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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Música Sacra ou Música para o Culto?

Esse texto é de autoria do Rev Luiz Carlos Ramos, professor da FATEO...


O que torna sacra uma música?


Nestas linhas tra­ta­re­mos da con­cep­ção da música que se uti­liza no culto público, rea­li­zado pelo povo de Deus no con­texto da Igreja cristã. Que tipo de música se pode entoar, ouvir e exe­cu­tar no espaço/momento litúr­gico? Qual­quer uma serve ou só as “sagra­das”? Para dis­cu­tir o pro­blema, nos pro­po­mos as seguin­tes ques­tões: O que torna a música sacra é a melo­dia da lira ou o des­canto da alma? É a har­mo­nia dos acor­des ou a dis­so­nân­cia da vida? É o ritmo do cora­ção ou o com­passo do corpo? É a letra que mata ou a música que vivi­fica? É a san­ti­dade do autor/compositor ou a graça de Deus?



A melo­dia da lira ou o des­canto da alma?

Onde esta­ria a sacra­li­dade da música? Na melo­dia? Será que exis­tem melo­dias sagra­das? Veja­mos: uma melo­dia se faz, evi­den­te­mente, com notas musi­cais. Na con­ven­ção oci­den­tal, as pos­si­bi­li­da­des meló­di­cas são o resul­tado da com­bi­na­ção “mate­má­tica” de sete notas musi­cais e de seus inter­va­los —dó, ré, mi, fá… Ora, tanto uma peça de Bach, quanto um gos­pel moderno, de um lado, e uma música de gafi­eira, um rap ou um samba, de outro, se fazem com as mes­mas notas ele­men­ta­res. Daí, a con­clu­são ine­vi­tá­vel é que a san­ti­dade da música não deve estar na escala diatô­nica, pen­tatô­nica ou nou­tra qual­quer, pois as mes­mas notas que “falam” de Deus ser­vem para “falar” de outras coi­sas. É melhor con­ti­nu­ar­mos a inves­ti­gar o assunto…



A har­mo­nia dos acor­des ou a dis­so­nân­cia da vida?

Tal­vez a san­ti­dade esteja mesmo é na com­bi­na­ção simul­tâ­nea das notas, ou seja, em sua har­mo­nia. Acor­des eufô­ni­cos e “redon­dos” ten­dem a ser iden­ti­fi­ca­dos com as músi­cas de igreja, enquanto os dis­so­nan­tes e trun­ca­dos seriam mais pró­prios da música secu­lar. Entre­tanto, a fór­mula harmô­nica é gran­de­mente uti­li­zada por com­po­si­to­res secu­la­res, ao passo que auto­res de mui­tas peças tra­di­ci­o­nal­mente acei­tas como sacras se uti­li­zam de dis­so­nân­cias. Ora, sendo a pró­pria vida repleta de “dis­so­nân­cias”, a har­mo­nia não deve­ria ser tam­bém expres­são sin­cera da rea­li­dade do povo de Deus que, com fé, enfrenta coti­di­a­na­mente os con­fli­tos de vida-e-morte? Daí que a har­mo­nia resulta ser uma expres­são fluida demais para que limi­te­mos a ela ques­tão de tama­nha impor­tân­cia —como o é sacra­li­dade da música.

O ritmo do cora­ção ou o com­passo do corpo?

Se não é a har­mo­nia, então deve ser o ritmo o que dis­tin­gue uma música pro­fana de outra sacra. Assim, devem exis­tir rit­mos sagra­dos e rit­mos pro­fa­nos. E quais seriam os rit­mos pro­fa­nos? Esta res­posta parece fácil: seriam os rit­mos asso­ci­a­dos às fes­tas secu­la­res e os pra­ti­ca­dos pela cul­tura popu­lar em geral. Mas, espere um pouco. É pos­sí­vel com­por uma música que não se enqua­dre em nenhum ritmo secu­lar? Mesmo os hinos dos hiná­rios ofi­ci­ais das igre­jas repro­du­zem ine­ga­vel­mente os rit­mos dos perío­dos his­tó­ri­cos e dos gru­pos étni­cos de seus com­po­si­to­res. Tam­bém os cân­ti­cos pre­fe­ri­dos pelos jovens caris­má­ti­cos con­tem­po­râ­neos são a ver­são “evan­gé­lica” da música pop norte-americana. E pode­ría­mos seguir ana­li­sando as várias for­mas de música uti­li­za­das na Igreja ao longo da sua his­tó­ria, e con­clui­ría­mos, ine­vi­ta­vel­mente, que elas sem­pre se iden­ti­fi­cam com alguma forma de ritmo secu­lar. Em outras pala­vras, ainda não foi inven­tado o ritmo sacro. A sub­je­ti­vi­dade do cora­ção esbarra na cor­po­rei­dade da fé e daí resulta que o ritmo do cora­ção não é outro que o ritmo do corpo (mesmo por­que o cora­ção está den­tro do corpo).

A letra que mata ou a música que vivifica?

Se não é a melo­dia, nem a har­mo­nia, nem o ritmo, tal­vez o que con­fira sacra­li­dade à música, seja, então, a letra. Uma letra reli­gi­osa con­tra uma letra secu­lar faria a dife­rença, o que tor­na­ria deter­mi­nada música sagrada e outra pro­fana. Se o cri­té­rio for o que a letra diz, então tere­mos que clas­si­fi­car como “sagra­das” a uma infi­ni­dade de músi­cas popu­la­res, pois nes­tas a temá­tica reli­gi­osa —Deus, fé, amor, jus­tiça, paz— é mais do que freqüente: “Andar com fé eu vou…”; “Se eu qui­ser falar com Deus…”; “Pai, afasta de mim este cálice”; “A paz inva­diu o meu cora­ção…”; “Quero a uto­pia, quero o vinho e o pão…”; “… quero o leito, quero a mesa, quero o vinho e quero o pão…”; “… eu per­gun­tei, ai, a Deus do céu, ai, por­que tama­nha judi­a­ção”; etc. Por outro lado, pode­ría­mos citar hinos e cân­ti­cos que pouco ou nada falam dos temas da fé, ou que os tra­tam de maneira anti­e­van­gé­lica, tais como os hinos-de-guerra, e os car­re­ga­dos de pre­con­ceito: “eis mar­chando já os negros bata­lhões…”; “meu cora­ção era preto…”, e outros de cará­ter indi­vi­du­a­lista e teo­lo­gia duvi­dosa. Por­tanto, o fato da letra de uma música falar de Deus, sobre Deus ou sobre temas da fé, não é garan­tia de que ela seja sagrada. A Bíblia mesma nos ensina que “a letra mata, mas o espí­rito vivifica”.

A san­ti­dade do autor/compositor ou a graça de Deus?

Já sei, a dife­rença não está nem na melo­dia, nem na har­mo­nia, tam­pouco no ritmo, ou na letra. A res­posta só pode ser que a sacra­li­dade da música está no seu autor/compositor. Se este ou esta for crente, então sua com­po­si­ção será sagrada. Mas espere um pouco, um dos mais popu­la­res com­po­si­to­res bra­si­lei­ros de música gos­pel da atu­a­li­dade tem uma agên­cia de pro­du­ção de jin­gles. Pro­va­vel­mente a maior parte de sua cli­en­tela não deve ser com­posta de gente de igreja —nem os pro­du­tos anun­ci­a­dos, sagra­dos. Será, então, que seus jin­gles comer­ci­ais são sagra­dos por­que esse autor é evan­gé­lico? E, mais, essas músi­cas sacras esta­riam ser­vindo para ven­der pasta de dente, chi­clete e sabão em pó? Não creio. E há um outro pro­blema: já pen­sa­ram se esse com­po­si­tor de música gos­pel, tão pie­doso, vier um dia a cair em ten­ta­ção, aban­do­nar a fé, sair da Igreja, negar Jesus…? Sua com­po­si­ção dei­xará de ser sagrada? Será que pode­mos supor que todos os com­po­si­to­res dos hinos dos hiná­rios evan­gé­li­cos ofi­ci­ais per­ma­ne­ce­ram fiéis até o fim? Uma afir­ma­ção desse tipo parece temerária.

Con­cluindo

À luz de tudo isso, não resta outra con­clu­são que a de entre­gar­mos a Deus a res­pon­sa­bi­li­dade pela sacra­li­dade do que can­ta­mos no culto. Em outras pala­vras, a sacra­li­dade da música depende uni­ca­mente da graça de Deus – “a minha graça te basta” (2Co 12.9). A música que uti­li­za­mos nos cul­tos não têm mérito em si mes­mas. Depen­dem do kai­rós de Deus, do tempo opor­tuno da visi­ta­ção, da sal­va­ção pela graça —“pela graça sois sal­vos (…); e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Pela graça de Deus nós can­ta­mos, não por­que a música seja sacra em si, mas por­que a música se torna sacra quando nós a can­ta­mos para Deus. O pro­fano, quando tocado pelo sagrado, é san­ti­fi­cado por­que “maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1Jo 4.4). E por­que sabe­mos que “Deus é maior do que o nosso cora­ção” (1Jo 3.20) pode­mos crer que ele com­pleta o que nos falta, tornando-nos puros – a nós e à nossa música. Da Pala­vra de Deus apren­de­mos que “para os puros, todas coi­sas são puras” (Tt 1.15). Assim, resta-nos que nos impor­te­mos menos com o culto da música, e mais com a música do culto. Não que ado­te­mos uma música de Deus, mas que ado­re­mos ao Deus da música.



Que, em meio às dis­so­nân­cias da vida, a graça de Deus nos trans­forme os des­can­tos da alma na música santa do Espí­rito, para ser ento­ada no com­passo do corpo res­sus­ci­tado, para o lou­vor da Sua gló­ria, hoje e para sem­pre. Aleluia!


Rudge Ramos, 20 de maio de 2002.

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