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sexta-feira, 3 de julho de 2009

O livro de Rute

MESTERS, Carlos. Como Ler o Livro de Rute: Pão, Família, Terra. 3ª Edição. São Paulo: 2003. Série “Como Ler a Bíblia”.

INTRODUÇÃO – Buscando a Chave de Leitura

O autor incita-nos a buscarmos a chave de leitura do Livro de Rute, para tal apresenta-nos a letra da música “Apesar de Você” de Chico Buarque para que, ao lermos o livro de Rute, atentemo-nos à mensagem implícita, e nos convida a estudarmos minuciosamente esse texto.

1 – A SITUAÇÃO DO POVO NA ÉPOCA DO LIVRO DE RUTE

Neste primeiro capítulo, o autor situa historicamente o Livro de Rute colocando-nos a datação da escrita desse livro: “450 anos antes de Jesus Cris-to” (p. 12), aproximadamente um século depois do fim do cativeiro. Era uma época em que o povo vivia uma situação muito sofrida, quando da derrota de Nabucodonosor, rei da Babilônia, por Ciro, rei dos persas, que concedeu licen-ça para o povo retornar a Jerusalém e tentar se reorganizar-se, porém, enfren-tam grandes dificuldades, como pobreza e fome (Ne 1.3; 5.2; Rt 1.1), falta de terras e impostos (Ne 5.3-4), escravidão (Ne 5.5; Rt 2.5-9). Há uma distorção da lei sobre o restolho (Lv 19.9-10) pois os pobres só podem catar a sobra da colheita se o dono da terra conceder. As famílias estão divididas, entendendo família como comunidade ou clã, e não se ajudam mutuamente, não há frater-nidade.
Mesters nos informa sobre três projetos “com o objetivo de enfrentar e resolver o problema do povo” (p. 17) que estão nos livros de Esdras e de Nee-mias.
O primeiro projeto foi o de Zorobabel e Josué (Esd 3.1-13) que tenta-ram reconstruir o altar e o templo de Jerusalém com o apoio de Ageu e de Za-carias, ambos profetas. Achavam que e o povo estava sofrendo porque esta-vam sendo castigados por Deus, e o povo colaborou, porém os samaritanos dificultaram a execução do projeto.
O segundo projeto fora idealizado por um doutor da lei de nome Es-dras que também considerava o castigo de Deus sobre o povo, por isso o so-frimento, pois eles deixaram costumes pagãos se infiltrarem no povo (Esd 9.1-2;10.2-10; Ne 13.23-27). “Esdras procurava reconstruir o povo em torno da ob-servância da lei de Deus (Ne 8.13) e da pureza da raça (Esd 9.2)” (p.18).
O terceiro projeto para resolver o problema do povo foi de Neemias (Ne 5.1-19), que, revoltado com a situação do povo explorado, reuniu os explo-radores do povo e, “em nome de Deus, exigiu deles que devolvessem aos po-bres as terras roubadas e perdoassem as dívidas acumuladas” (p.18), além de tentar reconstituir as famílias e reconstruir as muralhas de Jerusalém.

2- AS CHAVES DA PORTA DO LIVRO DE RUTE

A primeira chave é uma leitura atenta partindo da realidade. O autor destaca três pontos importantes: não há menção sobre o rei, sobre os sacerdo-tes, sobre o templo e nem sobre o altar, também não se menciona sobre Jeru-salém e nem sobre os sacrifícios. O centro da história é uma estrangeira (Ru-te), ou seja, “admite que uma estrangeira possa ser a nova mãe do povo de Deus!” (p.20). Não se fala sobre o governador Neemias, porém Booz é da clas-se convidada pelo governador. Sem citar nomes, o livro de Rute posiciona-se frente aos problemas e às tentativas de solucioná-los.
A segunda chave encontra-se no significado do nome das pessoas, in-dicando um sentido para a história. A lista de nomes: Elimelec (meu Deus é Rei), Noemi (graça ou graciosa), Mara (amargura ou amargosa), Maalon (do-ença), Quelion (fragilidade), Orfa (costas), Rute (amiga, ou saciada), Booz (pe-la força) e Obed (servo).
A terceira chave, para o autor, é o próprio esquema do livro, que se apresenta da seguinte forma: 1- quadro inicial (1.1-5), situação real do povo. 2 – caminhada (1.6-4,12), primeiro passo é voltar para a terra em busca do pão, segundo passo, catar o restolho, terceiro passo com Booz, levado por Rute, compromete-se a cumprir a lei do resgate, quarto passo, Booz cumpre lei do resgate e casa-se com Rute, 3 – quadro final (4.13-17) nascimento do filho O-bed, esperança que nasceu, 4 – Apêndice (4.18-22) genealogia de Davi, bisne-to de Rute, a estrangeira.

3 – RUTE 1,1-5: O QUADRO INICIAL: UM RETRATO DO POVO

O autor encara o quadro inicial como um espelho que reflete na histó-ria da família de Noemi e Elimelec o sofrimento do povo, inclusive salientando a necessidade de lermos pensando no sentido escondido dos nomes das pesso-as.
Elimelec – Meu Deus é Rei, assim era no tempo dos Juízes (Jz 8.23). Quando o povo pediu um homem como rei, fez morrer a fé em Deus, morre Elimelec.
Noemi e Mara – “É do amor fiel de Deus para com seu povo que nasce para o povo a Graça”(p.24). Ao entrar o rei humano, entraram também des-mandos contrários à aliança entre Deus e seu povo, assim, o povo perdeu a Graça e encheu-se de Amargura (1.13).
Maalon e Quelion – Israel (reino do Norte) e Judá (reino do Sul), que, esquecendo-se da soberania de Deus como o Senhor seu Rei, adoraram a ou-tros deuses e senhores, ficando, então, Doentes e Frágeis, e foram se acaban-do, misturando costumes (no cativeiro) de outros povos, e religiões, casaram-se com mulheres estrangeiras (Orfa e Rute), ou seja, perderam sua identidade e morreram. Apenas restou Noemi, mudada em Mara, sem seus filhos (sem futuro e sem herança) e sem marido (enfraquecida, sem Deus, sem forças para gerar um novo futuro).
Duas causas da desgraça são, assim, reveladas: o governo de reis “foi um desastre para o povo” (p.25) e o povo “perdeu sua fé em Deus” (p.25).
Ao mesmo tempo, o quadro inicial é também um convite à esperança ao passo que cita frases do Antigo Testamento como em 1.1, suscitando a figu-ra de um novo juiz como Jefté ou Gideão, também em 1.3-5 lembra das profe-cias do livro de Isaías (4.3; 6.3; 10.21; 11.16; 37.31) e de Esdras (9.8-15) suge-rindo que Noemi seja a semente da nova nação. No segundo versículo deste primeiro capítulo lembra a profecia de Miquéias (Mq 5.1), é “dos pobres que virá a salvação” (p.26).
O quadro inicial é um retrato do passado (pecado), do presente (sofri-mento) e do futuro (esperança) do povo.

4- RUTE 1,6-22: O PRIMEIRO PASSO: VOLTAR PARA A TERRA EM BUSCA DO PÃO

Este trecho do texto, o autor dividiu na seguinte estrutura:
• 1.6-7: volta para a Judá, retornar a terra natal em busca de pão, voltar para Deus. Noemi, Orfa e Rute levantam-se e parte em bus-ca do pão na terra visitada por Deus.
• 1.8-14: lamento e diálogo de Noemi com as duas noras para que decidam-se entre continuar com ela ou não. Orfa dá as Costas, Ru-te continua (Amiga). Noemi, apesar de considerar-se fracassada (1.11-13) continua sua caminhada de esperança e também não re-duz Deus ao tamanho de seus próprios interesses ao pedir para que Ele seja bom e misericordioso com suas duas noras, que são de outra religião.
• 1.15-18: A opção pelos pobres. Rute agarra-se a Noemi, de forma muito comprometida, tendo como elemento motivador o amor, pois “não há lucro ou ganho em vista” (p.32). Noemi acolhe Rute, como que permitindo a entrada dela na terra e no povo de Deus.
• 1.19-21: lamento e diálogo de Noemi com as mulheres de Belém. Ao chegarem à Belém, Noemi ainda não percebe os sinais da es-perança devido ao seu sofrimento.
• 1.22: termina a volta para Judá, que se tinha iniciado em Moab, com a chegada de Noemi e Rute a Belém, que significa Casa do Pão, na época da colheita, da fartura.

Durante essa caminhada, o problema da família também foi retratado. A situação de Noemi era um retrato da situação do povo que tinham suas famí-lias enfraquecidas e não conseguiam garantir a sobrevivência de seus mem-bros.

5 - RUTE 2,1-23: O SEGUNDO PASSO: CATAR A SOBRA DA CO-LHEITA: UM DIREITO DOS POBRES

O autor estrutura este texto da seguinte maneira:
* 2.1-2: Rute e Noemi planejam. Catar o restolho que “fica no campo depois da colheita era um direito dos pobres e dos estrangeiros” (p. 37) como está assegurado em Lv 19.9-10 e em Dt 24.19. Mas o que se percebe, na épo-ca do livro de Rute, o restolho só podia ser colhido caso o dono da colheita as-sim o permitisse. Um direito transformado em esmola.
* 2.2-3: inicia-se o segundo passo. As duas orientam-se pela palavra de Deus para conseguirem pão, pois a palavra de Deus assegura-lhes de catar o restolho.
* 2.4-7: Booz entra em cena, conversa com os empregados sobre Ru-te.. O autor nos indica o papel de Booz nesta história, que seria a de “lembrar a ação de Javé” (p.39), pois ele entra para resolver o problema de Rute, ao mesmo tempo em que se estabelece o paralelo que Pela Sua Força (significa-do do nome Booz) o problema do povo será resolvido.
* 2.8-14: Booz conversa com Rute, oferece proteção, restolho e água (2.9). Rute fica desconfiada porém Booz “fala ao coração de Rute” (p.40) em 2.13. Para Mesters, Rute ter escolhido ficar com Noemi lembrou a atitude A-braão (Gn 12.1), assim, ao ter assumido um compromisso concreto com Noe-mi, desta forma, com Deus e com o povo, Rute é acolhida por Booz como filha de Abraão e membro do povo de Deus. Na Bíblia, falar ao coração, como Booz falou ao coração de Rute, é uma fala de “amor que restaura e renova a vida por dentro” (p.42), é libertação e renovação na vida de Rute. Neste momento, as coisas começam a se transformar: fartura do pão (2.14-17), Booz tem direito de resgate (2.20), Noemi consegue enxergar esperança (2.20).
* 2.15-16: Booz conversa sobre Rute com os empregados
* 2.17: Rute cata os restolhos
* 2.18-23: Rute e Noemi descobrem quem é Booz, assim, sabendo que Booz tem o direito de resgate, Noemi orienta Rute e planeja o terceiro passo.

6 – RUTE 3,1-18: O TERCEIRO PASSO: UMA NOITE FECUNDA NO TERREIRO DE BOOZ

Nesta etapa, a palavra que mais aparece no texto é resgatar, por isso, o autor considera importante entender o que consiste esse resgate.

“A lei do resgate estabelecia (...) duas coisas: 1. Quando alguém, por motivo de pobreza, era obrigado a vender sua terra, então seu pa-rente mais próximo tinha a obrigação de resgatar essa terra (...) (Lv 25,23-25). 2. Quando alguém, por motivo de pobreza, era obrigado a vender-se a si mesmo como escravo, então seu parente mais próxi-mo tinha obrigação de resgatar essa pessoa, isto é, devia pagar para que o irmão pobre pudesse reaver sua liberdade (Lv 25, 47-49).” (p.47)

Tal parente mais próximo era o goêl, palavra hebraica que significa aquele que resgata. Assim, essa lei visava defender e proteger a família, forta-lecendo-a como base da organização social. O goêl era, sobretudo, uma figura muito importante, por isso Noemi louvou a Deus por saber que Booz era seu goêl (2.20).
Outra lei a se destacar é a lei do levirato, também chamada de lei do cunhado, que estabelecia que se um homem casado “morrer sem filhos, o ir-mão do falecido devia casar com a viúva, e o filho que nascesse devia ser con-siderado filho não dele mas do irmão falecido” (p.49). Essa lei tinha o objetivo de dar continuidade à família.

Inicia-se, então, o terceiro passo. Findou-se a colheita.
Noemi diz a Rute que Booz é parente delas e quer que ele cumpra a lei do resgate, cumpra seu dever de goel. Nesse período, Neemias, o governa-dor tinha exigido dos parentes ricos que cumprissem a lei do resgate. Então Rute apela para que se cumpra tal direito e Booz aceita. Vemos como a fideli-dade de Rute cresceu durante a história, como cresceu a generosidade de Bo-oz, e como o povo aceita Rute como uma mulher de valor (3.11).
Ao dormirem juntos, Booz e Rute (3.14-15), o livro de Rute sugere dois sentidos: o amor humano, como revelação do amor de Deus para com seu po-vo; e o amor de Deus, que se concretiza no amor fecundo entre Booz e Rute.
Cresce a esperança.

7 - RUTE 4,1-12: O QUARTO PASSO: GARANTIR A POSSE DA TERRA AO POVO

Neste trecho do livro de Rute as palavras que mais aparecem são res-gatar e nome. Em Israel, existia uma preocupação em dar continuidade ao no-me da família, assim, dava-se continuidade à família.
Agora outro problema se vê: o problema da posse da terra. Booz cum-priu o prometido, chamando o outro parente que tinha direito ao resgate. Este por sua vez aceitara resgatar a terra, porém não se preocupara com a família de Noemi, apenas serviria para aumentar o seu latifúndio, e assim, “jogar No-emi na miséria!” (p.60). Porém, no verso 5 deste capítulo, há a virada na solu-ção desse problema, pois quem comprasse o terreno de Noemi, deveria se ca-rar com Rute para que a herança de Elimelec continuasse no nome dele. Assim Booz “uniu entre si a lei do resgate, que dava o direito de adquirir a terra do irmão pobre, e a lei do cunhado, que impunha o dever de casar com a viúva do falecido” (pp. 61-62). Além disso, ampliou a lei do cunhado, tornando-a uma lei social, atingindo causas sociais. Desta forma, o terreno continuaria em posse da família de Noemi e o filho que nascesse daria continuidade ao nome de Eli-melec, falecido marido de Noemi.
Diante disso, o outro parente passou o seu direito a Booz (4.7-8) para não prejudicar seus herdeiros. Era “exatamente esta mentalidade egoísta que o livro de Rute queria denunciar e combater.” (p. 63). Mas é o início de novos rumos.
Então Booz adquire e exerce seu direito e cumpri seu dever, tendo como testemunhas o povo e os chefes das famílias, além de apontar para um novo rumo na solução dos problemas do povo. E para Noemi, a esperança se realiza.
A esperança do povo renasce, que aclama Booz e Rute. O povo pede a Rute que seja como Raquel e Lia, e o amor dos dois é visto como um novo começo, a reconstrução das doze tribos de Israel. O povo pede a Booz que seja poderoso em Éfrata e tenha nome em Belém (4.11), sugerindo que o Mes-sias nascerá do amor entre Booz e Rute. O povo “pede que Rute seja como Tamar, aquela que levou Judá a cumprir o seu dever de cunhado” (p.66). Espe-rança nasce em Booz e Rute e no povo que deles nascerá.

8 - RUTE 4,13-22: O QUADRO FINAL: “UM MENINO NASCEU, O MUNDO TORNOU A COMEÇAR!”

Booz toma Rute como esposa, e todos esperam o menino que está pa-ra nascer, fruto do longo e exigente amor entre Deus e seu povo. Quando nas-ce, a criança já pertence à comunidade, pois “encarna a esperança do povo” (p. 71), por isso, quem dá o nome à criança é o próprio povo, no caso repre-sentado pelas vizinhas (4.17). E a criança acaba sendo criada por Noemi (4.17). No paralelo estabelecido pelo autor, o menino é o resgatador do seu povo (4.14), resgatou o sentido da vida para Noemi. A profecia de Isaias (9.1-5a) se cumprindo. Mas não é o novo Messias, não é o novo Davi, seu nome é Obed (servo), e tem como serviço preparar “a vinda do Messias, pois ele é avô de Davi” (p.73). Do serviço de Rute e Booz, surgiu o resgate do povo, outra profecia de Isaias se realizando (Is 42.1-4). A missão do menino Obed que nasceu está na profecia do Servo em Is 42.6-7. “Prestando este serviço, Obed fará com que o povo volte a viver como povo de Deus e fará renascer do meio do povo a antiga profissão de fé que dizia: Elimelec!, isto é, MEU DEUS É REI!” (p.75)

CONCLUSÃO – MUTIRÃO DA MEMÓRIA

Na Conclusão do livro, o autor Carlos Mesters indica-nos alguns pro-cedimentos para que possamos relembrar os estudos acerca do livro de Rute, sempre estabelecendo conexões com o contexto atual.

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