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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os Meios da Graça, por John Wesley

"Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai vós para mim; e eu tornarei para vós , diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis:em que havemos de tornar?". (Malaquias 3:7)

I. Existem agora quaisquer ordenanças, desde que a vida e a imortalidade foram trazidas à luz do Evangelho?

II. Existem alguns meios da graça?

III. Todos os que desejam a graça de Deus deverão esperar por ela, nos meios que Ele tem ordenado?

IV. Tão claramente quanto Deus tem apontado os meios, os homens têm se colocado contra eles. javascript:void(0)

I

(1) Mas existem algumas ordenanças agora, desde que a vida e a imortalidade foram trazidas à luz pelo Evangelho? Existem, debaixo dos desígnios cristãos, alguns meios ordenados de Deus, como canais usuais de sua graça? Esta questão nunca pôde ser proposta, em uma igreja apostólica, a menos, por alguém que, abertamente, se declarou ser um pagão; todo o corpo cristão está de acordo que Cristo tem ordenado alguns meios exteriores, para transmitir sua graça às almas dos homens. A constante prática deles coloca isto além de toda disputa; já que, por quanto tempo, 'todos que criam estavam juntos, e tinham todas as coisas em comum'. (Atos 2:44), 'eles perseveraram na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações'. (Atos 2:42)

(2) Mas, no processo do tempo, quando 'o amor de muitos se tornou frio'; alguns começaram a confundir os meios pelos fins; e a colocar a religião, antes, fazendo aquelas obras exteriores, do que um coração renovado, na busca da imagem de Deus. Eles esqueceram que 'a finalidade' de todo 'mandamento é o amor, com um coração puro', com 'uma fé genuína'; o amor deles para com o Senhor, seu Deus, com todos os seus corações e ao próximo, como a si mesmos; e sendo purificados do orgulho, raiva, e desejo diabólico, pela 'fé da ação de Deus'. Outros pareceram imaginar que, embora a religião não consistisse praticamente desses meios exteriores, ainda assim, havia alguma coisa neles, da qual Deus tinha se agradado: alguma coisa que ainda os faria aceitáveis à sua vista, embora eles não fossem na exata medida da lei, justiça, misericórdia e amor de Deus.

(3) É evidente que, naqueles que abusaram deles desse modo, não se conduziram para a finalidade, para o qual tinham sido ordenados: antes, as coisas que teriam sido para a saúde deles, foram para eles ocasião de queda. Eles estavam tão distantes de receber qualquer benção, nesse sentido, que eles apenas lançaram uma maldição sobre suas cabeças; tão longe de se desenvolverem mais puros, no coração e vida, que eles duplicaram mais os filhos do inferno, do que antes. Outros, percebendo claramente que esses meios não conduziriam a graça divina, para esses filhos do diabo, começaram, desse caso particular, a esboçar uma conclusão geral: a de que eles não eram os meios de transmitir a graça de Deus.

(4) Ainda assim, o número daqueles que abusaram das ordenanças de Deus foi muito maior do que aqueles que as desprezaram; até que certos homens se levantaram, não apenas de grande entendimento (algumas vezes, junto com aprendizagem considerável), mas que igualmente pareceram ser homens de amor; experimentalmente familiarizados com a religião interior verdadeira. Alguns desses eram luzes flamejantes e brilhantes; pessoas famosas, em suas gerações, e como tais, tinham merecido o bem da igreja de Cristo, por se levantarem, na lacuna, contra o transbordamento da iniqüidade.

Não se pode supor que esses homens santos e veneráveis pretenderam alguma coisa a mais, a princípio, do que mostrar que aquela religião exterior não valia a pena, sem a religião do coração; que 'Deus é um Espírito, e eles que o adoram devem adorá-Lo, em espírito e verdade': que, por conseguinte, a adoração externa é trabalho perdido, sem um coração devotado a Deus; que as ordenanças exteriores de Deus, então, é muito benéfica, quando eles progridem, na santidade interior; mas, quando eles não progridem, são inaproveitáveis e vazias; são mais levianas do que a vaidade: que, quando elas são usadas, como se estivessem no lugar disso, elas são total abominação ao Senhor.

(5) Mesmo assim, não seria estranho, se alguns desses, estando fortemente convencidos daquela profanação horrenda das ordenanças de Deus, a qual tinha se espalhado sobre toda a igreja, e quase dirigido a religião verdadeira, para fora do mundo, — no zelo ardoroso deles, para a glória de Deus, e a recuperação de almas dessa ilusão fatal, — falassem, como se a religião exterior fosse absolutamente nada; como se não tivesse lugar na religião de Cristo. Não seria surpresa, afinal, se eles não pudessem sempre ter se expressado com suficiente precaução; de modo que os ouvintes imprudentes poderiam acreditar que eles condenaram todos os meios exteriores, como completamente improdutivos, e como não designados de Deus para serem o canal comum da transmissão da sua graça nas almas dos homens.

Além do mais, não é impossível que alguns desses homens santos, tivessem, por fim, se deixado cair nessa opinião; em particular aqueles que, não pela escolhas, mas pela providência de Deus, foram cortados de todas essas ordenanças; talvez vagueando, para cima e para baixo, tendo nenhuma habitação certa, ou habitando em tocas e cavernas da terra. Esses, experimentando a graça de Deus, em si mesmos, embora eles estivessem privados de todos os meios exteriores, poderiam deduzir que a mesma graça poderia ser dada a eles que, por firme intenção, se privaram deles.

(6) A experiência mostra como facilmente essa noção se espalha, e insinua-se dentro das mentes dos homens; especialmente, daqueles que estão totalmente acordados e fora do sono da morte, e começam a sentir o peso de seus pecados; um fardo muito pesado para ser suportado. Esses são usualmente impacientes, em seu estado presente; e, tentando toda maneira de escapar dele, eles estão sempre prontos a captar alguma coisa nova, e qualquer novo propósito de bem-estar e felicidade. Eles têm provavelmente tentado a maioria dos meios exteriores, e não encontraram nenhuma facilidade neles; pode ser mais e mais remorso, medo, tristeza e condenação. É fácil, por conseguinte, persuadir esses que é melhor para eles absterem-se desses; que é melhor para eles privarem-se de todos esses meios. Eles estão cansados de se esforçarem (como parece), em vão; de labutarem no fogo; e estão, entretanto, satisfeitos de alguma pretensão de colocar de lado, aquilo no qual suas almas não se agradam; para parar a luta dolorosa, e mergulhar na inatividade indolente.

II

(1) No discurso seguinte, eu proponho examinar mais amplamente, se existem alguns meios da graça. Por 'meios da graça', eu entendo sinais exteriores, palavras ou ações ordenadas de Deus, e designadas para essa finalidade, para serem os canais comuns, por onde Ele poderia transmitir para os homens a graça preventiva, justificada ou santificada. Eu uso essa expressão, meios da graça, porque eu não conheço outra melhor; e porque ela tem sido geralmente usada na igreja cristã, há muitos anos: em particular, por nossa própria igreja, que nos direciona a glorificar a Deus, tanto pelos meios da graça, e esperança de glória; e nos ensina que o sacramento é 'um sinal exterior da graça interior, e os meios por onde nós recebemos o mesmo'.

Os principais desses meios são as orações, se em secreto, ou com uma grande congregação; pesquisando as Escrituras (o que implica ler, ouvir, e meditar nisso); e receber a Ceia do Senhor, comer o pão e beber o vinho na lembrança Dele: E esses eu acredito são ordenado de Deus, como os canais comuns da transmissão de sua graça para as almas dos homens.

(2) Mas nós permitimos que todo o valor dos meios esteja subordinado à atual subserviência deles à finalidade da religião; para que, conseqüentemente, todos esses meios, quando separados da finalidade, sejam menos do que nada e presunção; uma vez que, se eles não conduzem verdadeiramente ao conhecimento e ao amor de Deus, não são aceitáveis à sua vista; antes, eles são uma abominação diante dele; um fedor em suas narinas; Ele está exausto de suportá-los. Acima de tudo, se eles são usados, como uma espécie de substituição para a religião, eles foram designados para servir; não é fácil encontrar as palavras para a enorme tolice e perversidade de assim virar os braços de Deus contra si mesmo; de manter o Cristianismo fora do coração daqueles mesmos meios que foram ordenados para produzi-lo.

(3) Nós permitimos, igualmente, que todos os meios exteriores, quaisquer que sejam eles, se separados do Espírito de Deus, não podem favorecer, afinal; não pode conduzir, em algum grau, tanto o conhecimento, quanto o amor de Deus. Sem controvérsia, a ajuda que é feita sobre a terra, Ele mesmo o faz. É Ele sozinho que, através de seu próprio poder onipotente, opera em nós o que é agradável às suas vistas; e todas as coisas exteriores, a menos que ele opere nelas, e, através delas, sejam meramente elementos fracos e desprezíveis. Quem quer que, por conseguinte, imagine que haja algum poder intrínseco, em alguns meios, quaisquer que sejam, erra grandemente, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Nós sabemos que não existe poder inerente algum nas palavras que são faladas na oração; nas cartas das Escrituras lidas; no som que disso é ouvido; ou no pão e no vinho, recebidos na Ceia do Senhor; mas que é Deus, tão somente, o Doador de todos os bons dons; o Autor de toda a graça; que todo o poder é Dele, por meio do qual, através de algum desses, existe alguma bênção transmitida para a nossa alma. Nós sabemos, igualmente, que ele é capaz de dar a mesma graça, embora não haja meios na face da terra. Nesse sentido, nós podemos afirmar que, com respeito a Deus, não existem tais coisas como meios; vendo que ele é igualmente capaz de operar o que quer que o agrade; através de algo, ou através de nenhum, afinal.

(4) Nós permitimos posteriormente, que o uso de todos os meios que sejam nunca resgatará um só pecado; que é tão somente o sangue de Cristo, por meio do qual, qualquer pecador pode ser reconciliado com Deus; não havendo outro sacrifício expiatório para nossos pecados; nenhuma outra fonte para o pecado e impureza. Todo crente em Cristo está profundamente convencido de que não existe mérito, a não ser Nele; que não existe mérito, em algumas de suas próprias obras; nem proferindo a oração; ou pesquisando as Escrituras; ou ouvindo a palavra de Deus; ou comendo do pão e bebendo daquela taça. De modo que ninguém mais é pretendido, pela expressão que alguns têm usado, 'Cristo é o único meio da graça', do que isto, — que Ele é a única causa meritória dela; ela não pode ser contradita, por alguém que conheça a graça de Deus.

(5) Ainda uma vez mais: Nós permitimos, embora seja uma verdade melancólica, que uma larga proporção daqueles que são chamados cristãos, até esse dia, abuse dos meios da graça para a destruição de suas almas. Isto é, sem dúvida, o caso com todos aqueles que descansam satisfeitos, na forma da religiosidade, sem o poder. Tanto eles, afetuosamente presumem que eles já são cristãos, porque eles fazem assim e assim, — embora Cristo nunca tenha sido ainda revelado em seus corações, nem o amor de Deus esparramado por todos os lados; quanto eles supõem que possam infalivelmente ser assim, tão somente, porque eles usam esses meios; sonhando impulsivamente, (embora talvez, dificilmente consciente disso), que exista alguma espécie de poder nisso, por meio do qual, mais cedo ou mais tarde (eles não sabem quando), eles irão certamente se tornar santos; ou que exista uma sorte de méritos no uso deles, que irá certamente mover Deus a dar a eles santidade, ou aceitá-los sem ela.

(6) Tão pouco eles entendem do grande fundamento de toda construção cristã: 'Pela graça sois salvos": Você é salvo de todos os pecados; de toda culpa e poder nele; você é restaurado para o favor e imagem de Deus, não por algumas obras, méritos, ou merecimentos seus, mas pela graça livre; a mera misericórdia de Deus, através dos méritos de seu bem-amado Filho: você é assim salvo, não por qualquer poder, sabedoria, ou força, que estejam em você, ou em qualquer outra criatura; mas meramente através da graça e poder do Espírito Santo que opera tudo em todos.

(7) Mas a principal questão permanece: 'Nós sabemos que essa salvação é dom e obra de Deus: mas como (alguém pode dizer que está convencido que ele não a tem) eu posso alcançar isto?'. Se você disser: 'Acredite, e você será salvo!'. Ele responde: 'Verdade; mas como eu devo acreditar?'. Você dá a resposta: 'Espere em Deus'. 'Bom; mas como eu devo esperar? Nos meios da graça, ou fora deles? Eu devo esperar pela graça de Deus que traz salvação, usando esses meios, ou deixando esses meios de lado?'.

(8) Possivelmente não pode ser concebido que a palavra de Deus possa dar nenhuma direção em tão importante ponto; ou, que o Filho de Deus, que veio dos céus por nós homens, e por nossa salvação, tenha nos deixado indecisos, com respeito às questões, nas quais nossa salvação é afligida tão de perto. E, de fato, ele não nos deixou incertos; ele nos tem mostrado o caminho no qual podemos ir. Nós temos apenas que consultar a Palavra de Deus; para inquirir o que está escrito lá; e, se nós simplesmente permanecermos, através da decisão dela, nenhuma dúvida possivelmente restará.

III

(1) De acordo com isto; de acordo com a decisão do santo escrito, todos os que desejam a graça de Deus devem esperar por ela, nos meios que ele tem ordenado; usando-os, e não os deixando de lado. Em primeiro Lugar: Todos os que desejam a graça de Deus devem esperar por ela, no caminho da oração. Essa é a direção expressa do próprio nosso Senhor. Em seu Sermão da Montanha, depois de explicar, largamente, no que a religião consiste, e descrever os principais ramos dela, ele acrescenta: 'Peça, e lhe será dado; busque, e encontrarás; bata à porta, e ela lhe será aberta: já que todos que pedem receberão; e todos que buscam encontrarão; e todos que batem à porta a terão aberta', (Mt. 7:7,8)

Aqui nós vamos, da maneira mais clara, perguntar diretamente, com o objetivo de receber, ou os meios para isso; buscar, com o objetivo de encontrar a graça de Deus; a pérola de grande valor; e bater, para continuar pedindo e buscando, se podemos entrar no seu reino.

(2) Para que nenhuma dúvida permaneça, nosso Senhor trabalha nesse ponto, de uma maneira mais peculiar. Ele apela a cada coração do homem: 'Que homem há, entre vocês, em que o filho pede pão, e ele lhe dá uma pedra? Ou, se ele pedir um peixe, lhe dá uma serpente? Se, então, vocês, sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto dera seu Pai que está nos céus'; o Pai dos anjos e homens; o Pai dos espíritos de toda carne 'dá boas coisas a eles que o pede?'. (Mt. 7:9-11). Ou, como ele mesmo afirma, em outra ocasião, incluindo todas as boas coisas em uma: 'Quanto mais o seu Pai celeste dá o Espírito Santo aos que lhe pedem?' (Lucas 11:13). Deve ser particularmente observado aqui, que as pessoas direcionadas a perguntar não tinham, então, recebido o Espírito Santo: Não obstante nosso Senhor os dirija a usar esses meios, e prometa que eles serão eficazes; que ao pedirem, eles deverão receber o Espírito Santo dele, cuja misericórdia está acima de todas as suas obras.

(3) A necessidade absoluta de usar esses meios, se nós podemos receber algum dom de Deus, mesmo que apareça posteriormente naquela passagem notável que imediatamente precede essas palavras: "E disse a eles" — para os que tinham sido justamente ensinados a como orar —, "qual de vocês terá um amigo e, se for procurá-lo, à meia-noite,pedir-lhe-á para emprestar-lhe três pães: e ele nisso responder: 'não me perturbe; eu não posso me levantar a dá-los a você'. Eu respondo que, embora ele não se levante e dê os pães, por ser seu amigo; ainda assim, por causa de sua importunidade, ele irá se levantar e irá dar a ele quantos pães ele necessitar. Por isso eu lhes digo: peça, e ser-lhe-á dado; busque, e acharás; bata, e abrir-se-lhe-á". (Lucas 11:5-9). Como pode nosso amado Senhor mais claramente declarar que nós podemos receber de Deus, por esses meios, por importunamente perguntar, o que, do contrário, não poderíamos receber, afinal?

(4) 'Ele conta também outra parábola, com essa finalidade, para que os homens devam sempre orar, e não fraquejar', até que, por esses meios, eles possam receber de Deus qualquer que seja o pedido que tenham feito:

"Havia na cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava o homem. E havia uma viúva, que foi ter com ele, dizendo: 'Faça-me justiça contra meus adversários'; e ele não o faria, por um tempo; mas, depois disse a si mesmo, 'embora eu não tema a Deus, nem respeite o homem, ainda assim para que essa viúva não me perturbe, eu irei fazer-lhe justiça, para que, pelo menos, ele não continue vindo, e me aborreça". (Lucas 18:1-5).

A aplicação disso, o próprio nosso Senhor tem feito: Ouça o que o juiz injusto disse: 'Porque ela continua a pedir; porque ela não aceitará negativa, por conseguinte, eu irei fazer justiça a ela'. E Deus não fará justiça aos seus próprios eleitos, que clamam dia e noite junto a ele? Eu digo a você que ele lhes fará justiça rapidamente, se eles orarem e não fraquejarem.

(5) A direção igualmente completa e expressa, é esperar pelas bênçãos de Deus, em orações privadas, junto com a promessa positiva de que, por esses meios, nós devemos obter o que pedimos; o que ele nos tem demonstrado em suas bem conhecidas palavras: 'Mas tu, quando orares, entra em teu quarto, e fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará abertamente'. (Mt. 6:6).

(6) Se for possível, em alguma direção, ser mais claro, é no que Deus nos tem dado, através do Apóstolo, com respeito às orações de todo tipo: públicas, ou privadas, e as bênçãos anexadas a ela: 'E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e não o lança em seu rosto; e ser-lhe-á dada' (Tiago 1:5), se eles pedirem; do contrário, 'não tereis, porque não pedis'. (Tiago 4:2).

Se, for objetado: "Mas isto não é direção para descrentes; para os que não conhecem a graça de Deus: por isso o Apóstolo acrescenta: 'Mas que ele peça na fé'; do contrário, 'que ele não pense que deva receber alguma coisa do Senhor'": Eu respondo: o significado da palavra fé, nesse lugar, é fixado pelo próprio Apóstolo, como se fosse com o propósito de prevenir essa objeção, no que se segue: 'Que ele peça na fé, em nada inconstante', em nada duvidando. Pelo contrário, acreditando que Deus ouviu suas orações, e irá realizar o desejo de seu coração.

A absurdidade mais grosseira e profana de se supor a fé, nesse lugar, a ser tomada do completo significado cristão, aparece disso: É suposto que o Espírito Santo dirija o homem, que ele sabe que não tem fé (o que aqui é denominado sabedoria), para pedi-la a Deus, com a promessa positiva de que 'ela lhe será dada', e, então, imediatamente anexada a ele; o que não acontecerá, a menos que ele tenha antes pedido por ela! Mas quem pode testemunhar tal suposição? Dessa Escritura, por conseguinte, tanto quanto das palavras citadas acima, nós podemos inferir que, todo aquele que deseja a graça de Deus deve esperar por ela, no caminho da oração.
(7) Em Segundo lugar: Todos os que desejam a graça de Deus devem esperar por ela, buscando as Escrituras. A direção de nosso Senhor, com respeito ao uso desse meio, é igualmente simples e claro. 'busquem as Escrituras', disse ele aos judeus descrentes, 'porque são elas que dão testemunho de mim'. (João 5:39). E para esta mesma finalidade, ele os dirige a buscar as Escrituras, para que eles possam acreditar nele.

A objeção de que 'este não é um mandamento, mas apenas uma afirmação, para que eles busquem as Escrituras', é a vergonhosamente fala. Eu quero que todos que estimulam isso, nos digam como um mandamento pode ser mais claramente expressado, do que nesses termos. Ele é tão categórico, quanto muitas palavras poderiam torná-lo. E que bênção de Deus atende o uso desses meios, aparece do que é registrado concernente aos Beréios; 'Estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dias nas Escrituras, se estas coisas eram assim; de sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não poucos varões' — encontrando a graça de Deus, no caminho que ele tinha ordenado (Atos 17:11-12).

É provável que, para alguns desses que tinham 'recebido a palavra com toda prontidão de mente, a fé tenha vindo', como o mesmo Apóstolo fala: 'pelo ouvir', e foi apenas confirmado, através da leitura das Escrituras: Mas foi observado, acima de tudo, que debaixo do termo geral de buscar as Escrituras, ouvir, ler, e meditar estejam contidos.

(8) E que esse é o meio, através do qual, Deus, não apenas dá, mas também confirma e aumenta a fé verdadeira, nós podemos saber das palavras de Paulo aos Timóteos, em (2 Tim. 3:15) 'E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação pela f, que há em Cristo Jesus'. A mesma verdade (isto é, que esse é o grande meio que Deus tem ordenado para transmitir suas múltiplas graças ao homem) é entregue, da maneira mais completa que pode ser concebida, nas palavras que imediatamente se seguem em (Tim. 3:16,17) 'Toda Escritura divinamente inspirada e proveitosa para ensinar; para redargüir; para corrigir; para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra'.

(9) Deve-se observar que isto é falado, primeiramente e diretamente, das Escrituras, as quais Timóteo tinha conhecido desde a meninice; que deveria ter sido aquelas do Velho Testamento, já que o Novo ainda não tinha sido escrito. Quão longe, então, estava Paulo (embora ele 'não fosse insignificante diante dos principais Apóstolos', nem, por conseguinte, eu presumo, diante de qualquer homem agora na face da terra), de trazer luz ao Velho Testamento! Observe isto, a fim de que você, um dia, 'não se surpreenda e pereça'; você que dá tão pequena importância à metade das Palavras de Deus! Sim. E que metade do que o Espírito Santo expressamente declara, que é 'adequado', como um meio ordenado de Deus, para essa mesma coisa, 'para doutrinar; para reprovar; para corrigir; para ensinar na retidão'; para que 'o homem de Deus seja perfeito, totalmente instruído para toda boa obra'.

(10) Nem é adequado apenas para os homens de Deus; aqueles que já caminham na luz de seu semblante; mas também para aqueles que ainda estão na escuridão, buscando por ele, que eles não conhecem. Assim como Pedro, em (2 Pedro 1:19) 'E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumina em lugar escuro, até que o dia surja, e a estrela da manhã apareça em vosso coração'. Literalmente, 'e nós temos a palavra profética mais firme', confirmada por sermos 'testemunhas oculares de sua Majestade', e 'por ouvir a voz que vem da glória excelente', junto a qual — a palavra profética; assim ele intitula as Escrituras Sagradas — 'bem fazeis em estar atentos, como a luz que ilumina a escuridão, até que o dia chegue, e a estrela da manhã surja em seus corações'. Que todos, por conseguinte, que desejem que esse dia chegue em seus corações esperem por ele, buscando as Escrituras.

(11) Em terceiro Lugar: Todos os que desejam um aumento da graça de Deus devem esperar por ele, em partilhar da Ceia do Senhor. Já que isso também é uma direção que ele mesmo tem dado, em (I Cor. 11:23-26) "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus , na noite em que foi traído, tomou o pão; e tendo dado graças, o partiu e disse: 'Tomai, e comei; isto é o meu corpo que é partido por voz; fazei isto em memória de mim'". Igualmente, "ele tomou o cálice, dizendo: 'este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim'. Porque todas as vezes que comerdes este pão, e beberdes este cálice, vós anunciais a morte do Senhor, até que ele venha". Você abertamente existe o mesmo, através desses sinais visíveis, diante de Deus e anjos, e homens; você manifesta sua lembrança solene de sua morte, até que ele venha nas nuvens do céu.

Apenas 'que o homem', primeiro, 'examine a si mesmo', se ele entendeu a natureza e o desígnio dessa santa instituição, e se ele realmente deseja fazer-se confortável para a morte de Cristo; e, assim, em nada duvidando, 'que coma do pão, e beba do cálice' (I Cor. 11:28).

Aqui, então, a primeira direção dada por nosso Senhor é expressamente repetida pelo Apóstolo: 'que ele coma; que ele beba'; ambos de forma imperativa; palavra que em nada implicam uma simples permissão apenas, mas um mandamento claro e explícito; um mandamento para todos aqueles que, tanto já estão preenchidos com a paz e a alegria, por acreditarem; ou aqueles que verdadeiramente podem dizer, 'A lembrança de nossos pecados é aflição para nós; o fardo deles é intolerável'.

(12) E que isto é também um meio comum e firme de receber a graça de Deus, fica evidente das palavras do Apóstolo que ocorrem no capítulo precedente: (I Cor. 10:16) 'Por acaso, o cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão [ou comunicação] do sangue de Cristo?'. Não é o comer do pão, e beber do cálice, os meios exteriores, visíveis, por onde Deus transmite para nossas almas aquela graça espiritual; aquela retidão; e paz; e alegria, no Espírito Santo, que foram resgatadas pelo corpo de Cristo, uma vez partido, e pelo sangue de Cristo, uma vez derramado por nós? Que todos, por conseguinte, que verdadeiramente desejem a graça de Deus, comam do pão e bebam do cálice.

IV

(1) Mas, tão plenamente, quanto Deus tem apontado o caminho, por meio do qual, ele deverá ser buscado; inumeráveis são as objeções, com as quais os homens, sábios, aos seus próprios olhos, têm erguido, de tempos em tempos, contra isso. Pode ser necessário considerar algumas delas; não porque são mais importantes, em si mesmos, mas porque têm sido freqüentemente usadas, especialmente, nos últimos anos, para tirar o fraco fora do caminho; sim; para perturbar e subverter aqueles que estão indo bem, até que Satanás apareceu como um anjo de luz. A primeira e principal delas é:

'Você não pode usar desses meios (como eles os chamam), sem confiar neles'.

Eu imploro que me mostrem, onde isto está escrito? Eu espero que você possa me mostrar uma clara Escritura para sua afirmação; do contrário, eu me atrevo a não recebê-la; porque eu não estou convencido de quer você seja mais sábio do que Deus. Se isto tem sido realmente como você afirma, é certo que Cristo deve ter conhecido isto. E se ele conheceu, ele certamente nos alertou; ele teria nos revelado isto, há muito tempo. Por conseguinte, porque ele não o fez; porque não existe a menor partícula disso, em toda a revelação de Jesus Cristo, eu estou tão completamente seguro que sua afirmação é falsa, quanto de que essa revelação é de Deus.

'Entretanto, deixe-as fora, por algum tempo, para ver se você confia nelas ou não'.

Assim, eu desobedecerei a Deus, com o objetivo de saber, se eu devo obedecer a ele! E você reconhece esse conselho? Você, deliberadamente, ensina 'a fazer o mal, para que o bem venha?'. Ó, estremeça-se diante da sentença de Deus contra tais professores! 'A condenação deles é justa'.

'Além do mais, se você fica preocupado, quando você as deixa fora, é claro que você confiou nelas'.

De maneira alguma. Se eu fico preocupado, quando eu, teimosamente, desobedeço a Deus, é claro que seu Espírito está ainda operando comigo; mas, se eu não me preocupo com o pecado obstinado, é claro que eu estou entregue a uma mente perversa.

Mas o que você quer dizer por 'confiar nelas?' — buscando pela bênção de Deus nela? Acreditando que, se eu espero nesse caminho, eu devo obter o que do contrário eu não poderia? Então eu confio. E assim, eu irei confiar que Deus é meu ajudador, até o fim da minha vida. Pela graça de Deus eu irei assim, confiar neles, até o dia de minha morte. Ou seja, eu irei acreditar que, se Deus tem prometido, ele é fiel também para executá-la. E vendo que ele tem prometido me abençoar, nesse caminho, eu confio que seja de acordo com sua palavra.

(2) Tem sido, em segundo lugar, objetado:

'Isto é buscar salvação pelas obras'.

Você conhece o significado da expressão que você usa? O que é buscar salvação pelas obras? Nos escritos de Paulo, significa, tanto buscar ser salvo, por observar as obras rituais da Lei de Moisés; ou expressar salvação pela fé em nossas próprias obras, através do mérito de nossa própria retidão. Mas como é que isto implica em esperar no caminho que Deus tem ordenado, e esperar que ele irá me satisfazer, porque ele tem prometido assim fazer? Eu espero que ele cumpra sua palavra; que ele irá me satisfazer e me abençoar nesse caminho. Ainda que não por causa de algumas obras que eu tenha feito, mas pelo mérito de minha retidão; meramente através dos méritos, sofrimentos, e amor a seu Filho, em quem ele está sempre bem agradado.

(3) Tem sido veementemente objetado, em terceiro lugar:

'Que Cristo é o único meio da graça'

Eu respondo: Isto é meramente brincar com palavras. Explique seu termo, e a objeção desaparecerá. Quando você diz: 'orar é o meio da graça', nós entendemos um canal, através do qual a graça de Deus é transmitida. Quando você diz: 'Cristo é o meio da graça', você entende o único preço e resgate para ela; ou que 'nenhum homem vem ao Pai, a não ser através dele'. E quem nega isto? Mas isto é uma questão totalmente ampla.

(4) Tem sido objetado, em quarto lugar:

"Mas as Escrituras não nos direciona a esperar pela salvação? Davi não disse, 'Minha alma espera em Deus, por meio dele vem minha salvação?'. E não é Isaias quem diz, em (Isaias 26:8) 'Até no caminho dos teus juízos, Senhor, te esperamos; no teu nome, e na tua memória está o desejo da nossa alma'".

Tudo isto não pode ser negado. Vendo que é o dom de Deus, nós estamos indubitavelmente esperando nele para a salvação. Mas como devemos esperar? Se o próprio Deus tem indicado o caminho, pode você encontrar um modo melhor de esperar por ele? Mas aquele que tem apontado o caminho, tem sido mostrado largamente, e também qual é aquele caminho. As próprias palavras do Profeta, que você cita, coloca isto fora de questão. Já que toda a sentença, em (Isaías 26:8) é esta: 'Até no caminho dos teus juízos, Senhor, te esperamos; no teu nome, e na tua memória está o desejo da nossa alma'. E, no mesmo caminho Davi esperou, como suas próprias palavras testificam abundantemente: 'Eu tenho esperado por tua cura salvadora, Ó Senhor, e tenho mantido tua lei. Ensina-me, Ó Senhor, o caminho de teus estatutos, e eu os manterei até o fim'.

(5) "Sim", alguns dizem, "mas Deus tem indicado um outro caminho — 'fique quieto, e veja a salvação de Deus'".

Vamos examinar as Escrituras, às quais você se refere. A primeira delas, com o contexto, diz assim:

(Êxodo 14:10-16) 'E, chegando o Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então, os filhos de Israel clamaram ao Senhor. E disseram a Moisés: Não havia sepulcros no Egito, para nos tirares de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, que nos tens tirado do Egito? Não é esta a palavra que te temos falado no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios: Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto. E Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre. O Senhor pelejará por vós, e vos calareis. Então, disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E levanta a tua vara, estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco'. Essa foi a salvação, que eles permanecessem quietos para ver, marchando em frente, com toda a força deles!

A outra passagem onde essa expressão ocorre fica assim:

(2 Crônicas 20:2) ”Então, vieram alguns que deram aviso a Josafá, dizendo: vem contra ti uma grande multidão, dalém mar e da Síria; e eis que estão em Hazazom-Tamar, que é En-Gedi. Então, temeu, e pôs-se a buscar o Senhor; e apregoou jejum em todo o Judá. E Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscarem o Senhor; e pôs-se Josafá em pé, na congregação de Judá, e de Jerusalém, na Casa do Senhor, diante do pátio novo... Então, veio o Espírito do Senhor, no meio da congregação, sobre Jaaziel. E ele disse: Não te entristeças por causa dessa grande multidão. Amanhã, descereis contra eles: tu não precisas lutar nessa batalha. Fiquem quietos, e vejam a salvação do Senhor. E eles se levantaram cedo de manhã, e seguiram em frente. E quando eles começaram a louvar e a orar, o Senhor colocou emboscadas contra os filhos de Moabe, Amon, e os dos montes Seir: — e cada um ajudou a destruir o outro".

Tal foi a salvação que os filhos de Judá viram. Mas como tudo isto prova que nós não devemos esperar pela graça de Deus, nos meios que ele tem ordenado?

(6) Eu devo mencionar, a não ser uma objeção mais, que, de fato, não propriamente pertence a esse assunto: não obstante, porque ela tem sido freqüentemente sugerida, eu não posso passar totalmente por ela.

'Se, pois, estais mortos em Cristo, quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo?' (Col. 2:20)

Assim, você diz: 'Se eu sou um cristão, eu não estou sujeito às ordenanças de Cristo!'. Certamente, através desse absurdo, você deve ver, em princípio, dar uma olhada, que as ordenanças aqui mencionadas, não podem ser as ordenanças de Cristo: que se tratam de ordenanças judaicas, para as quais é certo que os cristãos não estão mais sujeitos. E o mesmo aparece inegavelmente das palavras imediatamente seguinte: 'não toques; não proves; não manuseies'; tudo evidentemente referindo-se às antigas ordenanças da lei judaica. Assim, essa objeção é a mais fraca de todas. E, apesar de tudo, aquela grande verdade deve permanecer inabalável: que todo aquele que deseja a graça de Deus deve esperar por ele, nos meios que ele tem ordenado.

V

(1) Mas sendo permitido que todo aquele que deseje a graça de Deus espere por ela, nos meios que ele tem ordenado; pode ser ainda inquirido, como esses meios devem ser usados, ambos quanto à ordem e maneira de usá-los. Com respeito ao primeiro, nós podemos observar que existe uma espécie de ordem, em que o próprio Deus geralmente se agrada como meio de trazer o pecador à salvação. O infeliz estúpido e insensível segue em seu próprio caminho, não tendo Deus em todos os seus pensamentos, quando Deus vem sobre ele inesperadamente, talvez, através de um sermão de avivamento ou conversa; talvez, por alguma providência terrível, ou, pode ser, um golpe imediato de seu Espírito convincente, sem qualquer meio exterior, afinal. Tendo agora um desejo de fugir da ira que há de vir, ele propositadamente vem ouvir como isto pode ser feito. Se ele encontra um pregador que fala para o coração, ele fica maravilhado, e começa a buscar as Escrituras, para se certificar que essas coisas são desse jeito. Quanto mais ele ouve e lê, quanto mais convencido ele é; e mais ele medita nisso dia e noite. Talvez, ele encontre algum outro livro que explique e reforce o que ele tem ouvido e lido nas Escrituras. E através de todos esses meios, as flechas da convicção mergulham mais profundamente em sua alma. Ele começa também a falar das coisas de Deus, que são sempre mais importantes em seus pensamentos; e fala com Deus; ora a ele; embora tema e se envergonhe, ele raramente sabe o que dizer.

Mas, se ele pode falar ou não; ele não pode deixar de orar, seja isto apenas em 'murmúrios que não podem ser proferidos'. Ainda assim, estando em dúvida, se 'o todo poderoso que habita a eternidade' irá considerar tal pecador como ele, ele deseja orar com todos os que conhecem Deus, com o crente, na grande congregação. Mas aqui ele observa outros indo para a mesa do Senhor. Ele considera: "Cristo tem dito: 'Faça isto!'. Como eu não faço? Eu sou tão grande pecador, que eu não estou adequado; que eu não sou merecedor". Depois de lutar com esses receios, por um tempo, ele abre caminho. E assim continua no caminho de Deus, ouvindo, lendo, meditando, orando, e partilhando da Ceia do Senhor, até que Deus, da maneira como lhe agrada, fala ao seu coração: 'Tua fé o salvou. Vai, em paz!'.

(2) Observando essa ordem de Deus, nós podemos conhecer quais os meios recomendados para alguma alma em particular. Se algum desses alcançar um pecador estúpido e descuidado, será provavelmente ouvindo, ou conversando. Para tal, entretanto, nós deveríamos recomendar isto, se ele teve, alguma vez, algum pensamento sobre salvação. Para alguém que começa a sentir o peso de seus pecados, não apenas ouvindo a Palavra de Deus, mas lendo-a também, talvez, outros livros sérios, pode ser um meio de convicção mais profunda.

Você não pode aconselhá-lo também a meditar sobre o que ele lê, para que isto seja uma força completa sobre seu coração? Sim. E a falar nisso, e não ficar envergonhado; principalmente, entre aqueles que caminham nos mesmos passos. Quando a preocupação e o peso caírem sobre ele, você não poderia, então, exortá-lo a derramar sua alma diante de Deus; sempre a orar e não fraquejar'; e quando ele deixar cair a inutilidade de suas orações, você não irá trabalhar junto com Deus, e lembrá-lo de ir até a casa do Senhor, e orar com todos que o temem? Mas, se ele faz isso, a palavra agonizante de seu Senhor logo irá ser trazida para sua lembrança; uma intimação clara de que este é o tempo em que devemos apoiar os movimentos do Espírito abençoado. E assim, podemos conduzi-lo, passo a passo, através de todos os meios que Deus tem ordenado; não de acordo com sua própria vontade, mas justamente como a Providência e o Espírito de Deus que segue adiante e abre o caminho.

(3) Ainda assim, como nós encontramos nenhum comando nos escritos santos, para alguma ordem particular a ser observada neles, então, nem a providência e o Espírito de Deus adere a algo, sem variação. Mas os meios, nos quais os diferentes homens são conduzidos, e nos quais eles encontram as bênçãos de Deus, são variados, e combinados, de milhares de maneiras diferentes. Ainda assim, nossa sabedoria deve seguir as conduções de sua providência e seu Espírito; para ser guiado nele (mais especialmente nos meios em que nós mesmos buscamos a graça de Deus); em parte, através de sua providência exterior; dando-nos a oportunidade de usar algumas vezes, um meio, outras vezes, outro; parcialmente, através de nossa experiência, por meio da qual, seu Espírito livre se agrada mais de operar em nosso coração. E, nesse meio tempo, a regra certa e geral para todos que murmuram pela salvação de Deus é esta: — onde quer que a oportunidade sirva, use de todos os meios que Deus tem ordenado; quem sabe no que Deus irá satisfazer a ti, com a graça que traz salvação?

(4) Quanto à maneira de usar os meios, naquilo em que realmente depende a transmissão de alguma graça; cabe, primeiro, retermos sempre o senso claro, de que Deus está acima de todos eles. Ter o cuidado, por conseguinte, de não restringir o Onipotente. Ele faz o que quer, e quando quer que lhe agrade. Ele pode transmitir sua graça, tanto através dos meios que ele tem apontado, quanto fora deles. Talvez, ele o faça. 'Quem conhece a mente do Senhor? Ou quem tem sido seu conselheiro?'. Esteja atento, então, todo o momento, para sua aparição! Seja isto no momento em que você está empregado em suas ordenanças; ou antes, ou depois dessa hora; ou quando você está impedido disso. Ele não está impedido. Ele está sempre pronto; sempre capaz; sempre de boa-vontade para salvar. 'É o Senhor: Deixe-o fazer o que lhe parece bom!'.

Em segundo lugar: Antes que você use algum meio, deixe que fique profundamente impresso em sua alma: não existe poder nisso. Ele é, em si mesmo, uma coisa pobre, morta, vazia. Separado de Deus, é uma folha seca, uma sombra. Nem existe algum mérito, em usá-lo; nada intrinsecamente agrada a Deus; nada, por meio do qual, eu mereça algum favor de suas mãos; não, nem uma gota de água para resfriar minha língua. Mas, porque Deus ordena, por conseguinte, eu faço; porque ele me dirige a esperar nesse caminho; assim sendo eu espero aqui pela sua misericórdia livre, por meio da qual vem minha salvação. Estabeleça isto em seu coração, que o mero trabalho feito não tem proveito algum; que não existe poder para salvar; a não ser, no Espírito de Deus; nenhum mérito, a não ser no sangue de Cristo; que, conseqüentemente, mesmo o que Deus ordena, transmite nenhuma graça para sua alma, se você não confia somente Nele. Por outro lado, aquele que verdadeiramente confia Nele, não pode ficar frustrado da graça de Deus, mesmo que ele seja cortado fora de toda ordenança exterior; mesmo que ele seja encarcerado, no centro da terra.

Em terceiro lugar: Ao usar todos os meios, busque apenas a Deus. Em, e através de todas as coisas exteriores, busque simplesmente o poder de seu Espírito; e os méritos de seu Filho. Cuide de não ceder na própria obra; se você assim fizer, será trabalho perdido. Nenhuma restrição de Deus pode satisfazer sua alma. Por conseguinte, o veja, em tudo; através de tudo; e acima de tudo.

Lembre-se também: use todos os meios,m como meios; como ordenados. Não por sua causa, mas com o objetivo de renovar sua alma, na retidão e santidade verdadeira. Se, entretanto, eles atualmente tendem a isto, muito bem/ mas, se não, eles são esterco e refugo.

Por último: Depois de ter usado algum desses, cuide em como você valoriza a si mesmo, nele? Como você se congratula de ter feito alguma coisa grande. Está é transformar tudo em veneno. Pense: 'Se Deus não estivesse lá, no que isto teria proveito? Eu não tenho acrescentado pecado ao pecado? Por quanto tempo? Ó Senhor! Salve-me, ou perecerei! Não deite mais pecado sob minha responsabilidade!' Se Deus esteve lá; se seu amor emanou, em seu coração, e você se esqueceu de como ele era, a obra exterior. Você vê; você sabe; você sente que Deus está em tudo. Humilhe-se. Mergulhe, diante dele. Dê a ele todo o louvor. 'Deixe Deus, em todas as coisas, ser glorificado, através de Jesus Cristo'. Permita que seus ossos clamem: 'Minha canção seja sempre da bondade do Senhor: com minha boca eu irei sempre dizer da tua verdade, de uma geração a outra!'.

Carta de Judas

BORTOLINI, José. Como Ler a Carta de Judas: Coragem para lutar pela Fé. São Paulo: 2001. Série “Como Ler a Bíblia”.

INTRODUÇÃO – Começando a entender

Segundo BORTOLINI a Carta de Judas é um dos textos mais ignora-dos do Novo Testamento (p. 7), afirmando que tal fato pode ser justificado por ser um texto breve e com conteúdo que desperta pouco interesse ao leitor co-mum, professores de Bíblias e outros. Porém o autor, ao detalhar essa carta, nos leva a refletir sobre aqueles que se aproveitam da fé e da religião para lu-dibriar, adquirir posses e reconhecimento pessoal. Ao final dessa introdução o autor nos convida a pensar: “O que nossas comunidades têm em comum com as comunidades que receberam a carta de Judas?” (p. 20).

CORAGEM PARA LUTAR PELA FÉ

1 – APRESENTAÇÃO DO AUTOR, DESTINATÁRIOS E SAUDAÇÃO (1-2)

BORTOLINI afirma que, se o nome Judas não for um pseudônimo ou a carta ser uma dedicatória, o autor da carta pode ser identificado como “irmão” de Jesus (Marcos 6,3), porém o autor da carta deixa isso de lado e se intitula “servo” de Jesus Cristo. Para BORTOLINI o autor da carta escolheu bem o termo servo, que pode ser entendido sob três aspectos:
1 - resgatado, foi resgatado da escravidão por Jesus e tornou-se livre;
2 - servidor, tornou-se livre, mas está a serviço da comunidade;
3 – profeta, que tem como característica a denúncia.
De acordo com o autor, esses três aspectos se completam e todos, de alguma forma, se apresentam na carta.
O autor nos alerta para a insistência em torno de um único senhorio levantando uma suspeita da dimensão política da carta. Os falsos profetas de-nunciados “fazem o jogo do império romano, dominador, minando a resistência das comunidades proféticas.” (p. 23)
Apesar da carta não ter um endereço definido, de acordo com o autor, é uma carta destinada a todos, recebendo assim a classificação entre as “cató-licas” ou universais, porém Judas traça o perfil dessa comunidade chamando seus membros de “eleitos”, “amados” e “guardados”. A eleição é fruto do amor de Deus para conosco e se encontra no Antigo Testamento ligada a Abraão e ao povo escolhido, ou seja: essas pessoas são herdeiras legítimas de todas as coisas que Israel experimentou em comunhão com Deus. Esses membros da comunidade a quem Judas se remete são também amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo, segundo o autor o tema “guardados” nos leva a refletir na “ação central de nossa fé, a morte e ressurreição de Jesus, cujos efeitos se prolongam na história e além da história, preservando os cristãos no julgamento final.” (p.24). Segundo BORTOLINI, essas três palavras abraçam o tempo cronológico: o passado, a eleição do povo; o presente, caracterizado pelo amor e o futuro, a preservação.
Com relação à saudação o autor afirma que esta se assemelha em parte com outras cartas do Novo Testamento, porém tem peculiaridades como o tema misericórdia. Para ele não há muita diferença entre a “misericórdia” de Judas e a “graça” das cartas de Paulo, e o trio apresentado por Judas “miseri-córdia, paz e amor” está mais perto do trio “graça, misericórdia e paz” de 1 Ti-móteo 1,2; 2 Timóteo 1,2; 2 João 3. No Antigo Testamento uma das caracterís-ticas com que Javé entrava em aliança com seu povo era a misericórdia (mise-ricórdia ou amor e fidelidade) e a vida plena para o povo da Bíblia é a paz (sha-lom) e eram essas coisas que Judas desejava em abundância para aqueles a quem escreveu a carta.

2- TEMA OU MOTIVO QUE PROVOCOU A CARTA

Os destinatários da carta são amados por Deus e também pelo autor da carta Judas e todas as relações, de acordo com BORTOLINI, “são marca-das por essa característica: as relações com Deus, as do autor com as comu-nidades e as relações das pessoas entre si.” (p. 25).
Com relação ao motivo que provocou a carta, o autor afirma que era uma das formas de catequese utilizadas na época, assim como as visitas às comunidades, porém Judas não relata visitas ou mensageiros.
A carta escrita por Judas trata de “indivíduos” infiltrados nas comuni-dades o que nos leva a entender que essa carta seria enviada a diversas co-munidades.
Judas escreveu sobre a salvação comum afim de estimular as comuni-dades a lutarem em defesa da fé, de acordo com o autor, a carta é um apelo à militância cristã para que as comunidades mantivessem a fé viva frente aos novos desafios e confrontos.

3 – RETRATO DOS FALSOS MESTRES

De acordo com o autor Judas utiliza-se de temos pesados e deprecia-tivos em sua crítica, desmascaração e condenação dos adversários, não aceita diálogo e pede às comunidades que não tenham nenhum contato com eles. Judas utiliza tanto textos do Antigo Testamento quanto de livros não canônicos para atingir seus objetivos.
Esses “indivíduos” poderiam ser, para o autor, pregadores itinerantes, muito comuns naquela época em que a pregação e a animação das comunida-des dependiam desses missionários. Acusa tais infiltrados de ímpios, ganan-ciosos, murmuradores, blasfemos, e, a mais forte acusação, de converterem a graça de Deus “em pretexto para a libertinagem e negar o senhorio de Jesus Cristo” (p.29). Inclusive o autor lembra-nos que, assim como hoje, era muito difícil discernir entre verdadeiros e falsos profetas, citando várias formas de como discerní-los. O alerta e acusação é pela consequência que trazem, pois acabam trazendo divisões dentro da comunidade. Então, para o autor, a carta acusa os falso profetas, ao mesmo tempo que os cristãos são chamados a “re-construir a unidade rompida” (p.37)

4 - EXORTAÇÃO ÀS COMUNIDADES

Judas, voltando-se às comunidades, incentiva-as à reconstrução em torno da santíssima fé através de sete recomendações:
1. construir sobre o alicerce da fé
2. orar movidos pelo Espírito Santo
3. manter-se no amor de Deus, esperando a vida eterna
4. convencer os vacilantes
5. salvar uns, arrancando-os do fogo
6. ter compaixão de outros, com temor
7. detestar até a roupa contaminada dos ímpios

5 – DOXOLOGIA

Esta carta encerra de forma diferenciada da maioria das cartas neotes-tamentárias, pois não há informações e notícias sobre o autor, nem de outras pessoas, e também não há saudação final. Ocorre uma Doxologia, ou seja, um hino de louvor envolvendo Deus e Jesus Cristo e as comunidades à que a carta se endereçava.

O livro de Rute

MESTERS, Carlos. Como Ler o Livro de Rute: Pão, Família, Terra. 3ª Edição. São Paulo: 2003. Série “Como Ler a Bíblia”.

INTRODUÇÃO – Buscando a Chave de Leitura

O autor incita-nos a buscarmos a chave de leitura do Livro de Rute, para tal apresenta-nos a letra da música “Apesar de Você” de Chico Buarque para que, ao lermos o livro de Rute, atentemo-nos à mensagem implícita, e nos convida a estudarmos minuciosamente esse texto.

1 – A SITUAÇÃO DO POVO NA ÉPOCA DO LIVRO DE RUTE

Neste primeiro capítulo, o autor situa historicamente o Livro de Rute colocando-nos a datação da escrita desse livro: “450 anos antes de Jesus Cris-to” (p. 12), aproximadamente um século depois do fim do cativeiro. Era uma época em que o povo vivia uma situação muito sofrida, quando da derrota de Nabucodonosor, rei da Babilônia, por Ciro, rei dos persas, que concedeu licen-ça para o povo retornar a Jerusalém e tentar se reorganizar-se, porém, enfren-tam grandes dificuldades, como pobreza e fome (Ne 1.3; 5.2; Rt 1.1), falta de terras e impostos (Ne 5.3-4), escravidão (Ne 5.5; Rt 2.5-9). Há uma distorção da lei sobre o restolho (Lv 19.9-10) pois os pobres só podem catar a sobra da colheita se o dono da terra conceder. As famílias estão divididas, entendendo família como comunidade ou clã, e não se ajudam mutuamente, não há frater-nidade.
Mesters nos informa sobre três projetos “com o objetivo de enfrentar e resolver o problema do povo” (p. 17) que estão nos livros de Esdras e de Nee-mias.
O primeiro projeto foi o de Zorobabel e Josué (Esd 3.1-13) que tenta-ram reconstruir o altar e o templo de Jerusalém com o apoio de Ageu e de Za-carias, ambos profetas. Achavam que e o povo estava sofrendo porque esta-vam sendo castigados por Deus, e o povo colaborou, porém os samaritanos dificultaram a execução do projeto.
O segundo projeto fora idealizado por um doutor da lei de nome Es-dras que também considerava o castigo de Deus sobre o povo, por isso o so-frimento, pois eles deixaram costumes pagãos se infiltrarem no povo (Esd 9.1-2;10.2-10; Ne 13.23-27). “Esdras procurava reconstruir o povo em torno da ob-servância da lei de Deus (Ne 8.13) e da pureza da raça (Esd 9.2)” (p.18).
O terceiro projeto para resolver o problema do povo foi de Neemias (Ne 5.1-19), que, revoltado com a situação do povo explorado, reuniu os explo-radores do povo e, “em nome de Deus, exigiu deles que devolvessem aos po-bres as terras roubadas e perdoassem as dívidas acumuladas” (p.18), além de tentar reconstituir as famílias e reconstruir as muralhas de Jerusalém.

2- AS CHAVES DA PORTA DO LIVRO DE RUTE

A primeira chave é uma leitura atenta partindo da realidade. O autor destaca três pontos importantes: não há menção sobre o rei, sobre os sacerdo-tes, sobre o templo e nem sobre o altar, também não se menciona sobre Jeru-salém e nem sobre os sacrifícios. O centro da história é uma estrangeira (Ru-te), ou seja, “admite que uma estrangeira possa ser a nova mãe do povo de Deus!” (p.20). Não se fala sobre o governador Neemias, porém Booz é da clas-se convidada pelo governador. Sem citar nomes, o livro de Rute posiciona-se frente aos problemas e às tentativas de solucioná-los.
A segunda chave encontra-se no significado do nome das pessoas, in-dicando um sentido para a história. A lista de nomes: Elimelec (meu Deus é Rei), Noemi (graça ou graciosa), Mara (amargura ou amargosa), Maalon (do-ença), Quelion (fragilidade), Orfa (costas), Rute (amiga, ou saciada), Booz (pe-la força) e Obed (servo).
A terceira chave, para o autor, é o próprio esquema do livro, que se apresenta da seguinte forma: 1- quadro inicial (1.1-5), situação real do povo. 2 – caminhada (1.6-4,12), primeiro passo é voltar para a terra em busca do pão, segundo passo, catar o restolho, terceiro passo com Booz, levado por Rute, compromete-se a cumprir a lei do resgate, quarto passo, Booz cumpre lei do resgate e casa-se com Rute, 3 – quadro final (4.13-17) nascimento do filho O-bed, esperança que nasceu, 4 – Apêndice (4.18-22) genealogia de Davi, bisne-to de Rute, a estrangeira.

3 – RUTE 1,1-5: O QUADRO INICIAL: UM RETRATO DO POVO

O autor encara o quadro inicial como um espelho que reflete na histó-ria da família de Noemi e Elimelec o sofrimento do povo, inclusive salientando a necessidade de lermos pensando no sentido escondido dos nomes das pesso-as.
Elimelec – Meu Deus é Rei, assim era no tempo dos Juízes (Jz 8.23). Quando o povo pediu um homem como rei, fez morrer a fé em Deus, morre Elimelec.
Noemi e Mara – “É do amor fiel de Deus para com seu povo que nasce para o povo a Graça”(p.24). Ao entrar o rei humano, entraram também des-mandos contrários à aliança entre Deus e seu povo, assim, o povo perdeu a Graça e encheu-se de Amargura (1.13).
Maalon e Quelion – Israel (reino do Norte) e Judá (reino do Sul), que, esquecendo-se da soberania de Deus como o Senhor seu Rei, adoraram a ou-tros deuses e senhores, ficando, então, Doentes e Frágeis, e foram se acaban-do, misturando costumes (no cativeiro) de outros povos, e religiões, casaram-se com mulheres estrangeiras (Orfa e Rute), ou seja, perderam sua identidade e morreram. Apenas restou Noemi, mudada em Mara, sem seus filhos (sem futuro e sem herança) e sem marido (enfraquecida, sem Deus, sem forças para gerar um novo futuro).
Duas causas da desgraça são, assim, reveladas: o governo de reis “foi um desastre para o povo” (p.25) e o povo “perdeu sua fé em Deus” (p.25).
Ao mesmo tempo, o quadro inicial é também um convite à esperança ao passo que cita frases do Antigo Testamento como em 1.1, suscitando a figu-ra de um novo juiz como Jefté ou Gideão, também em 1.3-5 lembra das profe-cias do livro de Isaías (4.3; 6.3; 10.21; 11.16; 37.31) e de Esdras (9.8-15) suge-rindo que Noemi seja a semente da nova nação. No segundo versículo deste primeiro capítulo lembra a profecia de Miquéias (Mq 5.1), é “dos pobres que virá a salvação” (p.26).
O quadro inicial é um retrato do passado (pecado), do presente (sofri-mento) e do futuro (esperança) do povo.

4- RUTE 1,6-22: O PRIMEIRO PASSO: VOLTAR PARA A TERRA EM BUSCA DO PÃO

Este trecho do texto, o autor dividiu na seguinte estrutura:
• 1.6-7: volta para a Judá, retornar a terra natal em busca de pão, voltar para Deus. Noemi, Orfa e Rute levantam-se e parte em bus-ca do pão na terra visitada por Deus.
• 1.8-14: lamento e diálogo de Noemi com as duas noras para que decidam-se entre continuar com ela ou não. Orfa dá as Costas, Ru-te continua (Amiga). Noemi, apesar de considerar-se fracassada (1.11-13) continua sua caminhada de esperança e também não re-duz Deus ao tamanho de seus próprios interesses ao pedir para que Ele seja bom e misericordioso com suas duas noras, que são de outra religião.
• 1.15-18: A opção pelos pobres. Rute agarra-se a Noemi, de forma muito comprometida, tendo como elemento motivador o amor, pois “não há lucro ou ganho em vista” (p.32). Noemi acolhe Rute, como que permitindo a entrada dela na terra e no povo de Deus.
• 1.19-21: lamento e diálogo de Noemi com as mulheres de Belém. Ao chegarem à Belém, Noemi ainda não percebe os sinais da es-perança devido ao seu sofrimento.
• 1.22: termina a volta para Judá, que se tinha iniciado em Moab, com a chegada de Noemi e Rute a Belém, que significa Casa do Pão, na época da colheita, da fartura.

Durante essa caminhada, o problema da família também foi retratado. A situação de Noemi era um retrato da situação do povo que tinham suas famí-lias enfraquecidas e não conseguiam garantir a sobrevivência de seus mem-bros.

5 - RUTE 2,1-23: O SEGUNDO PASSO: CATAR A SOBRA DA CO-LHEITA: UM DIREITO DOS POBRES

O autor estrutura este texto da seguinte maneira:
* 2.1-2: Rute e Noemi planejam. Catar o restolho que “fica no campo depois da colheita era um direito dos pobres e dos estrangeiros” (p. 37) como está assegurado em Lv 19.9-10 e em Dt 24.19. Mas o que se percebe, na épo-ca do livro de Rute, o restolho só podia ser colhido caso o dono da colheita as-sim o permitisse. Um direito transformado em esmola.
* 2.2-3: inicia-se o segundo passo. As duas orientam-se pela palavra de Deus para conseguirem pão, pois a palavra de Deus assegura-lhes de catar o restolho.
* 2.4-7: Booz entra em cena, conversa com os empregados sobre Ru-te.. O autor nos indica o papel de Booz nesta história, que seria a de “lembrar a ação de Javé” (p.39), pois ele entra para resolver o problema de Rute, ao mesmo tempo em que se estabelece o paralelo que Pela Sua Força (significa-do do nome Booz) o problema do povo será resolvido.
* 2.8-14: Booz conversa com Rute, oferece proteção, restolho e água (2.9). Rute fica desconfiada porém Booz “fala ao coração de Rute” (p.40) em 2.13. Para Mesters, Rute ter escolhido ficar com Noemi lembrou a atitude A-braão (Gn 12.1), assim, ao ter assumido um compromisso concreto com Noe-mi, desta forma, com Deus e com o povo, Rute é acolhida por Booz como filha de Abraão e membro do povo de Deus. Na Bíblia, falar ao coração, como Booz falou ao coração de Rute, é uma fala de “amor que restaura e renova a vida por dentro” (p.42), é libertação e renovação na vida de Rute. Neste momento, as coisas começam a se transformar: fartura do pão (2.14-17), Booz tem direito de resgate (2.20), Noemi consegue enxergar esperança (2.20).
* 2.15-16: Booz conversa sobre Rute com os empregados
* 2.17: Rute cata os restolhos
* 2.18-23: Rute e Noemi descobrem quem é Booz, assim, sabendo que Booz tem o direito de resgate, Noemi orienta Rute e planeja o terceiro passo.

6 – RUTE 3,1-18: O TERCEIRO PASSO: UMA NOITE FECUNDA NO TERREIRO DE BOOZ

Nesta etapa, a palavra que mais aparece no texto é resgatar, por isso, o autor considera importante entender o que consiste esse resgate.

“A lei do resgate estabelecia (...) duas coisas: 1. Quando alguém, por motivo de pobreza, era obrigado a vender sua terra, então seu pa-rente mais próximo tinha a obrigação de resgatar essa terra (...) (Lv 25,23-25). 2. Quando alguém, por motivo de pobreza, era obrigado a vender-se a si mesmo como escravo, então seu parente mais próxi-mo tinha obrigação de resgatar essa pessoa, isto é, devia pagar para que o irmão pobre pudesse reaver sua liberdade (Lv 25, 47-49).” (p.47)

Tal parente mais próximo era o goêl, palavra hebraica que significa aquele que resgata. Assim, essa lei visava defender e proteger a família, forta-lecendo-a como base da organização social. O goêl era, sobretudo, uma figura muito importante, por isso Noemi louvou a Deus por saber que Booz era seu goêl (2.20).
Outra lei a se destacar é a lei do levirato, também chamada de lei do cunhado, que estabelecia que se um homem casado “morrer sem filhos, o ir-mão do falecido devia casar com a viúva, e o filho que nascesse devia ser con-siderado filho não dele mas do irmão falecido” (p.49). Essa lei tinha o objetivo de dar continuidade à família.

Inicia-se, então, o terceiro passo. Findou-se a colheita.
Noemi diz a Rute que Booz é parente delas e quer que ele cumpra a lei do resgate, cumpra seu dever de goel. Nesse período, Neemias, o governa-dor tinha exigido dos parentes ricos que cumprissem a lei do resgate. Então Rute apela para que se cumpra tal direito e Booz aceita. Vemos como a fideli-dade de Rute cresceu durante a história, como cresceu a generosidade de Bo-oz, e como o povo aceita Rute como uma mulher de valor (3.11).
Ao dormirem juntos, Booz e Rute (3.14-15), o livro de Rute sugere dois sentidos: o amor humano, como revelação do amor de Deus para com seu po-vo; e o amor de Deus, que se concretiza no amor fecundo entre Booz e Rute.
Cresce a esperança.

7 - RUTE 4,1-12: O QUARTO PASSO: GARANTIR A POSSE DA TERRA AO POVO

Neste trecho do livro de Rute as palavras que mais aparecem são res-gatar e nome. Em Israel, existia uma preocupação em dar continuidade ao no-me da família, assim, dava-se continuidade à família.
Agora outro problema se vê: o problema da posse da terra. Booz cum-priu o prometido, chamando o outro parente que tinha direito ao resgate. Este por sua vez aceitara resgatar a terra, porém não se preocupara com a família de Noemi, apenas serviria para aumentar o seu latifúndio, e assim, “jogar No-emi na miséria!” (p.60). Porém, no verso 5 deste capítulo, há a virada na solu-ção desse problema, pois quem comprasse o terreno de Noemi, deveria se ca-rar com Rute para que a herança de Elimelec continuasse no nome dele. Assim Booz “uniu entre si a lei do resgate, que dava o direito de adquirir a terra do irmão pobre, e a lei do cunhado, que impunha o dever de casar com a viúva do falecido” (pp. 61-62). Além disso, ampliou a lei do cunhado, tornando-a uma lei social, atingindo causas sociais. Desta forma, o terreno continuaria em posse da família de Noemi e o filho que nascesse daria continuidade ao nome de Eli-melec, falecido marido de Noemi.
Diante disso, o outro parente passou o seu direito a Booz (4.7-8) para não prejudicar seus herdeiros. Era “exatamente esta mentalidade egoísta que o livro de Rute queria denunciar e combater.” (p. 63). Mas é o início de novos rumos.
Então Booz adquire e exerce seu direito e cumpri seu dever, tendo como testemunhas o povo e os chefes das famílias, além de apontar para um novo rumo na solução dos problemas do povo. E para Noemi, a esperança se realiza.
A esperança do povo renasce, que aclama Booz e Rute. O povo pede a Rute que seja como Raquel e Lia, e o amor dos dois é visto como um novo começo, a reconstrução das doze tribos de Israel. O povo pede a Booz que seja poderoso em Éfrata e tenha nome em Belém (4.11), sugerindo que o Mes-sias nascerá do amor entre Booz e Rute. O povo “pede que Rute seja como Tamar, aquela que levou Judá a cumprir o seu dever de cunhado” (p.66). Espe-rança nasce em Booz e Rute e no povo que deles nascerá.

8 - RUTE 4,13-22: O QUADRO FINAL: “UM MENINO NASCEU, O MUNDO TORNOU A COMEÇAR!”

Booz toma Rute como esposa, e todos esperam o menino que está pa-ra nascer, fruto do longo e exigente amor entre Deus e seu povo. Quando nas-ce, a criança já pertence à comunidade, pois “encarna a esperança do povo” (p. 71), por isso, quem dá o nome à criança é o próprio povo, no caso repre-sentado pelas vizinhas (4.17). E a criança acaba sendo criada por Noemi (4.17). No paralelo estabelecido pelo autor, o menino é o resgatador do seu povo (4.14), resgatou o sentido da vida para Noemi. A profecia de Isaias (9.1-5a) se cumprindo. Mas não é o novo Messias, não é o novo Davi, seu nome é Obed (servo), e tem como serviço preparar “a vinda do Messias, pois ele é avô de Davi” (p.73). Do serviço de Rute e Booz, surgiu o resgate do povo, outra profecia de Isaias se realizando (Is 42.1-4). A missão do menino Obed que nasceu está na profecia do Servo em Is 42.6-7. “Prestando este serviço, Obed fará com que o povo volte a viver como povo de Deus e fará renascer do meio do povo a antiga profissão de fé que dizia: Elimelec!, isto é, MEU DEUS É REI!” (p.75)

CONCLUSÃO – MUTIRÃO DA MEMÓRIA

Na Conclusão do livro, o autor Carlos Mesters indica-nos alguns pro-cedimentos para que possamos relembrar os estudos acerca do livro de Rute, sempre estabelecendo conexões com o contexto atual.
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