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segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Antes que se rompa o fio de prata..."

por Pastor Marcos Munhoz, da IM em Rudge Ramos




"Antes que se rompa o fio de prata..."

Eclesiastes 12 : 1 - 8

As vivências que compõe a nossa existência relatam nossa intimidade com Deus. Nos últimos dias um infarto agudo do miocárdio e todas as suas conseqüências me proporcionaram experiências múltiplas as quais não poderia ou conseguiria relatar em só testemunho. Uma dessas vivências diz respeito ao "Fio de Prata", ou seja, a finitude e a fragilidade da vida - dom gratuito de Deus.

Reconhecer que o "Fio de Prata" estava por ser rompido a qualquer instante gerou em mim, enquanto estava na UTI (sonolento, contudo consciente durante todo o processo de "salva" de minha vida), uma capacidade de reconhecer a fragilidade, a finitude do humano e em contrapartida a grandiosidade e a infinitude do Divino reveladas em sua benignidade e misericórdia.

Meses antes, em uma de minhas orações dizia a Jesus : "trata, Senhor, o meu coração". Referia-me ao meu ego, estava por suplicar que Deus me ajudasse a não ser soberbo com certas funções que exerço na Igreja e na vida secular, mas referia-me, também, a não ter uma baixa auto-estima caso alguns projetos não se realizassem. O tratamento do infarto me reportou a este pedido e ali nas primeiras horas de UTI eu senti que Deus estava com justiça, correção e equidade tratando literalmente meu coração e fazendo daquele momento o tratamento que eu solicitara em minhas súplicas de meses anteriores.

Naquela situação de esgotamento de todos os meus sistemas (circulatório, digestório, muscular, etc.) fui sendo educado pelo Espírito Santo, instruído sobre a minha fragilidade e finitude humana, reconheci que os projetos pessoais, os ideais, os sonhos, os desejos mais íntimos são ligados a vida por um tênue "Fio de Prata" que pode romper-se a qualquer momento. O educar do Espírito é multiforme. Paralelamente me fazia compreender a grandiosidade, a benignidade, a misericórdia, o poder do Deus Pai. Nas mãos Dele eu estava totalmente entregue, e o Senhor, em Jesus Cristo, agia mansamente por meio de uma equipe de profissionais competentes, adestrando suas mãos, instigando seus conhecimentos, usando-os como "anjos" a cuidar de um servo inerte; aproveitando o episódio para tratar meu ego. É como se eu pudesse ouvir: "Veja como sou capaz de cuidar de você e usar o que desejo para mantê-lo para mim ou trazê-lo comigo; não são seus projetos, seus sonhos, seus ideais que dirigem sua vida, sou Eu."

Passados os momentos de maior crise e a primeira angeoplastia realizada apenas algumas horas após o infarto (portanto de emergência), a medida que meus sinais vitais iam aos poucos se estabilizando a aprendizagem era ainda maior, o Espírito estava certo que eu podia compreende-lo.

Então me perguntei como posso agradecer a Deus por este feito tão grande, procurava e rebuscava em minha memória palavras, frases, jargões que pudessem criar um grande alarido de ação de graças e louvor, mas... não encontrava senão pouquíssimas palavras que pareciam nada significar diante do que o Senhor me proporcionará naquele leito de UTI. Então o Espírito Santo me ensinava: "veja como é a fragilidade e a finitude humana, não há nada que se possa igualar aos feitos do Pai, realizados por seu Filho a teu favor, não há palavras, frases, jargões que possam expressar a totalidade da ação divina." Passaram-se dias (17 ao todo) e recebi alta hospitalar e devolvido ao seio familiar a quem Deus cuidará com todo carinho por meio de muitos irmãos e irmãs.

Com estes cuidados de Deus fui aproximando-me novamente da necessidade de agradecer e a idéia de culto saltou de minha memória em uma madrugada. Se palavras, expressões, jargões não são suficientes quem sabe o culto seja mais apropriado para render graças ao Senhor. Com a ajuda do Espírito fui refletindo sobre o que é cultuar, veja bem sou pastor a 29 anos e me perguntava o que é cultuar a Deus? Os meus parcos conhecimentos teológicos começaram a vir a mente e o Espírito parecia selecionar o que eu devia dar importância e me mostrou que eu já sabia o suficiente, mas precisava aprofundar esses conhecimentos. Entendi que devia refletir sobre a temática e no leito, na madrugada (uma "insônia santa"), era como se o Espírito afirmasse: "agora tudo e todos repousam, podemos conversar".

Lembrei-me então das palavras liturgia e da expressão ordem de culto, e o Espírito me ensinava "isto mesmo, vamos lá". ADORAÇÃO, sim adoração. É o primeiro ato de um cristão ao adentrar a casa do Senhor para cultuar. Adorar..., bem são afirmações sobre os atributos de Deus, certo?! As experiências da grandiosidade e infinitude de Deus que eu vivera na UTI me reportavam a necessidade de dizer coisas sobre o caráter de Deus, sobre sua intimidade. Mais uma vez as palavras eram pífias, pequeninas, insignificantes, não havia jargões teológicos, frases de efeito, ações que pudessem me fazer definir o poder, a misericórdia, a benignidade, o amor de Deus que eu sentira na UTI. É como se o Espírito me confidenciasse; "percebes que nem sempre os cultos realizados fazem sentido para o Pai? É por isso que gemo, com gemidos inexprimíveis, por cada um de vocês" . Ensino, palavra fundamental naquela madrugada. Meus pensamentos voaram rapidamente para a fragilidade e a finitude humana, se não sou capaz de adorar sem que o Espírito Santo o faça comigo, deverá haver algo que eu possa dizer ao Senhor. Ledo engano! A fragilidade e a finitude da vida me puseram frente a frente com a multidão de meus pecados de toda a minha vida, não havia acusações ou culpas, apenas memória daquilo que sou. O Espírito volta a ensinar-me - não ouvia vozes ou tinha qualquer tipo de visão - apenas pensamentos que iam ajustando minhas reflexões. "Marcos, Jesus perdoou todos os teus pecados! Confessa-los é um ato tão importante como adorar ao Deus trino." Os ensinamentos brotavam com uma fluidez impressionante e me colocavam diante do "Fio de Prata". Reconhecer a situação humana de fragilidade e finitude me remeteu a cruz de Cristo. O sangue remidor derramado naquela horrenda cruz é que me permitia sentir o quanto sou frágil, finito e dependente da ação misericordiosa do Deus Trino. O Espírito Santo novamente me ensinava: "viu, Marcos, como preciso continuar gemendo, gemidos inexprimíveis, em suas confissões?" De fato a confissão é um ato importante, mas a exemplo da adoração faltam palavras e expressões que tragam a tona as minúcias dos nossos pecados, há muitos que nos ficam ocultos por se tratarem de ações tão corriqueiras que nós já nem mais consideramos pecados, mas nos afastam de Deus. Lembrei-me do salmista: "absolve-me das faltas que me são ocultas (Salmo 19 : 12). Quão importante é a confissão diária de nossos pecados!

Então o Espírito me conduziu ao LOUVOR! Como se me perguntasse: "você sabe louvar?" Ah! pensei logo: música! Então o Espírito me orienta: "não é muito insignificante essa resposta?" Uma grande dificuldade invadiu minha mente, eu já tinha me deparado com este sentimento na adoração e na confissão. Impotência das palavras, das ações, dos jargões, das formulas repetitivas, importantes tentativas de louvar mas que..., bom rendo-me ao ensino do Espírito. Disse, eu: Senhor louvar é contar os teus grandiosos feitos, ações magníficas de tua bondade. "Sim", respondeu-me o Grande Ensinador. "Contudo lembre-se dos momentos vividos naquele hospital me diga palavras que podem contar tudo que o Pai das Luzes fez." Esforcei-me, o vocabulário parece não conter palavras suficientes para se quer agradecer que dirá contar com detalhes cada ação favorável a mim. Lembrei-me dos que eram meus cuidadores, dos mais humildes aos mais sábios daquelas equipes que por 17 dias me acompanharam com um carinho tão especial. Lembrei-me de minha família, seus sofrimentos e angustias e a certeza do cuidado paterno do Senhor Jesus, lembrei-me da família de Deus em oração e disse ao meu Educador : "não tenho palavras , meu Senhor, tudo o que fazemos nos cultos não conseguem refletir a majestade do Deus Trino, as Suas obras, o Seu agir e o Seu trabalho , por vezes tão silencioso, quase imperceptível. Rendo-me aos teus pés, não sou capaz de louvar ao Senhor na dimensão da Sua Majestade, da Sua Soberania, Seu Poder e Sua Glória. O Grande Ensinador tranqüiliza meu coração: "Marcos, eu continuo gemendo, gemidos inexprimíveis, para que o louvor possa chegar ao Trono da Graça. Lembra-te da multiforme Graça de Deus, os louvores devem ser multiformes pois na complexidade da vida há muitos meios para expressar o sentir da obra de Deus, e eu fui enviado para ajuda-lo a louvar, gemendo por ti." A fragilidade e finitude humana exposta diante de mim em contrapartida a grandiosidade e infinitude de Deus me remeteram a quilo que podemos chamar de final do culto. DEDICAÇÃO. "Você sabe o que é isso, Marcos?" A pergunta me veio a mente como um sussurro de meu mestre. Lá estou eu, de novo, com os saberes teológicos e a falta de vocabulário. Entrega, confiança, esperança, intercessão, envio. Puxa! parece que agora estou conseguindo me sair bem! "Não é bem assim" afirma o Educador: "Nem mesmo estas palavras são capazes de expressar o que podem significar a Dedicação. Marcos, estou falando de ações que estão muito além do fazer um final de uma apresentação, a dedicação tem uma espiritualidade de entrega." Comecei a refletir: a intercessão pelos que sofrem é uma entrega, o culto prestado sobre a ordem do Espírito Santo é uma entrega, a certeza que Deus nos acolheu e aceitou o culto é uma entrega, a bênção apostólica é uma entrega. O Envio, que é a abertura do ser humano, regenerado por Jesus, e enviado ao mundo como ovelhas entre lobos, é uma entrega. O mestre da madrugada oferece mais uma vez a sabedoria : "Dedicar é oferta suave de entrega do seu próprio ser, frágil e finito, ao que é Grande e Infinito: o Trino Deus". Então compreendi, o Espírito Santo estava gemendo mais uma vez, gemidos inexprimíveis, por mim naquela madrugada. Adormeci após um culto fascinante, onde não houve música, nem coros, nem teatro, nem dinâmicas, nem ofertas financeiras, repousei nos braços do Grande Ensinador, como um infante acolhido no colo materno ou paterno dorme o sono da segurança. Edificado como necessitava.

Lembram que lhes contei de minha oração: "trata Senhor o meu coração". Aí está um dos tratamentos que Deus me proporcionou em uma dessas últimas madrugadas, outros já me foram dados que não descrevi aqui.

Termino este testemunho afirmando: o poder institucional, a soberba das funções e cargos ocupados, a urgência de ser reconhecido e elogiado, a necessidade de obter resultados no trabalho, o desejo de domínio sobre pessoas, a vontade de que projetos pessoais sejam aceitos e realizados para nossa satisfação, o edonismo de nossos cultos (prazer que nós desejamos ter no culto, fazendo dele a nossa imagem e semelhança), nada são diante do "Fio de Prata", da fragilidade e finitude humana. Em verdade somos totalmente dependentes da grandiosidade e infinitude do Senhor da Vida, que misericordiosamente nos ama.

Pastor Marcos Munhoz da Costa

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