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terça-feira, 6 de abril de 2010

Tudo embaixo...

Mais um escândalo, agora (ou de novo) na Saúde, desvios de verbas, ministros dizendo "eu não sei..." e tudo de novo... e nem podemos dizer tudo novo de novo! é sempre a mesma coisa...
Hoje, ouvindo o Pulo do Gato, na CBN 90.90 alguém, devido ao ruído do trânsito, comentou "a legislação é a maior aliada da impunidade". Será tão simples assim? Só que a legislação é feita por legisladores, logo, o maior aliado da impunidade é o próprio legislador. Interessante a atribuição de culpa a outrem, sempre. Temos um legislativo que não legisla, um executivo que não executa e um judiciário que não tá nem aí. E ficamos empurrando com a barriga vazia, enquanto outros empurram cueca abaixo. Tentamos sempre achar uma punição, mas nunca tentamos transformar as causas que levam à imoralidade e à falta de ética em um país amoral. A falta de educação de todo o povo, sim, todo o povo (inclui-se aí a elite pseudo-pensante, que não pensa mais e só fala besteira), é apenas debatida em círculos cercados de interesses e recheado de discursos que agradem a esses interesses. E fica lá, no círculo fechado, e não chega ao pobre oprimido e marginalizado e desconhecedor de que é possuidor de direitos e deveres, além do nome sujo ou limpo na praça. E que diz que luta, sem saber a causa, ou pior, sem ter causa. Nasce, cresce, trabalha e morre. E onde está a luta nisso tudo? Aí diz que luta pela sobrevivência. Será que somos reduzidos a isso, pois um animal selvagem faz a mesma coisa: nasce, cresce, luta pela sobrevivencia e morre. Um sistema não-humano que desumaniza o ser-humano. E quem faz esse sistema? Você e eu.
Faço minhas as palavras de Affonso Romano de Sant´Anna, em seu poema de 1980 intitulado "Que país é este?"

Uma coisa é um país,
outra um ajuntamento.

Uma coisa é um país,
outra um regimento.

Uma coisa é um país,
outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas
usei caderno "Avante"
- e desfile de tênis para o ditador.
Vinha de um "berço esplêndido" para um "futuro radioso"
e éramos maiores em tudo
- discursando rios e pretensão.

Uma coisa é um país,
outra é um fingimento.

Uma coisa é um país,
outra um monumento.

Uma coisa é um país,
outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça
em busca da especiosa raiz? ou deveria
parar de ler jornais
e ler anais
como anal
animal
hiena patética
na merda nacional?
Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo
comendo o que as traças descomem
procurando
o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso
que nos impeliu de errar aqui?

Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos
nacionais, como qualquer santo barroco
a rebuscar
no mofo dos papiros, no bolor
das pias batismais, no bodum das vestes reais
a ver o que se salvou com o tempo
e ao mesmo tempo
- nos trai

Recomendo a leitura de todo este poema, muito bom, além de outros deste autor. Mas, deixo mais algumas frases deste poema:

(...)
Mas este é um povo bom
me pedem que repita
como um monge cenobita
enquanto me dão porrada
e me vigiam a escrita.
Sim. Este é um povo bom. Mas isto também diziam
os faraós
enquanto amassavam o barro da carne escrava.
Isso digo toda noite
enquanto me assaltam a casa,
isso digo
aos montes em desalento
enquanto recolho meu sermão ao vento.

Povo. Como cicatrizar nas faces sua imagem perversa e nua?

(...)

Povo
também são os falsários
e não apenas os operários,
povo também são os sifilíticos
não só atletas e políticos,
povo
são as bichas, putas e artistas
e não só escoteiros
e heróis de falsas lutas,
são as costureiras e dondocas
e os carcereiros
e os que estão nos eitos e docas.

Assim como uma religião não se faz só de missas na matriz,
mas de mártires e esmolas, muito sangue e cicatriz,
a escravidão
para resgatar os ferros de seus ombros
requer
poetas negros que refaçam seus palmares e quilombos.

(...)

Povo
não pode ser sempre o coletivo de fome.
Povo
não pode ser um séquito sem nome.
Povo
não pode ser o diminutivo de homem.

O povo, aliás,
deve estar cansado desse nome,
embora seu instinto o leve à agressão
e embora
o aumentativo de fome
possa ser
revolução.

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