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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Acusações falsas contra KOINONIA e comunidade do Horto

extraído de: http://www.koinonia.org.br/comunicacao-noticias-detalhes.asp?cod=1540

Acusações falsas contra KOINONIA e comunidade do Horto


KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço está sendo usada, mais uma vez, como bode expiatório para denúncias infundadas contra populações sujeitas a preconceito social e racial e sob ameaça de deslocamento compulsório, agora ao custo de argumentos ambientais sustentados na desinformação.
Uma série de matérias jornalísticas e de opinião contrárias à permanência da comunidade do Horto (bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ) em suas terras, publicadas pelo “O Globo”, “Extra” e o “O Estado de São Paulo” (versões impressas e virtuais) nos primeiros dias de dezembro, optam pela difamação e difusão de mentiras e pelo tom de denúncia, com base em informações deturpadas retiradas de ante-projeto elaborado por KOINONIA, por solicitação da AMAHOR ( Associação de Moradores do Horto).
Já estamos acostumados com matérias irresponsáveis desse tipo, que juntam meias-verdades com inverdades para repetir mentiras e sem nenhum espaço para outras perspectivas sobre o mesmo tema. Estamos acostumados a ver nosso direito de resposta negado. Estamos acostumados a sermos citados sem sermos devidamente entrevistados ou consultados.
Nessas matérias difunde-se que:

KOINONIA teria sede em Greenville, na Carolina do Norte (EUA). Na realidade somos uma associação sem fins lucrativos brasileira, sediada no Rio de Janeiro – RJ, como pode ser visto no nosso site www.koinonia.org.br.

KOINONIA teria por objetivo “entronizar as invasões do Jardim Botânico”. A situação dos moradores não caracteriza invasões, mas ocupações cujo início remete há quase um século, tendo origem em formas variadas e legitimas, que só há poucos anos começaram a ser questionadas pela administração do Jardim Botânico.

O Museu do Horto “Tem R$ 1,8 milhão para se instalar e quase a metade de seu orçamento reservada ao pagamento do pessoal que, mesmo trabalhando pela causa, não é de ferro”. Na verdade não há qualquer financiamento aprovado. E se tivesse, implicaria, de fato, no pagamento de um grande grupo de especialistas profissionais em atividades temporárias, que, como qualquer trabalhador, inclusive articulista de jornal, deve ser adequadamente remunerado por seus serviços.

KOINONIA é financiada por “até um Fundo Mundial para o Socorro dos Primatas”. Neste caso, o arremedo de pesquisa realizada pelo competente jornalista erra na tradução, dando um tom cômico à tragédia: trata-se do “Primate’s World Relief and Development Fund - PWRDF (www.pwrdf.org) que, em bom português, seria melhor traduzido como Fundo Mundial do Primaz (da Igreja Anglicana do Canadá) para Ajuda Humanitária e Desenvolvimento.

KOINONIA apoiaria “não é de hoje, “grupos histórica e culturalmente vulneráveis para todas vocações catequéticas”. Aqui vale uma nota sobre a ignorância do jornalista sobre o significado do Movimento Ecumênico, que não inclui qualquer tipo de atuação catequética ou proselitista, mas justo a promoção da convivência e do diálogo entre as religiões. Além disso, a palavra grega koinonia (comunhão) é de livre uso, sendo utilizada até mesmo por churrascarias de beira de estrada, que não são de propriedade da nossa associação sem fins lucrativos. Essa ignorância, aliás, deve ser a fonte dos erros grosseiros que nos atribuem sede na Carolina do Norte e a idéia de que somos “uma igreja em movimento pelo, para e via o poder de Deus”.

KOINONIA “Instalou-se como tal no Brasil em 1994”. Na realidade, KOINONIA foi fundada nesse ano por brasileiras e brasileiros de diferentes tradições religiosas com longa tradição na luta pelo fim da ditadura e pela democracia no Brasil.

KOINONIA teria prometido à candidata Dilma Rousseff “o apoio da “População Negra” e agendado com a candidata um encontro formal com os representantes nacionais do Povo Tradicional de Terreiro, após as eleições”. Nesse caso, o articulista toma como palavras da instituição os termos de um dos vários documentos de organizações religiosas divulgados no site da instituição, justamente em seu trabalho de dar espaço para manifestações bloqueadas pela grande mídia.

KOINONIA teria “um pacto de apoio incondicional à titulação fundiária dos quilombos, em sua acepção mais vaga - a da semântica antropológica, que ultimamente passou a considerar quilombo tudo o que se diz quilombo”. Na verdade KOINONIA tem um compromisso social com a causa quilombola, na forma pela qual ela se manifesta hoje, tanto na sua definição por parte do movimento social quanto nas pesquisas acadêmicas e na legislação vigente. Portanto, a definição de quilombo, aceita por KOINONIA, não é arbitrária, mas está submetida a uma série de critérios de legitimação que o jornalista poderia conhecer se tivesse interesse.

“Talvez esteja em gestação um quilombo do Horto”. Sobre isso declaramos que KOINONIA não conhece nem apóia qualquer demanda dessa natureza no Horto.

10. “Por enquanto, a ideia do Museu do Horto está limitada a um site criado pela Associação de Moradores e Amigos do Horto (www.museudohorto.org.br)”. Aqui, finalmente, há a explicitação da má informação veiculada pelas matérias mencionadas, que implica na confusão entre duas iniciativas convergentes, porém, separadas. O projeto do Museu do Horto, que hoje está em funcionamento no citado site, não é de responsabilidade de KOINONIA, mas de pesquisadores ligados ao IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus). O ante-projeto preparado por KOINONIA para a AMAHOR implica em outras intervenções, além do apoio ao Museu: projetos de contenção de encostas, paisagísticos, de ajuste ambiental, inclusão digital e geração de renda, e melhoria da qualidade de ensino nas escolas que atendem à população.



Tais confusões parecem ter um mesmo objetivo: apresentar na forma de denúncia um projeto de promoção social e ajuste ambiental justamente para inviabilizar a aprovação de seu financiamento e sua realização final.



Nestes tempos de ocupação policial-militar e necessidade de chegada do Estado às comunidades que, por mais de 30 anos estiveram largadas ao desmando, era de se esperar que iniciativas de comunidades urbanas para conterem o crescimento desordenado, garantir uma convivência ecológica com a natureza em seu entorno e conceber uma urbanização humana e respeitosa, fossem elogiados.



A apresentação de um fantasma no Jardim Botânico, na forma de um Museu, aponta para o pânico generalizado que a cobertura jornalística promove na atual ocupação do Complexo do Alemão. São todas comunidades que estão “onde não deveriam estar”, segundo estes meios de comunicação que não são formadores de opinião, mas monopolizadores dos meios de produzir opinião. Denuncia-se um propósito comunitário de convivência com o meio ambiente, de educação qualificada e de projeto de cidadania como se fosse um demônio a ser exorcizado, e junto com ele, toda a comunidade e seus amigos.



As únicas acusações que KOINONIA aceita são as de estar ao lado de quilombolas, de negros e de terreiros de candomblé. Acusações como essas só confirmam que estamos do lado e no caminho certos.







Rafael Soares de Oliveira



Diretor Executivo de KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço







LINKS MATÉRIAS



O GLOBO em 01/12/2010



http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/12/01/comunidades-do-horto-buscam-patrocinio-para-construcao-de-museu-923163457.asp



O GLOBO em 02/1’2/2010: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/12/02/pt-rj-vai-discutir-conflito-fundiario-entre-horto-jardim-botanico-923168539.asp



BLOG DO RICARDO NOBLAT em 07/12/2010 - Texto de MARCOS SÁ:



http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/12/03/so-falta-um-quilombo-no-jardim-botanico-346417.asp



JORNAL ESTADÃO – MARCOS SÁ CORREA em -3/12/2010:



http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101203/not_imp648831,0.php



JORNAL EXTRA em 01/12/2010



http://extra.globo.com/rio/materias/2010/12/01/comunidades-do-horto-buscam-patrocinio-para-construcao-de-museu-923164168.asp





















Autor: Márcia Evangelista

Data: 8/12/2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rio será sede dos Mundiais da Juventude de 2011

Este é um texto de Giovanni Vescovi, enxadrista. Transcrevo-o aqui pois fiquei extremamente feliz em ver o nome de meu irmão citado no artigo! O nome dele é Igor Steinhoff (deixei em negrito), e foi um ótimo enxadrista, viajando o mundo competindo por este esporte e por este país. Lembro de minha mãe correndo atrás de patrocínio, e algumas vezes a prefeitura de SBCampo colaborou com despesas de viagens, mas patrocinador mesmo, só meu pai. Em um país que nenhum esporte é valorizado, com exceção do futebol -super valorizado - imaginem como se dava em relação ao xadrez na década de 90. Eu até tentei jogar, mas o talento ficou por conta de meu irmão mesmo. Enquanto eu ganhava uma partida aqui, outra ali, meu irmão ganhava um campeonato brasileiro aqui, um sulamericano ali, outro panamericano acolá! Eu desisti! E ele? Também. Hoje ele é engenheiro, da Nextel por sinal, formado pela POLI-USP, casado com a Mari, minha cunhada gente finíssima.

Deus é bom!


por Giovanni Vescovi, blogueiro do ESPN.com.br


Conforme informação do site da Confederação Brasileira de Xadrez, o Rio de Janeiro sediará os Campeonatos Mundiais de 08 a 18 anos em 2011. A decisão foi tomada por unanimidade no 80º Congresso da FIDE, realizado entre os dias 12 e 17 deste mês em Halkidiki, na Grécia.




Esta é mais uma importante conquista para o esporte brasileiro, e para o xadrez. Com os olhos da comunidade internacional voltados para a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016, a responsabilidade para os organizadores deste Mundial de 2011 é maior. Local de jogos, segurança, transporte, rede hoteleira e alimentação de primeira qualidade são a ordem do dia.



No entanto, esses são problemas materiais de fácil resolução (com o devido apoio financeiro, é claro). Minha preocupação maior é com a participação de nossos representantes e jovens talentos. Se por um lado é muito bom ter um Mundial realizado no Brasil, por outro lado todo esse esforço pode ser desperdiçado se não for feito um bom trabalho de base e de alto rendimento nesses dois anos.



Na década de 1990 o Brasil sediou vários Mundiais e Panamericanos, mas naquela época tínhamos atletas de alto nível e que eram favoritos nos Panamericanos e até mesmo em Mundiais. Basta lembrar alguns nomes como Tatiana Duarte, Roberto Watanabe, Rafael Leitão, Giovanni Vescovi, Igor Steinhoff, Tatiana Ratcu, Marina Ramos, Cássio Faria, Rodrigo Fernandez. Vale lembrar que o Rafael não venceu o Mundial sub 16 de 95 por pouco, e em 94 eu também deixei escapar o Mundial Juvenil (sub 20) e acabei ficando com o bronze. Hoje a realidade é diferente, e os grandes favoritos nos Panamericanos são os peruanos, venezuelanos, norte-americanos e argentinos. Se mal conseguimos uma ou outra medalha no Pan, no Mundial nossa participação é ainda mais modesta.



Para ilustrar melhor o pensamento, em 2006 estive na China como representante da equipe do resto do mundo no desafio contra a equipe chinesa masculina, que era a vice-campeã olímmpica. Na ocasião lembro que comentavam a possibilidade de a China sediar a Olimpíada de xadrez, e a resposta dos dirigentes foi: “Nós ainda não somos os melhores”. Embora haja um certo exagero nesta posição, mostra a preocupação em fazer um trabalho completo, como nos Jogos Olímpicos de Pequim. Nós, brasileiros, somos mais flexíveis: nem tanto trabalho... mas nem tanta festa!

Uma sobrevivente da visão celular de Rene Terra Nova conta TUDO!

Uma sobrevivente da visão celular de Rene Terra Nova conta TUDO!

Roselaine Perez

Eu tive que digerir depressa demais o amontoado de quesitos que a Visão Celular possuía, parecia que tinha mudado de planeta e precisava aprender o novo dialeto local, e urgente, para conseguir me adaptar.
Ganhar / consolidar / discipular / enviar, almas / células/ famílias, Peniel, Iaweh Shamá, honra, conquista, ser modelo, unção apostólica, atos proféticos, mãe de multidões, pai de multidões, conquista da nação, mover celular, riquezas, nobreza, encontro, reencontro, encontros de níveis, resgatão, Israel, festas bíblicas, atos proféticos, congressos, redes, evento de colheita, prosperidade, recompensa, multidão, confronto, primeira geração dos 12, segunda geração dos 12, toque do shofar, cobertura espiritual, resultado, resultado, resultado, etc...
Era início do ano de 2002 quando fomos a Manaus, eu e meu marido, para recebermos legitimidade, enquanto segunda geração dos 12 do Apóstolo Renê Terra Nova no estado de São Paulo.As exigências eram muitas e muito caras:
Compra do boton sacerdotal num valor absurdo.
Hospedagem obrigatória no Tropical Manaus, luxuoso resort ecológico, às margens do Rio Negro, não um dos mais caros, mas “O” mais caro de Manaus (conheci Pastores que venderam as calças para pagar 2 diárias no tal resort e outros que deixaram a família sem alimentos para entrar na fila dos zumbis apostólicos, num Thriller nada profético).Trajes de gala Hollywoodianos. Participação obrigatória num jantar caro da preula após a cerimônia, tendo como ilustre batedor de bóia nada menos que o Apóstolo Renê e seus cupinchas. Tudo isso para ter a suprema dádiva de receber a imposição de mãos do homem, com direito a empurradinha na oração de legitimação e tudo ( uhuu!).

Nem mesmo em festa de socialite se vê exageros tão grandes em termos de exibição de jóias, carros, roupas de grife e todo tipo de ostentação escandalosa.
Hoje, sem a cachaça da massificação na cabeça, sinto vergonha e fico imaginando como Jesus seria tratado no meio daquela pastorada.
Ele chegaria com sandálias de couro, roupa comum, jeito simples, não lhe chamariam para ser honrado, nem tampouco perguntariam quem é o dono da cobertura dele , pois deduziriam que certamente dali ele não era.
Estive envolvida até a cabeça – porém não até a alma – na Visão Celular durante quase 5 anos, em todas as menores exigências fui a melhor e na inspiração do que disse Paulo "...segundo a justiça que há na lei dos Terra Nova, irrepreensível."
Entreguei submissão cega às sempre inquestionáveis colocações e desafios do líder, sob pena de ser rebelde e fui emburrecendo espiritualmente.
Me pergunto sempre por que entrei nisso tudo e depois que este artigo terminar talvez você me pergunte o mesmo, mas minha resposta tem sempre as mesmas certezas:
-->  Todos nós precisamos amadurecer e, enquanto isso não acontece, muitas propostas vêm de encontro às fraquezas que possuímos e que ainda não foram resolvidas dentro de nós.
A partir da minha experiência pude enxergar as três principais molas propulsoras que fazem funcionar toda essa engrenagem:
1) A lavagem cerebral
A definição mais simples para lavagem cerebral é “conjunto de técnicas que levam ao controle da mente; doutrinação em massa”.
Em todas as etapas da Visão Celular se pode ver nitidamente vários mecanismos de indução, meios de trabalhar fortemente as emoções onde o resultado progressivo desta condição mental é prejudicar o julgamento e aumentar a sugestibilidade.

Os métodos coercivos de convencimento, os treinamentos intensos e cansativos que minam a autonomia do indivíduo, os discursos inflamados, as músicas repetitivas e a oratória cuidadosamente persuasiva são recursos que hoje reconheço como técnicas de lavagem cerebral, onde há mudanças comportamentais gradativas e por vezes irreversíveis.
2) Grandezas diretamente proporcionais
O Silvio Santos manauara é uma incógnita.Se em por um lado ele é duro e autoritário, noutro ele é engraçado, carismático e charmoso. Num dos Congressos em Manaus, me levantei da cadeira para tirar uma foto dele, que imediatamente parou a ministração e me chamou lá na frente. Atravessei o enorme salão com o rosto queimando, certa de que iria passar a maior vergonha de toda a minha vida, que o “ralo” seria na presença de milhares de pessoas e até televisionado.Quando me aproximei não sabia se o chamava de Pastor, Apóstolo, Doutor, Sua Santidade ou Alteza, mas para minha surpresa ele abriu um sorriso de orelha a orelha e fez pose, dizendo que a foto sairia bem melhor de perto. A reunião veio abaixo, claro, todos riam e aplaudiam aquele ser tão acessível e encantador.
Acontecimentos assim, somados à esperta e poderosa estratégia de marketing que Terra Nova usa para transmitir suas idéias, atraem para ele quatro tipos de pessoas:
As carentes de uma figura forte (o povo simples que chora ao chamá-lo de pai).
 As que desejam aprender o modelo para utiliza-los em seus próprios ministérios falidos.
Aquelas que desejam viver uma espécie de comensalismo espiritual, que vivem de abrir e fechar notebooks para ele pregar, ganhando transporte e restos alimentares em troca, as rêmoras da Visão.
As sadomasoquistas espirituais. É tanta punição, tanto sacrifício, tanta submissão, que fica óbvio que muita gente se adapta a esse modelo porque gosta de sofrer. As interpretações enfermas do tipo “hoje eu levei um peniel do meu discipulador, então me agüentem que lá vou eu ensinar o que aprendi.”, eram a tônica das ministrações.
Pode acreditar que essas quatro classes de pessoas representam a grande maioria.
3) A concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida
O conceito da Visão Celular mexe demais com o ego, é sedutor, encantador, promissor, põe a imaginação lá no topo, puro glamour. A ganância que existe dentro do ser humano é o tapete vermelho por onde a desgraça caminha. Essa tem sido uma das causas pela queda de tantos e tantos pastores, por causa das promessas de sucesso rápido e infalível.
Renê não sabe com quem está lidando, mas é com gente!

Ele talvez ignore (não que ele seja ignorante) que cada ser humano é um universo e que as informações vão reproduzir respostas completamente inesperadas em cada um.
EU ASSISTI, na terra do Terra Nova, o “tristemunho” de uma discipuladora que, para confrontar e educar uma discípula, havia chegado à loucura de bater nela, para que a mesma parasse de falar em morrer. Esse é o argumento dos incapazes, dos que não conseguem levar cada triste, cada suicida ou deprimido às garras da graça de Cristo, mas que querem se fazer os solucionadores das misérias do povo.
Eu tenho até hoje péssimas colheitas dessa péssima semeadura, assumo meus erros e me arrependo profundamente de cada um deles:
- Quase perdi Jesus de vista
- Minha família ficou relegada ao que sobrava de mim.
- Minha filha mais velha, hoje com 23 anos, demorou um bom tempo para me perdoar por eu ter repartido a maternidade com tantas sanguessugas que me usavam para satisfazer sua sede de poder.
- Minha mãe teve dificuldade para se abrir comigo durante muito tempo porque, segundo ela, só conseguia me ver como a Pastora dura e ditadora. Tenho lutado diariamente para que ela me veja somente como filha.
- Fui responsável por manter minha Igreja em regime escravo (mesmo que isso estivesse numa embalagem maravilhosa), por ajudar a alimentar a ganância de muitos, por não guardá-los dessa loucura.
- Colaborei com a neurotização da fé de muitos, por causa da perseguição desenfreada pela perfeição e por uma santidade inalcançável.
- Fiquei neurótica eu mesma, precisando lançar mão de ajuda psicológica devido a crises interiores inenarráveis, ao passo que desenvolvia uma doença psíquica de esgotamento chamada Síndrome de Burnout*, hoje sob controle.
- Vendi a idéia da aliança incondicional do discípulo com o discipulador, afastando sutilmente as pessoas da dependência de Deus.
- Invadi a vida de muitos a título de discipulado, cuidando até de quantas relações sexuais as discípulas tinham por semana, sem que isso causasse ofensa ou espanto.
- Opinei sobre o que o discípulo deveria comprar ou não, tendo “direito” de vetar o que não achasse conveniente. A menor sombra de discordância por parte do discípulo era imediatamente reprimida, sem qualquer respeito. Quando isso acontecia os demais tomavam como exemplo e evitavam contrariar o líder.
- Aceitei que fosse tirada do povo a única diretriz eficaz contra as ciladas do diabo: a Bíblia. Não que ela não fosse utilizada, mas isso era feito de forma direcionada, para fortalecer os conceitos da Visão. Paramos de estudar assuntos que traziam crescimento para nos tornarmos robôs de uma linha de montagem, manipuláveis, dogmatizados.
- Fomentei a disputa de poder entre os irmãos ignorando os sentimentos dos que iam ficando para trás.
- Perdi amigos amados e sofri demais com estas perdas. Alguns criaram um abismo de medo, que é o de quem nunca sabe se vai ganhar um carinho ou um tapa, um elogio ou um peniel, mas sei que esse estigma está indo embora cada vez mais rápido. Outros me abandonaram porque não aceitaram uma Pastora normal, falível e frágil. Eles queriam a outra, a deusa, aquela que alimentava neles a fome por ídolos particulares.
- Dentro da Visão, nossa Igreja esteve entre as que mais cresceram e deram certo na região, mas desistimos porque, acima de todo homem e todo método, somos escravos de Cristo.
Talvez o mais difícil tenha sido a transição do meu eu, a briga daquilo que eu era com o que sou hoje até que se estabelecesse Cristo em mim, esperança da glória.
Prossigo, perdoada pelo meu Senhor, tomando minhas doses diárias de Graçamicina, recriando meu jeito de me relacionar e compreender mais as falhas alheias e as minhas próprias.
Prossigo, reaprendendo a orar e adorar em silêncio, livre dos condicionamentos, admitindo meus cansaços, me permitindo não ser infalível, sendo apenas gente...Pastoragente!
Roselaine Perez, a pastoragente para o Genizah
* SÍNDROME DE BURNOUT:Distúrbio psíquico, de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso.Se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). Resultado de um esforço extremo, um desgaste onde o paciente se consome física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e intolerante, com predileção para aqueles que mantêm uma relação constante e direta com atividades de ajuda. Ocorre geralmente em pessoas altamente motivadas, que sentem uma discrepância entre aquilo que investem e aquilo que recebem.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Racismos declarados e não declarados

extraído de http://www.metodista.org.br/conteudo.xhtml?c=10480

Neste mês da consciência negra nós negros e negras cristãos/ãs vimos a público denunciar o racismo explícito em site do grupo autodenominado SDR – Soberanos da Revolução. Este grupo prega a superioridade branca e a extinção da “raça negra”. Algumas medidas foram tomadas como: denuncia ao Ministério Público, à Comissão da OAB, ao Senador Paulo Paim.



O racismo é uma ideologia segundo a qual existe uma escala classificatória dos grupos humanos que varia entre superiores (brancos, caucasianos) e inferiores (negros).



Embora não tenha base científica esta ideologia ainda domina pensamentos, sentimentos e práticas de forma inconsciente ou consciente; de forma camuflada ou de forma declarada. O racismo atinge diretamente de forma ofensiva, discriminatória, preconceituosa a um grupo social, como no caso do racismo anti-negro.



“A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.” (Constituição Federal de 1988: Dos direitos e deveres individuais e coletivos, art. 5 – XLII).



Como prática de nossa cidadania cristã convidamos a todos e todas cristãos/ãs a se posicionarem contra toda e qualquer prática racista.



Contra sites racistas e outras práticas declaradamente racistas conclamamos seja feita a denuncia ao Ministério público, a comissão de Direitos Humanos das Assembléias Legislativas Estaduais e divulgação para que mais pessoas também denunciem.



Também nos declaramos contra todas as manifestações racistas por meio de preconceitos, discriminações, que se escondem através de piadas, brincadeiras e desigualdades de oportunidades que impedem a população negra de usufruir com igualdade os direitos de educação, moradia, saúde, trabalho, uso da terra, lazer, cultura e religião, e expoem principalmente as crianças e a juventude negra, a violência e a morte.



Conclamamos a todos e todas cristão e cristãs a se posicionarem contra todas e quaisquer práticas racistas que impedem o desenvolvimento saudável das crianças negras, e impedem a ascensão socioeconômica deste grupo, que constitui a maioria da população brasileira.



Conclamamos a todas as igrejas cristãs a dedicarem um dia deste mês para a reflexão, oração para que Deus sonde nossos pensamentos, sentimentos e práticas: onde escondemos nosso racismo? E que seja um dia de propósitos de enfrentamento ao racismo.



Assinam:

Pastoral Nacional de Combate ao Racismo

Pastoral de Combate ao Racismo da 1ª. Região Metodista

Juventude da Pastoral de Combate ao Racismo da 1ª. Região Metodista

Pastoral de Combate ao Racismo da 2ª. Região Metodista

Pastoral de Combate ao Racismo da 5ª. Região Metodista

Ministério de Ações Afirmativas Afro decendentes da 3ª. Região Metodista



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