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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Wesley e o povo chamado metodista - Cap 3

CAPÍTULO 3
O reavivamento começa

O reavivamento evangélico inglês fez parte de um mover do Espírito ao redo do mundo, que fizeram parte os pietistas alemães, os despertamentos americano, em Gales e na Escócia, e desde 1670 pequenos grupos já tenta-vam ter um reavivamento espiritual dentro da Igreja da Inglaterra.
João Wesley não foi o primeiro a ter uma experiência evangélica, ao mesmo tempo, Whitefield era o pregador mais vibrante, porém Wesley amplia-va seus contatos com socidades religiosas ao sul da Inglaterra e expandia sua forma de organização.
Alguma tensões entre Wesley e Whitefield já ocorriam, mas Whitefield sempre recebia as censuras de Wesley com “palavras de agradecimento e lou-vor” (p. 98)

O reavivamento em Bristol

Bristol, em 1739, era uma pequena cidade em crescimento rodeada por minas de carvão, sendo o principal porto comercial com a América do Norte e com as Índias Ocidentais.
Em um primeiro momento, Wesley estranhou como as pregações de Whitefield eram feitas por lá, ao ar livre, mas também o fez. Inicialmente, o nú-mero de participantes de suas pregações ao ar livre variavam de um a sete mil pessoas, mas também se encontrava com as sociedades e continuava a pregar em igrejas paroquiais da região, na “capela da prisão de Newgate e no asilo Lawford´s Gate” (p.99).
João Wesley, para pregar ao ar livre, utilizava cemitérios, praças de mercado, embaixo de árvores, escavações das minas, em cima de muros, re-gistrando, no seu “primeiro mês na região de Bristol (...) 47500 e com uma mé-dia de cerca de 3000 pessoas em cada reunião” (p.100). em torno de cinco meses, Wesley estava pregando para multidões de doze mil a vinte mil pesso-as, um número notável mesmo Wesley não sendo tão conhecido, na época, como George Whitefield, que pregava para até trinta mil pessoas.
Wesley continuava diariamente a participar das sociedades, providen-ciando regras para as bands. Inclusive registrou que a “maioria das vezes que as pessoas receberam a ‘remissão’ dos pecados ou foram ‘confortadas’” (p. 100) foi nessas pequenas reuniões, não nos grandes cultos ao ar livre.
Essas atividades foram consideradas incursões inconvenientes pelo clero local, atacando Whitefield e Wesley via imprensa. “Era difícil atingir a am-bos com o mesmo palavreado teológico, visto que Wesley divergia fortemente do calvinismo de Whitefield” (p.101). João pregava frequentemente um sermão sobre a “Livre Graça” (baseado em Rm 8.32), pois acreditava na expiação uni-versal e na perfeição cristã. Em resposta ao clero local, Wesley declarou no-vamente “eu encaro o mundo como minha paróquia” (p.102), sendo este o fun-damento para a itinerância metodista: “Deus determina a oportunidade da mis-são e da pregação” (p.102).
Este novo período, em Bristol, na vida de João e Carlos Wesley serviu para verem a ação do Espírito entre milhares de pessoas, e, assim, as semen-tes do reavivamento metodista começaram “a brotar sob formas as quais os Wesley não haviam sentido ou esperado anteriormente” (p. 102).

As sociedades unidas

Como as sociedades em Bristol começaram a crescer muito, duas das maiores resolveram juntar-se e construir um prédio para acomodá-las. João Wesley contribuiu financeiramente e assumiu o controle administrativo. Esse grupo começou a ser chamado por Wesley de “Sociedade Unida”, e, após o término do novo prédio, este passou a ser referido como “Salão Novo”.
Muitas bands proliferavam, que eram grupos menores, de cinco a dez pessoas, divididas por sexo e estado civil, para permitir, assim, “um grau mais alto de abertura e franqueza dentro do band” (p.104). Todo participante de uma band, participava de uma sociedade. Para Wesley, a mudança do crente devia ser uma preocupação diária, não algo que acontece somente uma vez. Assim começava a traçar a relação entre justificação e santificação.
Neste mesmo período, Wesley construiu uma escola próxima às insta-lações de minas de carvão de Kingswood. Nesta escola havia um convite aos estudantes de todas as idades, além de um grande espaço para pregação e acomodações para dois professores. Wesley preocupava-se particularmente em não apenas ensinar crianças a lerem, escreverem e fazerem contas, mas antes conhecerem a Deus e a Jesus Cristo.
O ministério de Wesley, desde que as atividades “estivessem de acor-do com a visão bíblica do cristianismo” (p. 106), era sem limites para que pu-desse ajudar as pessoas a serem salvas.

Disputas com calvinistas e morávios

Nesta época do grande reavivamento alguns associados de Wesley não concordavam sobre a responsabilidade humana na busca pela santidade. Alguns da Sociedade Fetter Lane, encorajado por James Hutton, que era incli-nado a uma influência morávia, foram convencidos por Philip Henry Molther que não possuíam a “verdadeira religião” (p.106) e descontinuaram os meios da graça e as obras de piedade, pois deviam permanecer quietos diante do Senhor até terem a verdadeira fé em Cristo, inclusive abstendo-se da Ceia do Senhor. Essa linha de pensamento era contrário à de Wesley que considerava a sola fide – que “cancelava as obras de piedade e misericórdia”, ou antilega-lismo ou antinomianismo – “era um sério desafio à vida cristã, como era a dou-trina da predestinação e sua crença decorrente, a da perseverança dos santos (‘uma vez salvo, sempre salvo’)” (p.106), embora também depreciasse a idéia de que uma pessoa podia usar dos meios da graça e fazer o bem e, mesmo assim, não possuir a verdadeira religião. Para ele, a base da perfeição cristã era tríplice, sendo a justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo o centro da ex-periência religiosa e a ênfase dava-se no amor de Deus derramado no coração pelo Espírito Santo.
Wesley e Whitefield também tinham sérias divergências teológicas concentradas em dois pontos: doutrinas relacionadas à predestinação e à justi-ça imputada. Whitefield
aceitava a crença dos calvinistas de que uma pessoa verdadeira-mente justificada por Deus perseveraria na fé até o fim – não havia nada parecido com recaída entre os verdadeiros crentes. Sobre a justificação, Whitefield concordava com a idéia calvinista de que a-penas a justiça de Cristo é imputada a nós para a nossa salvação, e que não temos justiça a não ser a de Cristo. Wesley estava ficando convencido que a atividade de Deus em Cristo, embora a causa de nossa salvação, era apenas parte do quadro; a atividade de Deus em nós era também importante, de modo que a fé que temos, em nós, pela graça de Deus (‘uma confiança real que o homem tem de que Cristo o amou e morreu por ele’) era a condição exigida para nossa salvação. E essa fé resultaria em uma verdadeira mudança no crente, onde, pela graça de Deus, a justiça de Cristo seria concedida à pessoa, que não apenas seria tida como justa mas se tornaria justa (santificada ou santa) (p.107)

As disputas entre ambos continuaram mesmo quando Whitefield foi pa-ra a América, correspondendo-se por cartas, ampliando-se as controvérsias sobre predestinação e perfeição até virarem uma grande guerra de panfletos na Inglaterra.
Nesse período começou a aparecer um modelo conexional de organi-zação nas atividades de Wesley, com Conferências anuais e trimestrais.

Divisões e a Sociedade Unida em Londres

Em novembro de 1739, João Wesley iniciou a aquisição de uma antiga fundião real para canhões, que, inclusive, necessitava de reformas. O processo de aquisição e reformas terminou em meados de abril de 1740, quando organi-zou-se a Sociedade da Fundição, inclusive com alguns membros da Sociedade Fetter Lane que estavam se associando a Wesley. Na Fundição, João e Carlos Wesley eram os pregadores mais constantes. E haviam os cultos com prega-ções, que eram diferentes das reuniões, pois nem todas as reuniões incluíam a pregação, tendo conversações religiosas.
Os Wesley acabaram se separando da Sociedade Fetter Lane, que ambos consideravam-na uma "pobre, confusa e abalada sociedade" (p.111), quando Hutton adquiriu uma capela. Em uma festa de amor, Wesley leu um comunicado dizerndo ser totalmente contrário aos erros que a Sociedade vinha cometendo e despediu-se, convidando àqueles que queriam acompanhá-lo. A Sociedade da Fundição passara de doze a trezentos membros.
Com o crescimento das sociedades houve a necessidade da assistên-cia de pregadores leigos. Entre eles estava Thomas Maxfield, que, quando Jo-ão Wesley descobriu, achou a prática uma irregularidade e protestou. A mãe de João, Susanna advertiu-o "(...) ele certamente foi chamado por Deus para pre-gar, como você o foi. Examine quais são os frutos de sua pregação e também vá ouví-lo" (p.115). Após ouvir Maxfield pregar, João disse: "É o Senhor, deixe-o fazer o que lhe parecer melhor" (PROCEEDS OF THE WESLEY HISTORI-CAL SOCIETY, BURNLEY & CHESTER, 1898, 27:8 apud HEITZENRATER, 2006, p.115). Já Carlos era contrário à pregação leiga.

Classes e líderes

Dentro da organização das sociedades wesleyanas, principalmente das Sociedades Unidas do Salão Novo, em Bristol, e da Sociedade da Fundi-ção, em Londres, havia pequenos bands de cinco a dez pessoas, além de bands seletos de pessoas com uma vida exemplar. Para resolver dois proble-mas - o pagamento das dívidas do Salão Novo e um grupo para pessoas que não pertenciam a um band - subdividiram-nas em classes compostas por cerca de dez pessoas com um líder determinado, sendo este como um guia espiritual de seu grupo. As classes eram divididas geograficamente e continham todas as pessoas das sociedades. João Wesley costumava se reunir semanalmente com os líderes, o que facilitou conhecer os membros das sociedades, que pas-sava de mil membros (só a da Fundição), podendo, assim, supervisionar pasto-ralmente e aplicar disciplina quando necessário.

As disputas continuam

A tensão entre Whitefield, "o principal líder calvinista entre os reaviva-listas evangélicos" (p.120), e João Wesley crescia abruptamente. Wesley cada vez mais pregava, publicava e correspondia-se com os jovens pressionando contra a predestinação, devido aos perigos do antinomianismo. Em 1741, Whi-tefield publicou uma carta atacando Wesley e distribui-a secretamente na porta da Fundição. Wesley, por sua vez, pegou uma das cópias e "disse a congrega-ção o que pensava sobre ela, e rasgou a publicação diante de seus olhos, pe-dindo aos outros que fizessem o mesmo" (p.121). Instaurou-se uma batalha. Nas respostas de Wesley, publicou grandes edições (um total de seis mil có-pias aproximadamente) de tratados contra a predestinação. Estes eventos chamaram a atenção do bispo Edmund Gibson, de Londres, que os chamou para as devidas explicações. Após as explicações, o bispo disse à João: "Sr. Wesley, se isso é tudo o que o Sr. quer dizer, publique para o mundo" (p.121). Assim, Wesley publicou o sermão "Perfeição Cristã", um grande decreto contra os calvinistas.
Wesley também teve problemas com alguns pregadores leigos que acabaram se juntando aos calvinistas ou aos morávios.

A missão do metodismo

Uma grande preocupação dos metodistas, desde seu começo em Ox-ford, era com os mais necessitados. Ajudavam os pobres, criaram escolas, promoviam sermões de caridade para levantar fundos, visitavam enfermos, forneciam lã e materiais para usarem ou venderem, levavam alimentos, educa-vam crianças nos albergues, visitavam presos, e muitas vezes pregavam para a multidão que assistia às execuções.
Quem administrava os fundos arrecadados eram os stewards.

Defesa e apologia

Wesley enfrentou muitas disputas teológicas, mas sempre argumenta-va que o metodismo não era um esquema especial com idéias particulares de religião, e sim práticas comuns aos grandes segmentos do cristianismo, ou se-ja, amar a Deus e ao próximo, sendo assim, o metodismo é "simplesmente '-cristianismo genuíno'" (p.129), com grande interesse na unidade, e exibe seus frutos mediante a virtude e na felicidade.
Assim Wesley desenvolve sua epistemologia religiosa e deduz empiri-camente a relação entre fé e a razão.
Neste período os metodistas foram acusados de causar divisão na I-greja da Inglaterra, o que foi veemente negado por João Wesley. Essas acusa-ções acabaram causando motins contra os metodistas, chegando a apedreja-mentos e violência extremada. Um tumulto descrito por Wesley narra sendo ele arrastado pelos cabelos, debaixo de pesada chuva, e os golpes que recebera, relata João, não lhe causaram dor alguma, ocasião que ele comentou que ago-ra já sabia como os mártires cristãos primitivos enfrentaram chamas sem senti-rem dores, pois ele mesmo fora divinamente protegido.

A ampliação da paróquia

Saindo do eixo Londres-Bristol, Wesley também pregou em Gales, na parte central da Inglaterra (Midlands), e também mais ao norte, como em York-shire e Newcastle.
Com o crescimento, para evitar maiores desordens, Wesley criou as Regras Gerais das Sociedades Unidas, tendo Carlos como examinador mais rigoroso que João.

A rede cresce

Através de suas várias viagens pela Inglaterra, Wesley foi mantendo e conhecendo vários novos contatos, e essa itinerância de Wesley espalhou o metodismo, consolidando uma "rede de conhecidos entre si em uma 'conexão' das sociedades espalhadas em distritos pelo país" (p.140), sendo o próprio Jo-ão o elo dessa conexão, incluindo a Igreja da Inglaterra.
Para atender as necessidades dos metodistas em Londres que eram proibidos ou não conseguiam comparecer à Ceia do Senhor, João arrendou uma antiga capelo huguenote em desuso para poder celebrar a Ceia tranqui-lamente. Além disso, adquiriu uma casa de pregação próxima ao Tâmisa.

A controvérsia e a conferência

Como nem todos os reavivalistas se preocupavam com a lealdade à Igreja da Inglaterra, inclinados à dissensão, João Wesley convocou e presidiu uma conferência com os líderes do reavivamento em 1743 para diminuir as tensões que fragmentavam ao reavivamento. Nesta primeira conferência, mo-rávios e calvinistas não compareceram, e no ano seguinte, em nova conferên-cia, alguns destes apareceram. Não eram seus líderes e sim alguns, tanto lei-gos como clérigos, que se comprometeram com a liderança de Wesley.
Na primeira, dirigiu-se aos predestinacionistas, na segunda à Igreja Morávia na Inglaterra, abrindo algumas concessões e também exigindo algu-mas mudanças doutrinárias, tudo para vencer as divisões. Nesta segunda con-ferência, as doutrinas elaboradas por wesley foram aceitas, o antinomianismo foi censurado e definiu-se a santificação. Os metodistas declaravam firmemen-te de que não tinham a intensão de separarem-se da Igreja da Inglaterra, além de definirem a estrutura organizacional e logística do movimento e das socie-dades. Descartaram a união com os morávios, qualificando como “uma causa perdida” (p.145) e se Whitefield se dispusesse, unir-se-iam à ele. Planejaram reuniões trimestrais ao longo do triângulo de itinerância (Newcastle, Bristol e Londres).
“O movimento metodista havia atingido maioridade e os Wesley havi-am assumido um firme controle de seu futuro” (p.146) com planos para o seu crescimento.

HEITZENRATER, R. 2006, EDITEO

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cristianismo e Educação

Será que é tão difícil para as pessoas que se dizem cristãs perceberam a íntima relação entre o cristianismo que elas professam e a educação (aquela chamada, pelo senso comum, educação entre as pessoas mesmo, as boas maneiras). Quando vamos a um mega evento cristão (ou apenas mercadologicamente cristão, que pensa apenas no segmento de mercado) constatamos a total falta de educação dos crentes. Um empurrando o outro, sendo grosseiros uns com os outros e não enxergam as necessidades alheias. Um otimo exemplo temos na ExpoCristã. Uma minoria pede licença, desculpas, obrigado e outras formalidades tão importantes na nossa sociedade e, principalmente, em se tratando de pessoas que, supostamente, creem em um evangelho relacional. Cristianismo sem boas maneiras não é cristianismo. As pessoas querem milagres, mas não querem se relacionar, não querem despir-se do Eu individualista.
Também, enquanto pregarem um Jesus fragmentado, pregarem uma Bíblia fragmentada e descontextualizada, seremos sempre oprimidos e alienados, e nunca libertos.

Acho que o maior milagre é a tolerância!

bom, só um devaneio... dentre tantos outros que começam a surgir... com mais tempo falaremos a respeito...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Igreja cristocêntrica ou pastorcêntrica?

Igreja cristocêntrica ou pastorcêntrica?

O ministério pastoral e o sacerdócio universal

Na Igreja de Cristo, pastores e pastoras são chamados(as) a servir; os leigos e as leigas, a empregarem seus dons no exercício de ministérios. É a união de todas as pessoas, nas diversas funções, que fortalece o corpo da Igreja. A Reforma de Lutero não apenas nos lembra que podemos chegar a Deus sem intermediários, como, também, que todas as pessoas fazem parte da missão. Este é um grande privilégio e, também, uma grande responsabilidade.Dos(as) clérigos(as), espera-se que liderem com humildade e altruísmo e dos leigos(as), que assumam o compromisso com a obra do Senhor. E que cada um seja o suporte do outro, em amor (Ef.4.2).É o que nos diz o Rev. Francisco Rodés, pastor da Fraternidade das Igrejas Batistas de Cuba, em artigo publicado na revista Signos de Vida, do Conselho Latinoamericano de Igrejas, CLAI (nº 41), que reproduzimos parcialmente a seguir.

Durante a Idade Média havia se solidificado a separação: de um lado o religioso, dedicado ao culto e à oração; de outro, o secular, ocupado nas tarefas mundanas. A esta separação correspondia uma teologia que fazia distinção entre o material e o espiritual. Enquanto uns estavam num nível inferior --- dedicados a questões temporais e imperfeitas; outros, num nível superior, na esfera das coisas eternas e santas. Daí se conclui que essa diferenciação fazia a uns dependentes dos outros no que diz respeito ao acesso aos símbolos religiosos. Uns eram clientes dos serviços religiosos, outros eram provedores, administradores exclusivos dos favores divinos. Aí está a raiz do grande poder da Igreja na Idade Média, poder que chegou a influir em todas as esferas da vida política e cultural de forma determinante.

Lutero deu um passo decisivo ao deixar a Ordem dos Agostinianos, ao se casar com Catarina e renunciar à sua condição clerical e, mais tarde, ao negar os sacramentos à exceção do batismo e a comunhão. Já não temos outro mediador além de Jesus Cristo para estabelecer nosso relacionamento com Deus, afirmava Lutero. Portanto, não necessitamos de sacerdotes. Outro dos grandes líderes da Reforma, Calvino (que era leigo) elaborou com mais contundência teológica a doutrina do sacerdócio acessível a todos os crentes, sem distinção, fazendo com que as atividades manuais, como a de um simples sapateiro, possam se converter em um serviço a Deus. É o que ele chamou de “santificação da vida cotidiana”. Desde então, todos os evangélicos repetimos com certo orgulho este princípio protestante do sacerdócio universal de todos os crentes.

Ressurge o clericalismo protestante

Contudo, uma coisa é o que expressa a doutrina e outra o que se experimenta na vida real. Na verdade, o clericalismo não morreu: sobreviveu sobre outras bases. Abriu-se uma nova fonte de serviços à religiosidade, a dos dispensadores da doutrina correta, a dos que manejam a arte de pregar a Bíblia e animar a fé. O conhecimento da Bíblia requeria dedicação, estudos em seminários e universidades. O ministro protestante recupera muito da auréola de santidade do antigo sacerdote; sua autoridade se estabelece nas novas estruturas das igrejas, que são controladas pelos novos clérigos, e o sacerdócio universal dos crentes converte-se em outra página borrada do ideário protestante.

Naturalmente não há nada contra o profissionalismo. Afinal, todo o desenvolvimento nos campos da cultura e do saber ocorre como resultado da consagração, em áreas específicas, de pessoas com vocação. A Igreja necessita de profissionais, de músicos, de teólogos, de professores e pregadores, e damos graças a Deus por essas pessoas. O problema consiste no exercício do poder na igreja, quando por conhecer um pouco mais de teologia ou ter mais habilidade para falar em público, exercemos estes dons não para servir, mas para erigirmos uma autoridade controladora sobre os demais. Assim surgem as igrejas pastorcêntricas.

Que são as igrejas pastorcêntricas?

São as igrejas nas quais as decisões emanam da autoridade do pastor. Os membros acostumaram-se tanto a que a voz de Deus seja ouvida apenas do púlpito, que lhes parece um sacrilégio diferir das idéias de seu pastor ou pastora. Seria como uma deslealdade, um pecado grave não estar de acordo com ele ou ela. Em muitos casos, o(a) pastor(a) que se vê a si mesmo(a) como revestido(a) de uma unção exclusiva, sente-se tão afagado pelo aplauso da congregação, que se desenvolvem imperceptivelmente ostraços de egocentrismo que conduzem ao autoritarismo. Estes são os resquícios da antiga separação entre clérigos e leigos, alimentados pela própria tradição da Igreja. Isto o escreve quem tem sido pastor por mais de quarenta anos, pelo que o faço sem vontade de denegrir um chamamento que reconheço como divino e uma vocação que viverei até o último dia da minha vida.

Não é estranho, então, que a linguagem mais espiritual, a voz mais carregada de bendição converta-se em disfarçada manipulação aos demais para impor critérios próprios. E tudo ocorre em uma atmosfera de piedade e devoção.

Os pastores(as) assim transformados por este autoritarismo começam a falar de “minha igreja”, “meus membros”, “eu não permito em minha igreja”, “tenho um membro”, como se a igreja fosse de sua propriedade.

O modelo cristocêntrico de Igreja

Isso dista muito do modelo cristocêntrico de Igreja no qual Cristo é o cabeça, a autoridade, e os membros do corpo, todos iguais na importância, contribuem cada um com seu dom para o crescimento de todo o organismo. Paulo nos adverte que “o corpo não é um só membro, mas muitos” (1 Coríntios 12.14). (...)

Um texto em que se baseia uma saudável eclesiologia é Efésios 4.11-12. “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo (...).” Estes diferentes serviços oferecidos pelos pastores(as), evangelistas, etc., aperfeiçoam os “santos”, a igreja toda, para a obra do ministério. Quer dizer, estes dons não são para auto-engrandecimento, mas para ajudar uma igreja conscientee preparada em seu ministério. A Igreja é protagonista principal, o corpo de Cristo, tem uma missão de Deus no mundo.

Por isso é tão importante uma tomada de consciência dos mecanismos psicológicos e inconscientes pelos quais uma pessoa institui para si um poder controlador sobre uma comunidade crente. Porque, então, o sacerdócio universal de todos os crentes não passa de um slogan sem validade prática alguma. Uma igreja na qual a congregação não tem voz própria, que não faz mais que repetir a de seu pastor, e o dizemos com todo o respeito, é uma comunidade pobre, imatura e dependente. O modelo bíblico é o de uma comunidade participativa, rica em aceitação da diversidade de critérios e personalidades e unida pelo espírito de amor e de paz que nos ensinou nosso Mestre, quem, como sabemos não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida pelos perdidos.

Novos modelos participativos

A raiz de tudo o que vimos discutindo tem que ver com a questão prática de como se tomam as decisões na comunidade crente. (...) Todos os membros têm a mesma possibilidade de ser ouvidos, inclusive os mais recentes, os mais jovens, os mais humildes? Penso que o que Jesus fez levando um menino no meio do grupo de discípulos foi nos mostrar um novo modelo de comunidade. Um menino carece de poder, de autoridade, de experiência. Porém, nele também há a sabedoria de Deus e a disposição para aprender que os mistérios de Deus somente Ele pode concedê-los. Uma igreja evangélica na tradição da Reforma deve aprender a por o menino no centro, e a abrir-se ao que Deus fala na comunidade. Este é o verdadeiro sentido do sacerdócio universal de todos os crentes.

Francisco Rodés

Não fazemos qualquer negócio

Não fazemos qualquer negócio


É mera repetição dizer que vivemos sobre a influência do mercado. Num dia desses assisti pela televisão uma reportagem sobre pais que remuneram os filhos para os pequenos serviços da casa – arrumar a cama, preparar a refeição, limpar o quarto e coisas afins. Segundo eles, esta prática desperta as crianças para a vida, à dinâmica do receber proporcionalmente pelo que se faz, do ganho e da perda.

O mercado permeia a vida. Dentro e fora de casa, vivemos como vítimas de suas tensões. De certa maneira, estamos cotados, diariamente, como que numa bolsa de valores, que pesa, remunera e cobra tudo o que fazemos.

Entre créditos e débitos, existem poderes que nos regem… se temos, exigimos, se devemos, lamentamos. “Quem tem mais, chora menos”… esta é a lei. Isto nos confunde como um todo, inclusive nossa devoção.

A religião em tempos pós-modernos serve como moeda de domínio e, pasmem, inclusive de Deus. Quem tem muita fé, obrigatoriamente precisa ter resultados, porque a “fé de mercado” é regulamentada por certas normas, por exemplo: que quem “paga o preço”, exige. Se a pessoa paga a Deus seus débitos – orando, jejuando e participando de reuniões – ela tem o “direito” de alguns favores; afinal, o mercado se caracteriza por troca.A nova lógica é que o/a “crente” acumula saldos diante do Altíssimo e, no devido tempo, cobra.

O que coloca em cheque esse mercado da fé são as provações. Diante delas, geralmente as pessoas encontram duas saídas: considerá-las como pecado – débito – ou como ameaça da concorrência – o diabo.

Os imprevistos, na lógica do mercado, devem ser previstos. Mas na vida, e de forma mais evidente, na fé, existem causas imprevistas e inexplicáveis, não processáveis pela cartilha da “fé de troca”, de direitos adquiridos.

Quando fatos naturais a qualquer pessoa – afinal, segundo o próprio Cristo, Deus “… faz o sol nascer sobre maus e bons” (Mt 5.45) – surpreende os alicerces dessa fé que só vive por decretos e exigências, a “bolsa quebra” e os argumentos faltam.

Talvez nesta hora seja necessário evocar o drama de Paulo, que admitiu ter um espinho incurável, a amargura de Jó, que viu sua vida ruir, ou mesmo a dor de Estevão diante da morte. Existem momentos em que a fé foge à razão do mercado e, ao contrário dele, conclui-se que não fazemos qualquer negócio.

Aliás, me parece que ter a noção de que não se faz qualquer negócio é a grande tônica do evangelho de Cristo. Quando mais consciência disso se tem, mais força e valor – que contradição com o “evangelho” que se escreve nos tempos atuais!

A lei que contraria o mercado e nos lembra de nossa fragilidade é, no meu modo de ver, a possibilidade da dependência, da humildade, da disposição de andar segundas, terceiras milhas. Parece-me que é assim que nos livramos da arrogância do mais forte, do determinismo do intolerante, do devaneio do autoritário.

Quando leio sobre o Cristo da cruz e me lembro do mercado, fico em crise. Porque um me leva para o auto-sacrifício, o outro para a queda de braços, um me remete ao oferecimento, o outro para o ganho próprio… um para os outros, o outro, para mim mesmo.

Lamento que o mercado venha abarcando nossa vida de maneira tão poderosa e que não existam muitas esperanças de evitá-lo. Espero que a fé volte logo para a cruz e que voltemos a ser uma contracultura, tal como eram nossos pais… que voltemos a ter, novamente, nossas próprias referências… sem medo de ser sal – que mesmo em pouca quantidade, faz-se notar – e luz, que esclarece, que ilumina sem alardes. Que tenhamos pudor para não fazer qualquer negócio em nome de nossa fé.

Na graça e na paz,



Rev. Nilson da Silva Jr, pastor da Catedral Metodista de Piracicaba, SP

Discípulos de Jesus fazem piquete na marcha para o "Gizuz banqueiro de Mamon" e deixam a perua gospel nos cascos!

ver as fotos e videos em http://www.genizahvirtual.com/2009/11/discipulos-de-jesus-fazem-piquete-na.html#comment-form


Discípulos de Jesus fazem piquete na marcha para o "Gizuz banqueiro de Mamon" e deixam a perua gospel nos cascos!

Vera Siqueira



A imagem acima é do que restou de uma das duas faixas que foram estendidas durante a Marcha para Gezuiz. Terminou o dia rasgada, manchada, amassada, mas cumpriu o seu papel para a glória do Senhor.

Vamos ao início, senta que lá vem a história deste dia! (desculpem-me pela falta de fotos e de qualidade dos vídeos, mas minha câmera digital ainda está sob o impacto da “unchão” da Expomamom e não funcionou de novo hoje).

A primeira grande batalha contra os gigantes aconteceu na estação de metrô Sé, onde embarcamos rumo ao metrô Tiradentes. Parecia o apocalipse!!! A estação lotada como nunca vi, além do grito de guerra ensurdecedor dos fiéis, a maioria jovens, mas também muitas crianças – inclusive de colo. Na hora de embarcar no vagão não houve escolha, fomos literalmente empurrados para dentro. Todo o mundo queria entrar junto e ao mesmo tempo, parece que ninguém conhecia aquela lei da física onde dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Enfim entramos, mas ainda restava sair de lá.

A saída do vagão foi outra luta. Também fomos empurrados para fora (se alguém caísse com certeza seria pisoteado sem dó), e ouvi de um senhor idoso uma frase que expressou bem tudo aquilo: “Quanta selvageria!”

Subir a escada e chegar até as catracas foi mais uma luta, e sair da estação, só pela misericórdia. Mas saímos, e lá fora nos encontramos com os outros protestantes: o Júlio Cesar, a Maíra, o Diogo (que deixou sua filhinha recém-nascida e sua esposa na maternidade para participar), o Vitor Cid, o Laudinei e o Pablo (que filmou todo o movimento, fazendo entrevistas, e que editará tudo num documentário que disponibilizará ainda nessa semana). No total, éramos 8 contra um exército de cerca de 1,5 milhão de pessoas.

Estávamos na “concentração” da Marcha. De um lado, o trio-elétrico do Apóstolo Hernandes, com figuras como o Senador Crivella, o Pr. Marco Feliciano e o Pr. Jabes de Alencar. Do outro, uma van da Rede Gospel. E onde estávamos, uma equipe da Rede Gospel filmando os fiéis. Claro, estendemos nossa faixa bem na frente da filmagem, e isso suscitou gritos de “vocês são da Globo?”, “fora Rede Globo”, e vários braços levantados no intuito de esconder a faixa. Já estávamos incomodando.





E a Marcha começou. Ficamos estrategicamente esperando a passagem do primeiro trio, o dos Hernandes. Foi lindo ver o Apóstolo olhando fixamente para nossas faixas e o cartaz do Júlio (vai ver, a princípio pensou que fosse alguma expressão de puxa-saquismo), e depois se voltar para o resto da multidão. Não só o Apóstolo, mas todos do trio puderam ler as faixas. E passamos a marchar atrás do trio-elétrico, em meio à multidão.

Durante a caminhada recebemos manifestações de todos os tipos. Meu marido ganhou uma rasteira gospel, jogaram água na gente, jogaram garrafas que acertaram as faixas e as rasgaram, porém sem grandes danos. Pensei que fôssemos receber sapatadas, mas os mais apostólicos não foram tão doidos assim.




Uma das situações mais inusitadas aconteceu com o Diogo. Como já disse, ele é "recém-papai". Não é que lançaram contra ele uma frauda, e USADA???? Gente, foi um ato profético!!! Sorte que o Diogo estava esperto, senão voltaria com outras marcas do evento.

Também recebemos muitas manifestações de apoio. Um rapaz perguntou onde poderia comprar a camiseta, pessoas vieram nos parabenizar pelas frases e pelo protesto. Por incrível que pareça, havia vida pensante naquele lugar.

Já havíamos andado por volta de 13:30h, quando nosso grupo se dividiu por conta das entrevistas que o Pablo estava fazendo. Quem estava na frente parou num canto da rua até que os demais chegassem. Santa providência!!! Era um local onde havia um canteiro cheio de terra, um lugar mais alto. Subimos nesse canteiro e estendemos nossas faixas, e de lá toda a Marcha pode nos ver, tipo desfile de escola de samba passando na frente da comissão julgadora (o exemplo parece estranho mas não é, as músicas que tocavam na Marcha iam do sambão ao axé-quase-funk-gospel). E aí a coisa pegou.

Depois do trio dos Hernandes, passou um segundo trio. Esse tinha um bispo da Renascer no microfone. Quando ele passou por nós, leu nossa faixa: “Voltemos ao Evangelho puro e simples”, mas não leu a segunda frase (o $how tem que parar) por motivos óbvios. Esse trio passou no clima de oba-oba, mas as pessoas que vinham atrás começaram as manifestações contrárias, com longas vaias à nossa atitude.

O terceiro trio a passar, quando leu nossas faixas, ficou indignado!!! “Quem tá fazendo $how aqui? Que $how que nada!”. E puxou o grito de guerra contra nós, repetido por todos os marchadores: “fariseu, fariseu, fariseu”. Os apostólicos mais exaltados jogaram mais água na gente, o que agradecíamos de coração, pois o calor estava insuportável – o sol estava a pino e nossas camisetas pretas não ajudavam nem um pouco. Os gritos iam mudando com o passar do tempo: “uuuuhhhhh!”, “ih, fora! Ih, fora!”, “vão fazer a marcha de vocês”, “seus hereges”. Tivemos componentes chamados de “Judas” e de tudo quanto é nome.



Passaram o quarto, quinto, sexto trios, e as manifestações contrárias se repetindo. Uma mulher gritou “nós somos do dinheiro mesmo!”. Uma bispa num trio-elétrico disse para rasgarem as faixas, mas alguém do lado dela fez sinal para que não fizessem isso. Teve gente inclusive que se indignava quando lia o versículo em nossa camiseta, como se aquilo não existisse na Bíblia deles. Mas houve também quem concordasse conosco – até tiraram foto com a gente. Algumas pessoas vieram conversar, interessados no movimento. Não só nós achamos que o $how tem que parar.

Também fomos abordados por veículos de imprensa. Repórteres da Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo entrevistaram integrantes do protesto. Éramos apenas 8, mas Deus não nos fez invisíveis naquele lugar.



Enfim, toda a multidão passou por nós. Nossas camisetas foram muito fotografadas, mas também fomos bastante insultados. Particularmente eu estava muito feliz e triste ao mesmo tempo: feliz pela oportunidade que Deus me deu de estar ali com os irmãos, defendendo o Evangelho de Cristo; triste por ver uma multidão tão grande de pessoas, que se acham salvas por terem um dia confessado Jesus como seu Senhor e Salvador, mas que O trocam, por ignorância ou mesmo ambição, pelos ídolos de pedra e de carne e osso, que se alternariam em discursos no palco final da Marcha. Não fomos lá, pois consideramos que poderia soar como uma provocação da nossa parte, e em meio à multidão ninguém sabe o que poderia ocorrer.

Mas glória a Deus, pois a missão foi cumprida. Sinceramente não esperávamos nem metade da repercussão que o movimento obteve, e por isso glorificamos sinceramente a Deus por nos ter colocado naquele lugar. Sabemos que muitos dos que nos insultaram o fizeram por terem lido as mensagens das faixas e das camisetas, e sabemos também que no tempo certo o Espírito Santo de Deus trará essas mensagens à memória e os levará a buscarem e a compreenderem a verdade do Evangelho de Cristo. Infelizmente isso não acontecerá com todos, afinal a porta é estreita e as vantagens desse mundo seduzem muitos corações, mas aqueles que estão no engano por ignorância, esses serão trazidos à luz pelo Senhor.

Sinceramente? É muito bom servir a Deus, mesmo que isso signifique ser odiado pelos homens. Como diria o Apóstolo (de verdade) Pedro:


"Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" - Atos 5.29


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Vera Siqueira é editora do ótimo blog Uma Estrangeira no Mundo. Visite!
Também do Pulpito Cristão.
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