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quinta-feira, 29 de abril de 2010

A arte de ouvir...

A arte de ouvir

Por Luiz Antônio Moreira e Marcelo S. Petraglia

Conta a lenda que um discípulo de Tomás de Aquino, vendo o mestre sempre debruçado sobre sua mesa de trabalho, absorto em estudos, resolveu pregar-lhe uma peça. Aproximou-se e disse: "Mestre, há um boi voando lá fora". Imediatamente o sábio se levantou, correu e olhou pela janela. Ao voltar encontra seus fâmulos rindo e o que havia feito a troça disse: "Mestre como pôde o senhor acreditar que um boi pudesse voar? " Ao que Tomás de Aquino respondeu: "preferi acreditar que um boi voasse, a pensar que você me enganaria".
Esta atitude inusitada do grande filósofo, nos aponta para uma qualidade essencial da arte de ouvir: a atitude despreconceituosa diante do novo, a capacidade para deixar de lado os conceitos prontos do que é, e do que não é a realidade. Ser de certa forma como criança quando o outro esta falando, pois ali a novidade pode acontecer. Uma criança eterna dentro de nos que cresce e aprende com tudo que ouve.
Ao ouvir, nos colocamos diante de algo que é distinto do nosso próprio ser. Precisamos nos esforçar para, mesmo que temporariamente, aceitar o outro dentro de nos. A imagem da criança neste sentido surge de forma poderosa, pois sendo ela como uma esponja, que absorve todas as impressões que a rodeiam, sem barreiras ou filtros, é muito mais apta a aprender e a ter verdadeiros encontros. Enquanto estamos ouvindo de forma genuína, estamos exercitando uma nova infância, um renascer para a realidade que surge.
O grande sabotador deste estado de ser é a dúvida. Como vimos no episódio de São Tomás, ela não se manifestou no momento em que ele escutou seu aluno. A dúvida tem pouco a ver com a natureza da criança. Ela é fruto de um processo crítico adulto, que não deve ser descartado, mas que se torna fatal quando invade o espaço da escuta. Quando em uma conversa ela surge, nascida do diálogo interno com meus velhos conceitos, já estou muito distante do meu interlocutor e paralisado na escuta.
Ouvir, neste sentido, pode tornar-se um forte aliado para o desenvolvimento individual e coletivo do ser humano, pois baseia-se em uma sincera abertura para o novo e na confiança e amor pelo próximo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

contradição II...


Já repararam como nossas ED´s estão cada vez mais iguais ao que sempre foram: tradicionais e fragmentadas?

Tradicionais na sua concepção pedagógica e, principalmente, em sua prática. Não me refiro, neste caso, `a práxis pois não há um processo de ação-reflexão-ação, logo não há práxis. Falamos tanto em uma educação que pense no indivíduo como um todo, e como parte de um todo, porém, onde deveria haver uma crescente preocupação em libertação do indivíduo oprimido e alienado, há apenas a repodução dessa alienação.
Documentos lindos jazem nos arquivos, e em algumas memórias, discursando sobre o papel da igreja na educação e sobre as diretrizes educacionais que permeariam (e deveriam) nossa, aí sim, educacional. A influencia de Paulo Freire é nítida, com sua pedagogia do oprimido, pedagogia da libertação, praxis libertária, ou outro termo a sua escolha. Há uma total preocupação com o desenvolvimento global do ser humano e na promoção de atitudes que valorizem a vida.

E isso há mais de vinte anos atrás.

Mas, então, porque as nossas aulas de ED são, sobremaneira, conteudistas e reprodutoras de valores descontextualizados? Já repararam como, em muitas ED´s, as crianças decoram e decoram versículos bíblicos, mas não refletiram sobre? E o quanto o profo não estimula ao questionamento do que aquilo significa ou o que ele entende sobre aquilo?

Não há "leitura de mundo" (P. Freire). Assim, citando-o novamente, "a leitura do mundo precede a leitura da palavra", e quando não contribuimos dessa forma, o que estamos então fazendo?
Falamos em desenvolvimento global e libertação em todos os aspectos do ser humanos, mas não contribuimos sequer com a alfabetização das crianças!
Quantos desenhos de colorir são passados! O que isso significa!?
No pouco contato que tive com a pedagogia Waldorf, tive algumas elucidações muito interessantes. Se repararem nos trabalhos artísticos, desenhos mesmo, antroposóficos, repararão que não há contornos como nós os fazemos. Por que? Notem a ideologia implícita: o que é mais importante, o que está dentro, ou fora? Não é uma atividade dirigida, imposta pelas linhas e contornos, e sim, CRIAÇÃO. O que vemos no mundo não são os contornos, e sim o espaço preenchido por cores. São as diferenças de cores que determinam as formas e os contornos. Fazer uma criança desenhar os contornos com linhas seria forçar um desenvolvimento intelectual precoce, já que contorno sem as cores é uma abstração que não corresponde à realidade percebida pela visão.

Isso é só um exemplo.

O que vemos são um amontoado de atividades que não respeitam o desenvolvimento individual, com conteúdos que, apenas graficamente, condizentes a faixa etária. Digo graficamente pois se tem pensado apenas em atividades que chamem a atenção, sejam juvenis, jovens ou adultos!

Porém, quantas situações de aprendizagem são desperdiçadas...

Quando falo em elucidação me remete a Phillip Perrenoud, que nos reforça justamente isto: o docente precisa estar sempre lúcido!

Quantos profs de ED estão lúcidos????

quarta-feira, 21 de abril de 2010

mas, onde estão?

Pensando em nossa realidade musical de hoje, principalmente a "gospel" (ou evangélica, ou cristã):
Tanta se fala em profetas e profecias, mas onde estão as músicas que denunciam a opressão de um sistema opressor?
Onde estão os profetas, se esse é o papel deles?
Se é uma "Geração Profética" (perdoe-me por usar esta expressão, Rev e amigo Gerson), onde estão?
Será que se escondem atrás da máscara da alienação de adoradores?
Onde estão músicas que contestem essa podridão nos palanques em períodos de eleição pseudo-democrática? Onde esta a defesa da democracia?
Onde estão os profetas-adoradores-cheios-de-superstição nos escândalos das cuecas endinheiradas? Quem discutiu isso em Escolas Dominicais? Quem falou sobre este "bando de salteadores"?
Onde esta a defesa dos direitos humanos desses pobres adoradores que esqueceram que pensar também é algo divino? Sim, "é de Deus"! Alienação não é de Deus não! É opressão, e toda forma de opressão é maligna (em todos os sentidos). Até a religiosa.
Onde estão aqueles compositores que se acham no hall de Deus mas esquecem da realidade daqueles que estão sofrendo nas ruas todos os dias. Será que são menos filhos de Deus por não terem dinheiro para comprar o último CD ungido?
Porque teríamos que falar de tudo isso?
Porque cantar sobre estas coisas?
Música é expressão. Exprimir algo que está dentro de nós, extrair mesmo, inclusive nossa indignação contra as injustiças (em todas as suas formas). Me lembra alguns movimentos, como o punk, p ex, que não era apenas musical. A música servia apenas como uma das formas de expressão de sentimentos de uma massa oprimida e que necessitava de uma mudança social, uma transformação para uma sociedade mais justa. Expressão. A música punk era, em sua maioria, uma extensão da maneira de viver de um determinado ramo insatisfeito com a sociedade, inclusive denunciando. Praticamente profetas, só faltava mostrar que o caminho, para o povo, era voltar-se a Deus.
Assim sendo uma extensão da vida que se tem, a música não tem sido a extensão da vida dos cristãos e cristãs?
Isso é preocupante pois, então, o cristão deixou de se preocupar com aquilo que oprime o seu próximo? O cristão deixou de ser cristão?

Mas, onde estão, então, os cristãos?

Que pensemos nisso e procuremos refletir sobre nosso papel cristão verdadeiro, e seguirmos o exemplo de Jesus Cristo, que considera o ser humano em todos os seus aspectos e necessidades.

Ósculos e amplexos

terça-feira, 20 de abril de 2010

Raízes...


Grandes chances de eu ir com minha sobrinha Camilla ao show do Megadeth neste sábado no Credicard Hall!
Isso me faz lembrar a minha infância... Tempos os quais eu ia a grandes shows de grandes bandas... Meu primeiro show foi do Motorhead no antigo Olympia, quando tinha acabado de completar 14 anos, em torno de 4 dias depois. Quase fui barrado, mas, por 4 dias, pude entrar. E nem era tão ligado em Motorhead assim. Tiveram também os Monsters of Rock (fui nos três que rolaram no Pacaembu) em que pude ver Ozzy, Black Sabbath, Kiss, Faith No More, Alice Cooper, King Diamond, Slayer, Iron Maiden, Helloween, Suicidal Tendencies, Angra, Raimundos, e muito mais, mesmo! Tempos em que fazia aulas de baixo com o Marcelo Manieri (in memorian), grande músico e inspirador. Tempos em que achávamos o surgimento do grunge uma porcaria, totalmente fake, mas hoje vemos que estávamos melhor antes. Tempos que tocávamos e fazíamos músicas que faziam nossos dedos serem mais rápidos que nosso cérebro.
Inclusive, neste mesmo Olympia que vi Motorhead, Pantera, o próprio Megadeth, Sepultura entre outros pesadões, anos mais tarde, quando este local mudou de nome (que não me recordo) fui trabalhar lá, tocando country music! Irônico não? Quantas voltas...
Interessante notar que muitas das bandas, em suas letras, são contestadoras de um sistema opressor e são denunciadoras de que algo está errado na sociedade contemporânea. Lembrando sempre que temos uma necessidade urgente de quebrar alguns paradigmas e transformar nossa sociedade em uma sociedade mais crítica e reflexiva, denunciadora de problemas em todos os âmbitos.
Por isso a saudade fica, hoje falta-nos isso. Falta isso para a juventude atual.


Dois exemplos:

Peace Sells Megadeth

What do you mean "I don't believe in God"?
I talk to him everyday.
What do you mean, "I don't support your system"?
I go to court when I have to
What do you mean, "I can't get to work on time"?
I got nothing better to do.
And, what do you mean, "I don't pay my bills"?
Why do you think I'm broke? Huh?

If there's a new way,
I'll be the first in line.
But it better work this time.

What do you mean, "I hurt your feelings"?
I didn't know you had any feelings.
What do you mean, "I ain't kind"?
Just not your kind.
What do you mean, "I couldn't be the President
Of the United States of America"?
Tell me something, it's still "We the people," right?

If there's a new way
I'll be the first in line
But it better work this time

Can you put a price on peace?

Peace,
Peace sells...,
Peace,
Peace sells...,
Peace sells... but who's buying?

Rust In Peace... Polaris Megadeth

Tremble you weaklings, cower in fear
I am your ruler, land, sea and air
Immense in my girth, erect I stand tall
I am a nuclear murderer I am Polaris
Ready to pounce at the touch of a button
My system locked in on military gluttons
I rule on land, air and sea
Pass judgment on humanity
Winds blow from the bowels of hell
Will we give warning? only time will tell
Satan rears his ugly head, to spit into the wind
I spread disease like a dog
Discharge my payload a mile high
Rotten egg air of death wrestles your nostrils
Launch the Polaris, the end doesn't scare us
When will this cease
The warheads will all rust in peace
Bomb shelters filled to the brim
Survival such a silly whim
World leaders sell missiles cheap
Your stomach turns, your flesh creeps
High priest of holocaust, fire from the sea
Nuclear winter spreading disease
The day of final conflict
All pay the price
The third world war
Raped peace, takes life back to the start
Talk of the part
When the earth was cold as ice
Total dismay as the sun passed away
And the days where black as night

Eradication of Earth's
Population loves Polaris

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Suporte...

Amanhã teremos um Culto de Ação de Graças pela Vida de um de nossos alunos do Colégio Metodista, morto na madrugada de sexta para sábado na Via Anchieta em um acidente seríssimo de carro. Era apenas um garoto de 16 anos, que acabara de se transferir para o Colégio que era um grande sonho para ele. Estava conosco havia um mês.
Mais importante é darmos graças ao Nosso Pai pela vida que este garoto teve. Pela escola que sonhara e conseguiu. Pelos amigos novos e antigos que tivera. Pela família que tão bem estava ao lado dele.
Que consigamos "em tudo dar graças" pois Ele "é o nosso Pastor, e nada nos faltará".
E que possamos, sempre, em todos os momentos de dor e angústia, darmos graças por tudo o que tem feito por nós. E que nosso agradecimento venha suportado por um sorriso sincero no rosto, amparando a família daquele garoto e, assim, testemunharemos a importância de uma espiritualidade que acolhe, que abraça, que chora, que ora e sofre, mas com um brilho nos olhos que transmite apenas a esperança pautada no amor de Nosso Pai cuidador, nosso Deus Conosco.
Que possamos sempre sentir o cuidado d`Ele para conosco em todos os momentos.
E que possamos ter a força necessária para amparar a família, como comunidade de fé, e mostrando que é possível termos esperança através do suporte de uns para com os outros.
Mostrarmos que "somos gratos por tudo" que temos: família, irmãos, amigos...
Mostrarmos que há uma luz, uma única luz:

vejo a luz do Senhor que brilha
bem no meio das trevas brilha
Jesus Cristo é a Luz deste mundo
Nos acorda do sono profundo
Brilha em mim, brilha em mim

Brilha Jesus, mostra ao mundo a luz de Deus Pai
Espírito de Deus, vem refulge em nós
Faz transbordar sobre os povos tua graça e perdão
Vem ordenar que haja luz, ó Senhor


sexta-feira, 9 de abril de 2010

...como a ti mesmo...

"E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e, tudo o que de mais gastares, eu to pagarei, quando voltar". (Lucas 10.34-35)

Nestes últimos tempos tenho percebido e vivenciado a importância do "como a ti mesmo" no mandamento de Jesus. O amor tem que sempre partir internamente. É o interior transformado para afetar o exterior.
Não obstante, o amar ao próximo está intrinsecamente condicionado ao amar a si mesmo incondicionalmente. Tal experiência leva-nos a capacidade real de multiplicar este sentimento sem esquecer de si e de sua própria carga a ser carregada.
Neste texto, Jesus ensina-nos também isso, pois aquele que prestou socorro, cuidou do próximo em um ato humano de amor. Cuidou de suas feridas, prestou atenção aos detalhes, doando-se. Porém não anulou-se, não anulou a sua própria condição de ser alguém que também tem uma carga a ser carregada, e só ele podia carregá-la por ele. Após cuidar e deixar o surrado em um local seguro, deixa-o para ser cuidado por outrem, pois havia a necessidade de ele próprio sair para resolver alguma coisa. Podia ser qualquer coisa: pagar uma dívida, cobrar uma dívida, ir ao jogo do filho, ir ao cabeleireiro, praticar alguma atividade física, ir à reunião de oração, visitar um amigo, tomar um banho relaxante em um spa, enfim, qualquer coisa, mas era algo significativo para esta pessoa cuidadora dos outros e de si mesmo. Ser empático não significa se colocar no lugar da outra pessoa anulando-se, e anulando sua própria vida, sua necessidades, desejos e compromissos. E, ao cuidar de si, não significa a anulação do cuidado com o próximo, mas um reforço do cuidado com o próximo, pois, reservando um tempo para o cuidado de si, oferece-se condições propícias para o cuidado com o próximo. Isso fica evidente quando diz no texto "quando voltar". O bom samaritano reserva um tempo para si, para cuidar de sua vida, mas não esquece o fato de que há um oprimido, não esquece que há um necessitado precisando do seu amparo.

E ele retorna.

"E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me"

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tudo embaixo...

Mais um escândalo, agora (ou de novo) na Saúde, desvios de verbas, ministros dizendo "eu não sei..." e tudo de novo... e nem podemos dizer tudo novo de novo! é sempre a mesma coisa...
Hoje, ouvindo o Pulo do Gato, na CBN 90.90 alguém, devido ao ruído do trânsito, comentou "a legislação é a maior aliada da impunidade". Será tão simples assim? Só que a legislação é feita por legisladores, logo, o maior aliado da impunidade é o próprio legislador. Interessante a atribuição de culpa a outrem, sempre. Temos um legislativo que não legisla, um executivo que não executa e um judiciário que não tá nem aí. E ficamos empurrando com a barriga vazia, enquanto outros empurram cueca abaixo. Tentamos sempre achar uma punição, mas nunca tentamos transformar as causas que levam à imoralidade e à falta de ética em um país amoral. A falta de educação de todo o povo, sim, todo o povo (inclui-se aí a elite pseudo-pensante, que não pensa mais e só fala besteira), é apenas debatida em círculos cercados de interesses e recheado de discursos que agradem a esses interesses. E fica lá, no círculo fechado, e não chega ao pobre oprimido e marginalizado e desconhecedor de que é possuidor de direitos e deveres, além do nome sujo ou limpo na praça. E que diz que luta, sem saber a causa, ou pior, sem ter causa. Nasce, cresce, trabalha e morre. E onde está a luta nisso tudo? Aí diz que luta pela sobrevivência. Será que somos reduzidos a isso, pois um animal selvagem faz a mesma coisa: nasce, cresce, luta pela sobrevivencia e morre. Um sistema não-humano que desumaniza o ser-humano. E quem faz esse sistema? Você e eu.
Faço minhas as palavras de Affonso Romano de Sant´Anna, em seu poema de 1980 intitulado "Que país é este?"

Uma coisa é um país,
outra um ajuntamento.

Uma coisa é um país,
outra um regimento.

Uma coisa é um país,
outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas
usei caderno "Avante"
- e desfile de tênis para o ditador.
Vinha de um "berço esplêndido" para um "futuro radioso"
e éramos maiores em tudo
- discursando rios e pretensão.

Uma coisa é um país,
outra é um fingimento.

Uma coisa é um país,
outra um monumento.

Uma coisa é um país,
outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça
em busca da especiosa raiz? ou deveria
parar de ler jornais
e ler anais
como anal
animal
hiena patética
na merda nacional?
Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo
comendo o que as traças descomem
procurando
o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso
que nos impeliu de errar aqui?

Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos
nacionais, como qualquer santo barroco
a rebuscar
no mofo dos papiros, no bolor
das pias batismais, no bodum das vestes reais
a ver o que se salvou com o tempo
e ao mesmo tempo
- nos trai

Recomendo a leitura de todo este poema, muito bom, além de outros deste autor. Mas, deixo mais algumas frases deste poema:

(...)
Mas este é um povo bom
me pedem que repita
como um monge cenobita
enquanto me dão porrada
e me vigiam a escrita.
Sim. Este é um povo bom. Mas isto também diziam
os faraós
enquanto amassavam o barro da carne escrava.
Isso digo toda noite
enquanto me assaltam a casa,
isso digo
aos montes em desalento
enquanto recolho meu sermão ao vento.

Povo. Como cicatrizar nas faces sua imagem perversa e nua?

(...)

Povo
também são os falsários
e não apenas os operários,
povo também são os sifilíticos
não só atletas e políticos,
povo
são as bichas, putas e artistas
e não só escoteiros
e heróis de falsas lutas,
são as costureiras e dondocas
e os carcereiros
e os que estão nos eitos e docas.

Assim como uma religião não se faz só de missas na matriz,
mas de mártires e esmolas, muito sangue e cicatriz,
a escravidão
para resgatar os ferros de seus ombros
requer
poetas negros que refaçam seus palmares e quilombos.

(...)

Povo
não pode ser sempre o coletivo de fome.
Povo
não pode ser um séquito sem nome.
Povo
não pode ser o diminutivo de homem.

O povo, aliás,
deve estar cansado desse nome,
embora seu instinto o leve à agressão
e embora
o aumentativo de fome
possa ser
revolução.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Antes que se rompa o fio de prata..."

por Pastor Marcos Munhoz, da IM em Rudge Ramos




"Antes que se rompa o fio de prata..."

Eclesiastes 12 : 1 - 8

As vivências que compõe a nossa existência relatam nossa intimidade com Deus. Nos últimos dias um infarto agudo do miocárdio e todas as suas conseqüências me proporcionaram experiências múltiplas as quais não poderia ou conseguiria relatar em só testemunho. Uma dessas vivências diz respeito ao "Fio de Prata", ou seja, a finitude e a fragilidade da vida - dom gratuito de Deus.

Reconhecer que o "Fio de Prata" estava por ser rompido a qualquer instante gerou em mim, enquanto estava na UTI (sonolento, contudo consciente durante todo o processo de "salva" de minha vida), uma capacidade de reconhecer a fragilidade, a finitude do humano e em contrapartida a grandiosidade e a infinitude do Divino reveladas em sua benignidade e misericórdia.

Meses antes, em uma de minhas orações dizia a Jesus : "trata, Senhor, o meu coração". Referia-me ao meu ego, estava por suplicar que Deus me ajudasse a não ser soberbo com certas funções que exerço na Igreja e na vida secular, mas referia-me, também, a não ter uma baixa auto-estima caso alguns projetos não se realizassem. O tratamento do infarto me reportou a este pedido e ali nas primeiras horas de UTI eu senti que Deus estava com justiça, correção e equidade tratando literalmente meu coração e fazendo daquele momento o tratamento que eu solicitara em minhas súplicas de meses anteriores.

Naquela situação de esgotamento de todos os meus sistemas (circulatório, digestório, muscular, etc.) fui sendo educado pelo Espírito Santo, instruído sobre a minha fragilidade e finitude humana, reconheci que os projetos pessoais, os ideais, os sonhos, os desejos mais íntimos são ligados a vida por um tênue "Fio de Prata" que pode romper-se a qualquer momento. O educar do Espírito é multiforme. Paralelamente me fazia compreender a grandiosidade, a benignidade, a misericórdia, o poder do Deus Pai. Nas mãos Dele eu estava totalmente entregue, e o Senhor, em Jesus Cristo, agia mansamente por meio de uma equipe de profissionais competentes, adestrando suas mãos, instigando seus conhecimentos, usando-os como "anjos" a cuidar de um servo inerte; aproveitando o episódio para tratar meu ego. É como se eu pudesse ouvir: "Veja como sou capaz de cuidar de você e usar o que desejo para mantê-lo para mim ou trazê-lo comigo; não são seus projetos, seus sonhos, seus ideais que dirigem sua vida, sou Eu."

Passados os momentos de maior crise e a primeira angeoplastia realizada apenas algumas horas após o infarto (portanto de emergência), a medida que meus sinais vitais iam aos poucos se estabilizando a aprendizagem era ainda maior, o Espírito estava certo que eu podia compreende-lo.

Então me perguntei como posso agradecer a Deus por este feito tão grande, procurava e rebuscava em minha memória palavras, frases, jargões que pudessem criar um grande alarido de ação de graças e louvor, mas... não encontrava senão pouquíssimas palavras que pareciam nada significar diante do que o Senhor me proporcionará naquele leito de UTI. Então o Espírito Santo me ensinava: "veja como é a fragilidade e a finitude humana, não há nada que se possa igualar aos feitos do Pai, realizados por seu Filho a teu favor, não há palavras, frases, jargões que possam expressar a totalidade da ação divina." Passaram-se dias (17 ao todo) e recebi alta hospitalar e devolvido ao seio familiar a quem Deus cuidará com todo carinho por meio de muitos irmãos e irmãs.

Com estes cuidados de Deus fui aproximando-me novamente da necessidade de agradecer e a idéia de culto saltou de minha memória em uma madrugada. Se palavras, expressões, jargões não são suficientes quem sabe o culto seja mais apropriado para render graças ao Senhor. Com a ajuda do Espírito fui refletindo sobre o que é cultuar, veja bem sou pastor a 29 anos e me perguntava o que é cultuar a Deus? Os meus parcos conhecimentos teológicos começaram a vir a mente e o Espírito parecia selecionar o que eu devia dar importância e me mostrou que eu já sabia o suficiente, mas precisava aprofundar esses conhecimentos. Entendi que devia refletir sobre a temática e no leito, na madrugada (uma "insônia santa"), era como se o Espírito afirmasse: "agora tudo e todos repousam, podemos conversar".

Lembrei-me então das palavras liturgia e da expressão ordem de culto, e o Espírito me ensinava "isto mesmo, vamos lá". ADORAÇÃO, sim adoração. É o primeiro ato de um cristão ao adentrar a casa do Senhor para cultuar. Adorar..., bem são afirmações sobre os atributos de Deus, certo?! As experiências da grandiosidade e infinitude de Deus que eu vivera na UTI me reportavam a necessidade de dizer coisas sobre o caráter de Deus, sobre sua intimidade. Mais uma vez as palavras eram pífias, pequeninas, insignificantes, não havia jargões teológicos, frases de efeito, ações que pudessem me fazer definir o poder, a misericórdia, a benignidade, o amor de Deus que eu sentira na UTI. É como se o Espírito me confidenciasse; "percebes que nem sempre os cultos realizados fazem sentido para o Pai? É por isso que gemo, com gemidos inexprimíveis, por cada um de vocês" . Ensino, palavra fundamental naquela madrugada. Meus pensamentos voaram rapidamente para a fragilidade e a finitude humana, se não sou capaz de adorar sem que o Espírito Santo o faça comigo, deverá haver algo que eu possa dizer ao Senhor. Ledo engano! A fragilidade e a finitude da vida me puseram frente a frente com a multidão de meus pecados de toda a minha vida, não havia acusações ou culpas, apenas memória daquilo que sou. O Espírito volta a ensinar-me - não ouvia vozes ou tinha qualquer tipo de visão - apenas pensamentos que iam ajustando minhas reflexões. "Marcos, Jesus perdoou todos os teus pecados! Confessa-los é um ato tão importante como adorar ao Deus trino." Os ensinamentos brotavam com uma fluidez impressionante e me colocavam diante do "Fio de Prata". Reconhecer a situação humana de fragilidade e finitude me remeteu a cruz de Cristo. O sangue remidor derramado naquela horrenda cruz é que me permitia sentir o quanto sou frágil, finito e dependente da ação misericordiosa do Deus Trino. O Espírito Santo novamente me ensinava: "viu, Marcos, como preciso continuar gemendo, gemidos inexprimíveis, em suas confissões?" De fato a confissão é um ato importante, mas a exemplo da adoração faltam palavras e expressões que tragam a tona as minúcias dos nossos pecados, há muitos que nos ficam ocultos por se tratarem de ações tão corriqueiras que nós já nem mais consideramos pecados, mas nos afastam de Deus. Lembrei-me do salmista: "absolve-me das faltas que me são ocultas (Salmo 19 : 12). Quão importante é a confissão diária de nossos pecados!

Então o Espírito me conduziu ao LOUVOR! Como se me perguntasse: "você sabe louvar?" Ah! pensei logo: música! Então o Espírito me orienta: "não é muito insignificante essa resposta?" Uma grande dificuldade invadiu minha mente, eu já tinha me deparado com este sentimento na adoração e na confissão. Impotência das palavras, das ações, dos jargões, das formulas repetitivas, importantes tentativas de louvar mas que..., bom rendo-me ao ensino do Espírito. Disse, eu: Senhor louvar é contar os teus grandiosos feitos, ações magníficas de tua bondade. "Sim", respondeu-me o Grande Ensinador. "Contudo lembre-se dos momentos vividos naquele hospital me diga palavras que podem contar tudo que o Pai das Luzes fez." Esforcei-me, o vocabulário parece não conter palavras suficientes para se quer agradecer que dirá contar com detalhes cada ação favorável a mim. Lembrei-me dos que eram meus cuidadores, dos mais humildes aos mais sábios daquelas equipes que por 17 dias me acompanharam com um carinho tão especial. Lembrei-me de minha família, seus sofrimentos e angustias e a certeza do cuidado paterno do Senhor Jesus, lembrei-me da família de Deus em oração e disse ao meu Educador : "não tenho palavras , meu Senhor, tudo o que fazemos nos cultos não conseguem refletir a majestade do Deus Trino, as Suas obras, o Seu agir e o Seu trabalho , por vezes tão silencioso, quase imperceptível. Rendo-me aos teus pés, não sou capaz de louvar ao Senhor na dimensão da Sua Majestade, da Sua Soberania, Seu Poder e Sua Glória. O Grande Ensinador tranqüiliza meu coração: "Marcos, eu continuo gemendo, gemidos inexprimíveis, para que o louvor possa chegar ao Trono da Graça. Lembra-te da multiforme Graça de Deus, os louvores devem ser multiformes pois na complexidade da vida há muitos meios para expressar o sentir da obra de Deus, e eu fui enviado para ajuda-lo a louvar, gemendo por ti." A fragilidade e finitude humana exposta diante de mim em contrapartida a grandiosidade e infinitude de Deus me remeteram a quilo que podemos chamar de final do culto. DEDICAÇÃO. "Você sabe o que é isso, Marcos?" A pergunta me veio a mente como um sussurro de meu mestre. Lá estou eu, de novo, com os saberes teológicos e a falta de vocabulário. Entrega, confiança, esperança, intercessão, envio. Puxa! parece que agora estou conseguindo me sair bem! "Não é bem assim" afirma o Educador: "Nem mesmo estas palavras são capazes de expressar o que podem significar a Dedicação. Marcos, estou falando de ações que estão muito além do fazer um final de uma apresentação, a dedicação tem uma espiritualidade de entrega." Comecei a refletir: a intercessão pelos que sofrem é uma entrega, o culto prestado sobre a ordem do Espírito Santo é uma entrega, a certeza que Deus nos acolheu e aceitou o culto é uma entrega, a bênção apostólica é uma entrega. O Envio, que é a abertura do ser humano, regenerado por Jesus, e enviado ao mundo como ovelhas entre lobos, é uma entrega. O mestre da madrugada oferece mais uma vez a sabedoria : "Dedicar é oferta suave de entrega do seu próprio ser, frágil e finito, ao que é Grande e Infinito: o Trino Deus". Então compreendi, o Espírito Santo estava gemendo mais uma vez, gemidos inexprimíveis, por mim naquela madrugada. Adormeci após um culto fascinante, onde não houve música, nem coros, nem teatro, nem dinâmicas, nem ofertas financeiras, repousei nos braços do Grande Ensinador, como um infante acolhido no colo materno ou paterno dorme o sono da segurança. Edificado como necessitava.

Lembram que lhes contei de minha oração: "trata Senhor o meu coração". Aí está um dos tratamentos que Deus me proporcionou em uma dessas últimas madrugadas, outros já me foram dados que não descrevi aqui.

Termino este testemunho afirmando: o poder institucional, a soberba das funções e cargos ocupados, a urgência de ser reconhecido e elogiado, a necessidade de obter resultados no trabalho, o desejo de domínio sobre pessoas, a vontade de que projetos pessoais sejam aceitos e realizados para nossa satisfação, o edonismo de nossos cultos (prazer que nós desejamos ter no culto, fazendo dele a nossa imagem e semelhança), nada são diante do "Fio de Prata", da fragilidade e finitude humana. Em verdade somos totalmente dependentes da grandiosidade e infinitude do Senhor da Vida, que misericordiosamente nos ama.

Pastor Marcos Munhoz da Costa

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