçoila, nem que fosse só para se aquecer (1Rs 1.1-4).

Claro que seguir a Cristo também envolve a mente e tem um sentido racional. Mas há muitos desonestos intelectuais que não se cansam de fazer perguntas. Não que a resposta irá ajudá-los a tomar uma decisão, mas porque tão logo se lhe respondam, já maquinam outra e outra dúvida.

Há pessoas que querem respostas às perguntas mais infantis. É gente que fecha os olhos às metáforas e à poética bíblica, porque desejam transformar as Escrituras num tratado científico. E pior, nem são originais em suas dúvidas. Qual o medo? Sabem no íntimo que se der por convencidas terão de “abandonar suas redes”.

Em Cristo não haverá respostas “a priori”. É preciso ter a coragem de se levantar e segui-Lo. A estes, Ele dará total atenção, revelará o que há em seus corações, contará segredos reservados aos que Lhe são íntimos e desvelará tesouros ocultos. São aos seus discípulos e seguidores que Ele se agrada em dizer coisas que jamais diria às multidões, e responderá para nós algumas questões– não todas – pois em nossa finitude seríamos incapazes de compreender.

Faça como Levi: levante-se e siga o Mestre sem fazer muitas perguntas. No momento certo ele te explicará.

Pr. Daniel Rocha - pastor da IM em Itaberaba
dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Wesley e o povo chamado metodista

Estou resumindo a obra abaixo:


HEITZENRATER, R. P. Wesley e o povo chamado metodista. 2ª Edição. São Bernardo do Campo: EDITEO; São Paulo: Cedro, 2006.


Quem quiser ler, aprenderá um pouco mais!

Postarei um capitulo por vez.


Capítulo 1

O metodismo e a herança cristã na Inglaterra

O autor incita-nos a entender o contexto inglês da época para, assim, compreendermos as origens do movimento wesleyano. Para tanto, por se tratar de um movimento historicamente construído, inicia mostrando-nos as origens do cristianismo na Inglaterra, que deu-se no século seis com Santo Agostinho de Cantuária, à época do rei Etelberto. Assim, a monarquia começa a exercer grande influência nos assuntos religiosos, gerando muita tensão. A Igreja de Roma enfrentou muitas dificuldades a partir do desenvolvimento, na Inglaterra, de uma consciência nacional e uma índole insular, resultando em uma religião “ousadamente nacionalista (...) e fortemente antipapal” (p.3), devido à grande influência francesa sobre o papa.

Durante o período da Reforma Inglesa, nota-se que a figura central na história inglesa é a monarquia. Verificamos isso em momentos centrais da história inglesa, como quando Henrique VIII separou a Igreja inglesa da Igreja de Roma, ficando estabelecida sob a monarquia, sendo o rei o cabeça do Estado e da Igreja.

Sob o reinado de Eduardo VI, “a influência dos reformadores continentais tornou-se mais notória tanto na corte como na zona rural” (p. 5) assumindo um aspecto mais radical. Nesta época, o arcebispo Thomas Cranmer ajudou a desenvolver tanto a liturgia da Igreja da Inglaterra com o Livro de Oração Comum (1549) como as doutrinas, através dos Quarenta e Dois Artigos, inclinando-se para uma influência calvinista, afirmando a predestinação supralapsária e opondo-se às boas obras. Os artigos foram aprovados em 1553, antes de Maria subir ao Trono.

Maria, por sua vez, opôs-se veementemente contra os protestantes, exilando muitos e executando os que permaneceram na Inglaterra. Com um reinado muito curto, o catolicismo romano não conseguiu retornar à Inglaterra no período de Maria Sanguinária, que, após sua morte, deixou o trono para sua irmã Elisabete. Esta, devido à sua astúcia política visando a estabilidade do seu reinado, levou ao Estabelecimento Elisabetano, que definia a relação Coroa-Igreja. Atos Parlamentares importantes: Ato de Supremacia (1559) e Ato de Uniformidade (1559). Ao mesmo tempo, o calvinismo mostrou-se revitalizado através dos “exilados da época de Maria que regressavam à Inglaterra” (p.7) que trouxeram o Livro dos Mártires e a Bíblia de Genebra, que influenciaram por gerações os países ingleses.

Devido às tensões entre os adeptos da fé romana, entre os puritanos calvinistas e as estruturas políticas e teológicas de Elisabete, Richard Hooker promoveu uma “exposição da estruturação e da doutrina da Igreja” (p.9) chamada Das Leis da Estruturação Eclesiástica (1595) e possuía três aspectos de pensamento: as Escrituras como fonte da Verdade, a tradição como modo de vida e de pensamento, a razão, que fornecia “os meios pelos quais as Escrituras e a tradição poderiam ser examinadas e entendidas por pessoas sensatas” (p.10).

No fim do século XVI, Jacob Arminius (1560-1609) desafiou a teologia calvinista desenvolvida por Theodore Beza da sola gratia e da sola fide com seu conceito de expiação universal. Os calvinistas censuraram publicamente “o reconhecimento arminiano do livre arbítrio e ação humanos como uma outra forma semipelagiana de justificação pelas obras” (p.11). Os calvinistas começaram a chamar de arminianos todos aquele que se opôs à predestinação, ou que defendia o livre arbítrio, ou mantinha a idéia de expiação universal, ou enfatizasse a responsabilidade humana, ou que desse ênfase à disciplina da vida cristã (vida santa) ou desse importância à conversão. Já os arminianos chamavam os calvinistas de solafidianos e antinomianos, alegando que estes, por levaram a sola fide ao extremo e se oporem radicalmente ao legalismo, promoviam a lassidão moral.

No início do século XVII, James I e Charles I, tentando escapar dos puritanos escoceses (os presbiterianos, que se opunham à Mary Stuart), mudaram-se para a Inglaterra, porém, não escaparam das provocações dos puritanos calvinistas ingleses. Com uma nova versão da Bíblia, a King James (1611), tentou-se aplacar os calvinistas. Contudo, a tensão religiosa era crescente, principalmente pela inclinação católico-romana de James I, culminando na morte de Charles I.

Com isso, a Inglaterra ficou sem monarquia e sem Igreja estabelecida, levando a condições políticas precárias e a uma liberdade religiosa que levou ao surgimento de um fanatismo religioso e tendencioso, com presbiterianos, batistas, congregacionais e quacres. Convidou-se então Charles II para, assim, restaurar a monarquia e restabelecer a Igreja, colocando novamente a liturgia e a doutrina em uso. Neste período instaurou-se um “medo consciente de uma religiosidade explícita” (p.13) para evitar qualquer conotação de fanatismo religioso. Muitos, chamados não-conformistas, defendiam uma reforma mais profunda na vida e no pensamento da Igreja. Entre eles estava John Westley, avô do fundador do metodismo, que foi destituído de sua paróquia.

Após Charles II, subiu ao trono James II, ambos com inclinações católico-romana. Para evitar uma aproximação com a Igreja de Roma, o Parlamento inglês decidiu convidar Mary (filha protestante de James) ao trono, aceitando seu marido William de Orange como rei, e em 1689 foi declarado o Ato de Tolerância em que os não-conformistas seriam tolerados sob certas condições.

O pietismo e as sociedades religiosas

O pietismo surgiu como uma reação “contra a letargia espiritual e a lassidão moral” e que “viria a ser um reavivamento dando ênfase à piedade e a uma vida santa entre pequenos grupos de cristãos” (p.19). Philipp Jacob Spener criou um programa para esse movimento, intitulado Pia Desideria (1675): sola scriptura, envolvimento ativo e consciente de leigos, zelo evangélico, prática do viver cristão, pregações para a salvação e treinamento ministerial para qualidades morais e espirituais na vida do pastor. Além de Spener, outros escritores pietistas: August Hermann Francke e Nicholas Ludwig von Zinzendorf (patrono dos morávios). Spener criou os collegia-pietatis, pequenos grupos de estudo bíblico e oração que reuniam em casas. Na Inglaterra, seguindo os padrões dos collegia, criaram-se as sociedades religiosas para enfrentar a imoralidade e a irreligiosidade dentro da Igreja e rejuvenescê-la. Uma sociedade deveria estar ligada à Igreja, sob a direção clerical e estabelecida por meio de regras. Uma importante sociedade é a Sociedade para Promoção do Conhecimento Cristão (SPCK), que tinha a intenção de transformar a sociedade transformando uma pessoa por vez. Era uma sociedade que apoiava a educação cristã, exercia a disciplina e desenvolvia escolas de caridade, atacando o que eles consideravam a raiz do problema, desenvolvendo “canais para a educação do povo nos princípios cristãos” (p.24), além de sustentar o movimento missionário da época.

A família Wesley em Epworth

Sabe-se a importância da influência familiar na vida de João Wesley. Samuel e Susanna concordavam com os métodos de educação para seus filhos. Ele, graduado em Oxford, escreveu tratados teológicos para a Gazeta Ateniense, publicou poesias, entre elas uma versão métrica dos Evangelhos, e produziu um erudito estudo linguístico do livro de Jó. Ela, interessada na educação e aprendizagem de todos os filhos, tanto meninos quanto meninas, que deveriam ler tão bem quanto os meninos. Todos os seus filhos receberam “cuidadosa instrução tanto religiosa como educacional” (p.30). Apesar de serem oriundos de famílias não-conformistas, ambos tornaram-se adeptos ardentes da Igreja estabelecida.

Os Wesley sofreram grande influência da SPCK, inclusive quando Samuel organizou uma sociedade em Epworth a SPCK enviou livros e panfletos. Era uma sociedade dotada de várias regras práticas, inclusive nas doutrinas, o que exigia um intenso estudo das Escrituras e de obras de teologia prática.

João Wesley, após estudar em Charterhouse, subiu para Oxford, que refletia muitos dos problemas ingleses da época. Durante esse período João Wesley buscou compreender mais significativamente as exigências do viver cristão.

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