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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Nicolao não quer nem saber de brilho no olho,

Texto do filósofo e professor Paulo Ghiraldelli. Notemos algumas palavras interessantes: o  professor não é colírio!  O olho do aluno deve brilhar pelo texto, e não pelas peripécias do professor. O brilho é pelo conteúdo, e não pela capa do livro. Muita gente vive assim, pela capa e sem conteúdo. Muitos professores são assim, sem conteúdo, só com títulos ostentados e apenas isso. Leia e reflita...

Nicolao não quer nem saber de brilho no olho

por Paulo Ghiraldelli
20/04/2011

O professor e filósofo Nicolao Julião está irritado com o ator global Lázaro Ramos. Particularmente, acho o Lázaro Ramos o ator mais antipático da TV após os dois desconhecidos que fazem as atuais propagandas do PSDB. Mas, na conta do Nicolao, o problema é mais com uma fala do Lázaro Ramos numa propaganda do MEC do que qualquer outra coisa. Trata-se daquela propaganda em que o ator global diz, por ordem do Fernando Haddad, que o professor deve provocar brilho nos olhos do aluno ou coisa parecida. Bem, eu também acho aquela propaganda misteriosa, pois fazer aluno ter brilho no olho com a hora-aula girando em torno de sete reais é para o Homem Aranha ou qualquer outro do Grupo Marvel, não para professor. Já a birra do Nicolao nem é pelo dinheiro, é pedagógica. Eu explico.
O Nicolao acha que professor não é colírio. O olho do aluno deve brilhar, se é para brilhar, por meio da relação cerebral com o texto. Talvez possamos criar um aparato didático que faça os alunos se interessarem pelas aulas, mas, sabemos bem, não há quem faça um aluno de um meio espiritualmente pobre ter interesse na cultura. Isso é impossível. O lar pobre de espírito, onde de modo algum a curiosidade por alguma das acepções da cultura entrou, só com milagre (que depois se descobre que não era milagre) faz do aluno alguém capaz de ter olho brilhando com algum conteúdo escolar. E se isso é assim quanto às crianças, mais ainda é verdade no ensino superior.
Sou uma pessoa com mais recursos didáticos que a maioria. Mas não acho que o Nicolao esteja errado. Vejam só o que quero dizer.
Um leitor escreveu em meu blog dizendo que quando ele lê Platão, sente sono. Então, perguntou se devia se matar. Eu prontamente disse que sim. Não é verdade? Ora, o que fazer com uma pessoa que abre A defesa de Sócrates, de Platão, e dorme diante da cena de um homem solitário que dispensa advogados e fala ele próprio a um tribunal de 500 membros, num julgamento que poderia levá-lo à morte? Sinceramente, o que pode ser mais emocionante e curioso que isso? Mas, se não bastasse, nessa história, Sócrates não fica só o tempo todo falando. Ele chama um de seus acusadores e o faz cair em contradição. Mostra o método chamado Elenkhós, o célebre “método da refutação”. E mais: em um determinado momento, ele diz que sempre filosofou a mando do “deus do Templo”! Contando isso, coloca os jurados em rebuliço ao afirmar, também, que há um deus que fala ao seu ouvido, e que isso acontecia desde que ele era criança! Ora, Sócrates, o pai da filosofia e do racionalismo que emerge da Grécia até nós – como podia ele ser também um místico? Mais problemas, mais inquietações. O texto platônico fica mais e mais emocionante. Todas essas cenas estão ali, vivas, relatadas por Platão. Há como dormir? Há como ter sono? É realmente necessário não ter nenhum contato com a cultura, com qualquer tipo de cultura, para ter sono ao ver um conjunto de cenas desse tipo. Além disso, sabemos bem, Platão é um bom escritor. Um dos melhores. O que fazer para que esse rapaz, que se identificou como L. Vianna (segundonenos@yahoo.com.br), possa não dormir lendo Platão?
Não ousaria apresentá-lo ao Nicolao, certamente. Acho que a primeira coisa que passaria pela cabeça do Nicolao seria roubar a cicuta de Sócrates para oferecê-la ao Vianna. De certo modo, foi um pouco o que eu fiz. Ele, esse leitor, me perguntou se ele devia se matar por causa do sono ao ler Platão! Ora, claro que sim! Tem mesmo que se matar. Ele, esse leitor, é mais um daqueles que, quando falamos para ler Platão, nos acha uma pessoa autoritária, porque ele imagina que poderia aprender filosofia por outra via. Conhecem o tipo, não? Pois é, eu não hesitei, disse que ele deveria, sim, se matar. Acho até que disse pouco. Deveria ter gasto meu tempo e realmente convencido a figura de morrer se enforcando num cogumelo.
Para esse tipo de pessoa, eu não tenho que chamar o Lázaro Ramos. Não! Eu posso chamar até a Angelina Jolie. O olho dele não vai brilhar de modo algum. Pois o olho está ligado ao cérebro, mas não no caso desse rapaz. Nesse rapaz, o cérebro está morto. Foi petrificado pelo tempo. Que tempo? O tempo em que ele viveu em algum lugar em que a pobreza de espírito o devorou.
Ele é um rapaz que se acha inteligente, pois lê Kant. Ele acha que está entendendo Kant. Não percebe que se Platão lhe dá sono, ele não está entendendo nada de Kant. Ele não está entendendo nada de nada. Ele certamente é incapaz de dançar ao som de Tim Maia. Ele não vai conseguir nunca gostar de Rita Lee. Esse tipo de jovem acaba entrando na Universidade? Talvez sim. Talvez até seja um universitário. Mas é um mamífero com defeito de fabricação. Um defeito sem volta, sem conserto. Não há peça que se possa trocar numa pessoa assim, de modo a devolver-lhe algo que não sabemos criar, que é a vida.
Esse tipo de caso é caso perdido. Nessas horas, não há como não endossar a idéia de que brilho no olho de aluno é alguma coisa do papagaio de pirata Lázaro Ramos. Nicolao está certo. Mas, mais certo que o Nicolao, é quem disse certa vez que precisamos poder usar a palavra “burro” para quem é adepto da burrice. “Platão dá sono” – essa frase é uma burrice.
© 2011 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ
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Blog: http://ghiraldelli.pro.br

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Facebook: http://facebook.com/ghiraldelli

3 comentários:

  1. Informe-se:
    http://www.youtube.com/watch?v=rHqYaycHdUY

    http://www.youtube.com/watch?v=Uk6Du-bAf7k

    http://www.youtube.com/watch?v=khRPuvEx7z4

    http://www.youtube.com/watch?v=5nUYxZE9B1E&feature=related

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  2. Informe-se antes de sair difamando alguém:
    A frase não reflete tudo o que Lázaro já debateu sobre esse assunto.
    A campanha é uma frase pincada do programa Tempos de escola, e não é só ele quem esta no video.

    Como dito pedagogo, te sugiro conhecer o programa dele no Canal Brasil e depois refletir sobre seu pensamento injusto e infeliz.

    http://www.youtube.com/watch?v=rHqYaycHdUY

    http://www.youtube.com/watch?v=Uk6Du-bAf7k

    http://www.youtube.com/watch?v=khRPuvEx7z4

    http://www.youtube.com/watch?v=5nUYxZE9B1E&feature=related

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  3. Bom, anônimo, não há difamação alguma no texto do Paulo Ghiraldelli... por sinal, creio que nem leu que este texto não é de minha autoria, oque está explicito... e a reflexão não tem difamção nenhuma ao ator Lázaro Ramos, a reflexão baseia-se no papel do professor e as famosas aulas-show e muitas sem conteudo... Creio que umas aulas de interpretação de texto te fariam muito bem. Se vc é fã do Lázaro, continue assim, mas aprenda a ler um texto na íntegra e a interpretá-lo. Apenas isso. Veja a fonte extraída do texto... só espero que não seja o aluno que acho Platão chato!!! aí eu entenderia sua indignação....
    Se o Ghiraldelli acho o Lázaro antipático, problema é dele, não meu... a reflexão nao se baseia em um ator...

    nem vou apagar seus infelizes comentários, pessoa anônima...

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